DEU NO TWITTER

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

PUDICA – Medeiros e Albuquerque

Nua. Lambendo-lhe a epiderme lisa
por sob a qual o sangue tumultua,
caiu-lhe aos pés, em flocos, a camisa,
deixando-a nua… inteiramente nua…

O pé, que a alvura do banheiro pisa
mal os dedinhos róseos insinua
na água, que em largos círculos se frisa,
logo, fugindo lépido, recua…

Passa por todo o corpo um arrepio,
duros e brancos, hirtam-se de frio
seus dois peitinhos. Tímida, medrosa,

corre a mão sobre o ventre torneado…
Nisto, lembrando, acaso, o namorado,
toda se tinge de um rubor de rosa…

José Joaquim de Campos da Costa de Medeiros e Albuquerque, Recife-PE (1867-1934)

PERCIVAL PUGGINA

UM REINO DIVIDIDO CONTRA SI MESMO

A sociedade brasileira conviveu, por várias décadas, com uma letargia que permitiu serem dizimadas suas convicções, sua cultura, seus valores. Sob pressão do politicamente correto, por falta de qualquer contraditório minimamente eficiente, permitiu que se instalassem os divisionismos sobre os quais muito se tem escrito. Em nome da diversidade, ressaltaram-se as diferenças e se instalaram antagonismos onde diferenças houvesse: relações familiares, etárias, laborais, sociais, de cor da pele, de sexo, sempre criando muralhas intransponíveis, conflitos e uma diversidade bizarra. Das entranhas da estupidez humana surgiam, então, as modernas formas da luta de classes numa sociedade que consentia em dividir-se e em dar curso a esse fenômeno.

Ao longo dos anos, observando o unilateral uso político dessa patifaria sociológica se converter em pautas dos poderes de Estado, cuidei de denunciar a causa e sublinhar seus efeitos.

Aquela maioria dormente rugiu seu despertar nas ruas e no subterrâneo das redes em que os “coxinhas” clamavam contra os males feitos ao país. A hegemonia estabelecida nesses dois espaços de expressão suscitou muita malquerença. Era inaceitável que surgisse “do nada” uma força política vitoriosa exatamente nos dois nichos de opinião – habitados por conservadores e liberais – sempre inoperantes, passivos, letárgicos. Os dois adjetivos ocupavam lugar de destaque nos xingamentos da esquerda. Como entender que saíssem do armário em que eram contidos para, no momento seguinte, se tornarem vitoriosos nas urnas? Você tem ideia, leitor, de quanto poder ali foi perdido?

Infelizmente, o sucesso eleitoral esbarrou com a resistência dos outros poderes. E surgiu no Brasil uma nova divisão, um novo antagonismo, muito mais severo. Verdadeiro seccionamento da sociedade. De um lado o governo e seus eleitores cientes do risco de uma derrota no curso do mandato; de outro o Congresso e o STF, e a militância da esquerda, na mídia, na Universidade, no ambiente cultural. Para criar novas divisões, há eleitores do presidente que cobram dele que faça o que não deve e adversários que o acusam de já haver feito o que não deve. Há as provocações de Celso de Mello, as demandas ridículas de Lewandowsky, as intromissões de Alexandre de Moraes. Desaforos em cascata e a sociedade que se dane. Se o povo na rua ainda afasta os golpistas, a mídia militante se empenha em desdenhá-lo, descredenciá-lo. No reino dividido, tudo está politizado e, pior do que isso, judicializado: da hidroxicloroquina ao atestado médico, da indicação de um novo diretor-geral da PF às formas de isolamento.

Como não vir à mente as palavras de Jesus no evangelho de Mateus (12:25): “Todo o reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda a cidade, ou casa, dividida contra si mesma não subsistirá.”

Está faltando juízo a muita gente que, graças à posição que ocupa, se lixa para o padecimento do Brasil real.

DEU NO JORNAL

O ESGOTO ESTÁ EM QUEDA

Em queda livre na audiência, Globo decide encerrar o programa ‘Combate ao Coronavírus’

A TV Globo tomou a decisão de encerrar o programa ‘Combate ao Coronavírus’, exibido nas manhãs da emissora.

O ‘especial’ passou a ser exibido desde 17 de março.

O telejornal perdeu fôlego na disputa pela audiência.

Após contínuas derrotas no ibope, a atração chegará ao fim na próxima sexta, dia 22.

* * *

Vocês podem acreditar: ainda tem gente que sintoniza a Globo, aquela emissora que abandonou o jornalismo sério e isento pra se transformar num partido de oposição.

Tô falando sério: tem gente que ainda sintoniza.

Podem acreditar mesmo, mesmo, mesmo!!!

Tenho uma vizinha aqui no meu edifício que não perde um único programa.

E, por uma incrível coincidência, esta tal vizinha tem a mesma cara do noticiário da Globosta: é feia que só a porra.

Horrivel!!!

CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

INSTABILIDADES

Quando se fala em crise, o mundo estremece. O medo apavora a humanidade, os investidores ficam de cabelo em pé, os empresários tremem nas bases, as pessoas pisam no chão, cabreiras, temendo ser engolindo por crateras. Preocupados, os especialistas receiam não encontrar fórmula capaz de impedir o baque econômico. No rabo da crise, viaja o rebuliço, o tumulto e os distúrbios generalizados.

O que não falta no planeta são crises. Algumas contornáveis, outras, no entanto, rabugentas. Cheias de tentáculos perniciosos, como o coronavírus. Afoito que só a bexiga lixa, esta pandemia não deixa ninguém à vontade para se livrar dela. Aí, quem dormir no ponto, for descuidado, dança. Vai pro buraco escuro, debaixo de sete palmos. Lamentavelmente, milhares de vítimas, desprevenidas, vieram a óbito. O tuim é que as mortes não param. Aumentam diariamente no Brasil.

De 1929 pra cá, a atenção mundial tem se concentrado na busca de soluções para vencer as crises. Fato que vem se repetindo a cada período, não importa o endereço. Então, esporadicamente, o Grupo dos 20 se reúne em algum lugar para tentar solucionar perturbações econômicos/financeiras.

A competência do Grupo dos 20, agrupamento constituído pelas 19 maiores economias do globo terrestre, mais a participação da União Europeia, é enorme. Os ministros de finanças e chefias dos bancos centrais dos países membros, se reúnem para ordenar e empreender políticas voltadas para a arrumação das encrencas que estejam perturbando a ordem do mercado mundial.

Crise é o que não falta na história mundial. Tem de todo tamanho. Para batizar a entrada da década 90, estouraram crises no México, na Rússia e nos Tigres Asiáticos. O início da crise surgiu depois da fuga do capital estrangeiro. Como gera o sintoma do efeito dominó, foram pro espaço, o desaparecimento do crédito, a queda da produção, do consumo e consequentemente do comércio. Estes foram os primeiros sinais negativos da globalização.

No final de 1994, o México, que detinha o chavão de ser uma referência dentro do sistema financeiro internacional, de repente, foi abalado pelos efeitos da crise política e dos desequilíbrios econômicos. Uma das causas foi a adoção das reformas neoliberais. No campo político, o assassinato do candidato presidencial Luis Coloslo mexeu nas bases. No lado econômico, o descontrole na balança de pagamentos, a especulação financeira e a fuga de capitais foi o estopim para o estouro da bolha mexicana.

O impacto da crise mexicana foi tão violento que arrastou para a quebradeira um porrilhão de indústrias, desvalorizou o peso mexicano, forçou o governo a emitir títulos públicos com valor engatado ao dólar, que provocou sérios abalos nas reservas cambiais. O caso foi tão grave que a crise ficou conhecida como o Efeito Tequila.

A saída foi recorrer aos préstimos dos Estado Unidos e do Fundo Monetário Internacional (FMI) que emprestou de imediato US$ 50 bilhões. A dor de cabeça para o México foi liquidar esta alta dívida externa.

Em 2008, a crise financeira internacional desclassificou o modelo de política econômica internacional. A repercussão passou dos limites dos Estados Unidos e baixou na União Europeia. O impacto foi tão brado que afetou a Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha.

Em 2019, estava desenhado o mapa de nova crise global. Na reunião de Davos, na Suíça, onde foi realizado o Fórum Econômico Mundial, o FMI alertou sobre a possibilidade da taxa de crescimento global cair de 3,7% para 3,5% e de 3,7% para 3,6% em 2020.

A previsão desagradou a liderança política presente ao Fórum. A possiblidade de explodir nova recessão global é viável, diante da mudança de comportamento da economia mundial.

Na visão do FMI, depois de dois anos de expansão, a economia mundial reduziu a taxa de crescimento, que agora anda devagar. Então, pode não ser segredo o ataque de novos riscos emborcar o avanço global.

Pelo menos, uma coisa é certa. O desequilíbrio econômico ocorre isoladamente em alguns setores. Todavia, o grau de intensidade, depende da flutuação de expansão ou de contração, que move a atividade econômica.

O exemplo da Grande Depressão que rolou no ano de 1929 ainda não caiu no esquecimento. Os efeitos foram doloridos. A Grande Depressão deu uma enorme chicotada no capitalismo internacional. A superprodução e a especulação financeira derrubaram o liberalismo econômico. A quebra da Bolsa de Nova Iorque apagou a falsa prosperidade da economia americana, cujo reflexo imediato foi o estouro da taxa de desemprego e queda de consumo.

No Brasil, as consequências da quarentena serão assustadoras. A paralização da atividade econômica tem profundos reflexos. É cruel, tanto para empresários, como para empregados. As novidades são consequentes. Fechamento de unidades produtivas, aumento do desemprego, queda do PIB, da arrecadação de impostos e da renda. Majoração de preços, prejuízos, desespero social e mais violência. Para o poder público, monstruosa elevação de gastos na saúde. A insatisfação é geral.

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

SANCHO PANÇA – SÃO BERNARDO DO CAMPO-SP

Rodízio de pizza não pode? Não, não pode… Inventaram até o rodízio por CPF em Teresópolis. Como bom brasileiro, e por ser não ser Flamengo, nem ter uma nêga chamada Teresa, pedirei isenção. (Alô, alô Jorge Ben Jor! Aquele abraaaço!); o rodízio de placas colocou metade dos cidadãos entupindo o transporte público e uns espetalhões adulterando a numeração das placas? Com ou sem máscara? Se o tal virus “chino, quase chino ou não chino ” nos pegar temos onde nos tratar, por quem e com ou sem cloroquina !? Que tal um “médico” cubano sem o revalida?

Aí fica esta loucura, e o pagador de impostos, um imbecil, se sente mais imbecil, o suprassumo no quesito trouxa…

– Aglomeração nas ruas não pode, mas nos luxuosíssimos ónibus e metrôs de São Paulo, pode (Alô, alô governador! Aquele abraaaço!). Baile funk pode? E aglomeração na cracolândia (!?);

– Fique em casa (em quarETERNA?), mas quem precisa de exposição ao sol para sua dose diária de vitamina “d”, sair pode (!?);

– Todos os negócios devem fechar (e multiplicam-se crises de abstinência para devotos frequentadores de cabarés) , exceto aqueles que podem ficar abertos (!?);

– Não há necessidade de ir aos hospitais, a menos que você tenha sido atropelado pela garota com mais de oitenta, que não se chamava Teresa, não era Flamengo e que nunca foi do cabaré, mas que dirigia a 40 por hora o carro com a placa adulterada, quando saía do baile funk perto da cracolândia(!?);

– Você não pode ver sua vovozinha que fugiu do isolamento e dirigia o carro acima, mas pode ter contato com um desconhecido velhinho na farmácia(!?);

– Não tenha contato com os mais velhos, mas voce pode ajudá-los fazendo suas compras, portanto, em contato com sua simpática tia-avó e seus docinhos que são uma loucura(!?);

– Aglomeração na porta da CEF para pegar os “600 mangos” pode, mas andar sozinho na rua, na chuva, na fazenda, numa casinha de sapê, na praia, na praça, ou no mar não pode(!?);

E quem autoriza ou desautoriza esses QUASE absurdos (!?)

E sem licitação, a grana rola solta, sem fiscalização, prontinha para abastecer bolsos de todos os tamanhos (mas nossos incorruptíveis, probos e ínclitos homens públicos certamente não mexerão em um centavo sequer)…

Tem gente pedindo o cabo, o jipe e o soldado? Eu não, eu só quero um disco voador repleto de raparigas de todos os cabarés da Galáxia.

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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

TÔ DEVENDO E QUERO PAGAR!

1 – Pai de jumentinho!

Fiquei (e ainda estou) fora do ar por uns dias. Mudei meu provedor de e-mails na Internet e estou esperando a regularização. Não vai demorar muito. Prometo.

E, quando me disponho a rabiscar alguma coisa, o mundo rico que vivi foi o mundo da infância. Da minha infância, vivida no interior, aporrinhando meus avós, espantando ou juntando cabras e bodes para o chiqueiro, e, quando apareceram os pêlos nos devidos lugares, “fazendo fios em jumentinhas”.

Foi quando, certo dia numa capoeira, estava “me aproveitando” de uma certa “diversão dos meninos”, quando escutei minha Avó:

– Tenha vergonha, cabra safado! Vá percurar outra coisa pra cumê!

Vivi o restante daquela idade sendo obrigado a escutar e suportar gozações dos primos, que afirmavam que, meu primeiro filho seria um jumentinho! Arre égua!
E eu acreditava!

2 – O cineasta

Sei que deveria pedir licença para o especialista Altamir para dar uma rápida passeada n o tema cinema. Eu gosto de cinema. Filme que considero bom, costumo ver mais de uma vez. Filmes que considero excelente, vejo apenas uma vez – para não estragar.

Mas, o assunto não é esse. Bifurquei errado e vou corrigir. Quero falar de filme e de cinema, mas de filme e de cinema feito por mim. Sim, fui cineasta e achei que teria futuro. Mas, quando menos esperava e já comemorava a bênção da Lei Rouanet para subvencionar de forma superfaturada as minhas fitas, minha Mãe, com uma “cabada de vassoura” na minha cabeça, me fez acordar do sonho.

A “máquina de projeção”

Juntei alguns mil réis que meu Pai carregava naquele bolsinho pequeno, na frente da calça, próximo da fivela do cinto e me dava. Juntei tanto que, no dia 23 de outubro (data do aniversário de vida dele), pude comprar uma caixa cheia e lacrada de charutos Suerdieck para dar-lhe de presente. Ele agradeceu muito e, toda noite, após o jantar acendia um charuto e fumava.

Minha Mãe dizia que ele “ficava fumando para matar muriçoca”! Por isso e por outra coisa, fiquei patrulhando os 50 dias que meu Pai fumava aquele charuto de cheiro até agradável. Mas, eu tinha um objetivo: pegar o caixote dos charutos, vazio. Era ali que eu montaria toda a minha engrenagem de cineasta.

No dia seguinte ao último charuto, peguei logo a caixa vazia e me apressei. Arranquei a tampa. Colocando a caixa na vertical, furei nela com a serra tico-tico, uma buraco, onde afixei uma lâmpada queimada, marca Phillips (lembro até hoje). Parte da “engenhoca” estava pronta.

Enquanto meu Pai fumava os 50 charutos, fui me preparando. Saía da escola e, em vez de voltar para casa, ia para o Cine Nazaré, onde fiz amizade. Pedi uns pedaços de fita e ganhei quase um rolo. De fita colorida, pasmem!

Lâmpada para auxiliar na projeção da fita

No dia seguinte, em casa, eu precisava testar a projeção. Faltava a iluminação. Sem que minha Mãe visse, subi no telhado da casa e, calculadamente, afastei uma telha, de forma que, passasse por ali a luz do sol.

– Menino, o que tu tá fazendo aí nesse telhado? Perguntou minha Mãe.

– Tô pegando uma arraia (papagaio ou pipa) bonitona que enganchou!

Depois de tudo aquilo, demorei tanto que uma lenta e grande nuvem me roubou o sol. Precisei disfarçar e consegui. Naquele dia o sol não voltaria mais.

No dia seguinte, enchi a lâmpada de água, afixei uns pedaços de fita, peguei um pedaço de espelho e, comecei a projetar o filme. Uma maravilha!

Não gostei foi do resultado final. O funcionário do Cine Nazaré, quando me entregou quase um rolo de fitas, provavelmente sem maldade, não percebeu que existia uns 20 metros de “The End”!

Filmes épicos do meu cinema

Mas os dias seguintes foram proveitosos e me sentia um dos melhores cineastas, ao lado de Jean Luc Godar, Orson Welles e o ainda desconhecido Glauber Rocha.