PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

FOGOS-FÁTUOS – Cruz e Souza

Há certas almas vãs, galvanizadas
De emoção, de pureza, de bondade,
Que como toda a azul imensidade
Chegam a ser de súbito estreladas.

E ficam como que transfiguradas
Por momentos, na vaga suavidade
De quem se eleva com serenidade
Às risonhas, celestes madrugadas.

Mas nada às vezes nelas corresponde
Ao sonho e ninguém sabe mais por onde
Anda essa falsa e fugitiva chama…

É que no fundo, na secreta essência,
Essas almas de triste decadência
São lama sempre e sempre serão lama.

João da Cruz e Sousa, Florianópolis-SC, (1861-1898)

DEU NO TWITTER

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO JORNAL

GUILHERME FIUZA

O BONECO DO EX-JUIZ

O boneco do ex-juiz

Sergio Moro foi vaiado num aeroporto na Paraíba. Ele disse que acha que eram pessoas pagas para vaiá-lo. Não é que Sergio Moro ache que não existam motivos para que ele seja vaiado. Sergio Moro não acha nada. Ele repete o que os seus (péssimos) marqueteiros mandam dizer. É um boneco.

E um boneco sem graça. Existem bonecos engraçadinhos. Esse aí foi feito de forma caprichada para não expressar nada. E olhem que isso é difícil para alguém que botou na cadeia o maior ladrão do país. Mas aí é que está: o boneco não está nem aí para o ladrão. Ele será seu concorrente na eleição, e não se ouve uma palavra firme do ex-juiz sobre o escândalo da reabilitação do seu principal réu – um corrupto condenado que está à solta porque tem os amigos certos.

O boneco só repete gemidos contra o governo. Seus geniais marqueteiros devem ter-lhe dado a instrução matadora: se você quer ser presidente, tem que dinamitar o atual presidente. Esses estrategistas modernos sabem tudo. O problema é que para dinamitar é preciso dinamite. Não se tem notícia na história de alguém ou algo que tenha sido dinamitado com um peteleco. Ou com postagens descoladas no Twitter. Moro virou uma espécie de Haddad. A diferença básica é que Haddad é mais bonitinho.

Teoricamente, um boneco deveria ser mais expressivo que um poste. Mas a realidade gosta de zombar das teorias – e aí está a zombaria: um boneco todo vestidinho de terceira via consegue ser menos expressivo que um poste sem luz, construído por um criminoso dentro de uma cadeia.

Seria importante um bom candidato de oposição a Bolsonaro. Um que soubesse escolher ministro da Saúde, por exemplo. E que compreendesse o que há de positivo na agenda macroeconômica atual, para aprimorá-la. Esse ser infelizmente não deu as caras (ainda) no cenário político brasileiro. O que chega mais perto disso talvez seja o governador de Minas Gerais, menos pelo que faz do que pelo que não faz – sabotar de forma primária o governo federal 24 horas por dia, expediente central da maioria dos seus colegas.

De qualquer forma, Romeu Zema é um dos raros personagens dessa cena atual que merece observação. É novato e um pouco tacanho na postura, mas já mostrou certo pragmatismo administrativo e a mínima coragem para não ceder à vida fácil de se aninhar no colo da imprensa conspiradora. Não é pouco (na seca atual). Fora isso, só mobília velha, mesmo aquelas que acabaram de sair da loja. Já vieram cheias de cupim. E Sergio Moro não dá nem para a saída.

Parece que no aeroporto ele foi chamado de traidor. Aí mandaram o pobre ex-juiz, perdidinho da Silva na política, dizer que era claque de aluguel do Bolsonaro. Quanto mais Sergio Moro cascateia desse jeito pueril, mais será considerado traidor – e não necessariamente por bolsonaristas. Quanto mais repete barbaridades que seus grilos falantes (e não pensantes) lhe sopram, tipo tentar culpar a equipe de Paulo Guedes pela inflação mundial da pandemia, mais Sergio Moro trai a si mesmo aos olhos dos que o consideravam um símbolo de justiça e retidão.

Símbolo de justiça e retidão não faz esse papelão. O candidato que está aí é o ex-Sergio Moro. E ao tentar culpar Bolsonaro pela reabilitação de Lula ele revela toda sua covardia diante do STF, o real agente da ressurreição política do ladrão, numa manobra de casuísmo que aquele juiz da Lava Jato entenderia muito bem. “O crime não compensa” não está entre as frases prontas que deram para o boneco matraquear.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

MARINA PASQUALLI – CAMPINAS-SP

Senhor Editor:

Um pedido especial:

Por favor, publique no nosso jornal este material.

Agradeço desde já a sua consideração.

Abraços

* * *

DEU NO JORNAL

DESCANSO MÍNIMO

Luís Ernesto Lacombe

Nova urna eletrônica

Nos meus tempos de colégio, o ano letivo era mais curto. Tínhamos apenas 180 dias de aula. Como sempre fui bom aluno, escapando de recuperação e provas finais, eu costumava ter férias da segunda semana de novembro até o início de março. E as férias no meio do ano se estendiam por quase todo o mês de julho. Acho que acumulei energia suficiente nesse período para cursar duas faculdades ao mesmo tempo e, depois, para atuar como jornalista, profissão que não respeita fins de semana, feriados e madrugadas teoricamente silenciosas.

Tenho dois programas na televisão, dois projetos na internet, escrevo para três jornais. Como nossos magistrados, não tenho direito a horas extras, não tenho jornada de trabalho definida, estou disponível 24 horas por dia. Nossos juízes ainda podem tirar 60 dias de férias por ano… Eu não posso. Também não tenho um privilégio de servidores públicos, a possibilidade de pedir licenças especiais remuneradas. E não estou aqui para clamar por mais tempo de férias, mais dias não trabalhados. Muito pelo contrário.

Sei dos desafios que 2022 impõe, não apenas a jornalistas, a todos nós. Este ano vai exigir de cada brasileiro muita atenção, muito cuidado. Alerta máximo, descanso mínimo, só o necessário para seguir em frente, não embaralhar a mente, não embotar o pensamento. Serão dias movimentados, numa guerra quase sempre suja… Bandidos se vendendo como mocinhos, mentirosos desavergonhados, egoístas e oportunistas, estão todos aí, tentando laçar os desinformados, os distraídos, os preguiçosos, qualquer um que pisque mais lentamente.

Este ano, teremos a eleição mais importante da história do país. Pense bem em cada um dos seus votos, todos são importantes. Há tantos instrumentos para identificar os canalhas, os velhacos, os farsantes. Descarte imediatamente os que não querem saber de liberdade, os que representam o retrocesso, o atraso, fórmulas que nunca funcionaram. Verifique, por exemplo, os deputados que votaram pela manutenção da prisão do deputado federal Daniel Silveira, os congressistas que votaram a favor do bilionário fundo eleitoral, contra o Marco Legal do Saneamento Básico, contra a privatização dos Correios… Não dê a eles um novo mandato.

Vem de cada indivíduo a condução do Brasil pelo caminho justo, verdadeiro, correto. Somos, por natureza, animais políticos, ensinou Aristóteles. Entregue-se ao debate, não permita a eliminação do confronto de ideias. Mergulhe nos fatos, no mundo real. Argumente, contra-argumente. Não esqueça, Platão deixou claro que aqueles que não gostam de política serão governados pelos que gostam. Felizmente, os brasileiros se politizaram. Agora, então, exigem de todos nós empenho, luta pela verdade… Será um ano de enormes desafios. Meus tempos de colégio e férias longas estão distantes, muito distantes. Eu estou a postos. E você?

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ARAEL COSTA – JOÃO PESSOA-PB

Boa tarde, bom final de semana

Cumprindo a prazerosa missão, passo a suas mãos o comprovante de transferência do dízimo compromissado com patrocínio das diatribes da Chupicleide e seu parceiro Polodoro.

Esclarecendo tê-lo feito (saudades de Jânio) neste horário meio estranho, às 5 horas da tarde de sábado, para evitar que fosse visto de imediato pela ínclita secretária, que, decerto avançaria sobre o mesmo, para reforçar sua ração canífera.

Cumprimentos, os mais respeitosos.

R.  Meu  caro, vossa generosa doação já está na conta do Complexo Midiático Besta Fubana.

E o seu plano deu certinho: até agora Chupicleide não tomou conhecimento do fato e encerrou o expediente de ontem sem fazer um vale!

Mas pode ter certeza que amanhã ela não vai deixar passar em branco.

Se juntará a Polodoro e pedirá dinheiro para comprar capim e cachaça, os dois ingredientes que sustentam a dupla em alto astral.

Aproveito a oportunidade para também agradecer a doação da colunista fubânica Violante Pimentel e dos leitores Marco do Couto, Ana S. Ferraz e Pedro Quintana.

São vocês que dão audiência, força e sustentação a esta gazeta escrota!

E nos ajudam a cobrir as despesas de manutenção e assistência técnica prestadas pela empresa Bartolomeu Silva ao JBF.

Um excelente domingo para toda a comunidade fubânica!!!

HÉLIO CRISANTO – UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

ASSIM QUE A TARDE COCHILA

No sertão quando escurece
Tudo vira poesia
A noite fria adormece
Lambendo os restos do dia.
Um som de ave noturna
Reverbera numa furna
Como se fosse um agouro
Sobe um galo no poleiro
Cansando chega o roceiro
Puxando a corda de um touro

Assim que a tarde cochila
Toda a paz se perpetua
A noite ébria desfila
Beijando o rosto da lua.
Como quem faz um sermão
Um facheiro estende a mão
Pedindo chuva a Jesus
O sol já se amofinando
Apaga a tocha acenando
Escondendo a sua luz

A madrugada sedenta
Bebe gotículas de orvalho
A mãe da lua agourenta
Grita no ninho de um galho
Nos campos mais afastados
Casebres são clareados
Por tochas de vagalumes
As chananas já tão alvas
Se misturam com as malvas
Exalando os seus perfumes

DEU NO TWITTER