
Recado está claro.
Não haverá transparência nessa eleição. pic.twitter.com/t7SrPuyAVd— Julio Schneider 🇧🇷🇺🇸 (@juliovschneider) July 25, 2026
Todas cantaram para mim. A ouvi-las,
Purifiquei meu sonho adolescente,
Quando a vida corria doidamente
Como um regato de águas intranquilas.
Diante da luz do sol que eu tinha em frente,
Escancarei os braços e as pupilas.
Cigarras que eu amei! Para possuí-las,
Sofri na vida como pouca gente.
E veio o outono… Por que veio o outono ?
Prata nos meus cabelos… Abandono…
Deserta a estrada… Quanta folha morta!
Mas, no esplendor do derradeiro poente,
Uma nova cigarra, diferente;
Como um raio de sol, bateu-me à porta.

Olegário Mariano Carneiro da Cunha, Recife-PE, (1889-1958)
Dizia Millôr Fernandes: “Democracia é quando eu mando em você. Ditadura é quando você quer mandar em mim.” Ao que parece este é o lema que atingiu países da América do Sul e Central nos últimos 40/45 anos. Anastácio Somoza, então governante supremo da Nicarágua, foi o último dos integrantes da família Somoza a governar o país, coisa que se arrastava desde 1936. Embora seu governo estivesse envolvido em corrupção – ele próprio foi acusado de desviar dinheiro que seria usado para reconstrução de Manágua que havia sido abalada por um terremoto que deixou 10 mil pessoas mortas – o governo contava com o apoio dos Estados Unidos e quando Jimmy Carter assumiu o governo americano, condicionou este apoio à observância dos direitos humanos.
Somoza, no ano de 1979, devido ao avanço das forças sandinistas que tinha Daniel Ortega como um dos líderes, renunciou à presidência e fugiu para Miami em busca de asilo político, mas foi no Paraguai que ele encontrou abrigo e em setembro de 1980, o carro no qual ele estava foi atingido por um tiro de bazuca, matando-o. O movimento sandinista foi louvado numa música de Ivan Lins: “na Nicarágua, capital Manágua…”
Naquela época, muitos jovens acreditavam que o caminho mais fácil para redemocratização dos países era através da luta armada e as pessoas acreditavam – pelo menos, eu – que tais revoluções tinham por objetivo principal a condução do povo para uma sociedade justa, livre, com saúde, educação e segurança para as pessoas. O fato é que todo “revolucionário” acabou se tornando um ditador. Foi assim em Cuba, quando Fidel Castro e Che Guevara implantaram a revolução e promoveram prisões e mortes de qualquer um que se colocasse contra o novo regime.
A Venezuela começou com Hugo Chavez. Primeiro assume um mandato de 6 anos e depois muda a constituição para permitir reeleição. Um pouco depois, outra emenda constitucional para referendar que não haveria limites para reeleição e ele só foi freado por um câncer devastador, mas Nicolás Maduro deu segmento a este tipo de prática. Até o momento, o que se percebe é que a chegada ao poder de um salvador da pátria implica na permanência dele no poder. A coisa é mais ou menos assim: ou eu governo ou os destruidores do país, voltam.
O bravo Ortega, que salvou o povo nicaraguense, fechou igrejas, prendeu religiosos, calou a imprensa, prendeu opositores ou pessoas que fizessem quaisquer denúncias em organismos internacionais. Esta semana, Ortega declarou que não haverá eleições para que não se corra o risco de a oposição ganhar. Eu creio que isso tem uma conotação fora do comum, tipo aqueles casos de violência contra a mulher no qual o cara diz “se não for minha, não será de mais ninguém.” Não se dá a população o direito de escolher. Em outras palavras: a população deve agradecer por ter um líder dessa natureza no poder. Um líder tão capaz que cancela eleições para eliminar a possibilidade de o povo escolher outro presidente.
Cada vez que vejo ações dessa natureza, entendo que a democracia é um conceito frágil, adaptável, que atende um grupo político e que oprime que está fora dele. Agora, o que mais me impressiona é a leniência da população. Se a maioria da população é contra um determinado governante, por que simplesmente não o tira? O que fizeram com Kadafi e Ben Ali, mostra que a população enfurecida pode provocar reações inimagináveis. Eu prefiro as ações negociadas, mas anos e anos de opressão geram um estopim fácil de explodir.
O conceito básico de democracia, trata da alternância do poder. E não se trata apenas de trocar um cara de um partido por outro cara do mesmo partido. Não se trata de perpetuar um partido no poder de modo indefinido, até mesmo pelo fato de não se ter quadros suficientes para esse tipo coisa. A alternância precisa ser de ideias, de propostas, de metas, de programas diversos.
A revista The Economist, calcula um índice chamado “índice de democracia” que se baseia em cinco critérios: processo eleitoral e pluralismo, funcionamento do governo, participação política, cultura política e liberdades civis. Atribui-se uma nota de 0 a 10 a cada item e pondera-se para determinar o índice. A Noruega, por exemplo, tem nota 9,81 e o Afeganistão, 0,26. Com notas maiores ou iguais a nove, tem-se: Nova Zelândia, Islândia, Dinamarca, Suécia, Suíça, Finlândia e Países Baixos.
Nesse ranking, o Brasil ocupa a 57ª posição com nota 6,49 e caiu 6 posições. Das notas atribuídas aos itens, 6,11 foi a maior. Acima do Brasil, há países com representatividade econômica menor. Somos considerados uma democracia imperfeita. Nesse contexto, me digam por favor, o que danado significa defesa da democracia.
Para o senador Jorge Seif (PL-SC), a incapacidade diplomática e falta de pulso firme do governo Lula (PT) são responsáveis pelos prejuízos com o tarifaço dos EUA.
“Quem paga a conta da incompetência é povo”, diz.
* * *
O sinhô deputado só falou o óbvio.
O povo é que paga a conta de tudo nesse desordenado gunverno.
Uma situação que piora mais e mais a cada dia que passa.
Quanto mais o tempo passa
Mais sinto saudade dela.
Mote deste colunista
Perdi noites de sono
Pensando nessa infeliz
Hoje não sou mais feliz
Fiquei foi no abandono
Ela ficou sem seu dono
Era a dona da janela
Hoje o que sinto por ela
Entro logo na cachaça
Quanto mais o tempo passa
Mais sinto saudade dela.
Cabal Abrantes
Mamãe foi-se, faz um ano,
E parece que foi agora!
Minha alma ainda chora
Sua ida ao outro plano.
Eu sou forte, mas humano,
E o meu peito se esfarela
Toda vez que penso nela…
Minha vida anda sem graça,
Quanto mais o tempo passa
Mais sinto saudade dela.
Melchior SEZEFREDO Machado
Depois q’ela foi embora
Pra mim o tempo parou
A saudade se arranchou
Feito a louca da caipora
Eu senti naquela hora
Falta daquela donzela
Não sei mais viver sem ela
Hoje vivo na cachaça
Quanto mais o tempo passa
Mais sinto saudade dela.
Poeta Nascimento
Se soubesses da solidão
Que é viver sem teu amor
Parava o dia com pudor
Banindo de mim a aflição
De esperar uma solução
Pra esse tempo sentinela
Me deixe viver para ela
Sem a saudade devassa
Quanto mais o tempo passa
Mais sinto saudade dela.
Leo Brasil
Vivo banhado em tristeza,
Pra nada tenho vontade;
Adquiri uma ansiedade,
No corpo sinto moleza.
Não vejo mais a beleza,
Ficou em mim a sequela;
A vida não é mais bela,
Ao contrário, é só desgraça.
Quanto mais o tempo passa,
Mais sinto saudade dela.
Ronaldo Barbosa
Este amor adolescente
Que senti por Marinês
Quase que lasca de vez
O “Neguim de Zé Vicente”.
Consumi muita aguardente
Da branca e da amarela
Fiz “bico” de sentinela
Naquele banco de praça.
Quanto mais o tempo passa,
Mais sinto saudade dela.
Wellington Vicente
Comentário sobre a postagem LARGO DA PAZ, DE ONTEM
DECO:
Eu sou do tempo dos bondes na minha cidade natal Juiz de Fora-MG.
Ontem, num filme na TV, tive ótimas recordações vendo os bondes percorrendo avenidas em São Francisco-EUA.
Isto porque, como todo jovem, gostava de viajar pendurado no estribo dos bondes, tal e qual na foto desde ótimo artigo.

Os bondes elétricos, que foram instalados, e circulavam por vários bairros, em Juiz de Fora, circularam de 1906 a 1969, quando foram retirados de circulação.
Infelizmente, não deixaram nenhuma linha como histórica e para o turismo, como existem nos EUA e em outras partes do mundo, como Portugal.
Pois é, Recife também poderia ter uma linha de bondes funcionando normalmente.
Etíope na colheita do café
O café é uma bebida preparada a partir dos grãos torrados do fruto do cafeeiro. Tradicionalmente consumido quente, também servido gelado. A bebida contém cafeína, substância com efeito estimulante, cuja concentração varia conforme o método de preparo, situando-se geralmente entre 80 e 140 mg por cerca de 207 ml.
Estudos epidemiológicos sugerem que o consumo moderado de café pode estar associado à redução do risco de doenças cardiovasculares, embora os resultados variem conforme a metodologia e a população analisada. O Dia Mundial do Café é celebrado em 13 de abril.
O café é originário das terras altas da Etiópia, em um local chamado Kaffa. Porém, a palavra “café” não é originária de Kaffa, e sim da palavra árabe qahwa, que significa “vinho”. Por esse motivo, o café era conhecido como “vinho da Arábia” quando chegou à Europa no Século XIV.
Uma lenda conta que um pastor chamado Kaldi observou que seus carneiros ficavam saltitantes e conseguiam percorrer longas distâncias ao comer as folhas e frutos do cafeeiro. Ele experimentou os frutos e sentiu maior vivacidade. Um monge da região, informado sobre o fato, começou a utilizar uma infusão de frutos para resistir ao sono enquanto orava.
Parece que as tribos africanas, que conheciam o café desde a Antiguidade, moíam seus grãos e faziam uma pasta utilizada para alimentar os animais e aumentar as forças dos guerreiros. Seu cultivo se estendeu primeiro na Arábia, onde os manuscritos mais antigos mencionando a cultura do café datam de 575 no Iêmen. Até então, era comum o consumo da fruta in natura. O conhecimento dos efeitos do café disseminaram-se e no século XVI o café foi levado a península Arábica, sendo torrado para se transformar em bebida pela primeira vez na Pérsia. Na Arábia, a infusão do café recebeu o nome de kahwah ou cahue. Enquanto na língua turco otomana era conhecido como kahve, cujo significado original também era “vinho”. A classificação Coffea arabica foi dada pelo naturalista Lineu.
O café, no entanto, teve inimigos mesmo entre os árabes, que consideravam suas propriedades contrárias às leis do profeta Maomé. No entanto, logo o café venceu essas resistências e até os doutores muçulmanos aderiram à bebida para favorecer a digestão, alegrar o espírito e afastar o sono, segundo os escritores da época.
No Brasil, o estado de Minas Gerais destaca-se como o principal produtor nacional, com cerca de 26,6 milhões de sacas, correspondendo a mais de 50% da produção brasileira e aproximadamente 17% da produção mundial.
O município de Patrocínio, em Minas Gerais, saltou três posições e assumiu a liderança no ranking de produtores do grão. Em 2012, a safra de café atingiu 64.789 toneladas naquele município (2,1% do total nacional). As informações são da Pesquisa Agrícola Municipal (PAM), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Café em sacos
O sucesso da lavoura cafeeira em São Paulo, durante a primeira parte do século XX, fez com que o Estado se tornasse um dos mais ricos do país, permitindo que vários fazendeiros indicassem ou se tornassem presidentes do Brasil (política conhecida como café com leite, por se alternarem na presidência paulistas e mineiros), até que se enfraqueceram politicamente com a Revolução de 1930.
Uma cronologia do café no Vale do Paraíba Paulista seria a seguinte:
· fins do século XVIII – exportação insignificante por Santos
· 1790 – primeiras plantações em Areias
· 1797 – 100 sacos de café exportados por Santos
· 1801 – exportação de 34 sacas
· 1803 – irradiação dos cafezais em direção a Parnaíba
· 1807 – exportação de 316 sacas
· 1822 – pequenos cafezais em Cachoeira, Taubaté, Guaratinguetá
· 1822 – em Jacareí, se plantava em larga escala
· 1822 – em Taubaté, todos abandonavam a cana de açúcar para investir em café
· 1822 – de Lorena até Bananal, apareciam os primeiros barões do café
O café era escoado das fazendas depois de secados nos terreiros de café, no interior do estado de São Paulo, até as estações de trem, onde eram armazenados em sacas, nos armazéns das ferrovias, e, depois embarcado nos trens e enviado ao Porto de Santos, através de ferrovias, principalmente pela inglesa São Paulo Railway.
Consumo
Os maiores consumidores de café per capita do mundo encontram-se no Norte da Europa, mais concretamente nos países nórdicos. A Finlândia é o atual líder do ranking com 3 a 4 xícaras de café por dia, o que equivale a aproximadamente 5,8kg ao ano, seguida de perto pela Noruega e pela Suécia. Esse consumo elevado dos finlandeses, justifica-se porque esse país, localizado no norte da Europa, possui temperaturas de extremo frio no inverno, ou seja, suas condições climáticas contribuem para a necessidade de consumo da bebida, consumido quente.
Apesar do Brasil ser um dos países a produzir mais café no mundo, estando em primeiro lugar no ranking, os brasileiros não consomem tanto café, visto ao que produzem. Com o cafezinho incluído tradicionalmente na cultura brasileira, atualmente o Brasil é o 14º país que mais consome café por habitante do mundo. (Informações compiladas do Wikipédia)
Grãos de café após secagem prontos para torrar
Independentemente da origem, da produção e do consumo, o café ganhou “status” brasileiro. Empresas brasileiras se dignam a observar “a hora do café” para seus funcionários. Normalmente um intervalo de 15 minutos. Era assim, quando trabalhei no Rio de Janeiro. Não sei se a prática seguiu moda Brasil à fora.
Rapadura garante um café mais gostoso
Conheci café através de uma velha que não nasceu na Etiópia. Nasceu dos índios Paiakus. Adulta e casada, sempre “mandava” (era, era assim mesmo: mandava) meu Avô comprar fumo de rolo na bodega que não ficava tão próximo, e “pedia” (agora, ela pedia mesmo) para Vovô comprar, além da pinga para tomar antes do banho, rapadura e uma quarta (250 gramas) de grãos de café. Àquelas 250 gramas ela adicionava mangirioba e torrava tudo num tacho, sem esquecer de transformar a rapadura em melado que adicionava aos grãos torrados.
Depois, punha à secar o café torrado.
A etapa seguinte era levar ao pilão, e pilar. Peneirava numa arupemba e, os pedaços que ficavam eram passados pelo moinho manual de mesa.
Aquele café era muito gostoso!
E eu nem desconfiava, naquele tempo, que os grãos eram originários da Etiópia, mas multiplicados nos sertões de Minas Gerais.
Era um pó de café tão forte e gostoso, que ela “passava” duas vezes. Fervia água numa lata dependurada numa vara sobre o fogão, e adicionava nacos de rapadura. Coava num saco velho e levava ao bule. A mesa ainda era composta com leite de cabra, batata doce cozida e beiju de farinha com nacos de coco.
Tacho usado para torrar grãos de café
Muito mais que selar o jumento, e se deslocar até a bodega para comprar fumo de rolo, pinga rapadura e grãos de café, Vovô tinha a “obrigação” de colocar o machado no ombro e sair na mata cassando uma árvore cujo tronco servisse para fazer um pilão.
E, convenhamos, um pilão não é feito de uma noite para o outro dia. É trabalho! A peça mais fácil é a “mão-de-pilão”, que pode ter uma ou duas cabeças. E essas cabeças são feitas, via de regra, nas tardes de domingo depois da madorna do almoço.
Pilar café é um serviço que requer perícia. Café é caro. Durante o pilar, perder café que encha uma colher, é prejuízo. O pilão também pila milho torrado para fazer fubá, milho cru para fazer xerém para os pintos e massa para fazer cuscuz. Além de pilar arroz para retirar as cascas.
Esse tipo de trabalho ainda hoje é mantido em alguns povoados municipais.
Café sendo “pilado” no pilão
Durante muito tempo, nas capitais e cidades grandes, era fácil beber um cafezinho. Os fumantes adoravam acender um cigarro após o café vendido nos balcões. Hoje, mesmo com o Brasil dominando o ranking do consumo, aquele cafezinho numa xícara pequena desapareceu.
Agora, só se bebe café nos shoppings. Café expresso, diga-se.
Nesses shoppings, o café expresso é sempre degustado em rodas e conversas entre amigos.
O que mais assusta aos mais antigos, é a quantidade de cafés isso, cafés aquilo.
Mas, a cultura que faz o Brasil dominar o ranking do consumo desse produto etíope, continua sendo o café matinal de todo dia. Às vezes, um “café da manhã” está repleto de frutas, yogurts, sucos e o que menos se vê é o café.
Por falar nisso, aceita tomar um café comigo?
Minha Avó em voz alta diria: “o café tá botado”!
O nosso famoso cafezinho
A obra continua parada 😆 pic.twitter.com/xhtEbvosM0
— Julio Schneider 🇧🇷🇺🇸 (@juliovschneider) July 25, 2026