SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO TWITTER

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

METAMORFOSES – Emiliano Perneta

Sei que há muita nudez e sei que há muito frio,
E uma voracidade horrível, um furor
Tão desmedido que, quando eu acaso rio,
Quantos não estarão torcendo-se de dor.

Conheço tudo, sim, apalpo, indago, espio…
Tenho a certeza que vá eu para onde for,
Como o escaravelho, hei de o ódio sombrio
Ver enodoar até o seio de uma flor.

Mas sei também que há mil aspirações estranhas,
Que havemos de subir montanhas e montanhas,
Que a Natureza avança e o Homem faz-se luz…

Que a Vida, como o sol, um alquimista louro,
Tem o dom de poder mudar a lama em ouro,
E em límpidos cristais esses rochedos nus!

Emiliano David Perneta, Pinhais-PR, (1866-1921)

COMENTÁRIOS SELECIONADOS

PROMESSA DE CAMPANHA

Comentário sobre a postagem A CANDIDATURA ESTÁ LANÇADA

Wilton Carvalho:

Eu voto.

Desde que, na promessa de campanha, inclua o Polodoro enfiando a pajaraca no herpidio (tobá) dos petralhas..

* * *

Nota do Editor candidato:

A promessa está feita:

Polodoro não vai apenas vai enfiar sua potente parajaca no furico dos petralhas.

No furico ou no “herpidio, tobá”, como denominou o leitor.

Mais ainda:

Polodoro vai comemorar a enrabada rinchando.

DEU NO JORNAL

COMPANHEIROS SUPREMAMENTE SOLIDÁRIOS

Bens e valores da família do ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB) foram desbloqueados pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.

A decisão foi publicada na última sexta-feira (7).

Entre outras coisas, as defesas de Fernanda Richa, esposa de Beto Richa e ex-secretária estadual, e de André Richa, filho do casal, argumentaram no STF que a indisponibilidade no valor de R$ 166.353.357,41 já durava quase três anos, em “ofensa ao direito fundamental da duração razoável”.

O bloqueio, a pedido do Ministério Público Federal (MPF), foi autorizado no início de 2019 pelo juiz federal Paulo Sergio Ribeiro, da 23ª Vara de Curitiba, no bojo da Operação Integração, que apura pagamento de propina no âmbito dos contratos do governo do Paraná com as concessionárias de rodovias que atuavam até novembro do ano passado no Anel de Integração.

* * *

Uma minxaria. Uma besteira.

Pouco mais de 166 milhões.

Um tiquinho insignificante pros padrões banânicos.

O fato é que o cumpanhero Boca-de-Priquito não fez nada de anormal.

Apenas seguiu a suprema rotina: acoitou a ladroagem.

Nessa notícia aí de cima, o que gostei mesmo foi da frase “ofensa ao direito fundamental da duração razoável”.

Tá arretada!

Apelo aos juristas fubânicos:

Isso tá escrito em algum código, alguma lei?

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

BERNARDO - DIRETO DO PINGO NOS Is

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

CLAUDIO AGUIAR – RIO DE JANEIRO – RJ

A SEMANA

A Semana de Arte Moderna de São Paulo de 1922, sem dúvida, representou um momento de reflexão sobre o que se deve entender por modernismo. Agora, chega-se ao seu centenário e, outra vez, novas reflexões vinculadas ao mesmo tema precisam ser formuladas.

A importância da Semana de Arte Moderna pode ser entendida pela quebra dos ares de morosidade e de conformismo reinantes em 1922, relativos às atividades culturais e literárias, as quais, de repente, pela ação e pela voz de alguns jovens, foram tidas como ultrapassadas e deveriam ser substituídas por outras iniciativas prenhes de novidades. Em muitos sentidos as novidades significavam mudanças efetivas no modo de entender e de fazer as várias manifestações da Arte.

No rol das diretrizes propostas pelos organizadores da Semana de Arte Moderna de São Paulo podem ser identificadas tendências e características que, em resumo, apontam para a fragmentação, a síntese, a busca de linguagem ancorada na chamada brasilidade, com afirmação de sentimentos nacionalistas; a presença de expressões irônicas, humorísticas e paródias; o foco no cotidiano; a preocupação crítica com obras erigidas no passado, inclusive nos campos histórico e cultural; a recorrência ao subjetivismo e a expressividade poética; o apego ao verso livre, etc.

A par desses focos, fica bastante claro que a ideia do que seja modernismo re-quer a mudança ou a adoção de medidas que impliquem surgimento de obras capazes de assinalar a presença de algo inovador. Essa expressão do novo, esse achado adequado à fruição por parte de seus destinatários gera, enfim, o fenômeno do modernismo.

A visão sobre os aspectos mais gerais da existência humana, a meu ver, não abole todas as formulações estéticas assentes. Algumas delas adquirem foro de permanência. A cultura, em verdade, não se apoia sobre a necessidade incessante de mudar. Entendo que esse afã reside mais na ideia de reexame de facetas que dizem respeito ao conhecimento humano. Daí, o progresso não poder se apoiar sobre a quebra absoluta de marcas ou de registros consagrados. Chegar à substituição do ultrapassado, creio, deve ser a medida acertada e equilibrada, porém, como ocorre nas regras consolidadas nas constituições que regem a forma de vida e de convivência de um povo, sempre são respeitados certos princípios ou entendimentos como “regras pétreas”.

Os modernistas brasileiros, apesar de todo o esforço, não conseguiram dar ao Brasil, sobretudo na visão de regiões singularíssimas e de forte expressão cultural que integram a nacionalidade, os roteiros de ações que traduzam o real cenário de um Brasil profundo, encontrado e entendido nos seus “grotões culturais e literários” ou “ilhas culturais”.

Por isso, Gilberto Freyre, com sua autoridade de iniciado na sociologia e na antropologia, ousou alertar, por meio das ponderações do chamado Movimento Regionalista de 1926, que o Brasil não era apenas São Paulo. As regiões deveriam encontrar seu lugar no mapa de um país com dimensões continentais. Com isso ficavam ressaltadas as dimensões regionalistas e as universais naquilo que fosse apresentado pelas diversas manifestações e peculiaridades culturais e artísticas.

Um dos exemplos dessa falta de visão mais abrangente para compreender o que representa um país com dimensões continentais não apenas na sua geografia física, foi dado por Oswald de Andrade, um dos líderes da Semana de Arte Moderna, que, em duas ocasiões, talvez por desconhecer ou não aceitar os procedentes argumentos de Freyre, preferiu aludir ao Nordeste com ressaibos de inveja ou de despeito. A primeira ocasião ocorreu quando Andrade se referiu aos romancistas nordestinos do ciclo de 1930 como sendo “pesados búfalos”, em clara oposição ao sulista Érico Veríssimo, romancista considerado leve como uma borboleta. Mais tarde, quando jornalistas foram a ele perguntar o que achava da morte do bandido Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, abatido pela polícia em 28 de julho de 1938, na Grota do Angico, em Sergipe, respondeu: “Não fizeram nada, porque Gilberto Freyre continua vivo”.

Esses breves indicadores ainda ecoam como resíduos que precisam ser afastados dos pontos defendidos pela Semana de Arte Moderna de São Paulo de 1922, os quais ressurgem como certa xenofobia aos nordestinos. Talvez, quem sabe?, um dia surja um Movimento de Arte Moderna com a ideia de que todas as Artes são, antes de tudo, brasileiras e não apenas paulistas.

RODRIGO CONSTANTINO

A PATOTA DO SELO AZUL

Cunhei a expressão patota do selo azul há alguns anos, para me referir a essa turma corporativista da velha imprensa, que acha que o selinho de verificação do Twitter é um status qualquer, uma espécie de símbolo do clubinho, ficando do lado de fora os “párias” da sociedade. Ao notar que jornalistas irrelevantes, sem qualquer engajamento e com poucos seguidores, recebiam esse selo, enquanto gente muito mais conhecida continuava sem, dei-me conta de que era um critério subjetivo e arbitrário que servia justamente para proteger essa bolha “progressista”.

Ocorre que a turma levou a palhaçada longe demais. A dona de casa mineira Barbara, do canal TeAtualizei e colunista do JBF, que tem enorme audiência, teve o selo de verificação concedido esta semana. E pasmem! A patota ficou em polvorosa, não está engolindo isso, não consegue lidar com esse fato. Virou até destaque no maior jornal carioca que a “bolsonarista que espalha Fake News” foi verificada pela rede social. Onde já se viu? Como ousam colocar uma dessas em nosso clubinho?!

Para adicionar muito insulto à injúria, o Ministério Público, pelo visto bastante desocupado, resolveu tirar satisfação e cobrar explicações do Twitter. O deputado Filipe Barros, incrédulo, constatou que isso “é mais uma demonstração que parcela da instituição não quer combater crimes, como o tráfico internacional de drogas. Querem apenas lacrar”. Ele conclui que é preciso uma reforma profunda do MP, que parece mesmo sequestrado por uma militância esquerdista.

Um tal de Renan, jornalista da Globo News, partiu para o ataque contra a Barbara, desejando inclusive sua prisão pelo “crime de opinião”. Ele ficou revoltado com o selo azul e disse que ela merecia é uma tornozeleira eletrônica. A hashtag #SomosTodosBarbara atingiu o topo de tendências na rede, pois milhares saíram em defesa da simpática dona de casa. O tal do Renan, com seus 40 mil seguidores (Barbara tem 725 mil), acabou fechando sua página, agora protegida do público. Mesma atitude que outros ícones da patota já adotaram antes, blindando seus tweets de comentários negativos, críticas ácidas e argumentos incômodos.

O padrão se repete: gente medíocre, irrelevante, sem engajamento, invejosa, com mentalidade autoritária, demonstra como pode ser covarde. Ana Paula Henckel comentou: “Ainda não aprenderam que quanto mais tentam censurar, quanto mais perseguem, maiores se tornam as pessoas de bem. Um exército, que pode parecer silencioso, SEMPRE aparece para estar no fronte com você. Não há dinheiro no mundo que compre isso. E é exatamente isso que mete medo nos tiranos”.

A própria Barbara agradeceu pelo carinho do público e disse que o tempo que eles podem falar sem ser questionados acabou. “Por mais que o fim seja doloroso, eles vão entender que pensar diferente não é crime”, concluiu. Se depender da patota, será crime sim.

DEU NO TWITTER

PUNIÇÃO FLATULENTA

* * *

Ainda bem que não sou motoqueiro.

Muito menos em Fortaleza.

Um absurdo multar um condutor porque peidou.

E, conforme está escrito no talão, o coitado ainda “levantou a bunda do banco”.

Ou seja, comportou-se e agiu conforme o regulamento peidífero.

Não deveria ter sido multado de modo algum.

Um absurdo!