JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

Etíope na colheita do café

O café é uma bebida preparada a partir dos grãos torrados do fruto do cafeeiro. Tradicionalmente consumido quente, também servido gelado. A bebida contém cafeína, substância com efeito estimulante, cuja concentração varia conforme o método de preparo, situando-se geralmente entre 80 e 140 mg por cerca de 207 ml.

Estudos epidemiológicos sugerem que o consumo moderado de café pode estar associado à redução do risco de doenças cardiovasculares, embora os resultados variem conforme a metodologia e a população analisada. O Dia Mundial do Café é celebrado em 13 de abril.

O café é originário das terras altas da Etiópia, em um local chamado Kaffa. Porém, a palavra “café” não é originária de Kaffa, e sim da palavra árabe qahwa, que significa “vinho”. Por esse motivo, o café era conhecido como “vinho da Arábia” quando chegou à Europa no Século XIV.

Uma lenda conta que um pastor chamado Kaldi observou que seus carneiros ficavam saltitantes e conseguiam percorrer longas distâncias ao comer as folhas e frutos do cafeeiro. Ele experimentou os frutos e sentiu maior vivacidade. Um monge da região, informado sobre o fato, começou a utilizar uma infusão de frutos para resistir ao sono enquanto orava.

Parece que as tribos africanas, que conheciam o café desde a Antiguidade, moíam seus grãos e faziam uma pasta utilizada para alimentar os animais e aumentar as forças dos guerreiros. Seu cultivo se estendeu primeiro na Arábia, onde os manuscritos mais antigos mencionando a cultura do café datam de 575 no Iêmen. Até então, era comum o consumo da fruta in natura. O conhecimento dos efeitos do café disseminaram-se e no século XVI o café foi levado a península Arábica, sendo torrado para se transformar em bebida pela primeira vez na Pérsia. Na Arábia, a infusão do café recebeu o nome de kahwah ou cahue. Enquanto na língua turco otomana era conhecido como kahve, cujo significado original também era “vinho”. A classificação Coffea arabica foi dada pelo naturalista Lineu.

O café, no entanto, teve inimigos mesmo entre os árabes, que consideravam suas propriedades contrárias às leis do profeta Maomé. No entanto, logo o café venceu essas resistências e até os doutores muçulmanos aderiram à bebida para favorecer a digestão, alegrar o espírito e afastar o sono, segundo os escritores da época.

No Brasil, o estado de Minas Gerais destaca-se como o principal produtor nacional, com cerca de 26,6 milhões de sacas, correspondendo a mais de 50% da produção brasileira e aproximadamente 17% da produção mundial.

O município de Patrocínio, em Minas Gerais, saltou três posições e assumiu a liderança no ranking de produtores do grão. Em 2012, a safra de café atingiu 64.789 toneladas naquele município (2,1% do total nacional). As informações são da Pesquisa Agrícola Municipal (PAM), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Café em sacos

O sucesso da lavoura cafeeira em São Paulo, durante a primeira parte do século XX, fez com que o Estado se tornasse um dos mais ricos do país, permitindo que vários fazendeiros indicassem ou se tornassem presidentes do Brasil (política conhecida como café com leite, por se alternarem na presidência paulistas e mineiros), até que se enfraqueceram politicamente com a Revolução de 1930.

Uma cronologia do café no Vale do Paraíba Paulista seria a seguinte:

· fins do século XVIII – exportação insignificante por Santos

· 1790 – primeiras plantações em Areias

· 1797 – 100 sacos de café exportados por Santos

· 1801 – exportação de 34 sacas

· 1803 – irradiação dos cafezais em direção a Parnaíba

· 1807 – exportação de 316 sacas

· 1822 – pequenos cafezais em Cachoeira, Taubaté, Guaratinguetá

· 1822 – em Jacareí, se plantava em larga escala

· 1822 – em Taubaté, todos abandonavam a cana de açúcar para investir em café

· 1822 – de Lorena até Bananal, apareciam os primeiros barões do café

O café era escoado das fazendas depois de secados nos terreiros de café, no interior do estado de São Paulo, até as estações de trem, onde eram armazenados em sacas, nos armazéns das ferrovias, e, depois embarcado nos trens e enviado ao Porto de Santos, através de ferrovias, principalmente pela inglesa São Paulo Railway.

Consumo

Os maiores consumidores de café per capita do mundo encontram-se no Norte da Europa, mais concretamente nos países nórdicos. A Finlândia é o atual líder do ranking com 3 a 4 xícaras de café por dia, o que equivale a aproximadamente 5,8kg ao ano, seguida de perto pela Noruega e pela Suécia. Esse consumo elevado dos finlandeses, justifica-se porque esse país, localizado no norte da Europa, possui temperaturas de extremo frio no inverno, ou seja, suas condições climáticas contribuem para a necessidade de consumo da bebida, consumido quente.

Apesar do Brasil ser um dos países a produzir mais café no mundo, estando em primeiro lugar no ranking, os brasileiros não consomem tanto café, visto ao que produzem. Com o cafezinho incluído tradicionalmente na cultura brasileira, atualmente o Brasil é o 14º país que mais consome café por habitante do mundo. (Informações compiladas do Wikipédia)

Grãos de café após secagem prontos para torrar

Independentemente da origem, da produção e do consumo, o café ganhou “status” brasileiro. Empresas brasileiras se dignam a observar “a hora do café” para seus funcionários. Normalmente um intervalo de 15 minutos. Era assim, quando trabalhei no Rio de Janeiro. Não sei se a prática seguiu moda Brasil à fora.

Rapadura garante um café mais gostoso

Conheci café através de uma velha que não nasceu na Etiópia. Nasceu dos índios Paiakus. Adulta e casada, sempre “mandava” (era, era assim mesmo: mandava) meu Avô comprar fumo de rolo na bodega que não ficava tão próximo, e “pedia” (agora, ela pedia mesmo) para Vovô comprar, além da pinga para tomar antes do banho, rapadura e uma quarta (250 gramas) de grãos de café. Àquelas 250 gramas ela adicionava mangirioba e torrava tudo num tacho, sem esquecer de transformar a rapadura em melado que adicionava aos grãos torrados.

Depois, punha à secar o café torrado.

A etapa seguinte era levar ao pilão, e pilar. Peneirava numa arupemba e, os pedaços que ficavam eram passados pelo moinho manual de mesa.

Aquele café era muito gostoso!

E eu nem desconfiava, naquele tempo, que os grãos eram originários da Etiópia, mas multiplicados nos sertões de Minas Gerais.

Era um pó de café tão forte e gostoso, que ela “passava” duas vezes. Fervia água numa lata dependurada numa vara sobre o fogão, e adicionava nacos de rapadura. Coava num saco velho e levava ao bule. A mesa ainda era composta com leite de cabra, batata doce cozida e beiju de farinha com nacos de coco.

Tacho usado para torrar grãos de café

Muito mais que selar o jumento, e se deslocar até a bodega para comprar fumo de rolo, pinga rapadura e grãos de café, Vovô tinha a “obrigação” de colocar o machado no ombro e sair na mata cassando uma árvore cujo tronco servisse para fazer um pilão.

E, convenhamos, um pilão não é feito de uma noite para o outro dia. É trabalho! A peça mais fácil é a “mão-de-pilão”, que pode ter uma ou duas cabeças. E essas cabeças são feitas, via de regra, nas tardes de domingo depois da madorna do almoço.

Pilar café é um serviço que requer perícia. Café é caro. Durante o pilar, perder café que encha uma colher, é prejuízo. O pilão também pila milho torrado para fazer fubá, milho cru para fazer xerém para os pintos e massa para fazer cuscuz. Além de pilar arroz para retirar as cascas.

Esse tipo de trabalho ainda hoje é mantido em alguns povoados municipais.

Café sendo “pilado” no pilão

Durante muito tempo, nas capitais e cidades grandes, era fácil beber um cafezinho. Os fumantes adoravam acender um cigarro após o café vendido nos balcões. Hoje, mesmo com o Brasil dominando o ranking do consumo, aquele cafezinho numa xícara pequena desapareceu.

Agora, só se bebe café nos shoppings. Café expresso, diga-se.

Nesses shoppings, o café expresso é sempre degustado em rodas e conversas entre amigos.

O que mais assusta aos mais antigos, é a quantidade de cafés isso, cafés aquilo.

Mas, a cultura que faz o Brasil dominar o ranking do consumo desse produto etíope, continua sendo o café matinal de todo dia. Às vezes, um “café da manhã” está repleto de frutas, yogurts, sucos e o que menos se vê é o café.

Por falar nisso, aceita tomar um café comigo?

Minha Avó em voz alta diria: “o café tá botado”!

O nosso famoso cafezinho

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