DEU NO JORNAL

UM TIME DE ANTAS

O ministro de Portos e Aeroportos, Marcio França, anda tão perdido quanto sem-terra desgarrado. Após chamar a desestatização do Porto de Santos de “privatização da Autoridade Portuária”, distorção proposital para tentar dificultar o processo, França tem feito afirmações reveladoras de constrangedora desinformação sobre a área que chefia.

Anunciou, por exemplo, que visitaria a cidade de Ilhéus (BA) para “vistoriar o aeroporto e anunciar obras para ele”.

O ministro ignora que o aeroporto é privado.

Dando um Google, o ministro aprenderia que o aeroporto Jorge Amado, de Ilhéus, foi concedido em 2018 à empresa privada Socicam.

França é contra privatizar o Porto de Santos por sua visão atrasada e também por razões provincianas. Santos é sua base eleitoral.

O ministro de Portos e Aeroportos não é caso isolado: a ignorância sobre os setores que comandam é marca de vários dos ministros do governo Lula.

* * *

O último parágrafo desta notícia aí de cima, se referindo aos ministros do governo luloso, resume tudo:

“A ignorância sobre os setores que comandam é marca de vários dos ministros do governo Lula.”

Ou seja, o time do Ladrão Descondenado tem a mesma ignorância do chefe do bando.

E dito isto, tá tudo dito.

Não precisa se falar mais nada.

DEU NO JORNAL

UM BRADO PLANETÁRIO

A presença de Lula nos Estados Unidos teve um reforço adicional na segurança.

Não exatamente pelo receio de atentado.

A tensão é pelo elevado risco de protesto de brasileiros contra o petista.

* * *

Ao invés de “elevando risco”, conforme consta na nota aí em cima, a palavra “certeza” cairia bem melhor.

O grito “Lula Ladrão, teu lugar é na prisão” tornou-se um brado mundial, um lema planetário.

Onde o descondenado aparece, este refrão enche os ares.

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

MARIA PILAR, LA LAVADERA

No final dos anos 1960, eu tenente do Exército, servia na bela cidade do Recife de praias e mulheres lindas, de repente fui transferido para comandar a 9ª Companhia de Fronteiras, Roraima, em plena selva amazônica, tendo a dificultosa missão de fiscalizar e manter as fronteiras do Brasil com a Guiana Inglesa e a Venezuela. Trabalho árduo numa extensa e inóspita região, o que dignificou e aprazou minha passagem pelo Exército Brasileiro. A fiscalização constante de uma guarnição militar protegendo nossas fronteiras faz a diferença, a dedicação do militar brasileiro impõe o respeito de nossos vizinhos.

Tive oportunidade e conheci aquele vasto mundo, sua cultura, seus costumes peculiares e seculares. Viajei de jipe ou em pequenos aviões, sobrevoando e descendo na diversidade territorial da região, em campos de pousos que também eram campos de futebol. Conheci aldeias indígenas, como os Ianomâmis com seus problemas de saúde e inanição, insolúveis até hoje. Poucos médicos no Território. O Capitão Doutor Cyro teve muito trabalho além dos muros do quartel, às vezes chamado para atender doentes nos povoado montanhoso de Roraima.

Nada a reclamar, aprendi muito e tenho maior orgulho em ter servido ao país naquela rica região que poucos conhecem e muitos dão opiniões inadequadas.

Porém, nem tudo era trabalho, tive meus momentos de lazer e divertimento porque ninguém é de ferro.

Minha base era na pequena cidade de Boa Vista, eu morava numa casa junto ao quartel. Na cidade havia energia elétrica controlada; quando faltavam 10 minutos para 10 da noite, a iluminação pública piscava, era sinal que a cidade ficaria no escuro, hora de retornar às suas casas para a maioria dos cidadãos. Geralmente, à luz de um candeeiro, eu lia na varanda até mais tarde, até chegar o sono, ou conversava com meus colegas, um médico e um dentista, tomando um salutar uísque.

Nas primeiras semanas, estranhei uma mulher que passava à noite pela rua gritando com sotaque espanhol: “Lavadera, quién tiene ropa para lavar? Lavadera!!!”

Certa vez, eu estava com roupa suja acumulada num saco, chamei a lavadeira. Ela chegou à varanda sorrindo, andando feito uma potranca.

Surpreendi-me com a estampa de Maria Pilar, bela peruana, morena de olhos amendoados, vestia uma saia rodada estampada com flores coloridas com pernas bem torneadas. Solitário na varanda meu olhar se fixou na blusa branca decotada mostrando seios exuberantes. Ficou mais bonita à luz do candeeiro. Busquei um saco de roupa suja no quarto enquanto Pilar me esperava.

A lavadeira deu uma sonora gargalhada, caçoando de minha ingenuidade e confessou baixinho nos meus ouvidos: “Amor yo lavo otros tipos de cositas”. Pelo olhar matreiro da peruana percebi seu gênero de trabalho.

Pediu-me uma bebida, preparei duas doses de bom uísque, coloquei gelo tirado da geladeira a gás e conversamos. Bem humorada e num espanhol fácil de entender ela contou-me costumes de sua terra, Iquitos, cidade na Amazônia Peruana, onde as prostitutas apelam para a profissão de lavadeiras para oferecer outros tipos de serviços. Maria Pilar, boa menina, teria 25 anos, nos entendemos. Algumas noites ela aparecia para uma boa conversa na varanda, apreciando um bom uísque; excelente contadora de história, eu aprendi muito dos costumes da Amazônia.

Anos depois, lembrei-me de Maria Pilar, lendo um excelente romance do genial peruano Mário Vargas Llosa: “Pantaleão e as Visitadoras”, história baseada em fatos reais. Nos anos 70 o Exército Peruano organizou um serviço oficial de visitadoras (prostitutas) aos cabos e soldados que serviam na selva amazônica peruana guarnecendo as fronteiras, há mais de um ano sem ver mulher. O Serviço especial levava de barco jovens visitadoras recrutadas nos cabarés e nas ruas (as lavadeiras) de Iquitos. Beleza de livro, como são todos de Vargas Llosa.

Maria Pilar contou-me ter morado em Santiago, no Chile, onde as jovens garotas de programa frequentam alguns bares típicos, mostrando sua mercadoria. A esses bares deram o nome de café, ou melhor, “Café con Piernas”. Viajando em Santiago, se o amigo estiver em precisão, já sabe para onde se dirigir. No centro da cidade proliferam os “cafés con piernas”.

Pilar esteve também em Habana de Cuba no regime de Fidel onde a carona é uma instituição e os carros oficiais são obrigados a darem carona ao povo nas ruas. Muitas mulheres aproveitam a instituição da “botella” (carona) em busca de turistas para um programinha. Confessou minha amiga.

As histórias de Maria Pilar veem comprovar que em todos os lugares do mundo, em todas as épocas, sempre existiram essas jovens prestadoras de serviço sexual. Seja Cleópatra, uma rainha, ou Maria Madalena, uma santa. Nunca deixará de haver Messalinas. Prestam o serviço mais antigo do mundo. Aprendi muito com as conversas noturnas com la lavadera Maria Pilar.

DEU NO JORNAL

A INFLAÇÃO ACEITÁVEL PARA LULA

Editorial Gazeta do Povo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A inflação de janeiro de 2023 teve uma leve desaceleração em comparação com o mês anterior, e o acumulado dos últimos 12 meses manteve-se estável, segundo os números divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira, dia 9. O IPCA de janeiro foi de 0,53%, contra 0,62% de dezembro do ano passado, e o acumulado anual caiu apenas 0,02 ponto porcentual, passando de 5,79% para 5,77%, um centésimo abaixo da projeção registrada pelo Banco Central em seu Boletim Focus da última segunda-feira. No entanto, a tendência entre os agentes do mercado financeiro ouvidos no Focus é de alta – apenas quatro meses atrás, eles previam um IPCA de 5,36% para este ano – e, a julgar pelas primeiras sinalizações do governo, para Lula o verdadeiro problema do Brasil não é a inflação, mas o fato de a autoridade monetária estar empenhada em trazê-la para níveis realmente aceitáveis.

A meta de inflação atual para 2023 é de 3,25%, com 1,5 ponto porcentual de tolerância para cima ou para baixo – ou seja, o IPCA acumulado em 12 meses teria de cair para 4,75% para estar dentro daquilo que o Conselho Monetário Nacional consideraria aceitável. Mas Lula já deixou claro que não gosta de uma meta de inflação baixa. “[Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central] quer chegar à inflação padrão europeu? Não. Nós temos que chegar à inflação padrão Brasil”, afirmou o presidente em entrevista à RedeTV, em 2 de fevereiro, acrescentando que consideraria “de bom tamanho” uma inflação de 4% ou até 4,5% ao ano. “Padrão Brasil”, curiosamente, foi a mesma expressão usada em 2014 por Dilma Rousseff como contraposição ao “padrão Fifa” de excelência nos estádios da Copa do Mundo – na ocasião, a então presidente se referia a aeroportos que, segundo ela, não precisavam de “padrão Fifa”, bastando um “padrão Brasil” que, na verdade, era de insuficiência e precariedade.

É verdade que, com uma meta de inflação mais baixa, a autoridade monetária pode se ver forçada a lançar mão de uma política mais contracionista, elevando mais os juros, o que por sua vez inibe o crescimento econômico – esta é a raiz do argumento lulista. Mas ele precisa ser rebatido, e o ponto de partida para isso está em duas perguntas: faz sentido perseguir metas mais baixas de inflação? E elas são factíveis em um país como o Brasil? Quanto à primeira pergunta, é evidente que, se a inflação corrói o poder de compra dos cidadãos e ainda funciona como um aumento disfarçado de impostos (o que acabou de ficar escancarado na discussão sobre o reajuste da tabela do Imposto de Renda), inflação baixa é ótima notícia, especialmente para os mais pobres, que não conseguem economizar e investir para se proteger da desvalorização da moeda.

E um patamar de 3% de inflação anual é perfeitamente condizente com o perfil de economias emergentes. O Brasil não precisa necessariamente de uma demanda fraca motivada por crise econômica, como ocorrera em 2017 (quando o IPCA foi de 2,95%), para trazer sua inflação para baixo. Sem grandes choques externos de oferta ou demanda que bagunçassem preços internacionais com reflexos no Brasil, bastaria levar a sério as âncoras fiscais, realizar as reformas macroeconômicas e controlar o gasto público, fortalecendo a moeda e elevando a credibilidade do país junto ao investidor. Mas o “padrão Brasil” é outro: é a gastança desenfreada, é o manicômio tributário, são as reformas descartadas ou feitas pela metade, é o desprezo pela responsabilidade fiscal. Nestas condições, é mesmo muito mais difícil controlar a inflação; os juros altos brasileiros são, em boa medida, consequência da política fiscal expansionista do governo.

Mas, então, o que fazer? Continuar perseguindo metas mais baixas, insistindo na necessidade do ajuste e das reformas, como o Copom vem repetindo em suas atas e comunicados, ou simplesmente elevar a meta porque o país parece incapaz de fazer o básico que tem de ser feito? O bom senso recomenda a primeira opção, mas Lula escolheu a segunda, como um aluno medíocre que não quer estudar para conquistar o 10 e pede que a nota de aprovação baixe para 5 para não ter de se esforçar muito. Sua mensagem de tolerância para com a inflação, no entanto, é desastrosa para o país. A experiência mundial (não apenas brasileira) mostra que é muito mais difícil escapar de uma espiral inflacionária que de uma recessão – aliás, muitas recessões têm origem em inflação fora de controle. Aceitar mais inflação é convidar o dragão para se instalar novamente no meio da sala, e ele nunca recusa a oferta.

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

UM MAESTRO MAGISTRAL

Euler, Maestro Duda e Luiz, durante a entrega do “Diploma do Mérito Carnavalesco”.

Conheci o maestro Duda (José Ursicino da Silva) há pouco mais de 40 anos, quando comecei a produzir a primeira biografia sobre Capiba (Lourenço da Fonseca Barbosa). Em função da exiguidade do tempo procurei entre os famosos da época obter depoimentos que serviriam de enriquecimento àquela história.

Dessa maneira, me aproximei de gente ligada à música: maestros, compositores, dirigentes de clubes, sociólogos, jornalistas e escritores, que de alguma forma se vinculavam a essa arte maravilhosa cuja linguagem, sabemos ser universal.

Acabei compondo um livrinho que fez sucesso exatamente pelos nomes que ali estavam comentando sobre um dos maiores compositores de Pernambuco, livro que tomou por título: “Capiba, sua vida e suas canções”.

Aproveito para relembrar uma página que publiquei, assinada pelo jovem instrumentista, arranjador, orquestrador, compositor e regente; muito procurado pelos compositores para o complemento de suas obras, pois, é com os arranjos que as músicas se engrandecem na sua essência.

A primeira composição de Duda foi o frevo “Furacão”, apresentado pela banda da Saboeira, em sua cidade natal, Goiana.

Duda não só emoldura as pautas como domina bem o vernáculo e sabe falar com significativa simplicidade sobre o que lhes é solicitado. Escreveu assim, o maestro, em meu livro:

Comecei a ouvir falar sobre Capiba quando em 1950 ingressei como músico já Jazz Band Acadêmica, então dirigida por Dr. José Maria de Pádua Walfrido e somente depois vim a conhecer o compositor maior de Pernambuco.

Do trabalho antológico “Carnaval começa com o “C” de Capiba” participei com os músicos do inesquecível Nelson Ferreira. Estou hoje vinculado a Capiba, por especiais sentimentos. Sinto orgulho em ser um dos seus arranjadores preferidos.

Vale relembrar uma passagem. Quando certa feita procurei saber o que significava o Maestro Duda para Capiba e ele respondeu:

– Sem Duda eu estou “las-ado”!…

E continuou Duda em sua escrita:

Quando em 1974 foi fundada a Orquestra Popular do Recife, o 1º Concerto Oficial foi realizado com a apresentação de mais de 20 músicas de Capiba. Não poderia estar, portanto, Pernambuco vivendo esta festa maior que é a comemoração dos 80 anos de alguém que só nos tem dado alegrias; esse fabuloso ser humano e notável musicista chamado Capiba.

Os anos correram e Duda nunca perdeu o pique de arranjador e maestro. Sua orquestra é um dos símbolos de nossa terra, representação maior do nosso carnaval. E ele chega aos 90 anos inteirinho, embora auxiliado por uma cadeira de rodas, porque as pernas estão abatidas por muitas noites de pé, regendo sua orquestra, nos melhores clubes do Recife.

Há poucos dias, em iniciativa magistral, o produtor de discos e Presidente da Academia de Artes e Letras da AABB, Luiz Guimarães, levou ao clube fundado por Capiba – AABB Recife – a ideia de se criar a comenda: “Diploma do Mérito Carnavalesco”, logo adotado por seu Presidente, Euler Araújo de Souza.

Para dar refulgência ao agraciamento, a escolha do primeiro laureado recaiu sobre José Ursicino da Silva (Duda), aproveitando-se uma festa carnavalesca, há poucos dias, onde se fez homenagem póstuma a Levino Ferreira, um dos maiorais de nossa música.

Já com 90 anos, Duda se apresentou em cadeira-de rodas, deu entrevistas, foi abraçado, beijado, aplaudido e louvado como se fosse um santo. Se ofereceu para fotografias dos inúmeros fãs e recebeu o carinho de todos que estiveram naquela assembleia da Academia.

O fato legitimou o prestígio daquele menino que veio de Goiana para brilhar no Recife e o tem feito com uma maestrividade que pouco se conhece, regendo sua harmonia de vida como se estivesse ele próprio no auditório aplaudindo “o maior arranjador do século”, como bem o disse a instituição maior da música brasileira.

Na decoração, a AABB deu destaque a dois bonecos-gigantes, que serviram de cenário para as fotos e filmagens – o Capibão e o Luizão – enquanto o astro maior daquela manhã recebia mais u’a das legítimas manifestações de bem-querer do público que sempre se renova, mas não perde o embalo do frevo.

A homenagem autenticou, mais uma vez que Duda é um maestro magistral.

PENINHA - DICA MUSICAL