Eu nunca havia sentido Uma dor tão sufocante Faltou fôlego, num instante Vi que estava perdido. Perguntei a um conhecido Irmão gêmeo dum cigano. Ele falou: – Olha mano! Tua saudade deu cria! A sua ausência de um dia Gera saudade de um ano.
Nunca vi tanta potência Num choque de solidão Senti a alta tensão Da força da sua ausência. Pedi logo providência Ao diretor veterano Que acionou um plano Para me dar garantia. A sua ausência de um dia Gera saudade de um ano.
Sem você sou passarinho Sem espaço pra voar, Um cantador sem cantar, Uma Asa Branca sem ninho, Caminheiro sem caminho, Pescador sem oceano, Um Waldick Soriano Desterrado da Bahia. A sua ausência de um dia Gera saudade de um ano.
Renata Monachesi Pallottini nasceu em São Paulo, SP, em 28/3/1931. Advogada, professora, escritora, poeta, tradutora e essencialmente dramaturga. Atuou também na televisão com a produção de programas relevantes na cultura brasileira. Foi uma das pioneiras ao questionar as limitações impostas à mulher na sociedade. Foi a primeira mulher a fazer, pensar e revolucionar o Teatro no Brasil.
Filha de Iracema M. Pereira de Souza e Pedro Pallottini, graduou-se em Filosofia na PUC/SP-Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, em 1951, e em Direito na USP-Universidade de São Paulo, em 1953. Em seguida ganhou uma bolsa de estudos do governo espanhol e ingressou na Universidade de Madrid (1959-1960), onde realizou cursos de História da arte e Literatura no Instituto de Cultura Hispânica. De volta ao Brasil, cursou Dramaturgia na EAD-Escola de Arte Dramática da USP (1961-1962) e concluiu o doutorado, em 1982, na ECA-Escola de Comunicações e Artes da USP, sob orientação de Sábato Magaldi.
Sua tese incluiu a peça O País do Sol, como parte da trilogia sobre a imigração italiana no Brasil, junto às peças Colônia e Tarantela. A parte teórica da tese resultou no livro Introdução à Dramaturgia, publicado em 1983. Foi convidada por Sábato Magaldi para substituí-lo como docente na EAD/USP, ministrando aulas sobre História do teatro brasileiro. Lecionou também Artes Cênicas na ECA/USP, que lhe concedeu o título de professora emérita, em 2012.
Sua peça A Lâmpada (1960), foi pioneira ao abordar o tema da homossexualidade e trouxe inovações no campo teatral com uma nova dramaturgia nas décadas de 1960 e 1970. Destacou-se na nova geração de escritoras de teatro, junto com Hilda Hilst, Leilah Assumpção, Consuelo de Castro e Elza Câmara, entre outras, integrantes da chamada “Nova Dramaturgia”. Segundo Elza Cunha de Vicenzo, no livro Um teatro de mulher (1992), nascia ali uma nova proposta para o teatro brasileiro apresentado em São Paulo e que marcou de modo decisivo as gerações posteriores. Foi uma das autoras de vanguarda do movimento político-cultural que caracterizou a época e marcou as gerações posteriores.
Teve suas obras produzidas por diretores como Silnei Siqueira, Ademar Guerra, José Rubens Siqueira. Marcia Abujamra e Gabriel Vilela, entre outros. Traduziu o musical Hair, de James Rado e Gerome Ragni, traduziu e adaptou o romance Cidades Invisíveis, de Ítalo Calvino, entre as traduções e adaptações realizadas. Com tantas e variadas publicações, manteve-se fiel a poesia desde os primeiros livros, como na coletânea de poemas Acalanto (1952). O romance Mate é a cor da viuvez (1975), ganhou um comentário de Lygia Fagundes Telles opinou: “um belo e corajoso livro”. Para Carlos Dummond de Andrade, sua poesia “é uma das realizações mais vibrantes no campo do lirismo voltado para a vida real e imediata, a vida não pontada de sonho”.
Destacou-se também em cargos políticos e administrativos, tais como presidente da Comissão Estadual de Teatro da Secretaria de Cultura, fundadora e presidente da Associação Paulista de Autores Teatrais e presidente do Centro Brasileiro de Teatro, filiado ao International Theatre Institute, da UNESCO. Integrou entidades como a União Brasileira de Escritores, PEN Clube do Brasil, Clube de Poesia de São Paulo e Academia Paulista de Letras, a partir de 2013.
Foi premiada diversas vezes: Prêmio Juca Pato 2017, da União Brasileira de Escritores; Prêmio Jabuti 1996, da Câmara Brasileira do Livro, na categoria poesia e o prêmio do Pen Clube de Poesia 1961, pela obra Livro de Sonetos. Em 1974 e 1976 foi premiada pela APCA-Associação Paulista dos Críticos de Arte com os prêmios Melhor Roteiro, com novela O Julgamento e Melhor Tradução, com a peça Lulu; Prêmio Anchieta da Comissão Estadual de Teatro, 1968; Prêmio Molière 1965, com a peça O Crime da Cabra. Em 2016 foi contemplada com o “Colar Guilherme de Almeida’, concedido pela Câmara Municipal de São Paulo.
O legado de Renata Pallottini conta com dezenas de peças de teatro, adaptações e traduções, poemas, romances, estudos teóricos e trabalhos para a televisão. Faleceu em 8/7/2021 e ainda não contamos com uma biografia mais completa. Porém, pode-se contar com o ensaio biográfico escrito por Rita Ribeiro Guimarães – Renata Pallotini cumprimenta e pede passagem, incluido na Coleção Aplauso Brasil, publicada pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, em 2006. No cinquentenário da ECA/USP, em 2014, foi apresentado o Projeto Memórias: Renata Pallotini, com algumas videoentrevistas disponíveis clicando aqui.
1. O João convidou sua genitora para jantar em sua casa. Durante os comes-e-bebes, ela percebeu o quanto era atraente a empregada, com umas coxas de arrepiar qualquer velho já esquecido das suas funções reprodutórias. Após a refeição, sentindo um “clima” entre o filho e a jovem ajudante, de seios firmes e volumosos, riso sempre sedutor, lábios filé mignon, a mãe, de leve, deu um primeiro toque.
– Eu sei que você estava observando desde a sua chegada, mãe, asseverou o filho. Mas lhe asseguro que o meu relacionamento com a Nina é puramente profissional, nada mais existindo além disso.
Uma semana depois, a empregada disse para o João:
– Desde que sua mãe veio para jantar, a concha de sopa de prata sumiu. Você não acha que ela levou?
– Bem, eu duvido, mas assim mesmo vou escrever uma carta para ela, só por desencargo de consciência. Sentando-se na mesinha do seu quarto, escreveu: “Querida mamãe, eu não estou querendo dizer que você ‘pegou’ a concha de sopa da minha casa, e não estou querendo dizer que você ‘não pegou’ a concha de sopa. Mas o fato é que ela sumiu desde o dia que você esteve aqui para o jantar.”
Alguns dias depois, o João recebeu uma carta de sua mãe, vazada nos seguintes termos: “Querido filho, eu não estou querendo dizer que você ‘dorme’ com a sua empregada, e não estou querendo dizer que você ‘não dorme’ com a sua empregada. Mas o fato é que se ela estivesse dormindo na própria cama, ela já teria achado a concha de sopa que lá deixei, embaixo do lençol da cama dela. Com amor, sua mãe.”
2. Um advogado e uma loira sensacional estão sentados juntos num voo de longa distância. O advogado se vira para a loira e pergunta se ela não gostaria de fazer um jogo. A loira agradece, mas diz que quer dar uma cochilada. O advogado insiste e diz que é um jogo muito simples: cada um faz uma pergunta ao outro e se o outro souber a resposta, o ganhador recebe R$ 100 do indagador. Se não souber, tem que pagar o mesmo tanto. A loira recusa mais uma vez e vira-se para dormir.
Continuando a insistir, o advogado diz que dará uma chance a mais para a loira: se ela errar, pagará R$ 10, mas se ele errar pagará R$ 100. A loira resolve aceitar o desafio, já que percebeu que essa é a única maneira de acabar com tamanha chateação.
O advogado faz a primeira pergunta:
– Qual é a distância da Terra à Lua?
A loira não diz uma palavra, abre a bolsa e dá uma nota de R$ 10 para o advogado.
Na sua vez, ela pergunta:
– O que é que sobe o morro com três pernas e desce com quatro?
O advogado olha para ela espantado. Pensa uns bons minutos, acionando seu notebook com ansiedade ímpar. Frustrado, uma hora depois ele acorda a loira e lhe dá uma nota de R$ 100. Ela toma a nota sem dizer uma palavra, coloca-a numa carteira vistosa e volta a dormir. O advogado não se contém e pergunta:
– Mas, afinal, qual é a resposta?
Sem uma palavra, a loira pega de novo a carteira, tira uma nota de R$10 e entrega-a para o advogado, voltando ao seu sono.
Os causos acima aconteceram de mesmo, o primeiro há dez meses, na cidade do Mestre Vitalino, Caruaru, e o outro, mais recentemente, durante um voo Lisboa-Recife, na primeira classe. Mostram a argúcia feminina, diante de dois aparlemados de paletó e gravata, que se imaginavam donos do pedaço, nunca deixando de ruminar e relinchar..
3. Num tribunal africano, juiz para o réu:
– O senhor é um homem livre, pode voltar para sua mulher.