DEU NO X

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

AS BRASILEIRAS: Maria Boa

Maria Oliveira Barros nasceu em Remígio, PB, em 24/6/1920. Empreendedora bem-sucedida dona de um cabaré, em Natal, RN, na década de 1940 e seguintes. Um luxuoso prostíbulo com apresentações musicais, teatro de revista e encontros casuais. No início sua clientela era constituída principalmente por soldados norte-americanos, instalados na base de Natal, durante a II Guerra Mundial. Teve seu nome gravado numa aeronave da FAB-Força Aérea Brasileira.

Na adolescência ajudava o pai numa banca da feira de Campina Grande e ganhou o apelido de Maria Boa, devido a gentileza com os fregueses e, também, aos belos atributos físicos. Era uma moça bonita, que chamava à atenção com seus cabelos pretos e longos. O apelido não agradou o pai, mas encantou os rapazes que passavam na barraca só pra vê-la. Ela acabou engraçando-se por um deles, que tirou-lhe a virgindade. O pai exigiu o casamento como reparação, mas o rapaz recusou. Ela se viu abandonada pelo namorado e pelo pai, que a expulsou de casa.

A mãe sentiu muito o desfecho da tragédia, mas não pode fazer nada e teve que aceitar a decisão do marido seguindo o padrão exigido pela sociedade local naquela época. A família não podia manter sob o mesmo teto uma filha sem honra. Era este era o costume. A partir daí, ela sentiu-se estranha e indesejável na cidade e foi tentar uma nova vida na capital João Pessoa, em meados de 1935. Arrumou emprego numa tipografia como secretária. Pouco depois conheceu um político; namoraram; brigaram e ela foi ameaçada de morte. Em pouco tempo passou a ganhar a vida como prostituta em algumas cidades da Paraíba até chegar em Natal.

Segundo relata o jornalista Luiz Henrique Gomes, há uma controvérsia entre os cronistas sobre o modo como chegou em Natal. Diz-se que ela já trabalhava num bordel, quando Madame Georgina, dona da Boate Estrela, soube que em Campina Grande havia uma bela jovem que acabara de cair na vida. Foi até lá e trouxe-a para sua Boate. Outra versão conta que ela chegou em Natal, em julho de 1942, aos 22 anos. “Sem eira nem beira”, porém bonita e atraente, logo encontrou emprego na Boate Estrela, onde foi bem recebida por Madame Georgina, que não poupou nos vestidos e joias, nem nas músicas para apresentá-la à sua clientela. Logo encontrou um alto funcionário público, com quem manteve relacionamento e engravidou. Ao saber da gravidez, o namorado não gostou e acabou o namoro. Ela abortou, ficou impossibilitada de procriar e abalada com a situação, afastou-se do Cabaré.

Em seguida trabalhou em algumas “casa de drink” e tinha como característica o respeito e educação. Era reservada, não tolerava gaiatices e tratava os clientes com cortesia. Levava seu trabalho a sério e era respeitada pelas colegas. Por esta época os soldados norte-americanos se instalaram em Natal, causando uma mudança urbana na capital potiguar. Em 1943, a cidade com 40 mil habitantes fervilhava com a chegada dos 15 mil militares americanos, que trouxeram o cinema de Hollywood, cigarros com filtro, coca-cola e os bailes na base militar alimentando fantasias de progresso material. Foi aí que ela aguçou o tino empreendedor. Percebeu que a cidade não dispunha de um lugar onde os homens pudessem se divertir. Em parceria com um amigo, alugou um casarão e montou seu negócio. Além dos soldados norte-americanos, a casa era frequentada pelos homens da alta sociedade e, assim, prosperou, rapidamente.

O Cabaré tornou-se um lugar conhecido não só pela prostituição. Mantinha uma boa cozinha e dizem que lá foi o primeiro lugar a servir o galeto assado, quando só existia o frango caipira cozido. Em pouco tempo reuniu um time de garotas bonitas dos estados vizinhos e fez com que sua Boate se tornasse uma referência no turismo da cidade e ponto de encontro dos empresários, fazendeiros e políticos da região. O serviço era impecável naquele ambiente, digamos, do pecado. Cuidava da saúde das moças e exigia algum recato na recepção e trato com os clientes. Foi neste ambiente que Maria Boa reinou com seu Cabaré.

Sua fama chegou também aos militares da aeronáutica brasileira. Os aviões B-25 eram identificados com variadas cores, conforme o local da base aérea. Na Base de Natal, além das cores foi acrescido desenhos artísticos de mulheres em trajes de praia, ao lado esquerdo da fuselagem. Na aeronave 5079 foi aplicado o desenho e o nome de Maria Boa. Alguns tenentes levaram-na até o hangar dos B-25 para lhe mostrar a homenagem prestada, deixando-a comovida.

Com o tempo adquiriu a sobriedade de uma madame. Não gostava de ser fotografada nem dava entrevistas, talvez para proteger sua família. Adotou duas crianças e manteve-as em boas escolas. Ajudou a pagar os estudos das primas e sobrinhos e fazia questão que todos tivessem uma formação diferente da sua. Chegou a ajudar inúmeras famílias carentes e as mães de suas funcionárias. Enfim, o nome Maria Boa fez justiça ao nome e tornou-se uma mulher respeitada e admirada em Natal. Em 1997, aos 77 anos, tinha problemas cardíacos e passou por uma cirurgia de alto risco. Pouco depois teve um AVC e faleceu em 22/7/1997. No dia seguinte o Diário de Natal estampou a manchete: “Morre a Dama das Camélias”.

DEU NO JORNAL

ACORDO DE “CÉU ÚNICO” TEM TUDO PARA SER IMPULSO AO TRANSPORTE AÉREO

Editorial Gazeta do Povo

acordo ceus abertos céu único

Movimentação no aeroporto de Guarulhos: Brasil, Argentina, Chile e Paraguai assinaram acordo que prevê céus abertos no futuro

No Brasil, o transporte aéreo é um dos modais que estão muito aquém do seu potencial, seja pela quantidade de empresas e rotas oferecidas, seja pela infraestrutura aeroportuária, especialmente na aviação regional. Em alguns casos, políticas públicas para o setor tiveram bons resultados, como na maioria das concessões de aeroportos, especialmente na modelagem adotada a partir de 2017; outros programas não passaram de populismo barato – o Voa Brasil, que prometia passagens a R$ 200, não entregou nem 5% do previsto, segundo um levantamento do jornal O Estado de S.Paulo feito no início deste ano. Agora, um acordo entre países sul-americanos abre portas para um possível aumento na oferta não apenas no Brasil, mas em toda a região.

O Brasil assinou um memorando de entendimento com Argentina, Chile e Paraguai para estabelecer um acordo de Liberalização Aérea para o Desenvolvimento do Céu Único Sul-Americano (Alas). As quatro nações, agora, terão um ano para estabelecer regras comuns para o transporte aéreo – por exemplo, na certificação de aeronaves e normas de segurança –, com o objetivo final de criar uma política de céus abertos, em que companhias aéreas de um país têm liberdade para operar rotas que não envolvam origem ou destino no país dessa empresa.

Em uma primeira etapa, o transporte aéreo entre cidades de um país por uma empresa de outro país só poderá ocorrer como parte de uma rota internacional – por exemplo, uma empresa argentina poderá vender passagens entre São Paulo e Salvador, se o trecho fizer parte de um voo proveniente de Buenos Aires; da mesma forma, uma empresa brasileira poderia vender passagens entre Buenos Aires e Bariloche, desde que a rota tenha começado no Brasil. Posteriormente, as empresas teriam a liberdade de oferecer trechos desvinculados de seu país de origem – uma companhia brasileira poderia operar trechos domésticos na Argentina, ou entre Assunção e Santiago, por exemplo, sem que a rota envolvesse qualquer cidade brasileira.

Nada disso é novidade – trata-se de implementar em sua totalidade as chamadas “liberdades do ar”, e que já são praticadas em outras regiões, especialmente a Europa, onde a União Europeia abriu o mercado de aviação há mais de 20 anos. A liberalização levou ao aumento da oferta de rotas diretas entre destinos europeus – algo que seria muito bem-vindo no caso brasileiro, onde frequentemente é preciso fazer conexões em grandes hubs como Congonhas, Viracopos ou Brasília – e o aumento da concorrência ajudou a baixar preços.

No entanto, ninguém deve esperar mudanças significativas no curto prazo. Primeiro, porque será preciso harmonizar regulamentações de quatro países; segundo, porque ao menos no Brasil há muitos outros entraves à maior oferta de rotas aéreas. Questões tributárias, trabalhistas e a alta judicialização dificultam a entrada de novos players e atrapalham a vida dos que estão no mercado. O ambiente regulatório brasileiro, por exemplo, é especialmente hostil ao modelo das empresas low cost, conhecidas por venderem passagens baratas enquanto cobram separadamente por todo o resto, e que são parte importante do sucesso dos céus abertos europeus.

Destravar o potencial do transporte aéreo brasileiro é importante também para fomentar o turismo, já que o Brasil ainda recebe pouquíssimos visitantes internacionais para uma nação com tantas belezas naturais e atrativos culturais e arquitetônicos. As regras europeias, por exemplo, permitiram o estabelecimento de inúmeras rotas aéreas sazonais para destinos de férias, sem falar do estímulo ao uso de aeroportos menores em centros regionais. O Brasil tem de fazer sua parte não apenas no acordo Alas, mas também removendo todos os outros obstáculos que atrapalham a expansão do transporte aéreo.

BERNARDO - AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS

FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

NOTAS SILVÍNICAS

No feriado de 16 de julho último no Recife, dia consagrado à Nossa Senhora do Carmo, encontro o João Silvino da Conceição num supermercado olindense. Papo vai e papo vem, pergunto ao sempre companheiro como vão suas anotações sobre os últimos perrengues da vida contemporânea. E ele me mostrou seu caderno 80 folhas, com suas últimas notas. Com a devida licença dele, transcrevo abaixo algumas delas:

1. No Brasil atual, há idades que promovem o todo nacional e idades que o colocam em situações vexatórias. Eis as que estão mais em destaque:

Idades positivas: espiritualidade, honestidade, fraternidade, capacidade, sinceridade, criticidade, fidelidade, profissionalidade, civilidade, solidariedade e humanidade.

Idades negativas: falsidade, criminalidade, imbecilidade, passividade, morosidade, futilidade, mediocridade, impunidade, agressividade e insalubridade.

2. Como eu gostaria de ver o José Múcio Monteiro, atual Ministro da Defesa do Brasil, eleito Governador de Pernambuco. Uma personalidade de excelente formação moral, capacidade estratégica e postura dialogal, que muito bem integraria Pernambuco num Desenvolvimento Regional dinâmico e sem sectarismos.

3. Que o próximo Dia dos Pais seja comemorado com bons livros presenteados, favorecendo um ambiente com mais sentimento humanístico, nulamente celulárico, sem solidariedade, individualistas e egolátrico.

4. Que neste ano eleitoral, os votantes brasileiros compareçam às urnas com a consciência ciente da reflexão feita pelo notável sociólogo Karl Mannheim: “Toda nossa tradição educacional e nosso sistema de valores ainda estão adaptados às necessidades de um mundo paroquial e no entanto espantamo-nos porque as pessoas se saem mal quando têm de agir num plano mais amplo.”

5. Os feminicídios só terão seus percentuais próximos de um mínimo, quando a pena de castração física integral for aplicada aos condenados em última instância, juntamente com uma pena de longa duração em regime radicalmente fechado e sem saidinhas beneficentes.

6. Sem mais torcer para qualquer clube de futebol pernambucano, torço pela rápida recuperação da saúde do Ralph de Carvalho, cujos comentários inteligentes e oportunos são por mim assistidos na resenha esportiva da Rádio JC das 13hotas, de segunda à sexta-feira.

7. Para os apenas modernosos, uma reflexão do nem sempre devidamente lembrado notável Gilberto Freyre mereceria mais atenção: “O moderno apenas moderno e efêmero e o eruditamente clássico nunca é perfeição definitiva, sempre exigindo sempre sucessivas.” Saibamos sempre bem diferenciar o moderno evolucionário do modernoso nunca convincente.

8. O sistema de governo brasileiro deveria ser parlamentarista, com 1/3 das atuais agremiações partidárias, com um Congresso Nacional reduzido de ¼, sem reeleição para presidente, governador e prefeito, com os ministros dos Tribunais Superiores com mandatos definidos e renovados apenas uma vez, os municípios sem sustentabilidade orçamentária com câmaras de vereadores sem qualquer tipo de remuneração.

9. O sábio Confúcio, hoje muito pouco estudo pelos que acham executivos tampa-de-foguete, enumerava as cinco falhas de caráter que podem levar ao fracasso: a negligência, a timidez, a emoção, o egoismo e a excessiva preocupação com a popularidade. E ele acreditava que toda boa liderança era consequência de seis características: autodisciplina, determinação, responsabilidade, conhecimento atualizado e exemplo.

10. Todo executivo, público ou particular, deveria observar, nas suas áreas de mando, quatro situações: a manifesta, a suposta, a existente e a que deveria ser. No mais, sempre seguir adiante, ouvindo e dialogando, com serenidade e resiliência, sempre percebendo-se um inconcluso.

Abracei o Silvino com um orgulho gigante, lamentando a existência de tão poucos no cenário pátrio.

PENINHA - DICA MUSICAL

BERNARDO - AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS

DEU NO X

COMENTÁRIO DO LEITOR

CÍNICO

Comentário sobre a postagem ATÉ ELE TÁ VENDO…

Mauro Pereira da Silva:

Esse senhor é um dos principais responsáveis por esse quadro desastroso.

Cínico, como todo esquerdista, agora está querendo tirar o dele da reta e posa de Madalena arrependida.

Me perdoem a comparação. Madalena era mais honesta.

Sua voz gritando “lula lá” ecoou por toda Avenida Faria Lima afirmando que o candidato do pt era a salvação do Brasil.

Com medo das consequências da burrada que fez, não me surpreenderia se ele se fantasiasse de patriota conservador cristão de de direita e voltasse a berrar Faria Lima a fora: “Flávio lá!”

DEU NO JORNAL

NÃO QUER SE SUJAR

No giro que vai dar pelo Brasil, o presidente da Argentina, Javier Milei, não reservou tempo na agenda para encontro com Lula.

O tour por aqui tem como principal objetivo manifestar apoio a Flávio Bolsonaro.

* * *

Milei encontrar com Lula não daria certo mesmo.

O presidente argentino tem as mãos limpas.