CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

Principal transporte público: os bondes da Tramways

Nasci no bairro do Espinheiro, um dos mais centrais e elegantes do Recife. Lugar de sítios, chácaras e casas de veraneio, cujos moradores eram comerciantes, proprietários rurais, e anos depois, profissionais liberais.

Mas nunca gostei desse nome! Espinheiro, um nome horrível!

O Recife de Ontem tinha coisas curiosas, a começar pelas denominações de alguns dos seus bairros, onde viveram famílias importantes, ligados à elite pernambucana.

Se no Espinheiro morou o compositor Capiba, em Bomba do Hemetério, residiu o Governador José Francisco de Melo Cavalcanti. No bairro dos Aflitos, o usineiro Antonio da Costa Azevedo, dono da Usina Catende.

A origem da denominação: Espinheiro, se formalizou face à grande quantidade de arbustos espinhosos encontrados nas margens dos córregos, no tempo anterior ao traçado da Av. Agamenon Magalhães, quando quase tudo era verde.

Depois fomos morar na Torre, nome mais simpático. E, por fim, papai comprou uma casa no bairro que tinha outro nome horrível: Lugar dos Afogados.

Mas, alí foi minha pátria sentimental. Lugar onde pisei ainda menino de cinco anos e só saí depois de casado.

Morávamos em área aterrada, às margens do Capibaribe, na Vila dos Jornalistas. Mas, por pernosticismo, desde menino sempre disse que morava no Largo da Paz, nunca em Afogados.

Na antiga Praça da Paz, que no século anterior fora palco de matanças generalizadas, a partir da ocupação colonial de Pernambuco, as Invasões holandesas, a Guerra dos Mascates, a Revolução de 1930 e a Intentona Comunista em 1935, vivi meu el dorado juvenil.

Lá deixei minhas pegadas. Lembranças que jamais serão esquecidas: os bondes elétricos da Tramways, seguros, frescos e pontuais; os cinemas Eldorado, Pathé e Central; a concentração da juventude bem comportada, passeando nos dias de domingo, as missas na Igreja de Nossa Senhora da Paz.

Felizmente, pouca coisa mudou: a mesma praça, o mercado, a feira. Do Espinheiro e da Torre, poucas recordações.

Felizmente, quase nada mudou: a mesma praça, o mercado, a feira.

Do Espinheiro e da Torre, tenho poucas recordações, mas aquela “Praça dos Namorados”, o Largo da Paz, de ontem, nada se apagará da minha mente.

Alguns bondes da Tramways possuíam “reboques”, para transportar bagagens.

O de Areias passava pelo Largo da Paz

5 pensou em “LARGO DA PAZ, DE ONTEM

  1. Eu sou do tempo dos bondes na minha cidade natal Juiz de Fora – MG. Ontem, num filme na TV, tive ótimas recordações vendo os bondes percorrendo avenidas em São Francisco – EUA. Isto porque, como todo jovem, gostava de viajar pendurado no estribo dos bondes, tal e qual na foto desde ótimo artigo. Os bondes elétricos, que foram instalados, e circulavam por vários bairros, em Juiz de Fora, circularam de 1906 a 1969, quando foram retirados de circulação. Infelizmente, não deixaram nenhuma linha como histórica e para o turismo, como existem nos EUA e em outras partes do mundo, como Portugal. Pois é, Recife também poderia ter uma linha de bondes funcionando normalmente.

    • Amigo Deco.
      Seus comenários sempre pertinentes.
      Acrescento, porém, um fato histórico.
      Há trilhos de bonde ainda no Recife Antigo, que é a zona portuária – agora denominado: Marco Zero, que é uma das ilhas da cidade -. Elas ainda estão lá, na Rua do Bom Jesus, antiga Ruas dos Judeus, para encantar visitantes.
      Já as linhas do trem-turístico, que somente durante a época junina circula com a denominação artística de: “Trem do Forró”, que funcionam ainda, fazendo o percurso: Recife a Caruaru.
      Sobre os saudosos bondes elétricos, da Pernambuco Tramways, a única amostra que temos já estacionou durante anos no Sport Club do Recife. Mas, devido aos vândalos, foi transferida. Onde está agora, e nos permite entrar e sentar, no jardim da Fundação Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, onde funciona o Museu do Homem do Nordeste, tiode antigo tranporte que serve ambém como objeto de aulas para meus 11 bisnetos. Sempre quev isito o Museu minha alma se transporta para o Largo da Paz.
      Um abração.
      Carlos Eduardo,

      • Mande-me seu e-mail que remeterei fotos sobre o funcionamento dos bondes na zona portuária do Recife.

  2. Pingback: NO TEMPO DOS BONDES | JORNAL DA BESTA FUBANA

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