PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

UMA DUPLA EM CANTORIA E OS VERSOS DE UM POETA

A dupla Valdir Teles e João Paraibano improvisando com o mote:

Deus pintou o sertão de poesia
Meu orgulho é ser filho do sertão 

* * *

Fabio Gomes

Quem diz que esse corona
É praga do fim do mundo
Não sabe o que está dizendo
Nem seu pensar é profundo
Desconhece o próprio nome
Não sabe o que é passar fome
Ou não ter o que comer
Lhe aconselho, esse menino
Pergunte a um nordestino
E ele vai lhe dizer.

A fome é doença braba
Não quero nem no meu mote
É difícil amanhecer
Tendo só água no pote
É algo triste na vida
Ver filho pedir comida
E você sem ter pra dar
Diga sim ou não, senhor
Existe acaso, uma dor
Maior pra se suportar?

Quando esse vírus surgiu
Mesmo sem ser tão letal
Fizeram em poucos dias
Um enorme hospital
Se do dinheiro investido
Fosse um por cento investido
Em alimento ou comida
Eu sou um dos tais que diz
Seria um mundo feliz
Com muito mais luz e vida.

A PALAVRA DO EDITOR

Instabilidade no Blog

Estamos passando por algumas instabilidades do blog e isto está dificultado o Berto fazer os posts. Estou trabalhando para resolver este problema o mais breve possível. A Internet no mundo inteiro vem sofrendo com isto devido ao gigantesco número de usuários ao mesmo tempo. Logo tudo estará funcionando.

Bartolomeu Silva – Responsável pelo suporte ao Blog.

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A PALAVRA DO EDITOR

DEBATE

Este debate de altíssimo nível assucedeu-se ontem.

Foi na Câmara de Vereadores de Natal, a bela capital do estado potiguar.

Um modelo que poderia ser adotado por todos os parlamentos nacionais, desde as edilidades municipais, passando pelas assembleias estaduais, até chegar no Senado de Alcolumbre e na Câmara de Maia.

J.R.GUZZO

QUEM VAI PAGAR O PREÇO?

População mais pobre é quem mais vai sofrer com as consequências das medidas de isolamento que estão arruinando a economia

Um dia, no futuro, vão ser feitas as contas exatas e finais do custo que a Covid-19 trouxe para o Brasil, mas aí já vai ser tarde demais – o mal estará feito, e nenhum esforço, seja dos governos ou de quem for, vai ser capaz de devolver mais adiante o que foi perdido hoje. Vidas humanas “não têm preço”, como dizem desde o começo disso tudo a maioria dos políticos, homens considerados como “de ideias” e aproveitadores diversos; por conta disso, todos os atos de destruição que vêm sendo praticados no país em nome do combate ao vírus têm de ser apoiados. “Salvar vidas”, nesta visão de mundo, é mais importante que salvar “empregos”, “empresas”, etc. Desde o começo, sempre foi um argumento falso. Não vai deixar de ser só porque passa mais tempo e aumenta o número de mortos.

Não é aceitável, obviamente, que para cuidar de vidas seja necessário arruinar o Brasil ao mesmo tempo. Mas é exatamente isso que está sendo proposto pela maior parte da gente que manda. As pessoas que não estão doentes também têm vidas a serem preservadas — a obrigação mais básica dos governos e demais responsáveis pela gestão da sociedade é tratar com o mesmo empenho das duas coisas, a saúde pública e a sobrevivência de todos os cidadãos.

Pode ser muito difícil, mas em nenhum lugar está escrito que os governos tenham direito a lidar apenas com coisas fáceis. Não se trata de uma opção em aberto. Não se trata de sobrevivência “econômica”. Manter a produção, o trabalho e as demais atividades essenciais a uma sociedade não é uma questão de aumento do PIB. É, simplesmente, a vida das pessoas. Ela tem de ser defendida tanto quanto a vida das vítimas da epidemia.

O Brasil, até o momento, tem cerca de 13 mil mortos em consequência da Covid-19 – algo como 0,006% dos 220 milhões de brasileiros. O número total de infectados, nestes últimos dois meses, está por volta de 180 mil. Em 2018, segundo os últimos números oficialmente computados pelo IBGE, morreram no Brasil, por todos os tipos de causa, 1,3 milhão de pessoas – 100 vezes mais que o total de mortos na presente epidemia.

É claro que uma vida humana vale mais que um conjunto de porcentagens. Os que sofrem com a tragédia das perdas individuais não podem ser consolados com um cálculo aritmético, nem com a informação de que são uma minoria no total da população. Mas ninguém perde por ter em mente as dimensões exatas do problema.

O preço que a população brasileira vai pagar pelos desastres que estão sendo praticados hoje em nome da “vida” — sobretudo a imensa maioria de pobres cuja única esperança de um mínimo de bem estar é o trabalho — será um horror. Como sempre, os responsáveis pelas decisões não vão pagar nada pelo desastre que causaram — a conta jamais irá para qualquer autoridade que está aí. Faz parte da nossa calamidade permanente.

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VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

A PRAGA E A PREGA

Esse confinamento compulsório é erroneamente chamado de “quarentena”, pois quarentena refere-se a um isolamento de quarenta dias.

Particularmente, já cumpri mais do que uma quarentena (isolamento compulsório), esperando que seja erradicada a pandemia do Coronavírus.

Esse confinamento fez-me vasculhar coisas guardadas em gavetas e na memória. Coisas importantes, só para mim. Registro de momentos felizes e tristes, há muito tempo adormecidos, mas que uma vez por outra aparecem nos meus sonhos.

Minha Mãe, quando tinha algum problema de saúde que a obrigava a se manter em repouso, impedindo-lhe de sair de casa, às vezes, impaciente, dizia:

– Ô prega na minha vida!!! Tanta coisa que eu tenho para fazer!!!

Hoje, ela já não se encontra entre nós. Mas, se viva fosse, certamente, atravessando essa pandemia, iria sentir-se prisioneira, sem poder, nem mesmo ir à Igreja, assistir às Missas dominicais.

Com medo de me contaminar com o Coronavírus, essa praga que, fatidicamente, está contribuindo para o controle da superpopulação mundial, ultrapassei a quarentena. Continuo cumprindo as ordens, por sinal, inconstantes, do Governo do Estado, com relação ao isolamento.

Na verdade, essa pandemia está sendo uma gorda loteria premiada, para a POLITICALHA, que está pegando nas verbas destinadas à Saúde Pública. Está, também, provocando depressão e enlouquecendo a população, com estatísticas alarmantes, algumas, comprovadamente, contraditórias.

No Brasil, para uns, essa praga é um castigo do Céu; uma lição para os hereges, componentes da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira (ou simplesmente Mangueira), cujo enredo do último carnaval, teve como ponto culminante a execração e o ultraje da figura de Jesus Cristo, o Homem mais importante da História da Humanidade. Houve uma afronta gritante, aos Cristãos e aos princípios religiosos.

A Mangueira, com esse enredo podre, uma verdadeira ode ao satanismo, pensava que iria conquistar o 1º lugar. Ledo engano. Com esse enredo desrespeitoso e chocante, ridicularizando e execrando a figura de Jesus Cristo, essa tradicional Escola de Samba (Mangueira), não só deixou de conquistar o 1º lugar, como perdeu uma legião de antigos torcedores, que se decepcionaram e se revoltaram com o infeliz enredo.

Entre esses torcedores revoltados, deveria estar a minha Mãe, católica praticante e temente dos castigos de Deus.

Eu ficava feliz, ao ver a alegria da minha Mãe, assistindo pela televisão, ao desfile da Mangueira.

Certa vez, perguntei-lhe:

– Por que a senhora torce pela Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira? Eu torço pela Beija-Flor!

A resposta veio em cima da bucha:

– Ora, minha filha! Tem coisa melhor no mundo, do que uma manga rosa madura???

Minha mãe era inteligentíssima e muito espirituosa. Não tinha maldade e tinha resposta para tudo.

Quando havia a Loteria Esportiva, às vezes, por influência minha, ela fazia um joguinho básico, ao gosto dela.

Certa vez, o Vasco da Gama, jogando no Rio de Janeiro (em casa), perdeu para o Maringá Futebol Clube, do Paraná. Foi a maior Zebra do ano. Dos poucos pontos que acertou, minha Mãe acertou essa Zebra.

Quando conferi o jogo dela, rindo, eu lhe disse:

– Mamãe, a senhora acertou a Zebra!!! A maior Zebra do ano! A senhora torce pelo Maringá? A resposta dela foi ótima:

– Torço, porque eu adoro a música “Maringá Maringá…depois que tu partiste, tudo aqui ficou tão triste…”

O brasileiro costuma dizer, que o Ano Novo só começa mesmo depois do Carnaval. Até então, pessoas viajam para as praias para veranear, outras viajam de férias para outros estados ou até para o exterior.

Apesar de já estarmos no mês de maio, 5º mês deste ano de 2020, o brasileiro ainda não pôde dizer que o Ano Novo, “vida nova”, começou. Os planos para este novo ano estão congelados. Mas Deus proverá!

O Coronavírus representa uma verdadeira praga, para quem estava aguardando, que o Ano Novo começasse logo depois do Carnaval.

E as palavras da minha Mãe, continuam soando aos meus ouvidos:

– Ô prega na minha vida!!!

Estou sem sair de casa, aguardando a notícia da erradicação da terrível praga do Coronavírus. Já sonhei, até, com um comboio, que por aqui passava, levando de volta o Coronavírus, para as profundezas do inferno chinês, de onde nunca deveria ter saído.