JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

A HORA DA COLHEITA

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Colheitadeiras operando na “safra 3”

“Se andardes nos meus estatutos, e guardardes os meus mandamentos, e os fizerdes, então, eu vos darei as vossas chuvas a seu tempo; e a terra dará a sua novidade, e a árvore do campo dará o seu fruto – Levítico 26:3-4”

Vovó Buretama, a “analfabeta” de quem vivo falando vez ou outra por aqui, sempre me disse, por experiência e doutorados da vida: “quem semeia ventos, colhe tempestades”.

E, também vez ou outra, reforçava: “quem planta feijão, nunca vai colher jaca ou maxixe”.

Foi a semente da maldade que a “esquerda” plantou. Escolheu sorrateiramente a família. Os lares de hoje estão contaminados com tudo o que não presta.

Antes das principais refeições, orava-se em agradecimento ao que se comeria. Nos dias atuais, corrompidos pelas ideias da esquerda, dedilha-se celulares. É a Teoria da Libertação de Paulo Freyre.

Valores morais e religiosos foram jogados no lixo. Quem os defende, virou misógino, fascista ou, “atrasado e descontextualizado”.

A mãe que vê o filho ou a filha se tornando homossexual, diz que o ama. Está mentindo de forma deslavada. Amaria, isso sim, se apontasse o caminho da retidão, da religiosidade e da obediência aos princípios divinos. Mas, esse não é o assunto da postagem.

Na ainda “Cidade Maravilhosa”, um Governo que não veio de famílias abastadas e tradicionais está agindo de forma a ser elogiada. Montou uma equipe de trabalho de desconhecidos da mídia venal, e, nesta semana que passou, sem o apoio federal (solicitado por três vezes), pôs em prática a intenção de manter a denominação do Rio de Janeiro de Cidade Maravilhosa.

Eliminou com suas forças estaduais 117 traficantes e terroristas, contrariando o que defende o Executivo/Judiciário em Brasília. Lamentavelmente, a força policial desprotegida, perdeu quatro dos seus hoje “heróis”.

“Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará – Gálatas 6:7”

A hora da colheita da terceira safra chegou. Foi “apenas” uma pequena parte, embora tenha tocado a campainha do aviso que garante que nem todos são parceiros e coniventes com os bandidos que resolveram viciar crianças nas escolas, aterrorizar famílias que, por falta de posses financeiras, se escondem nos morros e favelas cariocas.

As máquinas operaram a fizeram a varredura da safra

E o bêbado sem equilibrista, agora, ao ser flagrado com batom na cueca dizendo que “traficantes são vítimas dos usuários”, disse que “se enganou, e não era aquilo que queria falar”. Só faltou assumir que, mais uma vez estava sob os efeitos da Pirassununga.

O que amedronta mesmo, é que, antes, coisa de dois ou três anos atrás, os bairros da Zona Oeste do Rio de Janeiro apareceram nas poucas notícias divulgadas pela mídia venal. Senador Camará, Campo Grande, Santa Cruz, Santíssimo, Bangu e Padre Miguel apareciam com mais frequência no noticiário.

Agora é a Cidade Maravilhosa como um todo.

Nos anos 60 e 70, Caxias, Belford Roxo e Nova Iguaçu dominavam a preferência dos ainda desconfiados criminosos e traficantes. Eis que, em Caxias apareceu a figura de Tenório Cavalcante que, pelo bem ou pelo mal, fez com que muitos batessesm em retirada.

Os fugitivos se abrigaram debaixo dos viadutos, onde nasceram algumas favelas, subiram os morros e ficaram. Se estabeleceram dando sinal positivo para a venda das drogas e de armamento importado com entrada pelas fronteiras.

Hoje, parte daquela gente teve herdeiros. Os herdeiros cresceram, desceram os morros e saíram das favelas e foram estudar – e trabalhar com venda nas universidades (“Quem foi, tem raiz, nunca deixará de ser”). Alguns viraram empresários e encurtaram o caminho para a política, com a vantagem de ter cacife para o suborno.

“Ora, o fruto da justiça semeia-se na paz, para os que exercitam a paz – Tiago 3:18”

Pois, a seguinte fala teria tido com autor o Ex-Presidente João Figueiredo: “Vocês querem, então vou reconhecer “esse” sindicato como Partido (PT). Mas não esqueçam que “esse” partido um dia chegará ao poder e lá estando, tudo fará para instituir o COMUNISMO. Nesse dia, vocês vão querer tirá-los de lá. E para tirá-los de lá, será a custa de muito SANGUE BRASILEIRO!”

Vaticínio!

Profecia!

Repito a fala da Vovó Buretama: “quem semeia ventos, colhe tempestades”.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

O VINIL

O tempo do amor sincero e verdadeiro. Respeitoso, cordial, honesto e, principalmente, recíproco.

O namoro era na porta da casa da moça – muitas vezes sob os olhares dos pais. O beijo na boca não era prova de amor. Era a assunção do compromisso de casamento. Diferente dos dias atuais.

Talvez fosse esse procedimento que tornava o casamento duradouro e sem os problemas atuais que acabam em separação com pagamento de pensão alimentícia, ou até em feminicídio.

Long play de vinil

O compromisso sério recebia as bênçãos dos pais. Dos pais da jovem e dos pais do jovem – era, por assim dizer, o primeiro compromisso de união familiar.

O noivado era um acontecimento digno de festejo: precisava do consentimento dos pais da jovem, que recebiam a visita dos pais do jovem – quando acontecia o “pedido de noivado e de futuro casamento”.

Tudo mudou. E, entendo, mudou não para mais moderno. Mudou para a inexistência de compromisso e de união familiar. Os pais, tanto da jovem quanto do jovem, quase nem são avisados. São surpreendidos com a visibilidade da gravidez.

Mas, o que marcava mesmo, nos anos 50, 60 e 70, era a paixão. A forma de se dizer e mostrar apaixonado. “Arriado os quatro pneus”, como se dizia, principalmente, nas cidades interioranas.

E a mais contundente forma de mostrar paixão, era fazer uma “Serenata”. Os que amavam faziam serenata – e a jovem até incentivava, ainda que temesse a reação do pai. Mas, a mãe, ficava sempre do lado da filha, usufruindo do romantismo.

“Tu és a criatura mais linda que os meus olhos já viram
Tu tens a boca mais linda que a minha boca beijou
São meus os teus lábios
Estes lábios que os meus desejos mataram
São minhas as tuas mãos
Estas mãos que as minhas mãos afagaram
Sou louco por ti
Eu sofro por ti
Te amo em segredo
Adoro teu porte divino
Pela mão do destino
A mim tu vieste
Tenho ciúme do sol, do luar, do mar
Tenho ciúme de tudo
Tenho ciúme até
Da roupa que tu vestes.”

Orlando Dias

 Compact disc de vinil

Eu fiz seresta. Muitas vezes. Eu amei e fui apaixonado, também, com os quatro pneus arriados. Nunca tive problemas noturnos, com as namoradas ou com os pais delas. Sempre andei (e fiz serestas) com amigos – não ficava bem, entendia, varar a noite fazendo seresta, andando só.

Entendia eu que, naqueles anos, Orlando Dias, Agostinho dos Santos, Moacyr Franco e Altemar Dutra eram os mais apreciados ao mesmo tempo que os Beatles e os Rolling Stones.

“Tu és o maior amor
Da minha vida
Tu és uma estrela
Guiando os meus passos
Nas horas tristes
Nas horas mortas, minha querida
Tu és o maior amor
Da minha vida

Enquanto existir lá no céu
Uma estrela brilhando
E o Sol no infinito
Teu rosto queimando
Tu serás a luz
A iluminar o meu caminho
Tu serás querida o maior amor
Da minha vida”

Radiola portátil movida à pilha

Programávamos o dia e a hora de sairmos para a serenata na casa da namorada. Sempre pela madrugada. Separávamos os vinis e os cantores. Diferente de hoje, que tudo é levado num pendrive.

A radiola era separada, limpa e lubrificada. Pilhas novas. Tudo pronto – e a paixão se renovava e o namoro se comprometia. Acabava sempre em casamento.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

O FAROL

“Minha jangada vai sair pro mar
Vou trabalhar, meu bem querer
Se Deus quiser quando eu voltar do mar
Um peixe bom eu vou trazer

Meus companheiros também vão voltar
E a Deus do céu vamos agradecer”

Dorival Caymmi

O farol que orienta

A claridade do dia ainda não chegara. Mas estava próxima, e já se percebia o horizonte sendo pintado de cores alaranjadas – foi quando naquele momento, a maré propiciava a saída da jangada para o alto mar. A tripulação com três pessoas dispostas e experientes pescadores: João, Antônio e José.

A bordo, a confiança no bom resultado da pescaria e a certeza dada pelo quarto “tripulante” invisível, mas sentido: Deus!

A tripulação empurrou a jangada, até que ela pudesse ser absolvida pelo vai-e-vem das ondas em movimento. O vento favorável mostrava a necessidade do içamento do pano que levaria aquela jangada e a tripulação para alto mar.

Em alto mar, a tripulação começava a estender as redes, na esperança de encontrar cardumes que, se encontrados e fisgados, pela quantidade pescada dificultaria o regresso no dia seguinte.

Mas, se por um lado, “o mar estava pra peixe”, nos céus nuvens negras começavam a cobrir a lua – única luz que iluminava e norteava – que, aos poucos desaparecia. Antecipava uma tempestade. Tempestade em alto mar e uma pequena embarcação com João, Antônio e José…. e, claro, Deus!

Repentinamente, tudo mudou. José e Antônio puxavam a rede para dentro da jangada. João tentava, em vão, mudar o pano com a intenção de “dirigir” a jangada…. e Deus, presente, apenas assistia como aqueles pescadores se sairiam daquela provação.

Havia dificuldade. Muita dificuldade.

Mas, a “luz divina” apareceu. Em meio a toda aquela escuridão, em alto mar, uma jangada agora cheia de peixes e com apenas três tripulantes que encontraram a pesca e agora enfrentavam a tempestade. Foi quando João avistou naquela escuridão total, a luz. A luz divina em forma de Farol.

A pesca frutificada e, agora, a certeza de que a onipotência divina mostrava, na prática que, em vez de somente João, Antônio e José, Deus também estava naquela embarcação.

As ondas mais altas foram vencidas com muito denodo, até que aquele Farol começou a nortear e iluminar o caminho da jangada em alto mar.

O farol da educação

A Educação, dizem, é a base de tudo. Será?

Não afirmo que o Farol da Educação seja Lei, nem tenho certeza se é abrangente para o Brasil. Mas sei que, foi “criada” no Maranhão em 1997. Deveria “orientar” não apenas crianças, mas todos os que estão vivendo tempestades culturais e sem rumo na vida.

Entretanto, sei e afirmo que, desde que as escolas maranhenses (e, do Brasil como um todo) aderiram às teorias paulofreirianas, a jangada do ensino e da educação sofre, perdida, e não tem conseguido pescar nada. Nem um único “bagre”.

Em contrapartida ao “Farol da Educação”, com o único viés político, o Governo tem aderido e investido na tecnologia dos tabletes – e deixado de lado a voz do mundo, de que “a educação é a base de tudo”.

Milhares de milhas distante do Maranhão e, por que não dizer do Brasil, Suécia e Reino Unido conseguiram enxegar o “Farol” em meio a tempestade vivida no ensino e voltaram em definitivo para o ABC, o lápis e a borracha.

E os faróis?

Pelo menos na Suécia e no Reino Unido, os faróis, agora, só estão iluminando e orientando os mares.

Mas, há uma esperança: euzinho vou ganhar um combo de livros de um consagrado escritor pernambucano de Palmares (futuro membro da Academia Brasileira de Letras, que passará a conviver com gênios como Gilberto Gil, Fernanda Montenegro), ler, aprender, me orientar na vida, e, depois, fazer uma doação para qualquer Farol da Educação. Então o Farol da Educação também estará iluminado.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

A NOITE

As noites são belas, calmas e iluminadas, nas Queimadas, onde nasci.

Naquele tempo, as únicas luzes eram da natureza, ou, a luz das lamparinas e candeeiros – Vovó e Vovô se encarregavam de acendê-las.

O cansaço de mais um dia de puxado trabalho de carpina e virada de milho – com a maior parte usando a agilidade do Vovô, que, não apenas fazia. Ensinava para evitar erros ali, e além dali – na vida.

Sentei exausto na beirada da calçada de barro feita em estuque com apoio de pequenas estacas de madeira. A poucos metros, Vovô acendia e dependurava o candeeiro que diminuía a escuridão, iluminando o quintal ao derredor, que Vovó limpara na boquinha da tarde.

O cântico irritante, contínuo, mas belo das cigarras levava um ar de poesia que só conseguimos ouvir na calmaria e na escuridão noturna do sertão.

Levantei o olhar para o céu, onde, longe dali, as estrelas formavam o Cruzeiro e escreviam na minha mente, versos de uma poesia. Não tão distante, mariposas em mutação experimental para a transformação em borboletas, se permitiam ver, e, até ouvi-las, tamanho era o silêncio.

Difícil mesmo era não se deixar envolver em deslumbramento. Uníssono, tudo parecia a cerimônia de um casamento bem organizado – tudo dando certo e sendo belo. Poético!

Mariposas e borboletas escreviam um, dois, três versos – poeticamente

– Zé, quer café meu fio? Passei agorinha!

Vovó, claro que, sem saber o momento do êxtase que me envolvia, de hábito, sendo gentil e carinhosa.

Recebi a xícara, bebi o café – mas continuei embevecido e literalmente envolvido pelo céu e sua poesia, que, naquele momento, nenhum Drummond ou nenhum café da Vovó podia ser comparado.

Era a beleza sentida no âmago de mim mesmo – provavelmente tocado pela graça divina.

A noite. A incomparável beleza e calmaria da noite. Coisa de Deus.

A cigarra parou de cantar, de repente. Como um coral de mil vozes estivesse cantando “Aleluia”, e tivesse sido interrompido.

O céu escureceu. As estrelas sumiram. As mariposas se aquietaram e se recolheram.

O vento soprou forte e trouxe a chuva. Relâmpagos calaram – com certeza – as cigarras.

Levantei e fiquei olhando para o céu. A poesia foi transformada num dilúvio que só os pequenos animais noturnos pressentiam – mas que eu agora estava vendo.

E fiquei olhando. Consegui o impossível de ver o vento que tocava os galhos tênues das pequenas árvores, mostrando o quanto é poderoso.

A mariposa pousada observando a nuvem esconder a luminosidade lunar

A noite.

A noite não é apenas o espaço de algumas horas que antecede o dia. A noite é o momento onde a vida (inclusive a vida humana) começa se reproduzir, desde o recolhimento das cigarras e das mariposas, até o casal de humanos, que, em cópula, se reproduz e multiplica.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

A “AURORA BOREAL” DE CADA UM

Beleza indescritível com palavras

Qual o segredo da felicidade?

Não é exagero afirmar que, o país mais feliz do mundo pode ser uma boa pista para encontoar essa resposta.

Na Filândia, a “felicidade” (um êxtase psicológico do estado de espírito) se torna algo visível. Vê-se a felicidade!

A Finlândia é um país nórdico, situado no norte da Europa, que faz fronteira com a Suécia a oeste, a Rússia a este, a Noruega a norte e com a Estônia a sul.

Vá algum dia, e sinta a felicidade pululando no horizonte!

Ali, a vida em sintonia com a natureza, com rituais que aquecem corpo e alma e paisagens apaixonantes por todos os lados. Some a tudo isto uma cidade cheia de personalidade e a magia da Aurora Boreal e você começa a entender o que torna a Finlândia tão especial e que a felicidade não é algo “invisível”.

A travessia de ferryboat entre Helsinque e Tallin revela dois lados da Europa: os ares modernos da capital finlandesa em uma ponta, e o charme da capital da Estônia, na outra. As vistas deslumbrantes tornam cada minuto desse trajeto numa preciosidade.

Grupo reunido na Filândia para fotografar a beleza da Aurora Boreal

A melhor época do ano para ver a “Aurora Boreal” na Finlândia é de setembro a abril, um período especialmente mágico, com noites mais longas e escuras, aumentando as chances de uma experiência inesquecível com a aurora.

Visitar a Finlândia durante o Natal é viver em um conto de fadas nórdico. Desde a casa do Papai Noel em Rovaniemi até as tradições culinárias, o salmão e a carne de veado, cada momento é mágico.

Para ver a “Aurora Boreal” na Finlândia, viaje para o norte do país entre setembro e abril, repito. Cidades como Rovaniemi, Ivalo e Saariselkä, na Lapônia Finlandesa, são ideais devido à baixa poluição luminosa e paisagens naturais.

A região, conhecida também como a terra do Papai Noel, oferece atividades como passeios de trenó de renas e a chance de se hospedar em hotéis com vista para o céu. Existem hotéis e iglus com tetos de vidro, que permitem que você assista às auroras sem sair do conforto do seu quarto.

Mas… a “felicidade” não é apenas isso. Ela pode, fora dali, ser vista, tocada e vivida.

Mude o roteiro. Vá conhecer Darfur. Darfur fica no oeste do Sudão, um país localizado no norte da África. Em Darfur você pode ver e conviver com outro tipo de “Aurora Boreal”, se tiver coragem de olhar para sentir a “Aurora Boreal” de uma criança ao receber em mãos, um prato de comida.

A gratidão vem em forma de sorriso – e isso você jamais conseguirá apagar da mente.

A “Aurora Boreal” de uma criança africana faminta

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

OS FILHOS DE CHOCADEIRA E O “DELIVERY” ERRADO DA CEGONHA

Hoje deixamos a Vovó descansar mais um pouco daquela luta incansável do sertão e da convivência com os problemas e soluções da seca, e entramos num assunto que toco muito pouco: a política. Política brasileira, diga-se.

Ando pouco pela política, porque percebo que, cada dia que passa aparecem mais gênios, pseudos-democratas que de democracia aprenderam e praticam muito pouco. Por isso, evito discussões.

Vivi 1964. Aliás, em 1964 já era adulto e, com 21 anos, tinha concluído o ensino médio – Curso Científico, no Liceu do Ceará, onde entrei em 1958.

Li muito e quase que sobre tudo. Karl Marx, Freud, Jorge Amado, Guimarães Rosa, Agatha Christie, Lygia Fagundes Telles, Umberto Eco, Agripa Vasconcelos, Eça de Queiroz, José de Alencar – e, agora, só falta ler com mais profundidade e atenção o palmarense Luiz Berto.

Sem pretender “aparecer”, ouso dizer que, aos 82 anos, criado com a retidão de pais e avós antigos e antiquados, aprendi a separar o joio do trigo. Sei bem o que é um e o outro.

Só bebo água quando o corpo reclama. Não ando, como alguns afrescalhados, com uma garrafinha d´água na mão.

Vivi a seca cearense e vivi, também, a parafernália divertida que é o Rio de Janeiro, por duas décadas.

Jair Messias Bolsonaro

Formei cabedal de conhecimento do que seja, por definição e prática, o fascismo, o esquerdismo, o liberalismo e a democracia. Oscilamos na prática de todas essas definições. Não somos democratas e os que são esquerdistas, o são por conveniências e interesses espúrios.

Dito isso, me proponho a desenhar para um “magote” de filhos das putas que, o Senhor Deputado Federal Eduardo Bolsonaro – não se sabe seguramente se fugitivo, exilado ou escondido – não está agindo pessoalmente “apenas” em defesa do Ex-Presidente Jair Messias Bolsonaro.

Ô magote de gente escrota, o deputado “está defendendo” é o “PAI” DELE!

Claro que, quem é filho de chocadeira ou a mãe viveu na ZBM, essa sequer sabe com quem copulou xis vezes por noite, não sabe que existe sim, o sentimento da paternidade – pai é aquele que, em cópula com a mãe em dias férteis, ajudou a gerar o(a) filho(a).

Eduardo Bolsonaro

Certamente aparecerão os FDPs que entenderão que Eduardo está tramando para pleitear uma possível candidatura à Presidência da República. E, qual é o problema, se estiver?

Até você ô FDP pode se candidatar ao cargo. Agora, ganhar a eleição é outra coisa!

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

A S D F G – (a s d f g)

Máquina Remington

Corriam céleres os anos das décadas de 40, 50 e 60. Aos trombolhões, o País marchava na direção de um crescimento. Crescimento trôpego, repito, com conhecimento.

Alguns setores cresciam mais que os outros, e a demanda de bons e capacitados profissionais era enorme. Era a necessidade daquela época – repito, de crescimento trôpego. Mas, crescimento.

Que seja do meu conhecimento, apenas duas entidades despontavam na formação dos jovens e dos profissionais como um todo: SESI e SENAI. Formação qualificada. Tão qualificada que, antes mesmo que muitos alunos concluíssem os cursos profissionalizantes, já recebiam convites para assumir os empregos – quase sempre na indústria.

Os professores dessas instituições não tinham mestrado nem doutorado. Mas tinham aprendizado, porque continuavam aprendendo na medida que ensinavam e praticavam. Diferente dos mestres e doutores dos dias de hoje – com prática zero.

Mas o tempo não ficou parado. Aquele frenesi dos anos acima citados arrefeceu. As coisas mudaram e com o passar do tempo a tecnologia começou a chegar aos poucos – SESI e SENAI já não tinham tanta importância. Foi quando apareceram as chamadas “Escolas Técnicas” e muitos dos antigos professores sem mestrado ou doutorado começaram a pegar o caminho de casa por aposentadoria.

Os anos da década de 50 chegaram “chutando a porta” com a maior força possível.

A partir de então, o jovem que não tivesse cursado o SESI ou o SENAI, só conseguiria alcançar o mercado de trabalho, se soubesse e tivesse aptidão em DATILOGRAFIA. Era a senha necessária para conquistar um emprego.

Eu, jovem saindo da adolescência, corri para a escola mais próxima, e, lá encontrei o famoso teclado, onde a primeira lição exigia a prática e o costume (sem ter o direito de olhar para o teclado – algumas escolas mais rigorosas punham uma espécie de banqueta para impedir a visão do teclado): A S D F G, as maiúsculas… ou, a s d f g, as minúsculas.

A primeira máquina de “Dactilografia” que vi e usei estudando, era a famosa (por quem ainda hoje sou apaixonado) REMINGTON. Firme sobre a mesa e em qualquer lugar onde fosse posta.

Mas, claro, existiam outras marcas de máquinas de datilografia, mas com as quais nunca me acostumei. Os apressadinhos inventaram as máquinas portáteis – das quais nunca gostei.

Máquina Olivetti

A marcha continou célere. O SESI praticamente fechou, e com o SENAI não foi diferente, pois saíram da mentalidade formadora de bons profissionais e entraram nas teóricas e desavergonhadas mentalidades políticas.

A então desconhecida datilografia chegou aos escritórios de contabilidade. Apareceram aquelas máquinas com “carros” de quase um metro – mas deixavam de lado os cálculos.

Precisavam, sempre, das informações que eram calculadas à parte.

Apareceram as “copiadoras” para substituir o tão útil “mimeógrafo” – alguns até utilizando a impressão a álcool. Mas, que precisavam passar pela datilografia.

A máquina IBM Composer

A chegada dos anos da década de 70, de tão gloriosa mentalidade esportiva do tricampeonato mundial de futebol, quando ainda éramos menos de 200 milhões de coniventes, preocupados carnavalescos, e adoradores de não sei o que, que jamais aprendemos a votar, trouxe junto a máquina elétrica por conta da IBM. O teclado permaneceu, mas a impressão passou a ser através de bolinhas removíveis de acordo com o tipo de letra desejado.

No Rio de Janeiro, anos depois de ter aprendido o ASDFG e o asdfg com prática sem precisar olhar para o teclado, aprendi, também, a usar a IBM Composer.

Hoje, querendo ou não, precisamos da automatização do PC que muitos chamam de Computador. Inventaram até um tal Notebook.

Mas, em respeito à minha memória afetiva, mantenho guardada e sempre limpa a minha Remington.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

NO AR O SEU “REPÓRTER ESSO”!

Chafariz em Porangabussu

A seca ficara humanamente insuportável. Era o ano de 1950. A solução mais facilmente encontrada, foi o êxodo. Os avós (João e Raimunda Buretama) decidiram ficar, pois já sabiam que “tudo passa”, mas, sempre de acordo com a vontade de Deus.

Nós, três dos sete filhos, sem destino nem objetivo e horizonte resolvemos procurar água noutro lugar. Não dava mais para continuar comendo iguanas que, de tão sem alimentação ficaram cinzentos, cassacos (mucuras) e, às vezes, até cobras.

Caminhão fretado no crédito confiado por um amigo. Poucas tralhas, cachorro solto em meio a pequena bagagem e, junto apenas a esperança de encontrar um lugar onde pudéssemos sonhar acordados.

Em meio às dificuldades chegamos ao Pirambu – outro Piranbu, muito diferente do atual. Construímos um barraco sem paredes, tudo de palha. Montamos trempes (três pedras para apoiar a panela que viera na bagagem – para cozinhar, apenas feijão e sal) e fizemos fogo. Feijão com nada, mas com sal, foi a primeira refeição no novo lar – o barraco tinha apenas a cobertura, feita de palhas de coqueiro cortadas na orla marítima. Foi um tempo difícil.

Papai fizera amizades que ajudaram a conquistar um emprego. Era o início da certeza de que “tudo passa”. O barraco ficou para trás e fomos “morar” numa casa sem portas e sem janelas – estava em construção e pertencia a um amigo do papai. Era, convenhamos, um avanço.

Dias e meses se passaram. Um ano, dois anos e as melhorias batendo à porta. Mais uma mudança, agora para uma casa alugada no Porangabussu. Era o ano de 1954, lembro bem e tenho certeza.

A seca enfrentada no interior deixara sequelas. Ainda não tínhamos estrutura, mas lutávamos para enfrentar a vida. A matrícula nas escolas, a compra de objetos para atender as necessidades domésticas.

Eis que surgiu a primeira novidade. Era Prefeito de Fortaleza, Paulo Cabral de Araújo, aliado de Assis Chateaubriand. Foi eleito Acrísio Moreira da Rocha. O Governador era Paulo Sarasate.

Os bairros da capital também enfrentavam os problemas causados pela seca, refletidos no agronegócio – eis que surgiu a ideia da construção de chafarizes para facilitar o abastecimento e o consumo da população castigada pelas intempéries.

A água era o “pão”. Havia a necessidade do “circo”. Muitos não reuniam condições financeiras para adquirir um televisor. O “circo” foi dado com a colocação de televisores públicos instalados nos chafarizes.

Eis que o advento da televisão, agora de domínio público (hoje já existe a televisão paga – e isso “eu” não considero progresso, porque a publicidade veiculada já paga tudo) começou a reunir pessoas, na maioria das vezes no horário noturno, após mais um dia de trabalho.

Veio o “Seu Repórter Esso”. Na TV Tupy. Era o ano de 1952, em São Paulo, quando Ruy Rezende e Dalmácio Jordão com suas vozes poderosas nos apresentavam (e ao Brasil, como um todo) o noticioso televisivo. Essa dupla foi substituída depois pelos lendários Heron Domingues, Luiz Jatobá, Kalil Filho e Gontijo Teodoro – esse último, viria a ser meu professor na Universidade no Rio de Janeiro.

Instalada em definitivo e recebendo o apoio do público, a televisão contratou profissionais que estabeleceram uma grade voltada para a diversão e o entretenimento. Chegaram as novelas, com destaque para o “Meu trágico destino”, escrita por J. Silvestre antes de assumir e se consagrar com âncora dos programas vespertinos.

Aquelas novelas mudaram a cultura brasileira. Antes, o cinema e os teatros viviam superlotados, mas a televisão com sua programação “roubou” a parte do público que, financeiramente, não tinha acesso ao teatro.

Vieram depois, “A cabana do pai Tomás”, o sucesso consagrador que foi “Beto Rockfeller” nos revelando atores e atrizes como Lima Duarte, Luís Gustavo, Irene Ravache, Plínio Marcos, Bete Mendes, Débora Duarte e tantos outros que, por anos nos divertiram.

Surgiram depois a TV Globo, a TV Record, a TV Manchete e a concorrência diversionista foi definitivamente instalada.

Mas, como nada dura para sempre, os governos municipais resolveram que a água precisava ser paga pelo consumidor. Acabaram com os chafarizes públicos e levaram junto os aparelhos de televisão ainda em preto-e-branco.

O chafariz atual já sem o serviço da água gratuita

O tempo caminhava célere. Mas as dificuldades cresceram no mesmo percentual. As concepções políticas mudaram com o suicídio de Getúlio Vargas. Surgiram Carlos Lacerda, Leonel Brizola, Darcy Ribeiro, Miguel Arraes e tantos outros.

Não ouso afirmar que, o Brasil cresceu. Mas, sei e comprovo, que nunca mais levei aquela banquinho para sentar diante da televisão preto-e-branco mostrada pela extinta TV Tupy.

Hoje, a água tem consumo pago, embora ninguém garanta que ela é convenientemente tratada para o consumo humano.

Sem pretender parecer saudoso ou masoquista, lembro em lágrimas, a mudança sobre aquele caminhão fretado a um amigo da família que nos conduziu ao barraco sem paredes erguido na orla marítima do Pirambu.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

7 DE SETEMBRO

A primeira namorada a gente nunca esquece, mesmo quando, por algum motivo, o namoro não foi à frente. Os fatos que vem e os que virão estarão sempre interligados.

As lembranças, os momentos, principalmente os bons – a gente nunca esquece.

Pois, hoje, 7 de setembro quero agradecer o respeitoso caminho por onde andamos no final dos anos 50 e em boa parte dos anos 60.

Por respeito à privacidade dela – não tive mais notícias e não sei como está, se casada ou não – não citarei o nome. Se ela, por algum motivo tiver o hábito de ler o que escrevo aqui neste JBF, com certeza vai saber que estou falando dela e agradecendo pelos bons momentos.

Poderíamos ter casado. Em 1960, aos 17 anos, fui aprovado para ingressar na ESA (Escola de Sargentos das Armas), ainda hoje em funcionamento em Três Corações/MG. Do Ceará foram aprovados 40 jovens. Todos os exames foram realizados – mas, infelizmente, por questões que desconheço, foram chamados apenas 30. Classificado em trigésimo-segundo lugar, até hoje espero ser chamado. Se tivesse sido chamado, ao final daquele ano, ao concluir o curso e promovido a Sargento do Exército, a tendência era o casamento. Nos dias atuais, tenho consciência que Deus escolheu o melhor caminho para nós – mas, jamais esquecerei o 7 de setembro.

* * *

O PRAZER DE FAZER PARA COMER

Charque bovina

Como aprendi – Meus avós me ensinaram que o charque é um tipo de carne bovina, posta à secar por pelo menos 15 dias. É uma carne usada em cozidos, feijoadas, feijão gordo, petiscos e caldos, ou como a culinária conhecer e preferir.

A peça mais apropriada é a ponta de agulha e a quantidade varia conforme o gosto. Pode-se usar, também, a carne conhecida como patinho, ou, ainda, a posta gorda. A quantidade de sal pode e deve variar de acordo com a quantidade de carne. Sugere-se o uso de sal usado em churrasco (sal grosso).

A carne deve ser colocada numa vasilha plástica ou de vidro – meus avós não conheceram a vasilha plástica. Usavam para fazer o charque, uma terrina feita de madeira – e coberta pela quantidade de sal que não deixe espaço sem cobertura.

Coloca-se a peça de carne e, em seguida tampe ou cubra com filme plástico – que eles também não conheceram. Usavam folhas de marmeleiro ou de bananeira – e deixe curar (curtir) em temperarura ambiente.

Deixe descansar por dois dias. Troque o sal depois de dois dias, logo depois no quarto dia, próxima troca no sexto dia e deixe descansar por mais dois dias. São oito dias curando no sal, e, depois leve para tomar sol por até sete dias e estará pronta para uso e consumo.

Linguiça “caseira”

Quem gosta de saber o que vai comer, faz a “linguiça caseira” na própria casa. Fazer linguiça não é difícil, e é uma forma de garantir sabor, qualidade e personalização no preparo.

Se você já se perguntou como fazer linguiças caseiras, tente fazer. Um dia você atingirá o ponto desejado. Pode ser feita com carne bovina ou suína, mas já há quem faça com carne de frango.

Usa-se carne moída sal e pimenta a gosto. Há quem acrescente alho e pedaços de toucinho, quando é utilizada a carne bovina.

Quem preferir uma linguiça mais consistente, sugere-se levar ao sol por um ou dois dias.

Foto 3 – “Galinha caipira” preparada com esmero

Volto ao aniversário da primeira namorada lembrado no início desta postagem; Por alguns anos nos diríamos até Pecém (que nem parecia o conglomerado portuário que é hoje), e ali saboreávamos uma, duas e até três galinhas caipiras preparadas por quem jamais foi Master Chef, mas não perderia competição de saber e sabor. À cabidela era a especialização da casa.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

NA ÉPOCA DO “DEIXA QUE EU CHUTO” E DO “29-30”!

Mãe “protegendo” os filhos com medo do Bicho papão

É sabido mundo à fora que, faz tempo, o Estado do Ceará ganhou em todas as Unescos que existam ou existiram, o “apelido” de “Ceará moleque”!

Merecidamente, frise-se.

E parte disso se deve ao desenrolo para apelidar as pessoas, homens ou mulheres. Até os cachorros tinham apelidos: Totó, Bibi, Pintado…. etc.

Lá pelos anos 40, 50 e 60, os pais que iam registrar filhos ou filhas, sabiam que, José, João, Maria, Anunciada, Conceição eram aceitos sem resmungo pelo funcionário do cartório.

Quando o pai aparecia com um nome como Klinsman, Anna Carolyne ou coisa parecida, o funcionário dizia que aqueles nomes eram difíceis até para serem aceitos nas escolas. Mas tudo era porque ele não sabia escrever aqueles nomes corretamente.

E hoje, sabemos, nenhum pai registra mais o filho com o nome de Antônio. Prefere Anthony. Antônio, seria facilmente apelidado de “Toínho, ou Toím”! José, seria apelidado de “Zeca” e Madalena passaria a ser conhecida como “Madá”!

Eram comuns, na Fortaleza dos anos 50 e 60, o “Cabeça de nós todos”, o “Pé de bater banha”, a “Maria pouca roupa” (para as meninas que não usavam calcinha), o “Boca de fossa” para os que tinham mau hálito.

A verve não tinha limites. Existia na rua onde morei, o famoso “Deixa que eu chuto”, apelido de um jovem que tinha como defeito físico, uma perna menor que a outra. Na rua ao lado, aquele jovem era apelidado de “29-30”!

Não foram apenas as brincadeiras de rua que a tecnologia do celular e os “playgrounds” dos shoppings acabaram. O asfaltamento irresponsável das ruas e travessas que, além de impedir a penetração da água da chuva para o lençol freático, corre em trombas, asfalto acima e asfalto abaixo causando inundações e catástrofes. A tecnologia tirou, também, o convívio entre crianças e adolescentes nas ruas dos bairros. E aquilo, a vivência, facilitava o “botar apelidos”.

Sabemos nós das gerações antigas, que o “Velho babau” ou o “Bicho papão” nunca existiram. Mas não podíamos ver um pedinte com roupas esfarrapadas e com um saco nas costas, que o apelidávamos de “Bicho papão”!

Era comum, naquelas décadas, para induzir o filho ou a filha beber uma colherada do medicamento natural intragável (óleo de rícino), a mãe ameaçar chamar o bicho papão.

Os nomes registrados com o estrangeirismo acabaram com a coisa gostosa do apelido.

Não existem mais os “Braço de radiola” (para quem tivesse uma disfunção num dos braços), e nunca mais se viu o “Barriga de lama”, para quem tinha a barriga grande.

Toím, Biné, Zequinha, Mariazinha, Sula, Mané, Chiquinha e outros tantos desapareceram literalmente.

No interior, poucos sabiam os nomes das pessoas. Nomeavam mais pelos apelidos ou ligação com o pai ou a mãe. Tipo: Lázaro. Esse nunca era conhecido pelo nome. Era fácil encontrar o “Lalá de Zé de Dora”.