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A QUARENTENA FALIU

Guilherme Fiuza

Broadway vazia durante pandemia de coronavírus, 7 de maio, Nova York

Das redes sociais aos telejornais, a patrulha viral está em pé de guerra – recitando números de mortos para dizer que mortos não são números. E quem é que pensa que mortos são números? Você! (segundo eles). A mensagem é clara: quem não se converter à Seita da Terra Parada é desumano e está brincando com vidas. Aí aconteceu o que ninguém esperava.

O governador de Nova York, Andrew Cuomo, adversário de Donald Trump e adepto do isolamento horizontal, deu uma entrevista bombástica. Nota rápida: governadores e prefeitos em várias partes do mundo hoje em dia passam a vida dando entrevistas bombásticas – e intermináveis, porque com recordes sucessivos de audiência não se brinca. Frequentemente são entrevistas macabras, como aquela do prefeito de São Paulo enumerando urnas funerárias, sacos para cadáveres e abertura de valas. Mas essa de Andrew Cuomo mudou tudo.

Segundo o governador do estado americano mais atingido pela epidemia de coronavírus, 84% das pessoas que estão hoje hospitalizadas com Covid-19 estavam cumprindo as medidas de confinamento. Vamos repetir, porque você está achando que leu errado: apenas 16% dos pacientes de coronavírus internados hoje na rede hospitalar de Nova York não estavam na quarentena horizontal. Andrew Cuomo, que é adepto fervoroso do “fique em casa”, informou com todas as letras, “chocado” (nas palavras dele mesmo), que a imensa maioria dos doentes de Covid-19 estava em casa.

E agora?

Agora é o seguinte: você aí, militante furibundo da Seita da Terra Parada, que passa o dia patrulhando os outros nessa sua obsessão doentia de apontar assassinos, vai ter que se virar. Abrir a porta de casa e botar o pé na calçada, querido caçador de bruxas, não pode mais ter tipificado por você e seus capangas ideológicos como tentativa de homicídio. Que pena, né? Tava tão bom brincar de bancar o herói da ética humanitária contra o genocida da esquina, não tava? Pois é, mas agora acabou.

O seu pretexto covarde, que nunca teve nada de científico (mas você fingia que tinha) se desmanchou ao vivo na televisão – logo ela, que tanto te serviu para perseguir os outros. E veja que coisa curiosa: a revelação do governador de Nova York sumiu – simplesmente sumiu – do noticiário. Uma informação que demarca absolutamente todo o conjunto de premissas no combate à pandemia caiu na clandestinidade – ao menos nas primeiras 48 horas, o que é uma eternidade para quem vive gritando que cada minuto é precioso para salvar vidas enfiando todo mundo em casa.

A própria OMS – principal referência de vocês, os falsos seguidores da ciência, para a política do trancamento geral – já tinha alertado sobre a migração das frentes de contágio para dentro das casas. E não era culpa do velhinho que foi à padaria – como vocês, sempre covardemente, tentavam alegar para manter o seu dogma. Era culpa do vírus. Ele é que foi à padaria, ao banheiro, ao quarto, à sala e a todos os lugares de carona com humanos que nem sabiam dele.

Mas vocês, os científicos oniscientes, sempre souberam onde estava cada covid, e mandaram a humanidade se trancar em casa que o vírus ia morrer de fome do lado de fora. Mas ele fez a festa no aconchego dos lares, e será eternamente grato a vocês, os talibãs da quarentena burra (e devastadora).

Agora vamos ver como as vítimas do sequestro consentido farão para recuperar a liberdade – aquela que é muito fácil perder e muito difícil conquistar. Os tiranetes de São Paulo, João Dória e Bruno Covas, estão soldando as portas do comércio, numa boa, como se estivessem na União Soviética. Os tiranetes do Rio de Janeiro, Wilson Witzel e Marcelo Crivella, querem o lockdown total – para que o cidadão só possa ir à farmácia pedindo a autorização deles.

Nunca se viu tanta estupidez e covardia per capita. Acordem, antes que a noite se instale de vez.

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

CIGANA – Vieira da Silva

Era uma vez uma cigana. Um dia
Laura pediu-lhe que lhe lesse a sina
E ela, a cigana, de contente, ria
Ante a mãozinha delicada e fina.

Fita-lhe o olhar e, débil e franzina,
Linha por linha, atentamente, lia
Um futuro de rosas à menina;
Tudo o que Laura desejar podia…

E disse aos pais: “Três vezes, meus senhores,
Aquele ipê se cobrirá de flores
Para a menina se cobrir de um véu”.

Laura riu-se e corou. E um ano corre,
Outro mais… e mais outro… e Laura morre…
— Foi com certeza se casar no céu!

A PALAVRA DO EDITOR

PENINHA - DICA MUSICAL

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

HOMENAGEM DE RUI GUERRA A GUILHERME PALMEIRA

Guilherme Palmeira, Rui Guerra jantando com suas famílias

Peço licença aos leitores desta coluna para transcrever a carta do engenheiro Rui Guerra, um dos homens mais chegados a Guilherme Palmeira, foi secretário e conselheiro de Guilherme durante anos, um dos técnicos mais capazes, de inteligência brilhante e prática do Estado de Alagoas. Rui escreveu esta suposta carta ao Zé Nunes, ex motorista, “faz tudo” e anjo da guarda de Guilherme durante mais de 40 anos, era amigo de todos os seus amigos, morreu há algum tempo e está no céu.

CARTA AO ZÉ NUNES

Querido Zé Nunes.

Desculpe não ter enviado esta carta pelo Guilherme pois em tempos de Coronavírus tudo fica mais complicado.

Espero que na sua condição de veterano aí possa ajudá-lo na chegada.

Ultimamente nosso amigo tem falado muito em você.

Desconfio até que ele me escondeu que iria visitá-lo.

Imagine que lhe deram um veículo lento e desconfortável, incapaz de servir às nossas ligeiras viagens ao interior.

Você bem lembra que entre uma cidade e outra, uma dose e outra, ele dava um cochilo de meia-hora e já acordava reclamando;

⁃ “Porra que demora é essa, onde ainda estamos?”

Mal sabia que você nunca dirigia abaixo de 120!

Imagine quando trocaram seu veículo e lhe colocaram numa cadeira de rodas.

Aquele cirurgião, que nem do nome sabemos, resolveu operá-lo para retirar suas dores e só fez agravar.

Além das dores que aumentaram, ele ficou sem urinar e teve que usar permanentemente uma SONDA que lhe trouxe um monte de infecções urinárias.

Depois de muita conversa e devido a sua Bexiga Neurogênica, a Suzana conseguiu convencê-lo a fazer um tratamento com um neurologista que lhe aliviou parte das dores.

Como você já deve estar manobrando aí veja se consegue que não lhe hospedem numa ALA onde estejam pessoas com as quais ele nunca concordou, apesar da sua enorme tolerância.

Com todas as virtudes e paciência que tem, bem sabemos que ele nunca concordou com oportunismos nem perseguições.

Seus sucessivos exemplos de vida e solidariedade permitem saber com quem ele gosta de conversar.

Dê-me um jeito de descobrir onde estão: Rui Palmeira, Tancredo Neves, Ulisses Guimarães, Aureliano Chaves, arranje um apartamento perto deles e, por favor, mude-se com o Guilherme.

Nestas companhias, com certeza, ele aliviaria a falta que lhe fazem Suzana, Rui, Solange, Nadja e seus amigos fraternos.

Veja se consegue um transporte mais rápido que a cadeira de rodas que ele estava usando, para acalmá-lo nos deslocamentos e passeios que terá que fazer na companhia desses amigos que há tanto tempo ele não vê.

Diga a ele que avisei de sua viagem ao Jorge Bornhousen e Zé Jorge que muito lamentaram sua partida sem uma despedida no Piantela.

Avise também que com sua ausência os amigos sumiram. O Piantela fechou e decidiu que só volta a abrir quando ele regressar.

Por aqui sua velha e leal VARANDA DO GP está meio desorientada sem saber o que fazer.

Lá na frente e depois que o Coronavírus partir, veremos como fazer para matar as saudades da sua ausência.

Diga-lhe que tenho chorado como uma criança.

Voltarei a lhe escrever quando a saudade tornar-se pesada demais.

Seu amigo de sempre Rui Guerra.

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GEORGE MASCENA - SÓ SEI QUE FOI ASSIM

O TRISTE FIM DO VENGEANCE / MINAS GERAIS

No ano de 2001 a Marinha do Brasil colocou em operação o porta-aviões São Paulo, comprado da França para substituir o imponente, porém obsoleto, Minas Gerais. É desse segundo porta-aviões que eu vou falar, o Navio-Aeródromo Ligeiro Minas Gerais, de matrícula A-11, que serviu a Marinha do Brasil entre 1960 e 2001. Suas dimensões são magníficas, desde que não sejam comparadas com os modernos navios de guerra americanos, chineses e de outras bandeiras de países com uma marinha de guerra forte. Ele possui 211 metros de comprimento e se desloca a uma velocidade de 46 km/h e foi essa velocidade que o fez obsoleto.

Porta-aviões São Paulo A12, substituto do Minas Gerais na Marinha do Brasil

O Minas Gerais foi construído na Inglaterra durante a Segunda Guerra Mundial, à sombra dos bombardeios alemães. Foi batizado com um nome sugestivo para a época: Vengeance, Vingança em português, com a principal finalidade de combater as tropas japonesas no Pacífico e seguiu para esta zona logo após seu batismo, mas não chegou a entrar em combate, quando a guerra acabou o Vengeance estava aportado em Sidney na Austrália, porém seguiu para a região e foi o primeiro navio britânico a entrar em Hong Kong após o armistício, o navio serviu de escritório para a assinatura da rendição japonesa. O Vengeance ainda hoje é cultuado pelo povo de Hong Kong.

O Vengeance “australiano”

Durante sua estada na Austrália, o Vengeance foi preparado para a Guerra da Coréia, porém foi substituído por outro navio, já que este era emprestado pelos ingleses enquanto concluíam outro porta-aviões, o Melbourne, encomendado pela Marinha Real Australiana. Há quem acredite que essa foi uma desculpa da marinha australiana por não poder pagar e que a Inglaterra não tendo como reincorpora-lo a sua marinha, vendeu ao Brasil por um precinho camarada.

Breve história do Minas Gerais:

O Brasil construía a nova capital quando o já batizado Minas Gerais chegou ao Rio de Janeiro, o primeiro de uma marinha das Américas, excluindo os EUA, foi a nau capitânia da armada brasileira, ou seja, o mais importante da Marinha. Apesar da grande importância ostensiva do “Minas”, este nunca foi efetivamente usado em conflitos, o mais próximo que chegou de um confronto foi quando foi deslocado para aguas territoriais em Pernambuco para combater os franceses na Guerra da Lagosta, que por sorte nossa, foi resolvida sem haver necessidade de disparar um só tiro.

O NAeL Minas Gerais navegando imponente em águas brasileiras

Depois de 4 décadas de serviços prestados ao Brasil (o Minas Gerais era o último porta-aviões da Segunda Guerra ainda em operação), o gigante já não servia mais para a guerra e finalmente em julho de 2002 foi vendido em um leilão por dois milhões de dólares para um estaleiro chinês que se interessou na reciclagem do material. Entre os interessados estava uma ONG inglesa de ex-combatentes da Segunda Guerra, que o queria o-transformar em um museu flutuante, porém não conseguiu juntar dinheiro suficiente para arremata-lo. “Como um velho cachorro já sem controle sobre as próprias pernas, o Porta-aviões Minas Gerais saiu do Rio de Janeiro rebocado, abandonando assim a baía que foi sua casa por quarenta anos, e foi em direção à eutanásia nas areias de Alang, na Índia”, descreveu o site Mar Sem Fim, sobre a partida do navio que nunca disparou um só tiro em conflito. Alang é o maior “abatedouro” de navios do mundo e é lá que está em avançado estado de decomposição o pacato e majestoso Vengeance/Minas Gerais.

Jornal de Hong Kong mostra a situação do Vengeance

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

NONATO – IGUATU-CE

Santíssima Santidade, Santo Papa Berto I e Único,

Os níveis e padrões da hipocrisia no Brasil foram atualizados.

Explico:

1. instigado por particular em fevereiro para cancelar o carnaval, o ministério público, ao que consta, manter-se inerte. Os procuradores e promotores acordaram e agora, é ação para que Estados, Distrito Federal, Municípios e União façam isso e aquilo pra ontem;

2. a Justiça determina que Estados, Distrito Federal, Municípios e União cumpram determinações tais e tais urgentemente sob pena de multa,

3. a quem recorre os que tem processos dormitando na justiça enquanto juízes, procuradores e promotores tiram 60 dias de férias?

São rápidos para determinações aos outros mas o mister para o qual são regiamente pagos…

Espelho deixou de ser fabricado?

Óleo de peroba é grátis pra essa gente?

PENINHA - DICA MUSICAL