JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

 

João Rubinato nasceu em Valinhos, SP em 6/8/1910. compositor, cantor e ator. Conhecido como o “Pai do samba paulista”, foi um das figuras mais representativas da música popular brasileira ao criar uma identidade própria do samba. Uma das características mais marcantes de suas canções está no uso do dialeto ítalo-paulista e no retrato do cotidiano do povo urbano de origem italiana de alguns bairros paulistanos, como Barra Funda, Brás e Jaçanã.

Filho de Emma Ricchini e Francesco Fernando Rubinato, imigrantes italianos. Vieram para o Brasil em 1895 e, em São Paulo, passaram pela Hospedaria dos Imigrantes e logo foram trabalhar na agricultura na cidade de Tietê. Pouco depois mudaram-se para Jundiaí, Santo André e se estabeleceram em São Paulo. Com 7 irmãos e necessitando trabalhar, largou a escola ainda cedo. Seu primeiro emprego, aos 12 anos, foi de entregador de marmitas, das quais surrupiava alguns bolinhos de carne para matar a fome.

Logo após a adolescência, queria ser artista, cantor. Porém sem padrinhos, sem instrução e tendo que trabalhar, o sonho foi deixado de lado. Retomou depois adotando um nome mais apropriado: pegou Adoniran, de seu melhor amigo, e Barbosa, sobrenome de seu ídolo, o cantor de samba Luís Barbosa. Iniciou como compositor e gravou “Dona Boa’, marcha de carnaval na voz de Raul Torres em 1935, vencendo o concurso de canções carnavalescas, promovido pela Prefeitura de São Paulo. Aos 25 anos e vencedor de um concurso, animou-se a gravar o disco “Agora pode chorar”, que não foi bem sucedido.

Persistiu na carreira de artista e foi para o rádio como ator interpretando diversos tipos populares. A partir destes programas “encontrou a medida exata de seu talento, em que a soma das experiências vividas e da observação acurada deu ao país um dos seus maiores e mais sensíveis intérpretes”. Movido pelo desejo de se tornar intérprete e não apenas compositor, “passa a conviver com os sambistas entre uma parceria vendida aqui e outra acolá, que davam o testemunho da importância que a linguagem popular assumia como veículo social”.

Suas canções são o retrato exato desta linguagem e os tipos humanos que surgem deste discurso são representativos da cidadania brasileira. “Os despejados das favelas, os engraxates, a mulher submissa que se revolta e abandona a casa, o homem social e existencialmente solitário, estão intactos nas criações de Adoniran, no humor descrito nas cenas do cotidiano. A tragédia da exclusão social dos sambistas se revela como a tragicômica cena de um país que subtrai de seus cidadãos a dignidade”.

O primeiro sucesso veio com a canção muito conhecida até hoje nas rodas de samba: Trem das Onze (1951). Porém, só obteve o estrondoso sucesso quando foi regravada pelo conjunto “Demônios da Garoa”. O curioso é que o conjunto paulistano e a música falando de São Paulo foi bem sucedida primeiro no Rio de Janeiro. Em seguida casou-se com Matilde, que ajudou-o a se estabelecer na vida artística. Outro sucesso deu-se em 1956 com a música Iracema narrando mais uma crônica urbana de São Paulo. “Um retrato sensível da cidade, do povo e dos amores perdidos no caminho da modernidade”, relatou um crítico da época. Assim, passa a viver para o rádio, a boêmia e para Matilde. Nos últimos anos de vida, com o enfisema pulmonar avançando e não podendo mais manter a vida boêmia, dedica-se a recriar alguns dos espaços mágicos que percorreu na vida.

Inventou para si uma pequena arte, com pedaços velhos de lata, de madeira, movidos a eletricidade. São rodas-gigantes, trens de ferro, carrosséis e pequenos objetos como enfeites, cigarreiras, bibelôs, etc. criando um mundo mágico. Quando recebe alguma visita, que se admira com os objetos criados, ouve dele que “alguns chamavam aquilo de higiene mental, mas que não passava de higiene de débil mental…” Como se vê, cultiva o humor como marca registrada. Marca aliás, que aliada à observação da linguagem e dos fatos trágicos do cotidiano, fezz dele um sambista tradicional e inovador.

Faleceu em 23/11/1982, aos 72 anos, e foi homenageado várias vezes: Em 2020, no 110º aniversário, foi gravado o álbum Onze, com 11 músicas inéditas. O disco foi indicado ao prêmio Grammy Latino de Melhor Álbum de Samba/Pagode. Em São Paulo tem uma rua com seu nome no bairro da Bela Vista e outra com o nome “Trem das Onze” no Jaçanã. No Carnaval de 2022, a Escola de Samba Dragões da Real homenageou-o com o samba enredo. Na sequência, a revista Rolling Stone Brasil elegeu Trem das Onze entre as 100 maiores músicas nacionais e Adoniran entre os maiores artistas da música brasileira. Em 2023 a esquina símbolo de São Paulo (Av. Ipiranga com Av. São João) ganhou 2 estátuas: Adoniran Barbosa e Paulo Vanzolini, os representantes do samba paulista.

Deixou 12 discos gravados e 7 coletâneas de seus sucessos. Como biografia, temos os livros Adoniran: uma biografia de Celso de Campos Jr., publicado pela Editora Globo em 2003; Adoniran – Se o senhor não está lembrado de Flávio Moura e André Nigri, publicado pela Ed. Boitempo em 2002; Adoniran, dá licença de contar, de Ayrton Mugnaini Jr., publicado pela Ed. 34 em 2002 e Adoniran Barbosa – O poeta da cidade, de Francisco Rocha.

Um comentário em “OS BRASILEIROS: Adoniran Barbosa

  1. Elis Regina, a melhor cantora do Brasil, dar um banho de interpretação na celebre composição do Adoniran – Tiro ao Álvaro.

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