AUGUSTO NUNES

DRÁCULA MALANDRO

Humberto Costa acusa Bolsonaro de plagiar Lula e Dilma Rousseff

“Aquele governo que chamava o centrão de bandido, que falava que acabaria com o toma lá, dá cá, lembra? Acabou de dar um cargo em Itaipu para o maior defensor da gestão Temer, Carlos Marun. Salário? 27 pau por mês”.

Humberto Costa, senador do PT de Pernambuco, conhecido pelo codinome Drácula no Departamento de Propinas da Odebrecht, no Twitter, acusando Jair Bolsonaro de plagiar Lula e Dilma Rousseff.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

FRANCISCO SOBREIRA – NATAL-RN

Eros Caldas de Araújo Pereira (1941-1981)

Hoje cedo me lembrei de Eros. E foram momentos do mais genuíno prazer – não soaria exagerado falar em felicidade – como sempre acontece quando a memória, de repente, nos devolve a imagem de alguém muito caro, que, de certo modo, foi importante em nossa vida. E se a “visita” dessa pessoa bate à nossa porta em uma quadra delicada como a que estamos passando, temerosos de sermos alcançados pela letalidade do vírus chinês, ela se torna muito mais bem vinda.

Eros não era somente um homem bom, mas sobretudo dotado de um invejável senso de humor. Não aquele humor que me leva a imaginar o seu agente como se permanentemente conectado a uma fonte fornecedora de uma energia, como a elétrica; e levasse o tempo inteiro a fazer graçolas, pondo apelidos nos outros,copiando–lhes os gestos e a voz, contando piadas nem sempre engraçadas, às vezes surradas como colchões de hospedaria, no dizer de Machado. Não, não era esse o humor do meu amigo. Moderado, com algo de infantil, de ingênuo, ou seja, puro. Talvez mais como uma forma de desabafo, tipo uma válvula de escape diante de um trabalho “pesado”, rotineiro, enfadonho.

Me lembro dele e o andar ligeirinho, um pouco curvado, chegando de súbito ao meu birô e me perguntando, enquanto olhávamos para um colega um tanto afastado: “Sobreira, que papel você daria a (e dizia o nome do colega) num filme”? Eu olhava, olhava, olhava para o sujeito e não conseguia vê-lo na pele de qualquer personagem. E Eros, um sorrisinho safado, sapecava a identidade do personagem. (Vinha já com este na cabeça e só esperava que o cinemeiro, que sempre fui, confirmasse, ou não, a sua escolha.) E o danado sempre escolhia o tipo certo para o colega, tendo por base o seu biótipo.

Por muito tempo ele planejou uma excursão em navio por várias cidades do país, acompanhado de determinados colegas. Mas o seu sonho jamais se realizou – e nem poderia, pois os lugares escolhidos não eram banhados pelo mar (Caicó, onde se iniciaria o percurso, Campina Grande, Caruaru, etc, etc.).

E daquela vez em que ele foi interpelado, via memorando, pelo gerente? Não me recordo o motivo. E não é que a sua resposta veio escrita, em grande parte, em latim?

Uma segunda de manhã, eu chegava ao Banco, para mais um longo dia de trabalho. E alguém vem me uma notícia que recebi como um soco no estômago. Eros morrera no dia anterior. Estava na praia com a mulher e uma filha pequena, quando esta correu para o mar. O esforço despendido para salvar a menina sobrecarregou o coração e lhe custou a vida. Até forma de morrer, Eros revelou-se o homem que era.

Mais tarde deixei o trabalho e fui ao velório do seu corpo, em sua própria residência. Encontrei alguns colegas. E encontrei a viúva chorosa e desconsolada. Essa senhora é bem conhecida dos leitores do Jornal da Besta Fubana, da qual é assídua colaboradora.

É Violante Pimentel, para quem envio daqui o meu abraço.

ALEXANDRE GARCIA

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

ÚLTIMO CREDO – Augusto dos Anjos

Como ama o homem adúltero o adultério
E o ébrio a garrafa tóxica de rum,
Amo o coveiro – este ladrão comum
Que arrasta a gente para o cemitério!

É o transcendentalíssimo mistério!
É o nous, é o pneuma, é o ego sum qui sum,
É a morte, é esse danado número Um
Que matou Cristo e que matou Tibério!

Creio, como o filósofo mais crente,
Na generalidade decrescente
Com que a substância cósmica evolui…

Creio, perante a evolução imensa,
Que o homem universal de amanha vença
O homem particular que eu ontem fui!

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos, Cruz do Espírito Santo-PB (1884-1914)

COLUNA DO BERNARDO

DEU NO TWITTER

PRESIDENTE ASSASSINO

* * *

Atenção, senhores leitores fubânicos: não é montagem, não é invenção do Editor desta gazeta escrota.

Foi assim mesmo, do jeito que está aí em cima, que foi feita a postagem no Twitter:

“Cloroquina bolsonarista”

Segundo O Antagonista, a informação é baseada num editorial do Globo.

O Globo e O Antagonista: duas destacadas lideranças da imprensa oposicionista da atualidade.

Um dando destaque à informação do outro.

Num é lindo???!!!

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

UMA GLOSA

Mote desta colunista:

Mas da saúde mental
Não podemos descuidar.

Sei que o tempo é de aspereza
De dor e de solidão
Não vou ficar de plantão
Alimentando tristeza
A vida é nossa riqueza
Por ela vamos zelar
Devemos nos resguardar
Sei que o descuido é fatal:
Mas da saúde mental
Não podemos descuidar.

DEU NO TWITTER

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

HISTÓRIAS QUE OUVI

Eram dois irmãos. O mais velho era sério, sisudo, daqueles que parecem nunca ter dado um sorriso na vida. Acreditava que a vida de um homem de bem se resumia a acordar cedo e trabalhar duro o dia inteiro. O mais novo era brincalhão, risonho, amigo de toda a cidade. Gostava de fazer negócios de todo tipo, para raiva do irmão que achava que isso não era coisa de gente séria.

Um dia surgiu para o irmão mais novo a oportunidade de um ótimo negócio com umas terras que estavam à venda, mas ele não tinha o capital necessário. Ele sabia que o irmão tinha dinheiro guardado, mas o orgulho o impedia até de pensar no assunto. Alguns parentes souberam da situação e resolveram ajudar. Com jeito, procuraram o irmão mais velho e falaram da situação, mostrando que ele poderia ajudar o irmão e ainda ganhar uns trocados (nenhum dos dois consideraria a hipótese de um empréstimo sem juros: negócios são negócios). Depois de algum tempo, o primogênito concordou. Faltava convencer o outro. Com mais alguma conversa dos parentes, tudo se resolveu.

No dia marcado, o mais novo chegou à casa do irmão, cumprimentou-o com um “bom dia” meio constrangido, mandou outro “bom dia” para a cunhada na cozinha, e sentou-se à mesa da sala. O irmão já tinha preparadas as promissórias, preenchidas e devidamente seladas, esperando sua assinatura.

Após recolher as promissórias assinadas, o irmão foi até o quarto de dormir, guardou-as em uma gaveta e voltou com um maço de notas. Entregou-as ao irmão. Enquanto este contava o dinheiro, o mais velho não aguentou mais e expressou seu desagrado:

“Mano, você me perdoe, que eu não tenho nada com sua vida, mas você sabe que eu só estou fazendo isso porque nossa família pediu. Mas com essa crise, se meter em um negócio desses fazendo dívida? Você é maluco de pedir dinheiro emprestado.”

O mais novo permaneceu em silêncio, contando as notas. Quando acabou, colocou o dinheiro no bolso, foi até a porta, voltou-se para o irmão e respondeu, já indo embora:

“Maluco é você de emprestar!”

*  *  *

Era um namoro que já durava mais de ano. Passeios no domingo, sorvete na praça, cinema. Mas a moça começou a achar o namorado muito indeciso. Um dia, final de dezembro, chamou o namorado às falas:

“Você vai na missa do galo, não vai? Quando terminar, dê a volta na igreja e me encontre na rua dos fundos. E ai de você se não aparecer!”

Terminada a missa, toda a cidade se despedindo na pracinha em frente à matriz, o namorado se esgueirou até os fundos da igreja. Encontrou o caminhão de seu cunhado, com o próprio sentado na boléia e sua namorada no lugar do carona. Deu boa noite, abriu a porta do Ford e entrou. Foram para a casa do cunhado.

Lá chegando, o rapaz abraçou apertado a namorada, achando que teria sua noite de núpcias. Levou um empurrão e a ordem: “Sossega o facho. Não casamos ainda.” Dormiu no chão da sala.

Bem cedinho foi acordado pelo cunhado e pela namorada. Embarcaram no caminhão e desceram a serra até a cidade vizinha. Pararam em frente à igreja. A namorada entrou na frente e foi procurar o padre. “Queremos casar”, disse ao encontrá-lo na sacristia.

Subiram a serra casados, e assim permaneceram por mais de cinquenta anos.

*  *  *

Dois primos, se criaram juntos, quase como irmãos. Um ficou na sua terra, o outro se mudou para outro estado após enviuvar ainda jovem, mas nunca perderam o contato. Se visitavam com frequência.

Certa vez, lá nos anos setenta, um deles pegou a estrada para visitar o outro. Já sabia que o primo viúvo estava de namorada nova, mas não esperava ver o que viu.

Estava fechando a porta do carro quando o primo apareceu na porta de casa. Rejuvenescido pela namorada, vinte anos mais moça, o primo estava com os cabelos compridos, quase chegando nos ombros, e pintados de loiro. A camisa estampada estava desabotoada até a altura do estômago, deixando à mostra o peito cabeludo onde reluzia uma grossa corrente de ouro.

O primo espantado deu um murro no automóvel e começou a berrar:

“Filho da puta, virou viado depois de velho! Não tem mais vergonha na cara, seu porco! Que cabelo de bicha é esse, animal! Você não é mais homem!”

O dono da casa ficou parado, boquiaberto. E o primo não parava de gritar os palavrões mais cabeludos, num tom de voz que alcançava vários quarteirões. Foi só quando alguns vizinhos apareceram, atraídos pela gritaria, é que conseguiram acalmá-lo. Os dois primos, constrangidos, foram para a casa de outro parente, onde a família costumava se reunir. Um não olhava para o outro. O restante dos parentes, sem saber do ocorrido, batia papo animadamente.

Ninguém reparou quando o primo recém-chegado saiu de fininho da sala. Fuçou vários cômodos da casa até achar o que procurava: uma tesoura grande, daquelas de corte e costura. Voltou como quem não quer nada, foi se chegando até ficar ao lado do primo. Num gesto rápido, agarrou um chumaço das longas madeixas e passou a tesoura. Todos os parentes precisaram agarrar os dois para que a coisa não terminasse em sopapos.

Ficaram uns seis meses sem se falar. Depois, a voz do sangue falou mais alto e voltaram a ser grandes amigos.