Sola dos pés após o jogo na Salina
Não poderia faltar às minhas notas biográficas o tempo do nosso futebol juvenil, na Salina do Capibaribe, onde jogávamos de pés descalços.
O piso era excessivamente salinizado e não se via no solo as cores da areia ou do barro, mas apenas o cinzento-claro do sal marinho.
Sendo o rio perto do mar, a zona recebia forte influência do Atlântico, que salgava as águas do rio, formando nas margens, as salinas, piso plano e nivelado.
Nos dias seguintes às nossas “peladas”, o “castigo”. Apareciam os problemas: vermelhidão, pequenos cortes na sola dos pés e aquela queimação infame ao dar passos, mesmo calçados.
A turma dos jogadores de 16 anos pra cima, ávida por se manter ativa no treinamento na pelota, costumava reunir dois times, aproveitando meninos como eu – na faixa dos 12 anos, que eram misturados com os jogadores mais experimentados.
Alguns, com físicos de homens feitos, já candidatos a aprendizes do Santa Cruz Futebol Clube, usavam os meninos entre 14 e 16 anos para completar dois times e treinar.
Este colunista era muito rápido nas carreiras, mas ruim nos dribles. João Viola, com mais de 18 anos, era homem feito e aproveitava minha fragilidade.
Quando notava que eu iria chutar para a rede, gritava: “Deixa que eu chuto!” Era quando “o esférico” se acomodava lá no fundo do “entrançado”. E assim eu fui perdendo oportunidades de vir a ser um Ronaldinho Gaúcho.
Só mais tarde vim a entender que aqueles “malandros” nos enganavam, dizendo que eram formadores de craques para o futebol profissional.
Na verdade, treinavam com a gente. E nós, os “armadores” preparávamos as jogadas para eles fazerem os gols. Depois saiam se gabando da quantidade que faziam.
Os tempos passaram, os praticantes infanto-juvenis cresceram e, como eu, muitos deram adeus às ilusões do futebol. Carregamos, então, nossos fardos e assumimos várias profissões. Aos 14 anos, integrei-me à vida bancária e permaneci até a aposentadoria.
Assim é a vida. Temos que dar “passes” para os outros e não malandrear, sob o grito: “Deixa que eu chuto”.

Um craque deixou o futebol para entrar no jornalismo. Hoje, do alto dos noventinha ele que fica gritando: “deixa que eu chuto”. Salve Moacir Franco Sua ilusão entra em campo no estádio vazio…
Mas professor,
O senhor é de lascar mesmo!
Lembrou-me até o grande Moacir Franco e sua bela cantoria.
E aproveito para detalhar, recordo Fernando Castelão e Barbosa Filho, cada um transmitindo para o Rádio, um lado do jogo. Inimitáveis!
Tem outra lembrança forte: Ary Barroso tocando a flautinha quando ocorria um gol.
E para completar, os comentários de Nelson Rodrigues. De lascar!
Grato por seu significativo comentário, sempre estiulante.
Carlos Eduardo
Carlos, Ary Barroso era terrível pelo que se fala. Flamenguista doente a ponta de dizer, narrando jogos do Flamengo, “eles contra nós”. Ouvi Fernando Castelão (ele tinha um programa na Jornal do Commercio), mas a minha época era Roberto Queiroz, o garganta de aço. Conheci, pessoalmente, Juraceia Castelar que era da PRA 8