
Um silêncio espectral, um silêncio profundo
Dentro de uma mortalha imensa envolve o mundo
Humilde, no meu canto, ao pé dessa janela,
Pensava, oh! Solidão, como tu eras bela,
Quando do seio nu, do aveludado seio
Da noite, que baixou, a Dor sombria veio.
Toda de preto. Traz uma mantilha rica;
E por onde ela passa, o ar se purifica.
De invisível caçoila o incenso trescala,
E o fumo sobe, ondeia, invade toda a sala.
Ao vê-la aparecer, tudo se transfigura,
Como que resplandece a própria noite escura.
É a claridade em flor da lua, quando nasce,
São horas de sofrer. Que a dor me despedace.
Que se feche em redor todo o vasto horizonte,
E eu ponha a mão no rosto, e curve triste a fonte.
Que ela me leve, sem que eu saiba onde me leva,
Que me cubra de horror, e me vista de treva.

Emiliano David Perneta, Pinhais-PR, (1866-1921)
Como o Jornal da Besta Fubana é o jornal mais democrático e solidário do universo internético, independentemente de política, sexo, raça, cor, religião, status social, gostaria que fosse dado publicidade a esse garoto inteligente de Olinda, que está precisando de ajuda para comprar um violão de fazer do instrumento seu meio de vida.
Zuri é o que se pode chamar de cria autêntica da música.
Bisneto de Selma do Coco, neto de Aurinha do Coco e filho de uma percussionista e de um professor de rabeca, o menino traz o ritmo no DNA.
Hoje, com 11 anos recém completados, o pernambucano toca com maestria violino, rabeca, pandeiro, piano e violão e já compõe.
Mas o grande sonho de Zuri é ter seu próprio violão.
Para isso, ele iniciou uma campanha no Instagram, no perfil @zuriritmos.
Lá, ele faz lives e mostra o talento nato com o objetivo de arrecadar recursos para comprar o instrumento.
Conheça a história desse pequeno prodígio da música e saiba como ajudar.
Ajudá-lo é preciso e o JBF está aqui para divulgar o apelo de Zuri.
Boletim Coppolla: Moro muda o tom (e pra pior) pic.twitter.com/8adbd0jl20
— Jovem Pan News (@JovemPanNews) January 21, 2022
Comprovante de depósito em anexo.
Com um forte abraço e desejo de um ótimo final de semana para você e sua família.
Bem como para Chupicleide, Polodoro e Xolinha.
R. Meu caro, o trio que você citou está aqui sorrindo, rinchando e latindo de tanta felicidade.
Estão agradecidos e mergulhados na maior alegria!
Chupicleide pintou os beiços, Polodoro escancarou os dentes e Xolinha arreganhou a tabaca.

Grato também aos leitores Arnaldo Portela e Ronald Carvalho por suas generosas doações.
Vocês são a força que mantém esta gazeta escrota nos ares e que cobrem as despesas com hospedagem e manutenção técnica feita pela empresa Bartolomeu Silva.
Vai voltar tudo em dobro na forma de paz, saúde, tranquilidade, harmonia e longa vida.
E, em homenagem a Polodoro, vamos fechar a postagem ouvindo Luiz Gonzaga interpretando O Jumento Nosso Irmão.

Há gente que conheci perambulando pelo centro da cidade desde menino. Foi o caso de Bezerrão, um investigador da Polícia, considerado “velha guarda” da corporação. Ninguém sabia seu primeiro nome, todos o chamavam por Bezerrão. Morava no Prado, na Rua da União, nos fundos da Rede Ferroviária do Nordeste, antiga Great Western, quando ainda pertencia aos ingleses.
Toda tarde Bezerrão, vestido num terno de brim ou linho branco, paletó de quatro botões, plantava-se na Praça do Pirulito pedindo carona aos carros que passavam para o centro da cidade. Alguma alma caridosa levava nosso herói para comparecer a seu “plantão” diário nas rodas de conversa fiada que se formavam no trecho entre o Café Colombo, o Bilhar, passando pelo Salão Elite, do Zezé, e a Assembleia Legislativa. Quem quisesse achar Bezerrão bastava procurá-lo nesse corredor da Rua do Comércio, infalivelmente estava lá nosso respeitado policial.
Alto, forte, físico avantajado, vozeirão assustador, metia-se em tudo que era roda que houvesse nos bares e nas ruas, como se aquele pedaço pertencesse a ele. Conversar, bater papo era sua distração. Opinava sobre qualquer assunto, gostava de dar “pitacos”, soltar “tiradas”, frases de efeito, algumas de sua autoria que impressionavam ou divertiam a todos. Na verdade havia muita sabedoria em sua filosofia. Ele costumava repetir um dito aprendido com um italiano, proprietário de uma loja de calçados na Rua do Comércio. Quando se falava de mulher gaieira, traidora, Bezerrão soltava a frase misturando português e italiano:
– Si tuto cornuto fosse lampioni, mamma mia, quanta iluminacioni! .
Não tinha preconceitos ou acanhamento, entrava em qualquer roda, dava opiniões sobre tudo. Querido e festejado, principalmente dos boêmios, políticos e desocupados que o instigavam a contar fanfarronices. O problema era desligar Bezerrão, quando começava a falar.
Certa vez, em passagem pela Assembleia Legislativa, aproximou-se de um grupo de deputados formado por Teotônio Vilela, Remi Maia, Luiz Coutinho, Elízio Maia, que pararam a conversa quando Bezerrão se achegou. Teotônio, com sua franqueza, foi logo despachando:
– Bezerrão, estamos conversando um particular sobre problemas políticos.
Bezerrão, antes de ir embora, não se conteve, perguntou:
– É que passei uns dias numa fazenda e estou com uma dúvida e quero que os senhores deputados me tirem essa dúvida: Por que a cabra que come capim quando faz cocô saem aquelas bolinhas pequenas, enquanto a vaca que também come capim, o cocô é enorme e espalhafatoso?
Como os deputados ficaram calados, ele rematou.
– Os senhores não entendem de merda, avaliem de política!
Retirou-se faceiro e gozador, ouvindo a gostosa e escancarada gargalhada de Teotônio, e a sisudez dos outros deputados que não gostaram da folga do policial.
Como investigador era ídolo dos mais jovens, os quais Bezerrão não perdoava com trotes e gozações. Certa tarde atiçou um policial novato para desarmar um cidadão que tomava sossegadamente cerveja em uma mesa no Café Colombo. O cidadão era o Capitão Camarão, do Exército, conhecido na cidade como boêmio e encrenqueiro.
Quando o jovem policial perguntou ao senhor pacato, tomando cerveja, se estava armado, o Capitão retirou uma 45 (arma exclusiva do Exército) da cartucheira, colocou a pistola em cima da mesa e fez a pergunta ameaçadora.
– Estou armado! E daí?
O jovem ficou embaraçado, sem saber o que fizesse naquele momento. Bezerrão foi em socorro, contou ao Capitão que tinha sido o mentor daquela “brincadeira”. Os três juntos ficaram até tarde da noite bebendo por conta do militar, que apesar de ser chegado a uma confusão, era um tremendo boa praça, querido no meio boêmio da cidade.
Na Rua do Comércio o pessoal adorava ouvir as tiradas de Bezerrão, e iam ao delírio quando, por exemplo, um frequentador daquela rodinha do Café Colombo, recentemente eleito vereador, agora metido a autoridade, passou ao longe sem parar, sem se achegar, como fazia sempre antes das eleições. Bezerrão não se conteve, gritou para o vereador ouvir do outro lado da rua:
– Cavalcante! Agora como vereador você está metido a merda. Cuidado! Se tudo que subisse não caísse, o céu estava cheio de taboca de foguetes.
Bezerrão, filósofo do povo, figura imortal, fez história nas ruas da cidade de Nossa Senhora dos Prazeres, na Maceió de outrora. Sua filosofia ainda está tão atual quanto a de Platão desde os anos 400 Antes de Cristo.