DEU NO JORNAL

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO JORNAL

ALEXANDRE GARCIA

LULA COLECIONA ATRITOS COM VIZINHOS E DEIXA BRASIL ISOLADO

Lula afasta vizinhos e deixa Brasil diplomaticamente isolado

Lula afasta vizinhos e deixa Brasil diplomaticamente isolado

O embaixador argentino ontem saiu de Brasília rumo a Buenos Aires, onde vai ficar provavelmente até que se defina quem será o novo presidente do Brasil. Com o Lula parece que não está dando. O embaixador Daniel Raimundi, fora do mundo oficial, é muito querido aqui em Brasília.

Lá nos Estados Unidos, o Senado americano aprovou, por 51 a 47, Daniel Perez, filho de cubanos, para ser o embaixador aqui. O encarregado de negócios — que eu acho que foi para ser embaixador no Paraguai — era Escobar. Os Estados Unidos têm mandado para cá gente que fala espanhol, que fala uma língua latina e tem mais facilidade de se entender conosco. Lembro do meu querido amigo Diego Asêncio; ele e a Nancy, mulher dele, representaram o governo dos Estados Unidos aqui lá pelos anos 80, depois de ele ter sido refém durante muito tempo na Colômbia, num ataque dessas guerrilhas que agora o novo governo colombiano pretende dar um final.

Lembro que Lula não foi à posse do novo presidente da Colômbia e nem foi à posse da nova presidente do Peru. São vizinhos, fazem fronteira com o Brasil; não importa a cor político-ideológica. Agora está esse rompimento com a Argentina, em que temos uma relação com o nosso principal parceiro do Mercosul num nível mais baixo, o nível de encarregado de negócios. O embaixador brasileiro de lá, voltou para Brasília e, como eu mencionei, domingo o embaixador argentino foi para Buenos Aires.

Já tivemos uma briga com o Paraguai, e o Paraguai hoje está cada vez mais importante, recolhendo as empresas brasileiras. Aqui são centenas de empresas em RJ, que é a recuperação judicial; a situação está cada vez pior. O Armínio Fraga acha que está muito parecido com o governo Dilma. O Lula 1, 2, 3… Imagina.

* * *

Cinto de segurança em ônibus

Uma outra questão que quero chamar atenção de novo: houve um acidente de ônibus aqui. Um ônibus foi atingido por um caminhão carregado de areia. Um ônibus que ia daqui do Distrito Federal para Uberlândia, se não me engano, e teve seis ou sete mortos.

As pessoas que ficaram protegidas e quase não ficaram feridas estavam de cinto. As que morreram não estavam de cinto. Para pensar nisso: não entre num ônibus sem cinto. O ônibus urbano não tem essa possibilidade, mas intermunicipal e interestadual, o cinto faz toda a diferença, faz muita diferença.

* * *

Os ventos no Sul e o muro da penitenciária

E uma outra questão, que não é política: ventanias lá no Rio Grande do Sul. O Rio Grande do Sul está numa região intermediária entre o Polo e o Equador, está no meio do caminho. Ali é o entrechoque climático. E lá, os ventos chegaram a 90 km/h. Eu estava no Rio no dia da ventania de 105 km/h. Eu não só estava no Rio, como estava na rua; estava saindo de um barco e tendo que caminhar 800 metros até o hotel. Eu estava contra o vento e deu.

Mas o que eu queria contar é que um vento de 90 km/h derrubou a muralha de uma penitenciária regional em Pelotas. Aí eu fico pensando: alguém vai investigar quem foi a construtora, quem fiscalizou essa construção? É uma penitenciária. Se um sopro do lobo mau na casa dos três porquinhos derruba, na hora que algum CV ou PCC, ou seja lá o que for, descobrir que basta dar uma batida com um trator num muro desse e o muro cai, sai todo mundo de uma penitenciária. Foi construída com quê? Qual foi a mistura de cimento com areia, com brita? Foi na proporção certa? Meu Deus.

DEU NO JORNAL

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

TOMA QUE O FILHO É TEU

“Tava jogando sinuca, uma nega maluca me aparece. Vinha com um filho no braço e dizia pro povo que filho era meu”. Este é o primeiro verso da música Nega Maluca, São Peninha que me acuda, gravada por Linda Batista. “Toma que o filho é teu”. Hoje a coisa se resolve com um exame de DNA e o atesto de uma paternidade deixou de ser coisa do outro mundo.

O Brasil virou essa “nega maluca”. Ninguém assume o filho e todos buscam mecanismos de driblar o exame de DNA. Atualmente, a culpa de todas as mazelas não é de quem promove as mazelas, mas que as faz, procura mecanismos legais para se livrar. O pior é que tudo se faz como se fosse tudo, absolutamente, normal. Por exemplo, numa entrevista o presidente disse que a taxa das blusinhas tinha sido coisa de Haddad. Ele nunca sabe o que acontece no seu governo e, mesmo quando faz alguma coisa, não assume. O mensalão, por exemplo, nunca existiu, mas ele disse em Paris que tinha sido caixa dois de campanha, recursos não contabilizados.

O filho do presidente, por exemplo, apareceu citado em relações obscuras com o “Careca do INSS”. Coisa bastante esquisita envolvendo, inclusive, interesses comerciais de implantação de uma empresa em Portugal para comercializar cannabis. Não se enxerga qualquer problema em compartilhar uma viagem ao lado de um cara que, para a polícia, cometeu crimes financeiros. Dias Toffoli também viajou até o Peru ao lado do advogado de uma empresa envolvida em falcatruas, mas isso não importa: o que é fundamental é ele ter tido que durante todo o trajeto se falou de futebol e nós, pobres mortais, devemos acreditar que foi isso mesmo se não quisermos nos deparar com um processo.

As desculpas dadas para comportamentos poucos republicanos são as mais estapafúrdias possíveis. Tome-se o caso da lobista Roberta Luchsinger com o ex-chefe de gabinete do presidente, o sr. Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola (este é do PT e não do PCC). Quando descoberto que a lobista transferiu dinheiro para Marcola, este se apressou em dizer que se tratava de um empréstimo pessoal.

O detalhe desse empréstimo era que ela ocorria mediante o pagamento de boletos bancários e muita gente se apressou em dizer que isso não deixa rastro. Não é bem assim. Eu posso pagar um boleto em nome de qualquer pessoa, a baixa do título aparece como pago, mas o comprovante de pagamento fica em nome, com o código de barras que foi pago. Na GRU, por exemplo, é necessário colocar o CPF do beneficiário, mas aparece o nome do pagador do título. O que houve entre Roberta e Marcola, nunca foi um empréstimo formal, foi uma troca de favores.

Não estou dizendo não ser possível existir um empréstimo entre duas pessoas físicas. Não há nenhum problema é fazer um empréstimo para um amigo, mas o que desconfigura isso é a frequência. Se todo mês tem alguém pagando meus boletos bancários, então vamos ser coerentes e entender que isto já se distancia bastante de qualquer “empréstimo”. O pior de tudo é que isso ocorreu com o chefe de gabinete da presidência da república e a providência tomada foi sair do cargo para trabalhar na campanha política do chefe e, agora, diante do tamanho do problema, Marcola é afastado da campanha “para não contaminar”. Putz! Sobrou alguma coisa não contaminada?

Qual o esforço em tudo isso? Resolver o problema? Não, absolutamente, não! O esforço é lutar para que os atingidos por denúncias sejam inocentados. Foi nesse sentido o famoso jantar na casa de Alexandre de Morais que contou com a participação do presidente da república, de Davi Alcolumbre e do advogado do presidente, Zanin. O interesse não era apaziguar as relações entre Lula e Alcolumbre, mas tratar de como contar o lamaçal que envolve cada um deles. Morais e Alcolumbre atolados com o caso Master e eles precisam de apoio do presidente para que a polícia federal não avance, não conclua e arquive as denuncias contra eles. Alcolumbre pretende concorrer à presidência do senado e precisa do apoio do presidente.

Morais, além de precisar de apoio no caso Master, precisa que o presidente do senado arquive os pedidos de impeachment em seu nome e o presidente precisa do apoio do STF para afastar as denúncias contra ele e seus familiares em casos pitorescos como o INSS e, agora, pelo declarado vínculo entre seu filho e Roberta Luchsinger. Apura-se tráfico de influência, afinal de contas uma visitinha de Roberta ao ministério da saúde, fez uma empresa ganhar um contratinho de R$ 85 milhões.

Esse é o Brasil atual: um país sem paternidade. A gente se reveste de esperança de que tudo isso mude, mas em tempos de inteligência artificial, o melhor artifício é fingir que está fazendo tudo certo.

DEU NO JORNAL

XICO COM X, BIZERRA COM I

OS ANJOS E AS PENAS DE ARARAS COLORIDAS

Quando o primeiro anjo pousou em frente a nossa casa a grama ao redor ficou mais verdinha. Ele aquietou-se ali, perto do pé de manacá e fingiu ser estátua. O melhor dos anjos, quando eles fingem ser estátua, é não resistirem às cócegas no nariz, com penas de araras coloridas. Eles, por um instante, se permitem mexer um pouco, depois se mexem mais e põem-se a rir, mas nem por isso abdicam de ser doces anjos: apenas deixam de ser imóveis esculturas. Passam a ser estátuas alegres, sorridentes querubins.

Que a grama de nossas casas continuem sempre da cor que deve ser e o todo resto desarrumado: a cama, com seus travesseiros fofos, bagunçada. Que as coisas mexidas, sala, varanda, quartos e cozinha, assim permaneçam, desde que o autor das peraltices tenha nome, forma e cheiro de anjo, dos mais celestiais possíveis. Aqui em casa acontecia isto, quando apenas um anjo tomava conta de tudo e promovia a bagunça boa. Ouvi dizer que o nome dele é Bernardo.

Aí, dois outros anjos se achegaram, ainda muito pequenos, se ajuntando a Bernardo na boa bagunça … Final de semana, Bernardo, Vinícius e Leonardo, três das maiores invenções de Deus, tomam conta da ‘zona’ em que se transforma nossa casa com a chegada deles. Uma ‘zona’ arretada de boa! Viva a bagunça que eles promovem! Que Deus olhe sempre pelos anjos sorridentes e felizes. Pra que foi inventá-los?

DEU NO JORNAL