CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ANDERSON BRAGA HORTA - SONETO ANTIGO

CRISTAIS QUEBRADOS

Há uma flor que floresce em tudo e em nada
do universo febril do meu desejo.
Flor de carne e luar, rubra de pejo
cora-se ao ver, tímida e deslumbrada,

dentro em meus olhos a intenção de um beijo.
Alma de luz, na esfera inabitada
de meus íntimos céus transfigurada,
nebulosa do sonho, ardente a vejo.

Beijo-a, e por entre beijos imaturos
desperto, e ela se esvai no azul divino.
Clamo, e ao apelo de meus fortes brados

parte-se o espelho dos seus olhos puros.
Alastram-se no azul pré-matutino
trêmulos claros de cristais quebrados.

PERCIVAL PUGGINA

UM NOVO PERIGO RONDA A NAÇÃO

Não passa um dia sem que algum leitor, estarrecido ante o desastre político em curso no Brasil, me pergunte: “E aí, qual é a solução?”.

O Brasil que em 2014, graças à vitalidade das redes sociais, começou a acordar para o flagelo esquerdista que o acometera durante três décadas ao longo das quais comprara gato por lebre, foi mudando de lado. Descrevo o processo como uma “iluminação” que acendeu luzes para a destruição de seus valores, para o assalto ao futuro do país, para a ruptura sistemática da ordem. Era imensa a lista dos malefícios de natureza social e moral em curso, com outro tanto na geração de riqueza e postos de trabalho. O braço festeiro gastador do Estado conseguiu transformar em voo de galinha as extraordinárias oportunidades proporcionadas pela primeira década deste século. Consolidara-se no país um capitalismo de compadrio, padrinho de corruptos e corruptores.

Bolsonaro elegeu-se portando bandeiras com forte ressonância popular. Era combatido pelos que haviam construído passo a passo a realidade social, política e econômica a que o país chegou no ano de 2018. Seus adversários falavam pelos cotovelos na mídia militante, no ativismo judicial dos ministros do STF, nos partidos de esquerda e no centrão desalojado de seu poder. Em consonância com seu modo combativo de ser, o presidente passou a arrostá-los ostensivamente e varou o ano de 2019 perdendo quase todas, contra quase todos. Ele só tinha seus eleitores em seu favor, representados, de forma visível, por aqueles que, nas redes sociais e aos milhões, saíam às ruas para expressar seu apoio. E, ainda assim, nesse tumulto, o governo, como tal, ia bem.

No carnaval, o coronavírus desembarcou no país e o governo ganhou mais um adversário, invisível, a causar imenso dano social e econômico. Não bastante isso, entra no mês de maio do segundo ano de seu mandato num confronto de versões, em palco policial, contra seu ex-ministro da Justiça e Segurança Pública.

Como conservador, tenho apenas uma resposta à pergunta feita no primeiro parágrafo deste artigo. As instituições brasileiras, um susto permanente, são de péssima alfaiataria e vestem um corpo social desconjuntado. O sistema não é funcional, como estamos vendo pela enésima vez. Tem sido dito em relação ao momento atual, “as instituições estão funcionando”. Há total razão em quem o afirma. Os males que estamos enfrentando são resultado desse funcionamento. Esse é um dos estragos que elas fazem ao funcionar! Há piores. Ou obrigam o governo a comprar maioria parlamentar ou a maioria do Congresso e o STF protagonizam a governança do país. Todas as deposições de presidentes – Getúlio, Jango, Collor e Dilma – aconteceram por falta de apoio parlamentar.

Espero que o circo não tenha aberto a jaula. Que a investigação iniciada sábado siga seu curso e que nela a prudência separe o joio do trigo, o grave do fútil, e o bem do Brasil se sobreponha aos interesses individuais em jogo.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

VIVALDO A. ROCHA – JOÃO PESSOA-PB

Caro Berto, um bom dia, antes de suas merecidas férias!!!

O Cícero, para os íntimos “Cissinho”, aquele lá da antiga Roma, por volta de 106-43 a.C., escreveu um “livrinho” chamado A Amizade (De Amicitia), onde consta um capítulo que, acredito, reflete cristalinamente, o que deve ter ocorrido entre o Bolsonaro e o Moro.

Ô povinho que não aprende!!

O texto está a seguir.

Saudações!

* * *

As Causas que Desmantelam Amizades

“Ouvi, com atenção, meus ótimos companheiros, o que então era comentado entre eu e Ciprião, em plano alto de sabedoria, acerca do tema da AMIZADE.

Dizia ele nada haver de tão árduo como manter uma AMIZADE até o extremo da vida, já que os interesses nem sempre coincidem ou surgem divergências no pensamento POLÍTICO.

Dizia também que os costumes dos homens com frequência mudam, ora pelo feito da adversidade, ora pelo andamento da própria idade. Apresentava então exemplos da vida das crianças que, muitas vezes, depõem, com a TOGA pretexta, as AMIZADES estreitas do tempo da infância.

Se aquelas antigas AMIZADES perduram, ao longo da idade juvenil, elas findam se desfazendo, seja por causa de alguma RIVALIDADE, seja por questão de casamento ou por alguma VANTAGEM que não pode ser compartilhada por dois.

Mesmo aquela AMIZADE que se prorrogou, por longo tempo, desaba com frequência, quando conflita com a DISPUTA de HONRRARIAS POLÍTICAS.

Não existe, com efeito, maior PESTE contra a AMIZADE do que a COBIÇA de riqueza que afeta a maioria dos homens. Entre os melhores, EXPLODE concorrências aos postos de HONRAS e de GLÓRIAS. Daí advém, entre pessoas ligadas até por estreita AMIZADE, IRRECONCILIÁVEIS DESAVENÇAS.

Muitas vezes, nascem DISSENSÕES e até justas, quando é SOLICITADO algo não correto por parte do amigo, seja uma parceria LIBIDINOSA, seja uma cooperação em ato INJURIOSO.

Se há recusa para tais atos, ainda que HONESTA, o outro é acusado de não respeitar os compromissos da AMIZADE, já que não concordou em SUBMETER-SE.

De outro lado, aqueles, que ousam pedir algo do AMIGO, fazem do próprio pedido uma GARANTIA de retorno em tudo que for do interesse do outro.

As queixas daí oriundas não só costumam EXTINGUIR velhas amizades como também geram ÓDIOS eternos.

Eis as tantas CALAMIDADES que se abatem sobre a AMIZADE. Delas fugir não é SABEDORIA, mais ainda uma boa dose de sorte propícia.”

CHARGE DO SPONHOLZ

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JOÃO ARAÚJO – MUNIQUE – ALEMANHA

Caro amigo Luiz Berto,

Envio-lhe o Episódio-1 sobre o grande poeta violeiro Ivanildo Vilanova.

Neste Episódio é mostrado algumas razões pelas quais o Ivanildo pode ser considerado um dos principais nomes ao levar a Arte da Cantoria para os grandes centros urbanos.

Vídeo pertencente à Série Mestres da Poesia: grandes repentistas, poetas, violeiros.

E para os leitores que quiserem acessar o link de inscrição no meu canal, é só clicar aqui.

Obrigado, forte abraço e até a próxima declamação.

A PALAVRA DO EDITOR

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

PRECISO DO SEU CHEIRO

Quando por mim você passa
Eu viro mulher feliz
Tão cheiroso e provocante
Que logo acendo o nariz
E deixo seu cheiro entrar
Só para me deleitar
Pois sou mulher de raiz.

Se sempre acordo bem cedo
É pra provar seu sabor
O meu paladar exige
Antes que eu vá ao labor
Ter você sempre bem quente
Alertando minha mente
Provocando meu calor.

Para ter você comigo
Caminho léguas o pé
Vou até o fim do mundo
E não perco minha fé
De provar do meu neguinho
Nem que seja um golinho
Sou viciada em café!

ALEXANDRE GARCIA

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA