DEU NO X

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

OS BRASILEIROS: Luís Freire

Luís de Barros Freire nasceu em 16/3/1896, em Recife, PE. Engenheiro civil, professor, pioneiro da ciência no Brasil, catalisador de talentos em Pernambuco e estimulador de futuros cientistas do naipe de Mário Schenberg, Leopoldo Nachbin e José Leite Lopes, que o chamava de “arquiteto de valores humanos”.

Realizou os primeiros estudos no Recife e ingressou no curso de engenharia civil da Escola de Engenharia de Pernambuco. Diplomado em 1918, voltou-se para o magistério e passou a lecionar matemática na Escola Normal. Em 1920 foi contratado como professor da Escola de Engenharia, onde estudara. Em 1930 casou Branca Palmeira Freire e logo nasce o primeiro filho: Marcos Freire, que se destacou na política como deputado e senador de Pernambuco na década de 1970.

Em 1933 recebeu o título de Doutor em Ciências Físicas e Matemáticas e foi aprovado no concurso para professor catedrático de Física. Além de lecionar nos principais colégio do Recife, foi nomeado, em 1943, professor de Análise Matemática na Faculdade de Filosofia Manuel da Nóbrega, hoje incorporada a Universidade Católica de Pernambuco. Em seguida mudou-se para o Rio de Janeiro, onde foi lecionar na Faculdade de Ciências da Universidade do Distrito Federal, atual UFRJ, dirigida por Anísio Teixeira.

Em 1951, com a criação do CNPq-Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, foi nomeado membro, participando da Comissão de Ciências Físicas e Matemáticas até sua morte, em 17/7/1963. Seu grande sonho foi realizado em 1952: a implantação do Instituto de Física e Matemática, na Universidade do Recife. Sua ideia foi criar um centro de estudos nesta área altamente especializada. Para ele a universidade não devia apenas transmitir, mas também produzir conhecimento. Dirigiu o Instituto e manteve intercâmbio com instituições congêneres no País e no exterior, sobretudo em Paris, onde esteve em missão científica do CNPq, em 1958.

Entre suas contribuições como cientista consta a famosa expressão do chamado “Potencial Vetor”, utilizando a linguagem do cálculo vetorial com recursos dos operadores vetoriais. Pouco depois publicou um trabalho destacando a “Equação geral das escalas termoelétricas”, que obteve elogiosas referências do físico James Chappuis, professor da École Centrale des Arts et Manufactures de Paris. Em 1977, o físico José Leite Lopes declarou: “Era a figura mais notável de todas porque era um homem de uma grande cultura em Matemática e em Física, um grande espírito filosófico e de crítica e dava as aulas de uma maneira muito elegante, muito atraente, Foi ele, exatamente, ao fazer já o curso no primeiro ano, que me desviou da Química Industrial”.

Ocupou vários cargos e participou de diversos eventos na área da Física, tais como membro do Conselho Orientador do Instituto de Matemática Pura e Aplicada-IMPA, membro fundador do Centro Brasileiro de Pesquisas físicas-CBPF, integrou o Comitê Internacional do Jubileu Científico do Professor Arnaud Denjoy, da Sorbonne, membro da American Mathematical Society, do Conimbrigensis Institut Academia e presidente do Instituto Tecnológico de Pernambuco.

Os brasileiros e principalmente os pernambucanos estão devendo a edição de uma biografia mais abrangente de Luís Freire, mas podemos contar com o excelente ensaio biográfico de duas professoras de Física – Ivone Freire da Mota e Albuquerque e Amélia Império Hamburger – apresentado em 1989 no 2º Congresso Latino-Americano de História da Ciência e da Tecnologia: Luiz de Barros Freire: pioneiro da institucionalização da pesquisa científica no Brasil.

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FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

FÁBULA PÓS-MODERNA

Um formiguinho franzino afogava-se num lago de pouca profundidade, embora para ele mais que abismal, quando vislumbra um baita paquiderme passeando bem perto da margem direita.

– Elefante, socorra-me!! Estou me afogando!!!!

– Formiguinho, querido, eu não estou conseguindo alcançá-lo! O que devo fazer??

Num raciocínio mais que rápido, sem qualquer preconceito sexual, o formiguinho estruturou seu processo salvatório:

– O lago não é profundo. Entre nele, e quando chegar perto de mim, bem em cima de mim, estique seu pinto, imaginando-se nos braços de uma elefoa bem boa, que eu me segurarei nele.

– Não vais ficar encabulado, formiguinho?

– De jeito algum, seu babaca!! Ande logo, senão eu me lasco todo.

O elefante seguiu rigorosamente as orientações do formiguinho. E foi um sucesso o salvamento daquele animalzinho tão trabalhador. Com direito até a foto em primeira página do pasquim A Selva, editado pela Bicho’s University, famosa mundialmente pelos seus dinossauros catedráticos.

Passado algum tempo, eis que o formiguinho sofre mais um bafejo da sorte. Ganha na sena, ficando pra lá de bem situado na sua cidade, abandonando até um antigo sonho: o de fazer concurso para professor de ensino superior. Com a bolada, comprou um baita BMW, óculos escuros, celular e umas meninas taradinhas, já freqüentadoras de um certo alto meretrício.

Todo pimpão, eis que, uma tarde, passando pelo local do seu acidente, o formiguinho deparou-se com uma situação absolutamente inversa. O amigo elefante, já quase sem fôlego, afogava-se numa parte profunda do lago, gritando desesperadamente por socorro:

– Socorro me acudam!! Tou me afundando!!! Help!!!!

O formiguinho, plenamente consciente do tamanho do seu pipiu, mais uma vez aplicou estratégia vitoriosa. Da mala do BMW, retirou um cabo de aço, atrelou-o ao paralama traseiro, atirando a ponta contrária na direção do pobre paquiderme, que já despendia os últimos esforços.

Mais uma vez nas manchetes dos jornais da selva, o formiguinho foi entrevistado por um ratinho falastrão metido a popular. Microfone em punho, forneceu a moral do acontecimento recente: quem tem BMW não necessita de pinto grande.

PENINHA - DICA MUSICAL