Arquivo diários:16 de agosto de 2026
LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA
MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE
DEBATES EM PROPOSTAS
Semana passada teve início os debates entre os, declarados, candidatos ao governo de diversos estados. Dois casos tiveram destaque: São Paulo e Ceará. Embora sejam estados de características diferentes, o fato em comum é a candidatura do PT. No caso de Ceará, o atual governador Elmano Freitas sucumbiu diante da realidade de um estado falido sob diversos ângulos, destacando o caos na segurança pública, onde se observa que o estado sucumbiu ao domínio do crime organizado.
Apesar da constatação de fatos caóticos, o governador alardeou números fictícios referente a aquisição de viaturas policiais, quando parte delas é fruto de aluguel ao custo anula que beira a casa do bilhão de reais. O governador nega e os dados indicam que houve queda nos indicadores de violência, no entanto, a média de homicídios é 37,5 por cem mil habitantes. Uma taxa que se situa no patamar alto e municípios como Maranguape, Maracanaú, Itapipoca e Caucaia vinham liderando os rankings nacionais de homicídio por cem mil habitantes.
É preciso ver com desconfiança estes números porque eles podem ser maiores. A citada queda nos indicadores, pode ser fruto do período eleitoral, pode ser trégua negociada, pode ser ação efetiva, mas esta última, fica sob suspeita porque há se de se perguntar por que as ações que reduzem violência só foram implantadas agora? Eleição tem uma forte explicação, com certeza.
No debate de São Paulo, de longe o mais esperado, o que se viu foi Haddad tentando dizer que nada no estado deu certo e Tarcísio mostrando o volume de investimento, a redução na taxa de feminicídio, no roubo de cargas, o investimento em saúde, educação. É nítido que nem Elmano e nem Haddad tem qualquer proposta para desenvolver o estado. Mais uma vez: no Ceará há uma nítida estagnação, enquanto em São Paulo, parece que Haddad que implantar o modelo cearense.
No âmbito nacional, há dúvidas sobre debates no primeiro turno. O presidente comentou que não tem interesse em participar, afinal, ele é pura vitrine. Esse é um problema de quem governa. Todos os demais candidatos miram seu governo e escancaram suas mazelas. Honestamente, não tenho muita certeza sobre a qualidade dos debates. O que me preocupa é a tendência econômica que pode se estender por mais 4 anos, caso o presidente seja eleito para o quarto mandato.
Os números de pesquisas iniciais mostram que o presidente só tem vantagem na região nordeste. Em todas as demais ele perde, o que varia é apenas o tamanho da perda. A questão é que tal perda pode ser compensada com os votos do nordeste que devem beirar os 70%.
As implicações de um novo mandato são absurdamente perigosas. Qualquer cenário que seja projete, a gente percebe uma lacuna ou um buraco “afro-descendente”. Não há um ponto de tranquilidade quer seja do ponto de vista econômico, das relações externas ou institucionais. Economicamente, parece desnecessário falar na dívida pública, na irresponsabilidade fiscal, na manutenção de programas sociais sem os recursos necessários para prover. Estamos falando, por exemplo, de um déficit de R$ 105 bilhões. Despesas empenhadas, liquidadas e não pagas por falta de dinheiro. A consequência disso é natural: contingenciamento no orçamento da saúde, educação e da defesa nacional.
Em termos de relações exteriores, o presidente resolveu brigar com os Estados Unidos e ganhou apoio da China. Vejam que coisa interessante. A China não briga direto com os Estados Unidos, mas incentiva o Brasil a esbravejar contra Trump e o presidente brasileiro acredita que poderá contar com um exército chinês para um combate com a 6ª frota americana. O ministro José Múcio foi sincero: “se os Estados Unidos invadirem o Brasil, o que podemos fazer é abrir a porta”. O dinheiro prometido para a defesa se desenvolver e não permitir que outros países invadam o Brasil – ele disse que o Paraguai fez isso e causou um protesto imenso – foi contingenciado para cobri o rombo orçamentário.
O grande problema vem das relações institucionais, principalmente, com o STF. Ao longo dos próximos 4 anos, tem-se 4 ministros que sairão do STF e o novo presidente deve vai indicar novos candidatos, inclusive, o “Bessias”. A recente reunião entre Alcolumbre, Lula, Alexandre e Zanin teve como fundo de pano a necessidade de sobrevivência de todos eles. A farra do INSS que envolveu o filho do presidente, não dará em nada, assim como não deu o mensalão – só Marcos Valério continua preso – e a Lava Jato.
O STF continua sendo um problema de grande envergadura. O ministro Alexandre de Morais autorizou a quebra do sigilo de um ex-secretário do governo maranhense que era fonte de um jornalista. Acharam dinheiro na conta do jornalista e logo se apressaram em deduzir que se tratava de pagamentos para produção de matérias contra Dino. Talvez vocês se lembrem do caso Francenildo Pereira. Esse jovem era um caseiro de uma residência frequentada por Palloci e ele disse que viu Palloci por lá várias vezes.
Entraram na conta corrente do rapaz e exibiram um extrato onde ele havia recebido R$ 14 mil e logo se apressaram em dizer que este dinheiro era a motivação das denúncias. Na realidade se tratava de uma transferência do pai do rapaz, como uma espécie de ajuda financeira. Alguém foi preso por isso? Ninguém.
É preciso olhar com cuidado para essa eleição. O STF está fazendo uma lista com o nome dos senadores com chance de eleição. O motivo é simples: avaliar o tamanho do risco de um senado favorável a pauta do impeachment.
WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO
LUAS E LENDAS
Curtindo um romance astral
Em noite de escuridão
A lua fez um clarão
Com o seu brilho colossal.
Alegre fez um sinal
Com lampejos de candura
E num gesto de loucura
Declarou-se apaixonada;
Eu vi a lua excitada
Seduzindo a noite escura.
Hélio Crisanto
A lua que nem menina
Entrando na adolescência
Ensaiava uma indecência
Igual cio de felina
A nuvem como cortina
Abria a sua estrutura
A onça vendo a figura
Ficou hipnotizada
Eu vi a lua excitada
Seduzindo a noite escura.
Wellington Vicente
FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS
REFLEXÕES RESTAURADORAS
Na conjuntura atual, os quatro cantos do mundo estão a necessitar de uma assimilação consciente de reflexões que possibilitem uma REC – Reestruturação Existencial Consistente, favorecendo amanhãs mais dignos e solidários para todos os seres humanos. Lamentavelmente, as atuais populações estão relegando as sabedorias que os mais conscientes emitem pelas redes sociais, buscando sempre usufruir vantagens apenas com fatos e feitos lucrativos que a nada conduzem.
Colecionei, de uns tempos para cá, umas reflexões que poderia explicitar neste JBF lido e aplaudido por influenciadores de todos os matizes, buscando fortalecer uma CRS – Cidadania Regional Solidária capaz de orientar o nordestino para futuros mais positivamente correlacionados com um nível ético-empreendedor.
Explicito, abaixo, os balizamentos que mais me sensibilizaram, desejando vê-los lidos, assimilado e disseminados para uma juventude que busca horizontes criativos. Que os leitores saibam reproduzi-los em seus ambientes comunitários, profissionais e políticos:
– “O meio ambiente começa no meio da gente. Somos parte da natureza e precisamos cessar a onda de destruição que assola o planeta, e que também nos atinge. Proteja as florestas, as fontes de água, o clima e a biodiversidade.” (André Trigueiro, jornalista e pesquisador ambiental)
“Ressuscitar Marx? Não. Vivemos um outro tempo. É preciso algo mais imaginativo do que a simples indignação – que é legítima – para mudar as coisas.” (José Saramago)
“Um dos milagres mais extraordinários de Jesus foi o da multiplicação de cinco pães e dois peixes, que alimentaram 5 mil homens, mulheres e crianças, ainda sendo recolhidos 12 cestos cheios de pedaços de pão e peixe, segundo Marcos 6,42-43.” (Matheus Alves, Igreja Batista da Lagoinha, Belo Horizonte MG)
“O Aprendizado de Máquina é a ciência de fazer os computadores agirem sem serem explicitamente programados.” (Ricardo Murer, Mestre em Computação, USP)
“Que importa o areal e a morte e a desventura / Se com Deus me guardei? / É O que eu me sonhei que eterno dura / É a Esse que regressarei.” (Fernando Pessoa, Mensagem)
“Para ultrapassar esta era de barbárie, é preciso, antes de tudo, reconhecer sua herança. Tal herança é dupla, a um só tempo herança de morte e herança de nascimento.” (Edgar Morin, sociólogo francês)
“O Dia do Basta precisa ser hoje porque, enquanto sua vida tiver um amanhã, você sempre deixará tudo para o dia seguinte.” (Marcos Fiel, empreendedor comunitário)
As reflexões acima, escolhidas dentre muitas, devem ser pilastras resilientes contra uma série problemas reais que atormentam nossos derredores: a fofoca, a religiosidade fingida, o consumismo desvairado, a inveja, a bundolatria e a alienação hipnótica dos canais de comunicação, inclusive com o uso de celulares. Saibamos estabelecer objetivos eticamente consistentes, percebendo-se sempre uma evolucionária metamorfose ambulante, parodiando o saudoso menestrel baiano Raul Seixas.
JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO
AS ESTRELAS DA NOITE
A estrela da noite
Não era um palco dos que isolam os artistas do público. Ao contrário.
Com um desenho de uma meia lua, com altura de no máximo 15 centímetros, que permitia a interação do artista com o público, ansioso para dançar.
Extravasar ao som do que ouvia.
Parecia que a sonoridade do saxofone penetrava pelos poros das pessoas, contagiando-as.
Fazendo-as sentir a música tocada:
Careless Whisper
(George Michael)
Feel so sure
There’s no-one here for me
Crying on the floor
I got no-one to gee, oh-oh
And as the time goes by
I reach out for your hand
So cold
You’re looking into my eyes
Like you could never understand
Plead my case
Oh, you know it’s not the same
I’m never gonna dance again
Guilty feet have got no rhythm
Though it’s easy to pretend
I know you’re not a fool
I should’ve known better than to cheat a friend
And waste a chance that I’ve been given
So I’m never gonna dance again
The way I danced with you
Time can never mend
The careless whispers of a good friend
To the heart and mind
Ignorance is kind
There’s no comfort in the truth
Pain is all you’ll find
Tonight the music seems so loud
I wish that we could lose this crowd
Maybe it’s better this way
We’d hurt each other with the things we’d want to say
We could have been so good together
We could have lived this dance forever
But now who’s gonna dance with me?
Please stay
Êxtase total.
Sem intervalo, a estrela da noite retira o sopro do saxofone, e se deixa mostrar em sorriso de satisfação, ao tempo que um foco de luz mostra a penetrante solidez do que fazia: agradar ao público que o assistia e sentia, nota por nota, como se todos estivessem tocando naquele saxofone.
Ninguém se atrevia a dançar e perder as emoções daquelas notas tão bem tocadas.
Divino!
2 – A visita ao torrão natal
O ipê amarelo, a casa simples e o fusquinha
Guaiuba era o nome do povoado – parte de Pacajus – onde nascem os cajus e as estrelas que caem das noites para iluminar os dias. Como se fossem castanhas.
Naquela casinha, antes caiada, e agora pintada de róseo, nasceu o Zé. Zé, ali. José, fora dali pelo mundo à fora.
A estrada que levava à BR, antes não era assim como está hoje. Era areia frouxa que atolava o pé de quem a pisava.
Zé caminhava pela areia que atolava na direção da BR onde virava José. Por anos, ia levando saudades e voltava trazendo alegrias.
De noite, após cafunés e chamegos, se punha a observar estrelas num céu límpido e sem nuvens. De dia, assava castanhas dos cajus para fazer mocororó e temperar o peixe.
Os anos se passaram e José, adulto, trabalhou e conseguiu comprar um fusquinha. A estrada não atolava mais, mas o céu continuava ali no lugar dele. Límpido e repleto de estrelas.
Era primavera. O ipê que João plantara para fazer sombra e proteger a casa do calor do verão, floriu. Era amarelo. Um amarelo vivo que ao derrubar as flores amarelava o chão e a natureza pintava um quadro de beleza contrastando com o róseo da casa.
A claridade do dia mostrava um quadro que recebia o enfeite das araras que usavam o aconchego do verde de antes da floração, para o ninho e a reprodução.
A casinha rósea, o ipê, agora amarelo, o fusca brando e as araras nunca substituíram a boa lembrança dos cafunés noturnos.
JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL
OS BRASILEIROS: Adoniran Barbosa
João Rubinato nasceu em Valinhos, SP em 6/8/1910. compositor, cantor e ator. Conhecido como o “Pai do samba paulista”, foi um das figuras mais representativas da música popular brasileira ao criar uma identidade própria do samba. Uma das características mais marcantes de suas canções está no uso do dialeto ítalo-paulista e no retrato do cotidiano do povo urbano de origem italiana de alguns bairros paulistanos, como Barra Funda, Brás e Jaçanã.
Filho de Emma Ricchini e Francesco Fernando Rubinato, imigrantes italianos. Vieram para o Brasil em 1895 e, em São Paulo, passaram pela Hospedaria dos Imigrantes e logo foram trabalhar na agricultura na cidade de Tietê. Pouco depois mudaram-se para Jundiaí, Santo André e se estabeleceram em São Paulo. Com 7 irmãos e necessitando trabalhar, largou a escola ainda cedo. Seu primeiro emprego, aos 12 anos, foi de entregador de marmitas, das quais surrupiava alguns bolinhos de carne para matar a fome.
Logo após a adolescência, queria ser artista, cantor. Porém sem padrinhos, sem instrução e tendo que trabalhar, o sonho foi deixado de lado. Retomou depois adotando um nome mais apropriado: pegou Adoniran, de seu melhor amigo, e Barbosa, sobrenome de seu ídolo, o cantor de samba Luís Barbosa. Iniciou como compositor e gravou “Dona Boa’, marcha de carnaval na voz de Raul Torres em 1935, vencendo o concurso de canções carnavalescas, promovido pela Prefeitura de São Paulo. Aos 25 anos e vencedor de um concurso, animou-se a gravar o disco “Agora pode chorar”, que não foi bem sucedido.
Persistiu na carreira de artista e foi para o rádio como ator interpretando diversos tipos populares. A partir destes programas “encontrou a medida exata de seu talento, em que a soma das experiências vividas e da observação acurada deu ao país um dos seus maiores e mais sensíveis intérpretes”. Movido pelo desejo de se tornar intérprete e não apenas compositor, “passa a conviver com os sambistas entre uma parceria vendida aqui e outra acolá, que davam o testemunho da importância que a linguagem popular assumia como veículo social”.
Suas canções são o retrato exato desta linguagem e os tipos humanos que surgem deste discurso são representativos da cidadania brasileira. “Os despejados das favelas, os engraxates, a mulher submissa que se revolta e abandona a casa, o homem social e existencialmente solitário, estão intactos nas criações de Adoniran, no humor descrito nas cenas do cotidiano. A tragédia da exclusão social dos sambistas se revela como a tragicômica cena de um país que subtrai de seus cidadãos a dignidade”.
O primeiro sucesso veio com a canção muito conhecida até hoje nas rodas de samba: Trem das Onze (1951). Porém, só obteve o estrondoso sucesso quando foi regravada pelo conjunto “Demônios da Garoa”. O curioso é que o conjunto paulistano e a música falando de São Paulo foi bem sucedida primeiro no Rio de Janeiro. Em seguida casou-se com Matilde, que ajudou-o a se estabelecer na vida artística. Outro sucesso deu-se em 1956 com a música Iracema narrando mais uma crônica urbana de São Paulo. “Um retrato sensível da cidade, do povo e dos amores perdidos no caminho da modernidade”, relatou um crítico da época. Assim, passa a viver para o rádio, a boêmia e para Matilde. Nos últimos anos de vida, com o enfisema pulmonar avançando e não podendo mais manter a vida boêmia, dedica-se a recriar alguns dos espaços mágicos que percorreu na vida.
Inventou para si uma pequena arte, com pedaços velhos de lata, de madeira, movidos a eletricidade. São rodas-gigantes, trens de ferro, carrosséis e pequenos objetos como enfeites, cigarreiras, bibelôs, etc. criando um mundo mágico. Quando recebe alguma visita, que se admira com os objetos criados, ouve dele que “alguns chamavam aquilo de higiene mental, mas que não passava de higiene de débil mental…” Como se vê, cultiva o humor como marca registrada. Marca aliás, que aliada à observação da linguagem e dos fatos trágicos do cotidiano, fezz dele um sambista tradicional e inovador.
Faleceu em 23/11/1982, aos 72 anos, e foi homenageado várias vezes: Em 2020, no 110º aniversário, foi gravado o álbum Onze, com 11 músicas inéditas. O disco foi indicado ao prêmio Grammy Latino de Melhor Álbum de Samba/Pagode. Em São Paulo tem uma rua com seu nome no bairro da Bela Vista e outra com o nome “Trem das Onze” no Jaçanã. No Carnaval de 2022, a Escola de Samba Dragões da Real homenageou-o com o samba enredo. Na sequência, a revista Rolling Stone Brasil elegeu Trem das Onze entre as 100 maiores músicas nacionais e Adoniran entre os maiores artistas da música brasileira. Em 2023 a esquina símbolo de São Paulo (Av. Ipiranga com Av. São João) ganhou 2 estátuas: Adoniran Barbosa e Paulo Vanzolini, os representantes do samba paulista.
Deixou 12 discos gravados e 7 coletâneas de seus sucessos. Como biografia, temos os livros Adoniran: uma biografia de Celso de Campos Jr., publicado pela Editora Globo em 2003; Adoniran – Se o senhor não está lembrado de Flávio Moura e André Nigri, publicado pela Ed. Boitempo em 2002; Adoniran, dá licença de contar, de Ayrton Mugnaini Jr., publicado pela Ed. 34 em 2002 e Adoniran Barbosa – O poeta da cidade, de Francisco Rocha.
PENINHA - DICA MUSICAL



