LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO X

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

DEIXA QUE EU CHUTO!…

Sola dos pés após o jogo na Salina

Não poderia faltar às minhas notas biográficas o tempo do nosso futebol juvenil, na Salina do Capibaribe, onde jogávamos de pés descalços.

O piso era excessivamente salinizado e não se via no solo as cores da areia ou do barro, mas apenas o cinzento-claro do sal marinho.

Sendo o rio perto do mar, a zona recebia forte influência do Atlântico, que salgava as águas do rio, formando nas margens, as salinas, piso plano e nivelado.

Nos dias seguintes às nossas “peladas”, o “castigo”. Apareciam os problemas: vermelhidão, pequenos cortes na sola dos pés e aquela queimação infame ao dar passos, mesmo calçados.

A turma dos jogadores de 16 anos pra cima, ávida por se manter ativa no treinamento na pelota, costumava reunir dois times, aproveitando meninos como eu – na faixa dos 12 anos, que eram misturados com os jogadores mais experimentados.

Alguns, com físicos de homens feitos, já candidatos a aprendizes do Santa Cruz Futebol Clube, usavam os meninos entre 14 e 16 anos para completar dois times e treinar.

Este colunista era muito rápido nas carreiras, mas ruim nos dribles. João Viola, com mais de 18 anos, era homem feito e aproveitava minha fragilidade.

Quando notava que eu iria chutar para a rede, gritava: “Deixa que eu chuto!” Era quando “o esférico” se acomodava lá no fundo do “entrançado”. E assim eu fui perdendo oportunidades de vir a ser um Ronaldinho Gaúcho.

Só mais tarde vim a entender que aqueles “malandros” nos enganavam, dizendo que eram formadores de craques para o futebol profissional.

Na verdade, treinavam com a gente. E nós, os “armadores” preparávamos as jogadas para eles fazerem os gols. Depois saiam se gabando da quantidade que faziam.

Os tempos passaram, os praticantes infanto-juvenis cresceram e, como eu, muitos deram adeus às ilusões do futebol. Carregamos, então, nossos fardos e assumimos várias profissões. Aos 14 anos, integrei-me à vida bancária e permaneci até a aposentadoria.

Assim é a vida. Temos que dar “passes” para os outros e não malandrear, sob o grito: “Deixa que eu chuto”.

PENINHA - DICA MUSICAL