DEU NO TWITTER

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

BUSCANDO A CRISTO – Gregório de Matos

A vós correndo vou, braços sagrados,
Nessa cruz sacrossanta descobertos,
Que, para receber-me, estais abertos,
E, por não castigar-me, estais cravados.

A vós, divinos olhos, eclipsados
De tanto sangue e lágrimas abertos,
Pois, para perdoar-me, estais despertos,
E, por não condenar-me, estais fechados.

A vós, pregados pés, por não deixar-me,
A vós, sangue vertido, para ungir-me,
A vós cabeça baixa, prá chamar-me.

A vós, lado patente, quero unir-me,
A vós, cravos preciosos, quero atar-me,
Para ficar unido, atado e firme.

Gregório de Matos Guerra, Salvador-BA, (1636-1696)

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

COLUNA DO BERNARDO

DEU NO TWITTER

COLUNA DO BERNARDO

DEU NO TWITTER

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

VITOR MIRANDA – SÃO PAULO-SP

Margaridárida lança videoclipe produzido durante o isolamento em prevenção ao coronavírus.

Compartilhe e siga nosso canal 🙂

letra: vitor miranda e touché
música: touché

voz: touché
violão, guitarra e produção musical: giovani nori
baixo: bê muller
bateria sampler: rodrigo marques

meu guru

já desliguei o aquecedor da piscina
já fiz o dólar subir mais do que libra esterlina
já demiti o ministro que não receitou cloroquina
já contratei um novo que parece que veio da ruína

agora me diga você, meu guru
o que devo fazer?

agora me digam vocês, meus guris
o que devo fazer?

já até rejeitei abraçar árvore em Londrina
já abracei meu caçula que beijou todas menina
já acabei com a cultura contratando a Regina
já passei na farmácia tirei selfs e comprei aspirina

agora me diga você, meu guru
o que devo fazer?

agora me digam vocês, meus guris
o que devo fazer?

PERCIVAL PUGGINA

A JUDICIALIZACÃO NUM PARLAMENTO DISFORME

Nada tenho a favor de qualquer partido político brasileiro. Minha atitude se deve ao fato de esses organismos serem, há muitos anos, cartórios da política partidária sob fiscalização de instituições denominadas tribunais eleitorais. Neles se formalizam filiações, convenções, candidaturas, coligações e outros atos posteriormente encaminhados ao controle superior dos tribunais.

Sucessivo fracionamento fez com que o número de partidos se tornasse mais um fator de complicação para essa coisa instável que é a política em nosso país. Graças à multiplicação desses organismos, 33 legendas têm hoje representação na Câmara dos Deputados, sendo a bancada petista a mais numerosa. O partido tem 51 deputados e representa exíguos 10% do plenário.

Se a bancada mais numerosa tem um peso de 10%, imagine as dificuldades e o trabalho envolvidos na formação de maiorias em deliberações frequentes mobilizando um conjunto em que, a rigor, só existem minorias. E muitas minorias mínimas. Com efeito, entre as siglas presentes na Câmara dos Deputados, existem 13 cujas bancadas não alcançam 3% do plenário. Têm, no entanto, prerrogativas regimentais e direito a nada desprezíveis recursos públicos.

Dos partidos esperar-se-iam ideias, propostas e líderes para as disputas eleitorais, mas é escassa a produção de boa qualidade. Não poderia ser diferente. Por diversificadas que sejam as opiniões políticas e as compreensões da sociedade diante dos problemas sociais, políticos e econômicos do país, não há, nos espectros da realidade e das ideias, conteúdos em número suficiente para proporcionar identidade própria a tantas legendas e empolgar seus filiados.

A judicialização da política no Brasil tem muito a ver com o que aqui descrevo. Ao plenário de um parlamento formado por pequena multidão de 513 deputados aplicam-se funcionalidades inerentes à psicologia das massas. Para fazer valer um entendimento, uma ideia, um princípio, é mais fácil convencer um ministro do STF, ou três ministros em numa turma do STF, ou seis ministros no plenário do STF, que convencer a maioria em cinco centenas de deputados. Por isso, partidos e parlamentares, com crescente frequência, recorrem ao Supremo para emplacar seus pontos de vista.

O mais instigante ao observador é perceber que, muitas vezes, tais demonstrações de debilidade do parlamento encontram acolhida na Corte, porque não há mais limites para o que aquele poder possa fazer nestes preâmbulos da ditadura do judiciário.