ALEXANDRE GARCIA

JESUS DE RITINHA DE MIÚDO

REINADO DE TRISTEZA

O Brasil foi muito negligente com o vírus, quando continuou com o carnaval.

O mundo já sinalizava o desmantelo.

Foram quatro dias de “alegria” que durarão muito tempo de “tristeza”.

Hoje é quarta-feira de cinzas eterna para muitos.

Agora choram as viúvas
De negro fantasiadas
Lágrimas inconsoláveis
Herança das gargalhadas
Pelas ruas e avenidas,
Nas negligências geridas
Por quatro noites danadas.

Se calaram as batucadas
O samba em luto entrará
O Mestre Sala, coitado,
De triste não dançará
E até a Porta-Bandeira
Antes tão linda e faceira
O estandarte fechará.

E a morte continuará
Cuíca e surdo calando
A Colombina em prantos
Com o Pierrot vai chorando
E o pobre do Arlequim
Empunhando o tamborim
Marcha fúnebre vai tocando.

E Momo antes reinando
Por quatro eternos dias
Com tanto luxo e riqueza
Nas mais lindas fantasias
Já vê seu vivo reinado
Em tristeza transformado
Sem prazer, sem alegrias.

CHARGE DO SPONHOLZ

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

MAURI – SÃO PAULO-SP

Olá Guru Luiz Berto

Durante toda a semana passada os jornais faziam estardalhaço para cada divulgação de número de mortes da Itália e Espanha que estavam caindo dia a dia.

O mesmo fato vem acontecendo no Brasil e a impressa agora não fala do mesmo jeito.

Por que será????

Como o número de mortes pelo Covid-19 começou a abaixar, será que agora estão tratando os pacientes com o coquetel de remédios que salvou do Dr. David Uip?

São perguntas que a imprensa não teria coragem de responder.

R. Meu caro, você fala da imprensa com uma ignorância sesquipedal.

Deixe de levantar falsas suspeitas.

A nossa grande mídia só publica notícias certas, verdadeiras e de grande relevância.

Assim como só faz matérias isentas, objetivas e que bem informam o público leitor.

É só ouvir o noticiário da Globo ou ler as matérias da Folha de S. Paulo.

Hoje mesmo a Folha publicou que o Presidente Bolsonaro soltou um peido no Palácio do Planalto, sentado em sua cadeira presidencial.

Isto é um absurdo!!!

Um desrespeito total à dignidade da presidencial função.

É o tipo de procedimento indecente, que fere a liturgia do cargo e que tem que ser informado aos contribuintes que pagam o salário de Bolsonaro.

Mané Malouvido, cientista politiqueiro de Palmares, está coberto de razão quando diz que este é o presidente mais peidão que já tivemos.

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

ARGILA – Raul de Leoni

Nascemos um para o outro, dessa argila
De que são feitas as criaturas raras;
Tens legendas pagãs nas carnes claras
E eu tenho a alma dos faunos na pupila…

Às belezas heroicas te comparas
E em mim a luz olímpica cintila,
Gritam em nós todas as nobres taras
Daquela Grécia esplêndida e tranquila…

É tanta a glória que nos encaminha
Em nosso amor de seleção, profundo,
Que (ouço ao longe o oráculo de Elêusis)

Se um dia eu fosse teu e fosses minha,
O nosso amor conceberia um mundo
E do teu ventre nasceriam deuses…

Raul de Leoni, Petrópolis-RJ (1895-1926)

DEU NO JORNAL

SE ESQUECEU-SE DE COMBINAR

O novato Sérgio Moro se deu mal…

Porque ele não sabia que, em política, quase sempre é preciso combinar com os russos.

* * *

Novato em putarias políticas, deve ser isso, presumo.

Eu acho, num sei…

Sou muito  besta nesses assuntos.

“Combinar com os russos”…

Eu já havia até me esquecido desta expressão.

Matei as saudades.

COLUNA DO BERNARDO

DEU NO TWITTER

POVO REFÉM

* * *

J.R.GUZZO

NO BRASIL, VEM EM DUPLICATA

A calamidade da Covid-19 terá duplicata no Brasil

É uma desgraça, para o Brasil, que uma grande parte das autoridades públicas tenham decidido dobrar o custo que a pior epidemia da história recente está trazendo para as pessoas. Não basta a morte de 11.000 cidadãos em dois meses pela Covid-19, nem o sofrimento sem limites imposto às famílias que sofreram perdas de gente querida, nem as vidas arruinadas por este flagelo. Governadores, prefeitos e burocratas, cedendo ao pânico, à estupidez e ao interesse político mais grosseiro, estão castigando os cidadãos com atos de franca e aberta demência.

Sem qualquer restrição por parte da justiça, investem todo o seu tempo e energia na invenção de novas proibições, obrigações e castigos para atormentar cada vez mais os milhões de cidadãos que continuam vivos. A desculpa é que tudo o que estão fazendo é para o “próprio bem” da população. Mentira. É apenas o fruto da sua incapacidade para lidar com problemas graves e do seu oportunismo.

As demonstrações dessa corrida em busca da insensatez estão presentes no Brasil inteiro – da mesma maneira como ninguém está livre do vírus, ninguém está livre da presença de governos. Mas é provável que nenhum outro lugar do país esteja sofrendo tanto com essa infecção quanto São Paulo – por ser a maior cidade do Brasil, é naturalmente a que paga mais caro por se ver entregue a políticos que não estão à altura dos seus cargos, suas responsabilidades e seus deveres. São os piores porque, na prática, são os que causam dano ao maior número de pessoas: doze milhões de habitantes na capital, cerca de vinte na área metropolitana.

O que dizer de um lugar em que o prefeito municipal foi capaz de vir a público para anunciar com orgulho, e como uma das maiores obras da sua gestão na presente crise, a compra de 15.000 sacos para cadáveres e 38.000 urnas funerárias – sem contar a abertura de 13.000 covas para enterro e a contratação de 220 coveiros?

Não se discute, é obvio, a necessidade de enterrar os mortos; o prefeito e seus auxiliares não precisam explicar isso a ninguém. Trata-se, apenas, de notar a confusão mental de gente que tem a obrigação de administrar a principal cidade do Brasil. Não sabem o que fazer, mas querem fingir que sabem; o resultado são declarações deste tipo,

Um dos aspectos mais insanos deste passeio ao acaso são as exigências numéricas da prefeitura e do governo de São Paulo quanto ao nível de “isolamento social” que consideram o ideal para a cidade: querem “70%”, e como só estaria havendo “50%”, socam mais e mais proibições, penalidades e multas em cima de uma população que nada fez de errado além de estar viva e precisar viver.

Sua última novidade é um rodízio radical na circulação de veículos. Porque 70%? Como se faz a conta do “isolamento” – ou seja, o que realmente significa esse número? Também não é compreensível que São Paulo esteja, no momento, com 50% do seu movimento normal nas ruas.

A cidade, em novembro de 2019, tinha mais de 6.300.000 automóveis em circulação, além de cerca de 200.000 caminhões e ônibus e 1.200.000 outros veículos de quatro rodas. Segundo as contas das autoridades, uns 4 milhões desses veículos todos – metade da frota – estaria andando todos os dias na rua. Como assim? Onde estariam – espalhados na cidade inteira? A que horas do dia? Porque ninguém consegue ver 4 milhões de veículos circulando por aí? A conta incluiria também as pessoas?

Para bater com os números do governo, teria de haver 6 milhões de paulistanos pela rua, à vista de todo mundo. Onde estão? E o comércio, restaurantes, bares, cinemas, teatros – por acaso 50% disso tudo está aberto? A radicalização do rodízio só obriga as pessoas a deixarem o isolamento dos seus carros, onde não podem contaminar ninguém, e virem se amontoar no transporte público. É o contrário do que o governo quer.

A calamidade da Covid-19 atinge o mundo inteiro. No Brasil ela vem em duplicata.