JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

DE LINHO, NO ANIL E NO GRUDE

Homem vestindo linho puro

“As velas do Mucuripe
Vão sair para pescar
Vou levar as minhas mágoas
Pras águas fundas do mar

Hoje à noite, namorar
Sem ter medo da saudade
Sem vontade de casar

Calça nova de riscado
Paletó de linho branco
Que até o mês passado
Lá no campo ainda era flor”

Fortaleza, capital cearense. Anos 50 e 60. Juventude de comportamento efervescente que funcionou como rastilho de pólvora e acabou “provocando” o governo do regime militar – diferente da juventude de hoje, um alto percentual de baitolas, drogados e tatuados. Incapazes de perceber a vida presente e futura que lhes rodeia. Um dia o boleto chega, e exigirá pagamento.

Bailes noturnos, festas, tertúlias animadas por Ivanildo e seu conjunto e Sávio Araújo – que nos remetia aos tempos de Paulo Moura, Louis Armstrong e, vez ou outra, Cauby Peixoto procurando a Conceição. Até hoje não foi encontrada. Provavelmente está na ZBM ou comendo fava rajada na feira de Casa Amarela.

Os jovens aderiram à moda das calças Lee (tinham que ser importadas, por valorização e imposição da moda vigente) e vestiam camisas sociais “volta ao mundo”, mangas compridas. Como ainda não aparecera o desodorante, os meninos usavam talco Cashemere bouquet nas axilas – e aquilo, quando o corpo suava com a movimentação do corpo dançando “oh, cupido, vê se me deixa em paz, oh, oh”, aparecia a lama e manchava a camisa. As moças, usando vestidos elegantes sem mangas, mostravam o lamaçal feito pelo suor descendo do sovaco.

Longe dali, nos SECAIs ou no Romeu Martins da vida, ou, ainda, nos luxuosos salões do Ideal Clube e do Náutico, orquestras refinadas tocavam até tango argentino.

Rapazes vestiam camisas sociais, de linho puro.

Camisa lavada pela manhã, com o acréscimo do anil e do grude de goma. Colarinho caprichado. Exageradamente bem passada, a ponto de transformar qualquer jovem num príncipe das Astúrias.

Transporte: Aero Wyllis ou Fusca. O Jeep nem tinha o privilégio do estacionamento nas dependências do clube. A Vemaguette, pelo barulho provocante saído do cano de descarga, era inoportuno. O carro da moda era o Simca Chambord.

Aquelas noites….. deixemos pra lá, né!

Saudade também mata – e os modernos resolveram rotular de depressão.

Depressão, uma porra!

Vivência. Prazer de relembrar as coisas boas vividas.

Depressão é viadagem de quem nunca comeu mucuim de galinha e os dois pés da mesma galinha, com a mão e lambendo dobrinha por dobrinha dos ossos.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

DANDO MILHO AOS POMBOS

Dando milho aos pombos

“Um dia, daqui a não sei quantos anos, ainda vou sentir saudades deste lugar e deste momento. Deste barulho que a água faz quando se encachoeira nas pedras e desta música que o rádio de pilha da casinha está tocando.”

(Trecho da crônica “Nós, os Meninos de Palmares”, do livro “A Prisão de São Benedito”, da autoria de Luiz Berto, editor deste JBF).

Estou em viagem.

De trem.

Mais propriamente no Expresso do Oriente.

A linha férrea é a grande novidade, mas, a paisagem não é tão estranha – beirando o rio Pirangi. Viajo acompanhado dos amigos Antônio Maromba, Fernando Gata e Romildo Pilica.

Na próxima estação, eu fico e eles continuam a viagem. Faz tempos viajam.

Estamos vindo de Palmares.

Eu vou aproveitar para Dar milho aos Pombos e, depois, matar o tempo vago jogando na roleta que, livremente, rouba dos incautos numa praça.

Estou viajando deitado.

Os outros três passageiros estão indo para São Benedito.

Na realidade, estão voltando. Moram ali há alguns anos, onde nasceram e aprenderam os bons caminhos da vida pregressa – banhar no rio Pirangi, nus em pelo.

Ouço o barulho que o armador enferrujado faz, quando balanço a rede – tacando o pé na parede para pegar impulsão, e balançar.

Nesse ínterim, aproveito para lhes apresentar uma mulher. Mulher, não. Uma dama com quem convivi parte dos meus dias:

Agatha Mary Clarissa Christie DBE, nascida Agatha Mary Clarissa Miller, popularmente conhecida como Agatha Christie, uma escritora britânica que atuou como romancista, contista, dramaturga e poetisa. Nascida a 15 de setembro de 1890, em Torquay, Reino Unido. Infelizmente já nos deixou, faz tempo – 12 de janeiro de 1976.

O mistério do trem azul, A morte do Almirante, Assassinato no Expresso Oriente, O caso dos dez negrinhos, Os trabalhos de Hércules, Depois do funeral, Um gato entre os pombos, Os elefantes não esquecem, O visitante inesperado, e, claro, Dando milho aos pombos.

Agatha Christie

Entre tantas obras que me cativaram como leitor, faço destaque a O caso dos dez negrinhos, Dando milho aos pombos e Assasinato no Expresso Oriente.

Nesses, Agatha faz valer a importância de Hércule Poirot – um detetive que somente inteligências brilhantes que nascem e vivem noutras culturas, como “nim Palmares” que criou meus companheiros de viagem nesse trem da vida – Maromba, Gata e Pilica.

Hércule Poirot

O trem parou.

Desci e fui cumprir meu objetivo. Gata, Maromba e Pilica continuaram no trem, beirando o Pirangi. Descerão em Palmares. Sortudos que são.

Obrigado pela companhia da viagem. Qualquer dia desses nos reencontraremos e viveremos novos e delirantes sonhos.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

VAMOS ANDAR – JUNTOS!

O portão eletrônico das Queimadas

O ano, lembro bem, era 1954. Seca braba. Tudo seco. Animais morrendo de sede. Nem as muitas caminhadas para o Açude Novo conseguiam resolver. A jumenta Bonita caminhava trôpega com dois cambitos e dois barris d´água. Seria maldade transportar mais de dois barris – e Bonita, farejando o vento que soprava ao contrário da nossa direção, parecia sentir sede e andava mais rápido – Vovô orientava para não bater no animal. Naquela seca seria muita maldade.

Dia 19 de março se aproximava. Dia consagrado ao Santo Padroeiro do Ceará, São José. Havia em cada novena reunida durante a noite, uma reza muito forte pedindo o milagre da chuva.

Todo dia eu caminhava. Para ir, e, claro, para vir. Era até o Açude Novo, uma boa caminhada. Sempre sofrendo as agruras do calor na trajetória. O banho no açude refrescava um pouco. Banho nu. Sei que muitos banham nu. Mas era hábito, no Açude Novo, banhar vestido com um calção. Havia o local reservado para os homens, ainda que meninos, e para a mulheres, mesmo que meninas com os mamilos aflorando.

Os anos se passaram. Passou 1954. Passou 1955 e passou 1956. Em 1957 a seca que matava não apenas os animais, nos expulsou das Queimadas.

Antiga Praça José de Alencar

Meados de 1957, o êxodo nos levou para Fortaleza. Poderia ter sido Manaus, Salvador ou Curitiba. Não tínhamos nada de posse, além de duas ou três redes e um cachorro que parecia ser nosso Anjo da Guarda. E era.

Andando, chegamos a Fortaleza. Sem dinheiro, sem emprego e sem nada nas mãos além dos dez dedos. Andamos e fomos parar no Pirambu – ali, erguemos uma palhoça, onde poderíamos ter a sensação de liberdade e de um recomeço. Ledo engano. As necessidades materiais bateram à porta e entraram palhoça à dentro sem pedir licença. Fazíamos nossas necessidades fisiológicas onde estivéssemos e onde desse vontade. Despudoramente – e até aprendemos substituir o sabugo de milho pela água salgada do mar.

Os dias que chegaram nos encontraram andando. Andando para lugares incertos e levados pelos sons audíveis dos roncos famintos dos intestinos. Mas, aquela voz não nos deixava parar. Esmorecer, jamais.

Vá em frente, dizia uma voz vindo de algum lugar. Não pare. Ande. E foi aquele incessante caminhar, andar de mãos dadas que nos manteve unidos e de pé.

Chegaria 1958. A caminhada incessante e incentivada me levou ao Liceu do Ceará. Os obstáculos encontrados não me deixavam abater. Mas a insistência, a perseverança, a esperança acaba descortinando um novo horizonte.

Os dias se passaram e foram nos encontrar andando em busca de algo imaterial que acabaria por nos levar à materialidade das realizações. Aprendizado. Empregos. Vida, enfim.

Hora de servir à Pátria. CPOR. Universidade. A continuidade da caminhada nos levou à Western. Primeiro emprego formal. A imaturidade nos conduziu para a composição de uma Diretoria sindical. Sindicato dos Telegráficos. Ilusões. Nada mais que isso.

Theatro Municipal do Rio de Janeiro na Cinelândia

Andamos rápido, para a caminhada que nos levou para o Rio de Janeiro, sem lenço, sem documentos e sem profissão. O pouco tempo – seis anos apenas – de Western não nos garantia uma transferência.

Andando conforme a luz divina iluminava o caminho. Sempre o bom caminho – as necessidades materiais eram janelas abertas para o desvirtuamento. Deus não permitiu e a luz forte clareava a estrada – tanto quanto as lamparinas da Vovó, ou o candeeiro do Vovô iluminando o espraiado do quintal fronteiriço daquela casa onde nasci. Nas Queimadas. Onde dei os primeiros passos até aqui.

Andando sempre. Acreditando em Deus, mas, caminhando.

Vida. Universidade. Casamento e nova família. Problemas, mas continuamos andando, sempre na direção certa e no caminho traçado por Deus.

Sem acreditar jamais na mentira: “cada um será o que quiser”!

Cada um será sempre, o “que Deus quiser e traçar como destino inicial e final.”

Parte do Largo do Carmo em São Luís

Chegou 1987, e continuei andando. Agora, segurando na mão de Deus. Um novo caminho, ainda desconhecido, tanto quanto foi o Pirambu, em 1957 e o Rio de Janeiro, em 1969. Problemas vencidos e a construção de uma nova família. Tudo novo. Recomeço de uma nova caminhada – que mostrava a mesma esperança de quando colocava os cambitos e os barris vazios na jumenta Bonita, para “buscar água” no Açude Novo.

São Luís. Filhos. Três filhos, hoje adultos. Entraram na caminhada traçada por Deus.

Hoje, Deus bondoso e justo, permite que continuemos andando. Juntos. Eu e ELE! Nós, enfim.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

EU CREIO, PAI!

Coroa de espinhos

Jesus, eu aprendi que nenhum de nós vai ao pai, sem que não seja através de ti. E eu creio nisso.

Creio firmemente!

Creio, também, que só estou aqui porque tu queres. Sei que permitistes que eu cumpra a minha missão – para, só então, voltar para o lugar de onde vim.

Mas, nesses 75 anos a serem completados em poucos dias, aprendi muito. Aprendi com as pessoas certas, creio. Vivi vendo e procurando (além de valorizar) compreender o sacrifício que fizestes e o sangue que derramastes por mim, por nós. Por todos nós. E ao que parece, em troca temos dado tão pouco – e provavelmente, menos do que o pouco que tu pedes, em troca de tudo que fizestes.

Derramastes o teu sangue. Entregastes o teu corpo em sacrifício por nós – e até esquecestes de ti próprio.

Vês!….

Viemos do pó e ao pó voltaremos, depois da nossa missão. Mas, nesse intervalo entre a chegada e a volta, nos permites o usufruto do que só tu és capaz de criar – e de colocar à nossa disposição.

Tudo parece pintura e até as que realmente o são, como Capela Sistina e tantas outras que destes mãos, olhos e sensibilidade para Michelangelo, Vincent van Gogh, Monet, Manet, Toulouse-Lautrec, Leonardo da Vinci, Gauguin e tantos outros nos deliciarem com cores mágicas. Cores divinas. Cores tuas.

Jesus, quem na Terra conseguiria pintar o arco-íris?

E quem faria isso usando apenas a “tela” que usas?

E as tintas – alguém conseguiria mais belas que as tuas?

Senhor, e o vento, que fizestes fortes para tanger os maus; fracos para acariciar os bons, e raivosos para castigar aqueles que teimam em desobedecer – e que só lembram de Ti nas necessidades?!

E o mar?

Quem mais poderia criar o mar, senão Tu?

Quem mais é capaz de manter a vida de todos e de tudo, se não Tu?

E a chuva, o sol, a noite, o dia e o cântico mavioso dos pássaros – alguém seria capaz de criar e manter além de Ti?

Por tudo isso Jesus, caminho único que nos leva à Deus, eu vivo. Eu creio. Conscientemente, o somatório de tudo, ainda será muito pouco ou quase nada para explicar o Mistério da Fé.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

O QUE ESTAMOS COMENDO?

Homem (58 anos) obeso

Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde, em 2025 o planeta terá 2,3 bilhões de adultos acima do peso e 700 milhões de obesos. O excesso de gordura corporal está relacionado a uma série de fatores – entre os quais a má alimentação e os modismos sociais.

A obesidade é uma condição médica caracterizada pelo excesso de gordura, que pode ter efeitos negativos na saúde.

Normalmente, é diagnosticada por meio do Índice de Massa Corporal (IMC), que é feito por meio da divisão do peso (em kg) pela altura (em metros) ao quadrado. Por exemplo: uma pessoa com 70 kg e 1,60 de altura tem um Índice de Massa Corporal de 27,34. Um IMC igual ou maior que 30 é considerado como indicativo de obesidade. (Informação extraída do Wikipédia).

A obesidade não apresenta sintomas específicos, mas algumas complicações podem estar relacionadas a:

Aumento do peso corporal: o principal sintoma da obesidade é o ganho de peso excessivo, que é avaliado por meio do índice de massa corporal (IMC)

Cansaço: o excesso de peso pode sobrecarregar o corpo e levar a uma sensação geral de cansaço e falta de energia

Falta de ar: a obesidade pode causar pressão nos pulmões e no coração, o que dificulta a respiração, especialmente durante atividades físicas

Problemas de sono: como síndrome de apneia obstrutiva do sono

Problemas de pele: o excesso de gordura corporal pode aumentar o risco de problemas de pele, como estrias, infecções por fungos e acne

Além disso, a obesidade pode causar complicações ortopédicas, como dores na coluna e nos joelhos, por conta da sobrecarga das articulações causada pelo excesso de peso.

A obesidade é causada por muitos fatores, como genética, comportamento, ambiente e metabolismo. Algumas das principais causas da obesidade são:

Fatores ambientais e comunitárias: fatores como a proximidade de fast-foods, falta de acesso a alimentos frescos e ambientes escolares podem contribuir para a obesidade

Fatores genéticos: alguns estudos mostram que alguns tipos de variações genéticas podem influenciar o metabolismo, o apetite e a regulação do peso

Fatores metabólicos/biológicos: a regulação do metabolismo energético do nosso corpo é dada por interações complexas entre hormônios e neurotransmissores que quando desbalanceadas favorecem o desenvolvimento e a manutenção da obesidade e outros problemas metabólicas

Fatores individuais e comportamentais: o estilo de vida, incluindo o consumo de bebidas açucaradas, tamanho das porções, comportamento sedentário e tempo de tela, são fatores significativos que contribuem para a obesidade. (Informações obtidas por pesquisa no Wikipédia)

Mulher com excesso de peso

Confesso que sou leigo no assunto. Para postar essa reflexão conversei com um filho Nutricionista/Fisicultor, e obtive algumas informações que serviram como base para essa postagem. Recorri, também, ao Wikipédia.

Começo essa proposta de reflexão indagando: o que estamos comendo e alimentando nossos filhos nos dias atuais?

Temos algum tipo de preocupação com esse detalhe?

O que é e, em contraste ao que comemos no dia-a-dia, o que é a alimentação “vegana” (que anos atrás era rotulada de “alimentação naturista”)?

Comer é algo relacionado à “psique” e pode ser considerado como ansiedade?

Comer bem é abrir espaço para a gula e repetir, repetir e repetir?

Você acredita que, uma banana, um abacate pode alimentar mais o corpo que 500 gramas de picanha?

Afinal, “comer bem, e estar bem alimentado” e sentir que no estômago não cabe mais nada?

Estamos preocupados com o que comem nossas crianças?

Voltando ao parágrafo inicial, observa-se que, temos pelo menos 33,33% de obesos de uma população de 2,3 bilhões no planeta. É preocupante!

Mas, também não deixa de ser preocupante, o fato de não termos esse percentual de obesos nos países do continente africano – ali, é alto o percentual de famintos, como é também alto, o percentual de pessoas que se privam da água.

Repito: o que estamos comendo?

Por que as pessoas que nascem, crescem e vivem na roça – e nem falamos daqueles que passam necessidades de alimentos – não são gordas?

“Entregar” qualquer comida para uma criança é motivo de preocupação

Acessando diariamente os portais que priorizam o agronegócio, entre os quais o principal desses é a EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias), maior empresa desse ramo no planeta, e uma das mais prestigiadas por quem empreende na produção de alimentos, encontro ali, como notícia: o item que mais o empreendedor “importa” é o fertilizante (AGROTÓXICO).

Sugiro a reflexão mais uma vez: o que estamos comendo hoje, e o que nossos descendentes comerão no futuro?

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

A HORA DA COLHEITA

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Colheitadeiras operando na “safra 3”

“Se andardes nos meus estatutos, e guardardes os meus mandamentos, e os fizerdes, então, eu vos darei as vossas chuvas a seu tempo; e a terra dará a sua novidade, e a árvore do campo dará o seu fruto – Levítico 26:3-4”

Vovó Buretama, a “analfabeta” de quem vivo falando vez ou outra por aqui, sempre me disse, por experiência e doutorados da vida: “quem semeia ventos, colhe tempestades”.

E, também vez ou outra, reforçava: “quem planta feijão, nunca vai colher jaca ou maxixe”.

Foi a semente da maldade que a “esquerda” plantou. Escolheu sorrateiramente a família. Os lares de hoje estão contaminados com tudo o que não presta.

Antes das principais refeições, orava-se em agradecimento ao que se comeria. Nos dias atuais, corrompidos pelas ideias da esquerda, dedilha-se celulares. É a Teoria da Libertação de Paulo Freyre.

Valores morais e religiosos foram jogados no lixo. Quem os defende, virou misógino, fascista ou, “atrasado e descontextualizado”.

A mãe que vê o filho ou a filha se tornando homossexual, diz que o ama. Está mentindo de forma deslavada. Amaria, isso sim, se apontasse o caminho da retidão, da religiosidade e da obediência aos princípios divinos. Mas, esse não é o assunto da postagem.

Na ainda “Cidade Maravilhosa”, um Governo que não veio de famílias abastadas e tradicionais está agindo de forma a ser elogiada. Montou uma equipe de trabalho de desconhecidos da mídia venal, e, nesta semana que passou, sem o apoio federal (solicitado por três vezes), pôs em prática a intenção de manter a denominação do Rio de Janeiro de Cidade Maravilhosa.

Eliminou com suas forças estaduais 117 traficantes e terroristas, contrariando o que defende o Executivo/Judiciário em Brasília. Lamentavelmente, a força policial desprotegida, perdeu quatro dos seus hoje “heróis”.

“Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará – Gálatas 6:7”

A hora da colheita da terceira safra chegou. Foi “apenas” uma pequena parte, embora tenha tocado a campainha do aviso que garante que nem todos são parceiros e coniventes com os bandidos que resolveram viciar crianças nas escolas, aterrorizar famílias que, por falta de posses financeiras, se escondem nos morros e favelas cariocas.

As máquinas operaram a fizeram a varredura da safra

E o bêbado sem equilibrista, agora, ao ser flagrado com batom na cueca dizendo que “traficantes são vítimas dos usuários”, disse que “se enganou, e não era aquilo que queria falar”. Só faltou assumir que, mais uma vez estava sob os efeitos da Pirassununga.

O que amedronta mesmo, é que, antes, coisa de dois ou três anos atrás, os bairros da Zona Oeste do Rio de Janeiro apareceram nas poucas notícias divulgadas pela mídia venal. Senador Camará, Campo Grande, Santa Cruz, Santíssimo, Bangu e Padre Miguel apareciam com mais frequência no noticiário.

Agora é a Cidade Maravilhosa como um todo.

Nos anos 60 e 70, Caxias, Belford Roxo e Nova Iguaçu dominavam a preferência dos ainda desconfiados criminosos e traficantes. Eis que, em Caxias apareceu a figura de Tenório Cavalcante que, pelo bem ou pelo mal, fez com que muitos batessesm em retirada.

Os fugitivos se abrigaram debaixo dos viadutos, onde nasceram algumas favelas, subiram os morros e ficaram. Se estabeleceram dando sinal positivo para a venda das drogas e de armamento importado com entrada pelas fronteiras.

Hoje, parte daquela gente teve herdeiros. Os herdeiros cresceram, desceram os morros e saíram das favelas e foram estudar – e trabalhar com venda nas universidades (“Quem foi, tem raiz, nunca deixará de ser”). Alguns viraram empresários e encurtaram o caminho para a política, com a vantagem de ter cacife para o suborno.

“Ora, o fruto da justiça semeia-se na paz, para os que exercitam a paz – Tiago 3:18”

Pois, a seguinte fala teria tido com autor o Ex-Presidente João Figueiredo: “Vocês querem, então vou reconhecer “esse” sindicato como Partido (PT). Mas não esqueçam que “esse” partido um dia chegará ao poder e lá estando, tudo fará para instituir o COMUNISMO. Nesse dia, vocês vão querer tirá-los de lá. E para tirá-los de lá, será a custa de muito SANGUE BRASILEIRO!”

Vaticínio!

Profecia!

Repito a fala da Vovó Buretama: “quem semeia ventos, colhe tempestades”.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

O VINIL

O tempo do amor sincero e verdadeiro. Respeitoso, cordial, honesto e, principalmente, recíproco.

O namoro era na porta da casa da moça – muitas vezes sob os olhares dos pais. O beijo na boca não era prova de amor. Era a assunção do compromisso de casamento. Diferente dos dias atuais.

Talvez fosse esse procedimento que tornava o casamento duradouro e sem os problemas atuais que acabam em separação com pagamento de pensão alimentícia, ou até em feminicídio.

Long play de vinil

O compromisso sério recebia as bênçãos dos pais. Dos pais da jovem e dos pais do jovem – era, por assim dizer, o primeiro compromisso de união familiar.

O noivado era um acontecimento digno de festejo: precisava do consentimento dos pais da jovem, que recebiam a visita dos pais do jovem – quando acontecia o “pedido de noivado e de futuro casamento”.

Tudo mudou. E, entendo, mudou não para mais moderno. Mudou para a inexistência de compromisso e de união familiar. Os pais, tanto da jovem quanto do jovem, quase nem são avisados. São surpreendidos com a visibilidade da gravidez.

Mas, o que marcava mesmo, nos anos 50, 60 e 70, era a paixão. A forma de se dizer e mostrar apaixonado. “Arriado os quatro pneus”, como se dizia, principalmente, nas cidades interioranas.

E a mais contundente forma de mostrar paixão, era fazer uma “Serenata”. Os que amavam faziam serenata – e a jovem até incentivava, ainda que temesse a reação do pai. Mas, a mãe, ficava sempre do lado da filha, usufruindo do romantismo.

“Tu és a criatura mais linda que os meus olhos já viram
Tu tens a boca mais linda que a minha boca beijou
São meus os teus lábios
Estes lábios que os meus desejos mataram
São minhas as tuas mãos
Estas mãos que as minhas mãos afagaram
Sou louco por ti
Eu sofro por ti
Te amo em segredo
Adoro teu porte divino
Pela mão do destino
A mim tu vieste
Tenho ciúme do sol, do luar, do mar
Tenho ciúme de tudo
Tenho ciúme até
Da roupa que tu vestes.”

Orlando Dias

 Compact disc de vinil

Eu fiz seresta. Muitas vezes. Eu amei e fui apaixonado, também, com os quatro pneus arriados. Nunca tive problemas noturnos, com as namoradas ou com os pais delas. Sempre andei (e fiz serestas) com amigos – não ficava bem, entendia, varar a noite fazendo seresta, andando só.

Entendia eu que, naqueles anos, Orlando Dias, Agostinho dos Santos, Moacyr Franco e Altemar Dutra eram os mais apreciados ao mesmo tempo que os Beatles e os Rolling Stones.

“Tu és o maior amor
Da minha vida
Tu és uma estrela
Guiando os meus passos
Nas horas tristes
Nas horas mortas, minha querida
Tu és o maior amor
Da minha vida

Enquanto existir lá no céu
Uma estrela brilhando
E o Sol no infinito
Teu rosto queimando
Tu serás a luz
A iluminar o meu caminho
Tu serás querida o maior amor
Da minha vida”

Radiola portátil movida à pilha

Programávamos o dia e a hora de sairmos para a serenata na casa da namorada. Sempre pela madrugada. Separávamos os vinis e os cantores. Diferente de hoje, que tudo é levado num pendrive.

A radiola era separada, limpa e lubrificada. Pilhas novas. Tudo pronto – e a paixão se renovava e o namoro se comprometia. Acabava sempre em casamento.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

O FAROL

“Minha jangada vai sair pro mar
Vou trabalhar, meu bem querer
Se Deus quiser quando eu voltar do mar
Um peixe bom eu vou trazer

Meus companheiros também vão voltar
E a Deus do céu vamos agradecer”

Dorival Caymmi

O farol que orienta

A claridade do dia ainda não chegara. Mas estava próxima, e já se percebia o horizonte sendo pintado de cores alaranjadas – foi quando naquele momento, a maré propiciava a saída da jangada para o alto mar. A tripulação com três pessoas dispostas e experientes pescadores: João, Antônio e José.

A bordo, a confiança no bom resultado da pescaria e a certeza dada pelo quarto “tripulante” invisível, mas sentido: Deus!

A tripulação empurrou a jangada, até que ela pudesse ser absolvida pelo vai-e-vem das ondas em movimento. O vento favorável mostrava a necessidade do içamento do pano que levaria aquela jangada e a tripulação para alto mar.

Em alto mar, a tripulação começava a estender as redes, na esperança de encontrar cardumes que, se encontrados e fisgados, pela quantidade pescada dificultaria o regresso no dia seguinte.

Mas, se por um lado, “o mar estava pra peixe”, nos céus nuvens negras começavam a cobrir a lua – única luz que iluminava e norteava – que, aos poucos desaparecia. Antecipava uma tempestade. Tempestade em alto mar e uma pequena embarcação com João, Antônio e José…. e, claro, Deus!

Repentinamente, tudo mudou. José e Antônio puxavam a rede para dentro da jangada. João tentava, em vão, mudar o pano com a intenção de “dirigir” a jangada…. e Deus, presente, apenas assistia como aqueles pescadores se sairiam daquela provação.

Havia dificuldade. Muita dificuldade.

Mas, a “luz divina” apareceu. Em meio a toda aquela escuridão, em alto mar, uma jangada agora cheia de peixes e com apenas três tripulantes que encontraram a pesca e agora enfrentavam a tempestade. Foi quando João avistou naquela escuridão total, a luz. A luz divina em forma de Farol.

A pesca frutificada e, agora, a certeza de que a onipotência divina mostrava, na prática que, em vez de somente João, Antônio e José, Deus também estava naquela embarcação.

As ondas mais altas foram vencidas com muito denodo, até que aquele Farol começou a nortear e iluminar o caminho da jangada em alto mar.

O farol da educação

A Educação, dizem, é a base de tudo. Será?

Não afirmo que o Farol da Educação seja Lei, nem tenho certeza se é abrangente para o Brasil. Mas sei que, foi “criada” no Maranhão em 1997. Deveria “orientar” não apenas crianças, mas todos os que estão vivendo tempestades culturais e sem rumo na vida.

Entretanto, sei e afirmo que, desde que as escolas maranhenses (e, do Brasil como um todo) aderiram às teorias paulofreirianas, a jangada do ensino e da educação sofre, perdida, e não tem conseguido pescar nada. Nem um único “bagre”.

Em contrapartida ao “Farol da Educação”, com o único viés político, o Governo tem aderido e investido na tecnologia dos tabletes – e deixado de lado a voz do mundo, de que “a educação é a base de tudo”.

Milhares de milhas distante do Maranhão e, por que não dizer do Brasil, Suécia e Reino Unido conseguiram enxegar o “Farol” em meio a tempestade vivida no ensino e voltaram em definitivo para o ABC, o lápis e a borracha.

E os faróis?

Pelo menos na Suécia e no Reino Unido, os faróis, agora, só estão iluminando e orientando os mares.

Mas, há uma esperança: euzinho vou ganhar um combo de livros de um consagrado escritor pernambucano de Palmares (futuro membro da Academia Brasileira de Letras, que passará a conviver com gênios como Gilberto Gil, Fernanda Montenegro), ler, aprender, me orientar na vida, e, depois, fazer uma doação para qualquer Farol da Educação. Então o Farol da Educação também estará iluminado.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

A NOITE

As noites são belas, calmas e iluminadas, nas Queimadas, onde nasci.

Naquele tempo, as únicas luzes eram da natureza, ou, a luz das lamparinas e candeeiros – Vovó e Vovô se encarregavam de acendê-las.

O cansaço de mais um dia de puxado trabalho de carpina e virada de milho – com a maior parte usando a agilidade do Vovô, que, não apenas fazia. Ensinava para evitar erros ali, e além dali – na vida.

Sentei exausto na beirada da calçada de barro feita em estuque com apoio de pequenas estacas de madeira. A poucos metros, Vovô acendia e dependurava o candeeiro que diminuía a escuridão, iluminando o quintal ao derredor, que Vovó limpara na boquinha da tarde.

O cântico irritante, contínuo, mas belo das cigarras levava um ar de poesia que só conseguimos ouvir na calmaria e na escuridão noturna do sertão.

Levantei o olhar para o céu, onde, longe dali, as estrelas formavam o Cruzeiro e escreviam na minha mente, versos de uma poesia. Não tão distante, mariposas em mutação experimental para a transformação em borboletas, se permitiam ver, e, até ouvi-las, tamanho era o silêncio.

Difícil mesmo era não se deixar envolver em deslumbramento. Uníssono, tudo parecia a cerimônia de um casamento bem organizado – tudo dando certo e sendo belo. Poético!

Mariposas e borboletas escreviam um, dois, três versos – poeticamente

– Zé, quer café meu fio? Passei agorinha!

Vovó, claro que, sem saber o momento do êxtase que me envolvia, de hábito, sendo gentil e carinhosa.

Recebi a xícara, bebi o café – mas continuei embevecido e literalmente envolvido pelo céu e sua poesia, que, naquele momento, nenhum Drummond ou nenhum café da Vovó podia ser comparado.

Era a beleza sentida no âmago de mim mesmo – provavelmente tocado pela graça divina.

A noite. A incomparável beleza e calmaria da noite. Coisa de Deus.

A cigarra parou de cantar, de repente. Como um coral de mil vozes estivesse cantando “Aleluia”, e tivesse sido interrompido.

O céu escureceu. As estrelas sumiram. As mariposas se aquietaram e se recolheram.

O vento soprou forte e trouxe a chuva. Relâmpagos calaram – com certeza – as cigarras.

Levantei e fiquei olhando para o céu. A poesia foi transformada num dilúvio que só os pequenos animais noturnos pressentiam – mas que eu agora estava vendo.

E fiquei olhando. Consegui o impossível de ver o vento que tocava os galhos tênues das pequenas árvores, mostrando o quanto é poderoso.

A mariposa pousada observando a nuvem esconder a luminosidade lunar

A noite.

A noite não é apenas o espaço de algumas horas que antecede o dia. A noite é o momento onde a vida (inclusive a vida humana) começa se reproduzir, desde o recolhimento das cigarras e das mariposas, até o casal de humanos, que, em cópula, se reproduz e multiplica.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

A “AURORA BOREAL” DE CADA UM

Beleza indescritível com palavras

Qual o segredo da felicidade?

Não é exagero afirmar que, o país mais feliz do mundo pode ser uma boa pista para encontoar essa resposta.

Na Filândia, a “felicidade” (um êxtase psicológico do estado de espírito) se torna algo visível. Vê-se a felicidade!

A Finlândia é um país nórdico, situado no norte da Europa, que faz fronteira com a Suécia a oeste, a Rússia a este, a Noruega a norte e com a Estônia a sul.

Vá algum dia, e sinta a felicidade pululando no horizonte!

Ali, a vida em sintonia com a natureza, com rituais que aquecem corpo e alma e paisagens apaixonantes por todos os lados. Some a tudo isto uma cidade cheia de personalidade e a magia da Aurora Boreal e você começa a entender o que torna a Finlândia tão especial e que a felicidade não é algo “invisível”.

A travessia de ferryboat entre Helsinque e Tallin revela dois lados da Europa: os ares modernos da capital finlandesa em uma ponta, e o charme da capital da Estônia, na outra. As vistas deslumbrantes tornam cada minuto desse trajeto numa preciosidade.

Grupo reunido na Filândia para fotografar a beleza da Aurora Boreal

A melhor época do ano para ver a “Aurora Boreal” na Finlândia é de setembro a abril, um período especialmente mágico, com noites mais longas e escuras, aumentando as chances de uma experiência inesquecível com a aurora.

Visitar a Finlândia durante o Natal é viver em um conto de fadas nórdico. Desde a casa do Papai Noel em Rovaniemi até as tradições culinárias, o salmão e a carne de veado, cada momento é mágico.

Para ver a “Aurora Boreal” na Finlândia, viaje para o norte do país entre setembro e abril, repito. Cidades como Rovaniemi, Ivalo e Saariselkä, na Lapônia Finlandesa, são ideais devido à baixa poluição luminosa e paisagens naturais.

A região, conhecida também como a terra do Papai Noel, oferece atividades como passeios de trenó de renas e a chance de se hospedar em hotéis com vista para o céu. Existem hotéis e iglus com tetos de vidro, que permitem que você assista às auroras sem sair do conforto do seu quarto.

Mas… a “felicidade” não é apenas isso. Ela pode, fora dali, ser vista, tocada e vivida.

Mude o roteiro. Vá conhecer Darfur. Darfur fica no oeste do Sudão, um país localizado no norte da África. Em Darfur você pode ver e conviver com outro tipo de “Aurora Boreal”, se tiver coragem de olhar para sentir a “Aurora Boreal” de uma criança ao receber em mãos, um prato de comida.

A gratidão vem em forma de sorriso – e isso você jamais conseguirá apagar da mente.

A “Aurora Boreal” de uma criança africana faminta