J.R. GUZZO

ESTADO DE COMA

O universo político e os seus subúrbios discutem com paixão, no momento, os futuros ministros do ex-presidente Lula, a volta da propaganda política obrigatória no rádio e televisão ou a guerra pessoal do presidente da República contra a vacina da covid. Discutem mais uma tonelada de questões parecidíssimas; são levados extremamente a sério por si mesmos e pelos comunicadores sociais. Não há o menor risco, é claro, de mudarem de ideia ou de mudarem de assunto. O resultado prático disso tudo é uma desgraça. Fica garantido, enquanto as coisas continuarem assim, que o Brasil não vai resolver nenhum dos problemas que tem.

O paciente está com câncer; estão recomendando Melhoral ou, pior ainda, um tratamento com o curandeiro João de Deus. É uma calamidade que não poderia estar mais clara: desde 1980 a renda per capita do brasileiro não sai do lugar em que está. O Brasil, nesse período, chegou a um PIB entre US$ 1,5 trilhão e US$ 2 trilhões. Acaba de bater mais um recorde de exportações, com US$ 280 bilhões em 2021. Tem mais de 230 milhões de celulares, e outro tanto de computadores. Tem trinta e tantos anos de “Constituição Cidadã”, de “estado de direito” e de instituições protegidas à força de inquérito policial, cadeia e censura. Tem Poder Moderador. Tem Uber. Tem tudo, menos o essencial: uma melhora, qualquer melhora, no bem-estar da sua população. Está parado, aí, há 40 anos.

Ninguém liga, é claro, porque quem tem voz neste País é a minoria que anda de SUV, ganha acima de R$ 15 mil ou R$ 20 mil por mês e faz “home office”. Mas a renda da população está há 40 anos em estado de coma – e isso é o atestado mais arrasador de fracasso que uma sociedade poderia ter. Para que serve um governo, no fim das contas, se não for para tornar mais cômoda a vida das pessoas? O poder público no Brasil, definitivamente, não faz isso – governa, com obsessão, para ficar com a maior parte da riqueza nacional e para cuidar unicamente de seus próprios interesses. O resultado é que o País vai ficando cada vez mais longe das sociedades desenvolvidas – e mesmo das nações pobres que vêm vencendo a sua pobreza.

Estar parado há 40 anos é a prova mais espetacular de que tudo o que o poder público fez, durante esse tempo todo, deu errado. Não se mexe no essencial – a concentração de renda cada vez mais alucinante por parte do Estado. Tanto faz, daí, a “política econômica”. Já tivemos Figueiredo-Delfim, Sarney-Mailson, Collor-Zélia, FHC-Malan, Lula-Palocci, Dilma-Mantega, Temer-Meirelles e Bolsonaro-Guedes. Para a renda do brasileiro, deu tudo na mesma.

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ALEXANDRE GARCIA

PILATES DE CONTAS

O Tribunal de Contas da União, que é um órgão do Poder Legislativo, acaba de cancelar a decisão de criar uma academia de ginástica com dois fisioterapeutas e equipamento para pilates. Custaria, aos pagadores de impostos, 216 mil reais.

A Presidente do TCU, Ministra Ana Arraes cancelou a licitação depois que o fato foi denunciado aos pagadores de impostos. Quer dizer, era se colar, colou. Se não descobrem, já se teria fato consumado. Quem fiscaliza o fiscalizador? Seu dono, o povo brasileiro.

O Tribunal, feito para fiscalizar e conferir a correta aplicação dos impostos federais, isto é, o dinheiro do público, estava contando que o público fosse uma massa inerme e passiva, que desconhece que o estado está a seu serviço, e não o inverso.

Esse erro de avaliação tem sido muito comum pelos que ainda não se deram conta dos novos tempos de comunicação e reação instantâneas das redes sociais. Tanto que alguns tribunais renitentes ainda tentam calar essas vozes do povo, de onde emana o poder.

Fazer de um órgão público um clube para servir seus integrantes era costume das épocas em que o setor estatal tinha outros donos: os que ocupavam os cargos e sua respectiva nomenklatura. Bem típico da ideologia estatizante que usava o modelo soviético.

Num tribunal de contas deveria pontificar o exemplo para todo o setor estatal, de exação absoluta com o dinheiro do público. Tal como acontece exemplarmente em tribunais dos Estados Unidos, em que os juízes têm apenas a vaga no estacionamento, pois vêm dirigindo seus próprios carros, quando não chegam aos tribunais de metrô ou de bicicleta, como acontece na Europa.

O Brasil tem 34 tribunais de contas: o da União, 27 estaduais e seis municipais. São compostos principalmente por políticos em fim de carreira. Embora no Poder Judiciário seja necessária a formação em Direito, para os tribunais de contas não é exigida especificamente a formação em Ciências Contábeis; bastam “notórios conhecimentos” sobre o objeto do tribunal.

No TCU, são nove – três indicados pelo chefe do executivo e seis pelo legislativo. Assim, podem ser ex-ministros e ex-deputados e senadores. Gozam das mesmas prerrogativas de Ministros do Superior Tribunal de Justiça.

Já havia até um esquema para o clube de Pilates, com marcação de horário para as sessões. Seria nos fins-de-semana? Fora do horário de trabalho? Durante o expediente?

Lembro-me de, há 30 anos, um presidente do TCU que era meu vizinho, quando mostrei, no Jornal Nacional, que ele passava os fins-de-semana em casa, em sua cidade, e recebia diárias. No dia seguinte ele reclamou que eu o tratara mal mesmo sendo vizinho.

Quando argumentei que se não fosse vizinho talvez eu procurasse outros deslizes, ele se recolheu. Hoje, quando se divulgou a ideia do TCU, a licitação foi recolhida. Quem quiser fazer pilates sendo do TCU, que procure uma hora fora do expediente e pague com seu contracheque. No TCU, ficou só o Pilates de Contas.

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GUSTAVO GAYER

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

SÚCUBO – Emiliano Perneta

Desde que te amo, vê, quase infalivelmente,
Todas as noites vens aqui. E às minhas cegas
Paixões, e ao teu furor, ninfa concupiscente,
Como um súcubo, assim, de fato, tu te entregas…

Longe que estejas, pois, tenho-te aqui presente.
Como tu vens, não sei. Eu te invoco e tu chegas.
Trazes sobre a nudez, flutuando docemente,
Uma túnica azul, como as túnicas gregas…

E de leve, em redor do meu leito flutuas,
Ó Demônio ideal, de uma beleza louca,
De umas palpitações radiantemente nuas!

Até, até que enfim, em carícias felinas,
O teu busto gentil ligeiramente inclinas,
E te enrolas em mim, e me mordes a boca!

Emiliano David Perneta, Pinhais-PR, (1866-1921)

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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JOÃO ARAÚJO – MUNIQUE – ALEMANHA

Amigo Berto,

segue o Episódio 10 das famigeradas Frases de Para-Choque de Caminhão.

E para os leitores que quiserem acessar o link de inscrição no meu canal é só clicar aqui.

Obrigado, muita saúde, um forte abraço a todos e até a próxima.

DEU NO JORNAL

GRANDE CONQUISTA DA MEDICINA

Um homem norte-americano com uma doença cardíaca terminal recebeu um implante de um coração de porco geneticamente modificado na primeira cirurgia do tipo, e, três dias depois, o paciente está indo bem, afirmaram os médicos na segunda-feira (10).

A cirurgia, realizada por uma equipe da Universidade de Medicina de Maryland, está entre as primeiras a demonstrar a viabilidade do transplante cardíaco do porco para o homem, um campo de estudos possibilitado por novas ferramentas de edição de genes.

* * *

Um homem recebendo implante do coração de um porco.

Grande avanço da Medicina.

Quanto li esta notícia, fiquei pensando numa outra possibilidade…

Implantar pajaracas de jegues em machos humanos.

Seria um progresso enorme.

Literalmente.