DEU NO JORNAL

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

THAÍS – SÃO LUÍS-MA

Seu editor:

O melhor mini bio de todas!

hahahaha

POR MAIS LUIZ BERTOS POR PERTO.

R. Cara leitora, desconfio que ao escrever “mini bio”, você esteja falando do meu vasto currículo, colocado no cabeçalho do JBF.

Quem deslizar a tela do computador aí pra cima, vai ver o tal currículo, ao lado da magnífica foto com a minha bela cara.

Esse aqui:

É, como você diz, minha “mini bio”.

Meu escrachado currículo, meu prontuário, minha folha corrida.

Esse seu apelo com meu nome no plural “Mais Luiz Bertos por perto“, me fez eu ficar ancho que só a peste!!!

Ganhei o dia. 

Grato pela força e pela participação!

Abraços e um excelente final de semana.

* * *

E, em falando de currículo, vou aproveitar este espaço para contar uma história:

Nos anos 80 do século passado, quando mandei para a Editora Itatiaia de Belo Horizonte os originais do meu livro “O Romance da Besta Fubana”, recebi resposta do editor Pedro Paulo Moreira aprovando o livro e informando que iria publicá-lo.

Enviou logo um contrato que eu assinei de imediato, feliz que só a peste.

E em 1984 foi lançada a primeira edição, com uma tiragem de 20 mil exemplares, uma quantidade incomum para aquela época e também incomum nos dias de hoje.

O editor Pedro Paulo fez uma intensa campanha de divulgação, imprimindo um poster e um folheto que foram distribuídos pra todas as livrarias do país e pros órgãos de imprensa.

Ele veio de Belo Horizonte com a esposa para participar do festivo lançamento acontecido em Palmares, na Casa da Cultura.

A partir daí, o desmantelo foi grande: o livro entrou na lista dos mais vendidos em várias capitais do Brasil, foi resenhado em quase todos os órgãos da grande imprensa e, por fim, ganhou dois prêmios literários nacionais. 

Pois nesse folheto de divulgação, o editor escreveu isso na abertura:

QUEM É LUIZ BERTO? – Este foi nosso pensamento depois de ler os originais da BESTA e pedimos que ele nos enviasse seu “currículo”.

Isso mesmo: ele botou “currículo” entre aspas. Escrevi um resumo bem escroto da minha vida e mandei, conforme ele me pediu.

Pra minha grande surpresa, o editor Pedro Paulo Moreira imprimiu o tal folheto, no qual transcreveu na íntegra, letra por letra, o currículo que eu mandei.

A seguir está a capa do folheto e, logo após, o tal currículo que foi nele transcrito:

O AUTOR – QUEM É LUIZ BERTO?

1) Nome: Luiz Berto Filho.

2) Data de Nascimento: 7 de agosto de 1946.

3) Local de Nascimento: Palmares, Pernambuco, distante 108 quilômetros do
Recife. Zona da Mata Sul.

4) Pais: Luiz Berto de Oliveira, falecido em setembro de 1983, aos 82 anos. Pequeno comerciante, semi-alfabetizado e de muitas luzes.

Quitéria Gouveia Berto, doméstica e mansa. Continua administrando a bodega deixada pelo velho em Palmares.

5) Estados civis: dois casamentos e cinco filhos.

6) Passou a infância em Palmares, onde fez os cursos primário e ginasial. Saiu de lá em julho de 1964, corrido pelas forças moralizadoras que combatiam a subversão em que se achava mergulhado Pernambuco até março daquele ano.

7) Reapareceu em Goiânia-GO, onde foi recrutado para o serviço militar obrigatório. No Exército fez cursos, chegou a sargento e foi transferido para Brasília. Ficou na farda de janeiro de 1965 a outubro de 1968.

8) Na Capital Federal ingressou no serviço público, mediante concurso, onde permanece até hoje, satisfeito e razoavelmente pago.

9) Semidiplomado em Matemática – falta-lhe apenas uma matéria para concluir o curso, interrompido há quatro anos. Voltará à faculdade, assim lhe permitam as leituras e escritas, almejando bacharelar-se como qualquer escritor decente.

10) Professor de Matemática por 10 longos anos. Largou o Magistério para ter tempo de ler, escrever, ver novelas à noite, beber aguardente e criar os filhos. Conseguiu tudo. Nunca recebeu reclamações sobre sua competência no ofício de ensinar a arte dos números.

11) Membro, com indisfarçável orgulho, do Conselho Diretor da Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho, de Palmares, por indicação da Prefeitura Municipal.

12) Em Goiânia, Goiás, 1964, por força da idiotice e auto-suficiência peculiares a todo sujeito que tem 17 anos, meteu-se a escrever umas poesias herméticas, sem rima, métrica, qualidade e sentido. Ligou-se ao GEN – Grupo de Escritores Novos, através do qual viu, pela primeira vez, um trabalho seu em letra de fôrma. Foi na antologia “Poemas do GEN”. Deu fim a todos os exemplares que guardava. Cita o fato apenas para fins de registro.

13) Toca qualquer instrumento de percussão, destacando-se, sobretudo, no triângulo e no zabumba.

14) Cometeu o romance “A Guerrilha de Palmares”, história da revolução de 1964 vista de dentro de uma cidade do interior pernambucano. O Governo Arraes e as lutas sociais que abalaram a Zona da Mata. Guardou os originais. Releu a obra e não gostou. Irá reescrevê-la no próximo ano e espera melhorá-la. O tema é bom.

15) Por sua conta e risco, botou na praça o livreto “A Prisão de São Benedito e outras histórias”. Edição de l.000 exemplares, rapidamente esgotada entre Brasília, Recife e Palmares. Muitos parentes, muitos amigos.

16) Perpetrou “O Romance da Besta Fubana”. Gastou um ano na tarefa e mais quatro meses de ajuste, desde a datilografia até a remessa dos originais à Itatiaia. Após isso, iniciou a costura de um novo romance, que espera concluir até o Carnaval de 1985.

17) Lê muito. Lê demais. Quase só prosa. Tanto quanto possível, romance brasileiro.

18) Autor do poema “Versos a uma Prostituta”, declamado, louvado e admirado nos bordéis de Goiânia, especialmente na casa do Edil, onde era tido em alta estima e elevada consideração.

19) Amigo de muitos amigos, todos de igual relevo e especiais qualidades. Cultiva com carinho a amizade das pessoas que lhe são caras.

20) Realizador dos filmes “A Missa do Vaqueiro”, “Rumo Norte” e “Sumo do Guará – um limpo bloco de sujos”, todos na bitola Super-8.

21) Declara sua paixão por literatura de cordel, forró, cantoria improvisada de viola, barulho de feira e folclore nordestino. Prefere a mundiça à classe média, e se sente melhor entre os iletrados que na companhia de intelectuais.

22) Já foi magro, já teve pneumonia, sistosoma e blenorragia. Já foi operado de hemorróidas. Quase perde a vista direita num acidente de automóvel. Vive permanentemente resfriado e um psiquiatra descobriu que carrega um mal denominado “palimpsesto alcoólico”.

23) E nada mais tem a dizer. A não ser que lhe perguntem.

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

ÚLTIMO ADEUS – Raymundo Asfóra

Tenho bem viva, na lembrança, aquela
tarde estival do derradeiro adeus,
o sol poente, com frágil vela,
cedia à noite as amplidões dos céus.

Pálida e triste, mas de face bela,
tendo o crepúsculo nos olhares seus,
por entre as brumas da distância, ela,
partiu saudosa entre um saudoso adeus.

E, a relembrá-la, estou no meu caminho,
arquitetando, em sonho, o nosso ninho
na frondosa palmeira da ilusão.

Mas ela, ingrata, não voltou mais nunca…
E o pesadelo que o meu sonho trunca,
É atroz ironia da desilusão.

Raimundo Yasbeck Asfora, Fortaleza-CE, (1930-1987)

DEU NO TWITTER

GUILHERME FIUZA

A CEPA INVISÍVEL DA COVARDIA

Uma organização de covardes enrustidos chamada Sleeping Giants (em tradução livre: Anões Sonâmbulos), que atua tentando organizar linchamentos enquanto finge defender a bondade, deu um gemido contra este signatário no Twitter. Os Anões pediram a eliminação de uma conta com quase 1 milhão de seguidores. Por que fizeram isso? Porque a vida de um covarde é juntar outros covardes para tentar momentaneamente uma sensação de potência.

Os valentes invisíveis destacaram quatro posts que o Twitter havia desclassificado para pedir o extermínio da conta. Esses posts já haviam sido republicados por este signatário, com o questionamento aos administradores da plataforma sobre quais seriam as informações enganosas contidas neles. O Twitter não removeu, nem desclassificou as republicações. Estão lá. Mas os Anões Sonâmbulos, com a onisciência de uma pulga, querem ser os corregedores da rede social.

Vamos então verificar aqui o conteúdo dos referidos posts, para tentar supor o que essa milícia digital não quer que seja dito. Ela já foi instada publicamente a provar o que é falso nas postagens. Se não provar, terá que responder por tentativa de difamação. Enquanto isso, vamos tentar imaginar o que os Anões Sonâmbulos, do alto da sua sagacidade bovina, pretenderam carimbar como falsidade.

Post 1:

“Passaporte vacinal para restaurante e salão de beleza. O decreto de Eduardo Paes foi refeito em cima da perna liberando shopping e Uber porque seria ‘exagero’. Só ele sabe onde o vírus está. Deveria saber também onde estão os lesados pela vacina experimental. E que isso não vai acabar bem.”

Onde será que a milícia checadora viu incorreção aí? Terá sido na expressão “em cima da perna”? É possível. Talvez os linchadores de teclado considerem que a expressão correta é “nas coxas”.

Post 2:

“Médicos acabam de demonstrar, em audiência na Assembleia Legislativa do RS, que a vacinação de covid não funciona como bloqueio sanitário, nem como controle da doença. Refutem isso, higienistas do lobby. Ou respondam por induzir a população a um experimento.”

Nesse caso, os gênios da milícia podem ter se confundido com a expressão “bloqueio sanitário” – interpretando-a como interdição de banheiros, que é um entendimento muito comum entre intelectuais da nova epidemiologia de Zoom. Se as modernas diretrizes pandêmicas conseguiram interditar até carrocinha de pipoca, por que não seriam capazes de interditar sanitários também?

Post 3:

“O prefeito do RJ, Eduardo Paes, construiu uma ciclovia que desabou, matando pessoas. Agora ele tornará obrigatória uma vacina sem estudos conclusivos para riscos graves como miocardite, trombose e neuropatias (e que não impede o contágio). Vocês vão ficar assistindo à nova experiência dele?”

Nesse aí talvez os milicianos tenham considerado enganosa a afirmação de que a ciclovia construída na famosa Avenida Niemeyer desabou. Como o fato ocorreu após o impacto de uma onda do mar, é possível que os corregedores da galáxia entendam que o correto seria dizer que a ciclovia surfou.

Post 4:

“O governador de Nova Iorque renunciou por assédio sexual. Mas ele é também o tarado do lockdown e da vacina experimental – incitador desse assédio moral aos que não se vacinaram porque não sabem quais os riscos de trombose, miocardite, neuropatias, etc. Todos os abutres da pandemia vão pagar.”

Nessa postagem, poderíamos conjecturar que o que incomodou a milícia da bondade transversa foi a palavra “abutres”. Isso aí sempre dá problema. Por um motivo muito simples: o Sindicato dos Abutres é muito menos organizado e influente que o Sindicato dos Urubus. Por isso, sempre que os créditos referentes a alguma grande ação de rapinagem vão para os abutres, o bicho pega com o Sindicato dos Urubus — que têm muito poder de persuasão em certas redações jornalísticas espiritualmente devotadas aos Anões Sonâmbulos.

Se você se perdeu na lógica da coisa, não se preocupe. São relações e princípios sofisticados mesmo.

Tão sofisticados que o TSE fechou uma parceria com os Sleeping Giants (o nome da milícia em inglês) para dizer o que é verdade e o que é mentira na eleição deste ano. Perfeito. Tribunais são mesmo lugares apropriados para a ação de linchadores de boa aparência, ou melhor, de aparência nenhuma, porque essa cepa de covardia é invisível. Deve ser por isso que dizem que a justiça é cega.

GUSTAVO GAYER

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

BERNARDO - DIRETO DO PINGO NOS Is

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

COMENTÁRIOS SELECIONADOS

RELEMBRANDO TIRA-TEIMA

Comentário sobre a postagem MEU COMPADRE TIRA-TEIMA

Violante Pimentel:

Querido Editor Luiz Berto:

Estou encantada com este vídeo, em que você fala do seu saudoso amigo e compadre Aurino Sant’anna das Neves, conhecido como “Tira-Teima”, “mulato alagoano de Palmeira dos Índios, poeta e embolador de coco“.

Vendendo elixir de “Salsa Caroba e Cabacinha”, para a cura da Sífilis, em frente a uma farmácia, ele se transformava num gênio..

Você teve uma inspiração divina, ao dar vida ao personagem “Natanael” (Romance da Besta Fubana), baseando-se na figura desse seu extraordinário e inesquecível amigo..

Sua atitude de vesti-lo depois de morto, com a ajuda da esposa dele, com terno e gravata, como ele costumava se vestir, mostra a sua grandeza de espírito, desprendimento e solidariedade humana, próprios das pessoas que tem um enorme coração.

Parabéns por esse gesto nobre!

Obrigada por brindar seus leitores do JBF com um vídeo tão bonito, contendo um relato superlativamente belo e comovente!

Grande abraço!

* * *

Nota do Editor:

Gratíssimo pela generosidade de sua apreciação, minha querida amiga e colunista do JBF.

Vou pegar carona neste seu comentário pra reproduzir, mais uma vez, um vídeo sobre o meu saudoso amigo Tira-Teima, um ícone da cultura popular nordestina.

Que é também meu compadre, pois sou padrinho de batismo de Polyanna, sua filha com minha estimada comadre Neusa.