A PALAVRA DO EDITOR

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

EU QUERO – Patativa do Assaré

Quero um chefe brasileiro
Fiel, firme e justiceiro
Capaz de nos proteger,
Que do campo até à rua
O povo todo possua
O direito de viver.

Quero paz e liberdade
Sossego e fraternidade
Na nossa pátria natal
Desde a cidade ao deserto,
Quero o operário liberto
Da exploração patronal.

Quero ver do Sul ao Norte
O nosso caboclo forte
Trocar a casa de palha
Por confortável guarida,
Quero a terra dividida
Para quem nela trabalha.

Eu quero o agregado isento
Do terrível sofrimento,
Do maldito cativeiro,
Quero ver o meu país
Rico, ditoso e feliz,
Livre do jugo estrangeiro.

A bem do nosso progresso,
Quero o apoio do Congresso
Sobre uma reforma agrária
Que venha por sua vez
Libertar o camponês
Da situação precária.

Finalmente, meus senhores,
Quero ouvir entre os primores
Debaixo do céu de anil
As mais sonorosas notas
Dos cantos dos patriotas
Cantando a paz do Brasil.

Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré, Assaré-CE (1909-2002)

COLUNA DO BERNARDO

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JOSÉ DOMINGOS BRITO – SÃO PAULO-SP

Caro Berto.

Vendo essa animação em torno da necessidade de homenagear os cuidadores da saúde, me animei em juntar os 5 cabras da peste que tenho divulgado no JBF: Oswaldo Cruz, Vital Brasil, Carlos Chagas, Adolfo Lutz e Emílio Ribas.

O “texticulo” com os links para o nosso JBF, foi enviado para uns amigos, que estão republicando-o em seus facebooks e para a UBE-União Brasileira dos Escritores, onde sou bibliotecário, e sairá no boletim e no site.

Segue anexo o dito cujo para, caso queira divulgá-lo também no JBF.

Grato e abraços

* * *

SONHOS TROPICAIS NA PANDEMIA

Um Quinteto da Peste

Em memória de Moacyr Scliar

O diretor da OMS-Organização Mundial da Saúde disse que nós temos experiência no combate a epidemias e podemos nos sair bem dessa. A experiência que ele se refere conta com mais de 100 anos. Aproveitemos a quarentena para nos lembrar dela.

Por que Moacyr Scliar deu o título “Sonhos tropicais” à sua biografia romanceada de Oswaldo Cruz? (1992). O romance tornou-se belo filme, onde vemos duas historias pessoais se desenrolar em paralelo na busca de um país, uma nação para viver: um médico brasileiro lutando contra uma epidemia em contraste com um sistema político, e uma polaca, que veio encontrar o marido, foi enganada e caiu na prostituição.

A propaganda do livro diz tratar-se de um “Romance sobre Oswaldo Cruz, responsável pela introdução no Brasil do controle científico das epidemias e protagonista da ‘Revolta da Vacina’. Um diagnóstico preciso de uma sociedade que, travada pela miséria e pelo atraso, abre-se com relutância para a modernidade”. Quanta atualidade num livro publicado há 28 anos, retratando uma época bem mais antiga.

“Sonhos tropicais” pode ser o anseio, o desejo destes dois personagens numa luta de vida ou morte na mão do escritor e médico Moacyr Scliar. Ou pode ser apenas uma referência aos trópicos; as doenças e condições tropicais. Pode ser também as duas coisas, pois tanto na Literatura como na vida tudo alí contado é perfeitamente verossímel e real, conforme ressaltado no final do filme.

Passados 4 anos, Scliar fez outra homenagem à Oswaldo Cruz, agora num ensaio biográfico, onde incluiu o “discípulo” Carlos Chagas, e publicou “Oswaldo Cruz e Carlos Chagas: o nascimento da ciência no Brasil” (1996). Acrescentou mais um “sonho tropical”, que hoje os brasileiros gostariam de acalentar: encontrar um médico cientista capaz e disposto a enfrentar esta pandemia num ambiente político ainda mais tumultuado.

Sabe-se que junto a estes dois médicos conviveram outros três: Vital Brasil, Adolfo Lutz e Emílio Ribas. O “quinteto ” teve suas vidas cruzadas na batalha pela saúde, num combate às pestes em princípios do século passado. Nesta pandemia que atravessamos, tiveram a ideia de homenagear os cuidadores da saúde.

Comecemos com os pioneiros.

Clique em cada um dos nomes e veja uma vídeo-biografia concisa:

Oswaldo Cruz

Vital Brasil

Carlos Chagas

Adolfo Lutz

Emílio Ribas

DEU NO JORNAL

QUE COISA, SEU DOTÔ…

A Universidade de Wüppertal, no oeste da Alemanha, desmentiu Carlos Alberto Decotelli e informou que o novo ministro da Educação não obteve um certificado de pós-doutor pela instituição alemã.

A universidade esclareceu que o ministro conduziu pesquisas na universidade por um período de três meses em 2016, mas não concluiu nenhum programa de pós-doutorado, que, na Alemanha, dura de dois a quatro anos.

* * *

Como dizia Dona Menininha, minha avó por parte de mãe e preta do cabelo pixaim, quando num cagam na entrada, cagam na saída.

Minha saudoso vovó, que a gente chamava de Voêta, era uma filosofofeira que não errava uma.

O fato é que a coisa tá ficando afro-descendente.

Vôte!

E vamos começar o expediente desta terça-feira com a dupla Tião Carreiro e Pardinho cantando uma moda de viola bem gostosa!

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

J’ACCUSE

Eu não tenho a pretensão, muito menos a ousadia, de servir de cavalo de terreiro para o espírito de Zola montar em minha carcunda e ser “santo” do dia, mas quero partir da mesma visão que ele teve, ao defender o capitão Dreyfuss diante da injustiça militar ao qual foi submetido. Mas, no caso do capitão, havia em desfavor dele, o fato de ser judeu e alsaciano. Para o brasileiro cumpridor da lei, há, o fato de ser, meramente, cumpridor das leis brasileiras.

Hoje, 29 de junho, dia de São Pedro e São Paulo, eu acuso os membros do supremo tribunal federal – assim mesmo em letras minúsculas, pois aqueles senhores apequenaram aquela casa, envergonharam grandes juristas que ali passaram e cravaram uma faca no coração da decência e da legalidade -, de pisotear a Constituição de 1988, buscando, cada um, ter uma constituição particular que interpreta de acordo com suas conveniências e amizades, violando o fundamento de que “TODOS” são iguais perante a lei, transformando uns em mais iguais do que outros.

Eu acuso o supremo tribunal federal de se arrogar mandos imperiais e ditatoriais, violando o princípio de que ninguém é culpado até prova em contrário, abusando de suas prerrogativas, calcando às leis aos seus egos inflados e lançando vitupério àqueles que, bem, ou mal, em um barraco, ou em uma mansão, buscam cumprir a lei, pois veem nela o primado da civilização.

Eu acuso o supremo tribunal federal de, deliberadamente, provocar uma balbúrdia legal, uma bagunça jurídica e uma farra processual, em que é vítima, investigador, acusador e julgador em um mesmo processo, arrogando, quiçá, o papel de verdugo contra aqueles a quem considera seus inimigos. Nesse convescote circense, além de equilibrista, engolidor de espadas e apresentador, ainda quer ser a bailarina e o homem borracha, deixando à população boquiaberta, o papel de palhaço que os remunera regiamente para que eles solapem o Estado Democrático de Direito.

Eu acuso o supremo tribunal federal a utilizar-se de métodos heterodoxos, truculentos e violentos, e que, qualquer nação com apreço à democracia taxaria de ditatorial, a fim de calar aqueles que não concordam com seus métodos, divergem e criticam os mesmos, exigindo que os chamemos de “excelências”. Meus senhores. Excelência, substantivo, liga-se ao adjetivo excelente, coisa que os senhores não os são, e sabem disso, pois buscam esconder o asco que sentem do povo brasileiro, daqueles mesmos que pagam os altos e nababescos salários, no palavreado de pavão, cheio de citações em línguas estrangeiras e mortas. Os senhores são como as citações que usam: estrangeiros para os brasileiros e mortos em suas próprias arrogâncias.

Eu acuso o supremo tribunal federal de arrogar para si poderes que a Constituição não lhes dá, mas que o conluio com o poder legislativo permite e nutre, na troca de favores e de informações, escoiceando a deusa Dice, que, envergonhada não apenas ficou cega, mas também com suas vergonhas à mostra e sua intimidade rifada na Praça dos Três Poderes. Venderam-se-lhe a balança e penhoraram sua espada, rasgaram a sua roupa e, tais quais aqueles centuriões que lançaram sorte sobre a capa do Salvador, também lançam sorte sobre as vestes daquela dama pudenda, para saber quem irá ficar com o maior butim.

Eu acuso o supremo tribunal federal de ir contra tudo o que esse vetusto prédio representa, contra todos aqueles luminares do direito que por essa casa passaram e defenderam a Constituição. Hoje vocês – isso mesmo, tratá-los por Vossas Excelências é gastar pronome de tratamento belo demais com gente que de excelente nada tem – envergonham nomes como Luís Galloti, José Francisco Rezek, Celio Borja, Nelson Hungria, Sidney Sanchez, Mauricio Correa, Neri da Silveira, entre outros. Arvoram-se o direito de defender a Constituição e, ao arrepio dessa mesma constituição prendem jornalistas, solapam o direito à livre expressão e nos manda calar a boca. Digo e repito: Cala a boca já morreu!.

Eu acuso o supremo tribunal federal de violar a vontade do povo brasileiro, usurpando o direito de serem governados por aquele que foi legitimamente eleito e empossado, dentro da legalidade da civilidade, porém, despojado de seu poder por quem nem um voto teve, a não ser a indicação de alguém cujos interesses estão para serem protegidos naquela corte.

Eu acuso o supremo tribunal federal de julgar segundo o bolso e a conta bancária de quem está sendo julgado, negando ao pobre o mínimo direito de ter proteção do estado e dando a ladrões contumazes e corruptos incorrigíveis a sentença da eterna impunidade. Este fato mais dolorido, pois é do suor daquele que chega, todo o dia em casa, fedendo, faminto e sedento, que sai a maior parte dos impostos que são usados para que vocês se locupletem com lagostas, vinhos caros, jantares nababescos. Daqueles pobres diabos que, muitas vezes, mal conseguem colocar um pedaço de pão seco, com um pouco de café ralo sobre a mesa, para os filhos poderem matar a fome, sai o dinheiro que garante à pequenez de vocês, o carro com motorista, a viagem de primeira classe e a hospedagem em hotel cinco estrelas.

Eu acuso o supremo tribunal federal de ser, na atualidade, o maior risco que a nação brasileira tem para se colocar em pé, orgulhosa de si, de sua criatividade e de seu trabalho. Esta nação que pode muito, porém, é colocada de joelhos, por um supremo que se tornou supremo de si mesmo, encastelando nulidades e delinquentes jurídicos que pouco estão ligando para o país, mas tudo estão fazendo para esculhambar a nação e colocar em prática seu nefasto projeto para 2022: inocentar o corrupto triplamente condenado, para que ele possa disputar as eleições, na vã esperança de que vai ganhá-la.

Eu acuso, e continuarei acusando, sem medo de ir preso, ou de ser processado, pois, quando se tem leis injustas e juízes torpes, só resta ao povo se levantar contra esses juízes e contra essas leis. Eu acuso…. faço a minha parte, e deixo como alerta a esses onze togados que usurparam o poder no Brasil: lembrem-se do 14 de julho. Jamais esqueçam o 14 de julho.

PENINHA - DICA MUSICAL

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ALTAMIR PINHEIRO – GARANHUNS-PE

75 ANOS DE RAUL ROCK SEIXAS

Raul Santos Seixas ou Raul Rock Seixas, faria 75 anos neste domingo (28). lamentavelmente, Raul nos deixou em agosto de 1989, acometido de pancreatite crônica, hipoglicemia e parada cardiorrespiratória, por consumo exagerado de vodka com crush, mas suas músicas continuam eternas. Pensando bem, quem foi Raul Seixas?!?!?! Raul era um cara muito diferente dos demais de sua época, ele não vivia e nem falava coisas atuais, ele estava sempre além da realidade em todos os sentidos. Muitos o chamavam de louco, mas será que ele era mesmo maluco? O que podemos analisar entre loucura e razão? Há quem diga que, a loucura não existe sem razão e nem a razão sem a loucura. Uma pessoa considerada louca em uma certa época, poderá ser considerada um gênio em outra. Ao longo da história da humanidade todas as pessoas que foram consideradas loucas com suas invenções criativas, mais tarde foram reconhecidas como grandes gênios.

Seixas teve muita dificuldade em adaptar-se por ver as coisas por uma ótica diferente, ele não se conformava com as mesmices de todos, ele era um protestante às ideias consideradas “IMEXÍVEIS” pela sociedade. E neste mundo em que vivemos, quando uma pessoa tem uma visão diferente dos demais, a pessoa começa a ser excluídas dos diversos grupinhos de luluzinhas que existe por aí. Santos Seixas tinha uma ideia muito forte do que era a vida, e batia contra muitos movimentos considerados fechados na sociedade, tanto político como religioso. Ele foi filósofo, músico, cantor, compositor e ator, como também cursou filosofia na universidade da Bahia.

Em sua meteórica carreira, chegou um determinado momento na vida que ele foi se distanciando de Deus ou das coisas sagradas que ele mesmo lera na Bíblia, e começou a se interessar pela filosofia de Aleister Crowley e do caminho do egoísmo, como ele mesmo se declarava: “Eu sou egoísta”. O Nosso querido Raul Seixas findou o seu tempo e partiu para o mundo das eternas dimensões. No tocante ao seu distanciamento da religião, ele mesmo cantou na música : EU NASCI HÁ DEZ MIL ANOS ATRÁS. O nosso espírito na verdade é antiguíssimo, todos nós já existíamos antes de ganharmos um corpo humano. Mas a igreja romana fez de tudo para ninguém jamais saber de nada. Já na música PEDRO ele arremata: eu não tenho nada a ti dizer / Mas não me critique como eu sou / Cada um de nós é um universo, / Pedro, onde você vai eu também vou…

Uma coisa que se aprende ou detecta-se nas letras de Raul é que, de um modo geral, todo cidadão comum nessa sociedade de consumo ou dos Shoping Center almeja comprar um carro do ano, comprar uma casa, morar num lugar maravilhoso, mais as pessoas que chegam lá, com o passar do tempo, percebem que tudo isso é vazio, lutou a vida inteira que nem um doido, um doente mental para conquistar. E aí chega… Daí percebe que tudo isso é um enorme vazio. Aparece a depressão, começa a vir a angústia, haja vista não ter sentido as pessoas desesperadamente lutarem tanto para viver uma vida sem sentido. Raul, deixa tudo isso muito claro quando compôs OURO DE TOLO e numa das estrofe ele diz: “…E você ainda acredita que é um doutor, um padre ou policial que está contribuindo com sua parte para esse belo quadro social… Nessa música ele retrata, nas entrelinhas, a repressão, a mesmice, e a chamada tolice ou babaquice.

Quando é lembrada a passagem dos seus 75 anos de idade, vem a nossa mente a certeza que nas décadas de 50, 60, 70 e 80 houve uma geração de brasileiros que acompanhou os três maiores caipiras da música mundial: Luiz Gonzaga que nasceu em Exu, Elvis Presley em Memphis e Raul Seixas na Bahia… Quem neste mundão de my god é cinquentão curtiu adoidado o Mensageiro ou Profeta do Apocalipse no final de uma era nas saudosas décadas de 70/80 do Século passado. Quem viajou no TREM DAS SETE sabe muito bem do que estou falando… Raul Seixas era um poeta, místico e filósofo catastrófico. Raul Seixas deixou um vácuo gigantesco na música e na cultura moderna, especialmente no que diz respeito a sua mensagem que não foi completada por ter morrido com apenas 44 anos de idade, lamentavelmente.

Por fim, a trajetória do carimbador maluco, mais conhecido como Maluco Beleza sempre esteve atrelada a um certo tom místico e visionário, mas ninguém imaginava que uma letra de sua autoria juntamente com Cláudio Roberto pudesse falar tanto de 2020 quanto O DIA EM QUE A TERRA PAROU. Todo o desenrolar da letra relata um dia em que o mundo inteiro decidiu não sair às ruas, curiosamente, muito semelhante ao cenário imposto pela pandemia dessa praga esquerdista “incarnada” altamente contagiosa e letal que é o tal do COVID-19. A letra da música trata de uma narrativa muito atual, a “antevisão” de Raul falhou em um pormenor ou particularidade. A letra diz que “o doutor não saiu pra medicar, pois sabia que não tinha mais doença pra curar”, ou seja, o enclausuramento imaginado pelo compositor não parece ter relação com a realidade, haja vista que os dirigentes do país não estão nem aí com a pandemia, há um deles, diga-se de passagem, um bunda suja, que chama isso de uma simples gripezinha, pois o que eles sabem e fazem muito bem é politicar. O mesmo não se pode dizer dos profissionais de saúde, a turma do jaleco branco: esses sim, saíram de casa para medicar porque sabiam que tinha uma doença pra curar…

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