MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

HIPOCRISIA

A última bobagem dita por Lula, dando louvores a essa desgraça mundial que freou a política econômica do governo atual demonstra o tamanho da hipocrisia da esquerda em politizar essa pandemia. Lula pede desculpas e todo mundo acena a cabeça positivamente lhe perdoando, afinal ele pediu desculpas pelo mensalão e foi reeleito presidente. Quando perguntou onde estava as “mulheres de grelo duro”, ninguém o chamou de machista. Eu não vi nenhuma crítica da classe política. Rodrigo Maia, Alcolumbre, Dória, não sei se o sistema Globo fez uma editorial sobre isso. Se Ciro Gomes for indagado sobre o baixo volume de chuva no Ceará começaria dizendo “esse desgoverno que está aí é incapaz…”, mas nesse caso nenhuma palavra. Cadê Marina? O STF? Ninguém chegou a dizer que o comentário foi infeliz e se fosse Bolsonaro seria mais um crime para compor o impeachment.

Há um mês escrevi dois relatórios sobre a covid-19 mostrando dados e fazendo análises dos números. Publiquei no facebook perguntando ao Secretário de Saúde aqui do estado qual era o protocolo de atendimento das vítimas. Naquele momento eu já externava minha desconfiança de que o estado não tinha uma linha de atendimento que atenuasse o número de mortes. Nitidamente, o estado se preocupou em adquirir respiradores, a preços exorbitantes, e eu disse que esse não era o melhor caminho, afinal o que seria feito com a quantidade de respiradores depois que o surto passasse? Parece que a melhor estratégia seria comprar um respirador para cada habitante, mas em relação ao tratamento a coisa estaria na base do paracetemol e água para hidratar. Desse pelo menos um chá de limão de com mel, uma cabeça de alho e reza.

A grande discussão do país, ao invés de busca de soluções, passou a ser a cloroquina. O não reconhecimento cientifico da eficiência do remédio contra a doença, embora as evidências mostrem pessoas sendo curadas com o uso. Se eu tivesse liderando uma pesquisa já teria procurado entender o porquê do remédio está servindo, mas as pessoas não fazem isso pela politização da doença. O mundo inteiro se despiu de ideologia para tratar do problema. Aqui não. Comemorasse o número de mortos como com a mesma alegria de acertar os números da mega sena acumulada.

Pra entender essa questão da cloroquina olhei uns dados do DATASUS em relação à malária. De janeiro de 2008 até março de 2020, o Brasil registrou 29.704 internações com 169 óbitos, ou seja, taxa de mortalidade de 0,57%. Quem tem malária toma uma dose inicial de cloroquina, segundo a bula, de 800 a 1200 mg e depois doses diárias de 200 a 400 mg. Se fosse tão letal não teria matado todo mundo que usa diariamente? Houve uma experiência assassina em Manaus, na qual pesquisadores selecionaram 81 pacientes e deram doses elevadas de cloroquina a alguns. Resultado: 11 morreram. No meu entendimento de projeto de pesquisa, esta foi a mais imbecil que já vi na vida. A China fez isso e pessoas morreram. Precisava replicar aqui? Remédios fitoterápicos também trazem suas contraindicações.

Todo dia chove um monte de informação sobre o perigo de usar a cloroquina. A mais recente que recebi tratava no posicionamento de 9 entidades médicas desaconselhando o uso do remédio. Eu fui ler o parecer assinado conjuntamente pelas entidades. Não tem nenhum experimento comprovado, apenas um compêndio da opinião de cientistas que são contrários ao uso. Nenhuma opinião dos médicos que estão fazendo uso.

Noutro extremo a questão da saída dos ministros da saúde. Lula criticou Nelson Teich na sua nomeação dizendo que ele não conhecia o SUS. O cara esqueceu que botou um médico para ser Ministro da Fazenda, mas a gente sabe que “O Italiano” tinha um papel importante na administração de R$ 50 milhões dados pela Odebrecht. O MS teve dois bons ministros: o primeiro foi Adib Jatene, que era cardiologista e, prevendo dificuldades orçamentárias para o SUS, propôs a criação da CPMF. Nos dois primeiros anos os recursos foram utilizados na saúde e depois disso FHC desviou a finalidade e ficou assim até o fim do segundo governo Lula. O segundo foi José Serra é economista e deu ao SUS a visão de viabilidade econômica. No primeiro governo Lula, o ministro foi Humberto Costa. Prosperou a máfia das sanguessugas e ele foi premiado com o codinome de “Drácula” nas famosas planilhas. De Lula prá, o sistema de saúde foi aparelhado com pessoas incompetentes em cargos de gestão, de modo que, sem medo de errar, o SUS tem uma conotação esquerdista muito grande.

Nesse sentido digo que quanto maior o número de mortes, melhor porque vai se atribuir a Bolsonaro, não importando se o STF delegou aos governadores e prefeitos as decisões sobre o combate a pandemia. Cabe a eles, e tão somente eles, fechar ruas, comércio, decretar lokdown, etc. As pessoas esqueceram que o Brasil é uma unidade federativa composta de 26 entidades e um Distrito Federal. Policiam os atos e as palavras do presidente e não enxergam o que o governador do seu estado e o prefeito da sua cidade está fazendo com as dispensas de licitação. Vai faltar doente para tanto hospital de campanha e vai ter gente milionária depois disso.

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PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

ROSEIRAS DOLOROSAS – José Antonio Jacob

Estou sozinho em meu jardim sem cores
E, ainda que eu tenha mágoas bem guardadas,
Cuido dessas roseiras desmaiadas
Que em meu canteiro nunca abriram flores.

Tais quais receosas almas delicadas
Elas se encolhem sobre seus temores
E abortam seus rebentos nas ramadas,
Enquanto vão morrendo em suas dores.

Quantas almas, que por serem assim,
Como essas tristes plantas no jardim,
Calam-se a olhar o nada, tão descrentes…

Feito as minhas roseiras dolorosas
Que só olham para a vida, indiferentes,
E não me dão espinhos e nem rosas.

José Antonio de Souza Jacob, Juiz de Fora-MG

PERCIVAL PUGGINA

O PIOR DOS MUNDOS

A cada dia que passa, observando a evolução dos números de novos diagnósticos e de óbitos levados à conta da covid-19, mais me convenço de que iremos conviver com essa doença por muitos meses.

Produzir imunidade ampla em relação ao vírus é tarefa gigantesca, de eficácia incerta, para as calendas do ano que vem, e olhe lá. Não há segurança sequer em relação à imunização que a própria infecção confere ao enfermo curado. Pessoas continuarão se contagiando e adoecendo por um período de tempo incerto e não sabido.

A pergunta que está sobre a mesa é a seguinte: até quando devemos manter o isolamento horizontal, se sabemos que o coronavírus continuará entre nós? O isolamento vem acompanhado de uma paralisação das atividades econômicas e traz um séquito de desgraças, a saber: recessão, fechamento de empresas em cascata, desemprego, redução de salários, queda do consumo, descrédito de investidores e aumento do risco Brasil, perda de valor das empresas, desvalorização da moeda, redução proporcional das receitas públicas e, consequentemente, da capacidade de o setor público dar conta de suas atribuições essenciais. Se quem pode mais, como a Petrobras, fechou o trimestre com prejuízo recorde, imagine-se a situação de quem pode menos.

Convivem hoje dois consensos bastante amplos. Segundo os profissionais da saúde, é necessário manter o isolamento para “achatar a curva” e reduzir a pressão sobre o sistema de saúde, e evitar a mortalidade por incapacidade assistencial. Segundo o mundo do trabalho, ou seja, o setor privado produtivo, é preciso retomar atividades, com as devidas precauções, para evitar a miséria e suas consequências fatais sobre os segmentos mais frágeis da sociedade, a saber, entre muitas outras: falta de recursos fiscais para irrigar o sistema público de saúde e sobrecarga desse sistema por abandono dos planos privados, desemprego, desabitação e aumento da população de rua, subnutrição.

Junto a todos os louvores aos profissionais da saúde atendendo na ponta do sistema, contraindo a enfermidade, morrendo durante seu empenho em curar os outros, contrastando a nobreza de sua tarefa com a vilania da politicagem e da corrupção, sei que a Ciência, tão exaltada quanto necessária nestes tempos difíceis, sofre maus tratos em certas mãos. Por que será que a OMS me vem à mente enquanto escrevo?

Numa visão distópica, se ninguém sair de casa e ali ficarmos assépticos, passando álcool gel, teremos deixado o vírus à míngua, mas escreveremos o posfácio da civilização. Caberá aos sobreviventes escrever o futuro. Repito, é uma distopia.

Penso que o debate sobre o mais grave problema da humanidade neste período de protocolos, quarentena, isolamento horizontal, vertical e lockdown não pode – em hipótese alguma – cair na ideologização. Neste estreito e raso patamar, as Ciências relacionadas à Saúde são vistas como cuidadoras da humanidade e a Economia como ciência cuidadora do dinheiro… Essa é uma visão realmente estreita e terrivelmente ideológica. A Economia como Ciência, ou substantivada como atividade econômica, liga-se inteiramente, por preposição, à vida e sobrevivência do ser humano! A Economia é para pessoas, de pessoas, com pessoas, por pessoas, sobre pessoas, mediante pessoas.

Associá-la exclusivamente a dinheiro é desconhecer o que a torna essencial, inclusive para que as Ciências da Saúde avancem e proporcionem a todos o bem que a elas corresponde. Na prática, é preciso saber como conciliar as condições de sobrevivência com as de proteção da vida.

A melhor solução será aquela que minimizar as duas perdas defasadas na linha do tempo, mas significativas e reais: as mortes causadas pela doença e as mortes determinadas pela miserabilização da sociedade. Receio estarmos andando pelo pior dos mundos, com o maior dano em ambos os casos.

COLUNA DO BERNARDO

FRANCISCO ITAERÇO - MEUS RISCOS E RABISCOS

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

PEDRO MALTA – RIO DE JANEIRO-RJ

Berto,

A expressão “deu merda” diz tudo.

Faça uma enquete no JBF e veja se encontra uma expressão mais perfeita para definir a imagem abaixo.

R. Como diria o meu querido amigo Otacílio, o maior filósofo palmarense, “É gaia, é gaia, é gaia”.

Ele botando gaia nela.

Eu acho que “deu merda” ainda é muito pouco.

O cacete (êpa!) vai comer no centro.

FALA, BÁRBARA !

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A PALAVRA DO EDITOR

A TESOURA VOLTOU ATRÁS

Ontem, quarta-feira, fiz aqui uma postagem dando notícia de que esta gazeta escrota tinha sido censurada pelo YouTube, por conta de um vídeo que foi publicado na seção Deu no Twitter.

Um vídeo simples, com cenas que foram filmada de dentro de um carro por um casal que discute.

A mulher reclama pelo fato do marido estar olhando a traseira de uma moto pilotada por uma moça e alertando para a lanterna queimada…

Desconfio que o título que botei no vídeo, NA TRASEIRA, tem tudo a ver com o corte.

Se fosse NA FRENTE, talvez tivesse passado sem problemas…

Conforme informei na postagem, o Departamento de Advocacia dessa gazeta escrota, devidamente assessorado por uma banca de juristas composta por leitores fubânicos ilustres, entre os quais o rábula palmarense Mané Porta-de-Cadeia, entrou com um pedido de liberação do vídeo.

Pois pra minha, pra nossa grande alegria, o competente Departamento de Advocacia do JBF ganhou a causa e, hoje pela manhã, recebi esta nova comunicação do YouTube:

Pois é isso mesmo: o vídeo foi “restabelecido”, conforme o jargão yutubista.

E aqui está ele novamente, pra alegrar a nossa manhã de quinta-feira.

Um grande abraço para toda a comunidade fubânica!!!