VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

Em outubro de 2013, fretei um taxi para ir ao XXXIX CONGRESSO NACIONAL DE PROCURADORES DE ESTADO, em Porto de Galinhas (PE). Dei preferência a um taxista, compadre de Dr. Zanoni Fortes e esposa Kátima (pernambucanos, residentes em Natal), meus amigos, e por eles indicado.

Fiquei admirada com o preço baixo cobrado pelo motorista e atribui isso à amizade dele com Zanoni e Kátima.

No sábado pela manha, às 7 horas, eu e minha filha Diana entramos no táxi de Seu Radir, um senhor beirando à meia idade, educado e sério. Com pequena bagagem, estranhamos o rumo que ele tomou. Ele já estava prestes a passar pela antiga Ponte de Igapó, quanto eu lhe perguntei por que não tinha pegado a BR 101. Ele disse que eu tinha acertado com ele uma viagem à praia de Galinhos, em Macau (RN). E o caminho certo era aquele. Eu disse que ele estava completamente enganado, pois a viagem acertada seria para Porto de Galinhas, em Pernambuco e não para Galinhos (RN).

Irritada, ordenei que ele retornasse ao prédio onde moramos, pois, com ele, não iriamos mais a lugar nenhum. O taxista, só faltou chorar, e se desculpou por ter entendido mal. O preço dado por ele seria para nos deixar na Praia de de Galinhos (RN), bem mais perto. Implorou para que eu não desistisse de viajar com ele, e disse que, já que ele entendeu mal e deu o preço errado, pensando que a viagem fosse para Galinhos, iria cobrar como se a viagem fosse para Recife. De lá, até Porto de Galinhas, ele não cobraria nada. Mostrou-me a tabela de preços e eu até senti dó da situação dele.

Percebi que era uma pessoa decente e resolvi “desculpar a falha”.

Pegamos a BR 101, mas, antes disso, senti que estava muito mal sentada no Corsa Classic de Seu Radir. Simplesmente, o banco de trás tinha um enorme rasgão e se podia ver a ampola de combustível que ele conduzia (gás).

Era nesse banco que eu e Diana estávamos sentadas, salvando a ampola de gás.

Fiquei assustada com o gás, mas depois me acalmei.

O motorista nos pediu desculpas, pelo rasgão que havia no banco.

Eu trazia na bolsa de mão alguns CDs novos, dentre eles o mais novo de Chico Buarque, meu ídolo.

Depois de Goianinha, pedi ao motorista para ligar o som do carro e colocar o CD de Chico. Ele pediu desculpas novamente e disse que ali estava somente a tampa do toca-CD. O som tinha dado problema e o dono do táxi, que não era ele, tinha mandado consertar. Nem rádio tinha no carro.

Decepcionada, mostrei-me indignada, por ter que viajar durante 8 horas para Porto de Galinhas, sem ouvir nem ao menos um rádio.

Seu Radir, mais uma vez, nos pediu desculpas e disse que aquele táxi pertencia à frota de táxi de um conhecido Vereador de Natal, que não gastava um centavo com a manutenção dos carros.

Esse Vereador foi eleito pela 1ª vez em 2012. Sua campanha eleitoral foi hilária. Voltada para os idosos e crianças, pois elas poderiam conseguir para ele os votos dos pais e avós.

Imitando o Carro do Ovo, quando candidato, ele andava pelas ruas de Natal, anunciando a passagem do Carro do “Picolé”, que ele distribuía em troca de promessas de votos.

Na Zona Norte de Natal, ele mantinha uma casa de “Forró”, com entrada livre, mediante promessas de votos. Depois de seis candidaturas, ele conseguiu ser eleito.

Meu amigo Zanoni estava doente, e, pouco tempo depois, faleceu, no Pará, sem saber da Odisseia que essa viagem no táxi dirigido por seu compadre Radir representou para nós.

Não obstante o imprevisto do desconforto do táxi, o Congresso foi excelente, e o encerramento foi ótimo, com show de Alceu Valença.

21 pensou em “UMA VIAGEM DE AMARGAR

  1. Cara e divina Violante, eu fiquei imaginando o perrengue que passou para chegar em P. de Galinhas – Ipojuca – PE.

    Tirando isso, também imaginei que, pelo destino que era, o restante da viajem iria valer a pena, pois trata-se de um lugar maravilhoso, onde já estive algumas vezes.

    Um beijo, minha querida.

    • Obrigada pelo gratificante comentário, prezado João Francisco.

      Essa viagem ficou na história, e eu nunca esqueci. O hotel era “6 estrelas”, que eu nem sabia que existia. Quando fizemos a reserva, era o único que ainda tinha vagas. Os outros estavam lotados.
      Mas, valeu a pena o transtorno da viagem. Adorei o Congresso e a festa de encerramento. .

      Perdoei o pecado venial (quase mortal) de Seu Radir e ele ainda foi nos buscar na terça-feira em Porto de Galinhas. rsrsrs. Nessas alturas, não quis trocar o certo pelo duvidoso. rsrsrs.

      Um beijo, querido amigo!.

  2. Todo o ‘perrengue’ foi compensado pelo êxito do Congresso e pelas belezas naturais de Porto de Galinhas, hoje assaltada por preços estapafúrdios em bares, restaurantes e hotéis, em função da ampla divulgação que se dá àquele Paraíso (onde tenho uma casinha, que está alugada há 4 anos e onde nunca mais fui).

    • Obrigada pela gentileza do comentário, querido poeta Xico Bizerra!

      Depois do vexame que passamos desde o início da viagem, a chegada a Porto de Galinhas nos fez esquecer tudo, tal qual a dor do parto. rsrsrs É um verdadeiro paraíso…
      Você é um privilegiado, por ter uma casa nesse recanto maravilhoso. Parabéns! .

      Abraços, extensivos a Dulce!..

  3. Violante,

    Parabéns pela crônica sobre a aventura em um táxi mal conservado de Natal até Porto de Galinhas. Xico Bizerra está correto quanto aos altos preços em bares, restaurantes e hotéis, em função da propaganda que se faz dessa magnífica praia. Frequentei muito Porto de Galinhas quando era pouco conhecida, principalmente, durante o carnaval. Lembro-me de uma dessas hospedagem quando saí para ver lojas de artesanato, Em uma dessas lojas, chamou minha atenção uma boneca que tinha na saia a seguinte frase: “Uns gostam de olhos. Outros, de remela”.
    Pensei isso é um mote, então, logo que cheguei ao hotel peguei a caneta e fiz um poema. Compartlho-o com a prezada amiga:

    UNS GOSTAM DE OLHOS
    OUTROS, DE REMELA

    Vou utilizar a razão
    Em vez da emoção.
    Procurar o amor
    E erradicar a paixão.
    A quem me fez sofrer,
    Vou lhe dar o perdão.

    Há quem pense ter coração
    E capacidade de amar.
    Procura um companheiro,
    Não acha ninguém pra casar.
    Então, qualquer um serve!
    Não tem mais como esperar.

    Procure outro pra se amparar
    Porque eu já despertei.
    Vivo, agora, no presente.
    Esqueci o quanto chorei.
    Pense num sonho complicado,
    Foi um pesadelo, acordei!

    Na verdade, me apaixonei
    Por essa linda donzela.
    Ela fingiu que me amava.
    Eu caí nos encantos dela.
    Uns gostam de olhos;
    Outros, de remela.

    Desejo um final de semana pleno de paz, saúde, alegria e felicidade

    Aristeu

    • Obrigada pelo comentário gentil, prezado Joaquimfrancisco!

      Graças a Deus, não houve graves transtornos, nessa viagem a Porto de Galinhas! “Não faltou combustível nem teve pneu furado”. E o chofer demonstrou ser um homem honesto e de muita responsabilidade.

      “Dos males, o menor!”

      Bom final de semana, e um Feliz 2022!

  4. Obrigada pelo gratificante comentário, prezado poeta Aristeu!

    Gostei imensamente do poema “UNS GOSTAM DE OLHOS
    OUTROS, DE REMELA, que você compartilhou comigo, e cuja inspiração do mote lhe foi dada por uma frase escrita na saia de uma boneca de artesanato! Simplesmente, genial!!! Você é um grande poeta!

    Um final de semana pleno de paz, saúde, alegria e felicidade para você também e sua família!

    Violante

  5. Excelente crônica, ainda bem que o congresso teve um final feliz, com o show de Alceu Valença e com um abraço do ministro do Supremo Tribunal Federal…
    É a vida…

  6. Verdade, querida cunhada Magnalda! Obrigada pelo carinho do comentário!

    A viagem foi de amargar, mas o congresso foi inesquecível, sem falar do luxo do hotel e da beleza de Porto de Galinhas!!!

    Beijos!

  7. Vivi,

    Porto de Galinhas é um encanto e, coincidência das coincidências, seu Galinho e o porto de suas Galinhas geraram confusão idêntica à cidade de Santa Catarina, de nome Tubarão e o porto de Tubarão, no texto do Magnovaldo.

    E quem ganhou com tanta confusão fomos nós, que amamos tanto a prosa deliciosa de Vivi, nas “cenas de seus caminhos”, como as gostosas excrescências do Magnovaldo.

    Taí a dádiva diária que nos proporciona Luiz Berto ao abrigar no seio do JBF luminares como Vivi e Magnovaldo.

    Cabe a Sancho aplaudir…

    Beijão, linda!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  8. Obrigada pelo carinho do comentário, querido Sancho!

    A trapalhada contada no magnífico texto do excelente colunista Magnovaldo Santos é de cunho internacional.!!!

    Parafraseando o saudoso intérprete Nelson Gonçalves, na composição de Adelino Moreira, “A Flor do Meu Bairro” “a minha história é vulgar.” rsrsrs.

    Uma história tipicamente nordestina, envolvendo um popular Corsa Classic, um taxista honesto e um vereador desonesto, “para variar”…rsrsrs.

    .Beijão, querido Sancho! Bom final de semana!

    • Vivi,

      Confessemos que tanto o cronista Magnovaldo da história internacional como a “invulgar” cena do caminho que você nos apresentou são de encher os olhos, tanto para um leitor na Finlândia ou um matuto perdido em algum recanto da minha Desengano querida.

      Ótimo final de semana à amiga e a todos que lhe são caros.

      • Obrigada pela força, querido Sancho! Você é um gentleman!

        No JBF, você é, merecidamente, o centro das atenções! Sucesso sempre!
        Meus votos de um ótimo final de semana para você também e para todos os seus!

        Grande abraço!

    • Vivi (posso chamá-la assim?), seus contos são mais que um galão de gasolina no Posto Ypiranga da vida! São, simplesmente, deliciosos.
      Tenha um bom final de semana.

  9. Obrigada pelas palavras gentis, prezado cronista Magnovaldo Santos!

    “Vivi” para mim, é pura doçura, e recebo como um mimo, vindo dos amigos fubânicos!

    Seus textos são excelentes e trazem sempre uma pitada de um humor inteligente!.

    Grande abraço! Tenha, também, um bom final de semana!
    .

  10. Ainda bem que a odisseia de Lady Violante teve, ao menos, um final feliz.

    O inferno da viagem, findou no paraíso de Porto de Galinhas.

    Parabéns!

  11. Obrigada pelo comentário gentil, prezado Marcos André!

    Graças a Deus, a odisseia que amargamos, até chegarmos a Porto de Galinhas, teve um final feliz.! O congresso foi excelente, com participantes de renomes! E o encerramento foi ótimo!

    Daí por diante, meu “desconfiômetro” se tornou aguçado, e não contrato qualquer taxista para viajar.

    Bom final de semana!..

  12. Queríssima Violante Pimentel (Viva).

    Crônica magnífica, “Uma Viagem de Amargar”, que já leio em 2022 com muitos sorrisos nos lábios em vista das estripulias hilárias do inocente Seu Rider, que confundindo Por de Galinhas -Pernambuco, com Praia de Galinhos, em Macau (RN, deu um mote a queríssima cronista para se inspirar com uma obra-prima.

    A crônica tem de tudo, menos tragédias. Se fosse uma coisa certinha talvez na gerasse essa crônica hilária, deliciosa de ler.

    Seu Rider, com a sua inocência, foi o grande personagem dessa crônica antológica, escrita com gáudio pela grande mestra.

    Forte abraço e obrigado pela diversão genial.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *