Segue para você, a beleza do poema O PERU DE NATAL, que minha saudosa Mãe, Dona Lia, gostava muito, e ensinou Diana a recitar.
Grande abraço, extensivo a Aline e João!
BOAS FESTAS!
O PERU DO NATAL – Cornélio Pires
No Natal, Sinhá Luzia da Portela pôs um peru debaixo da bacia, para comer nas horas de alegria… Mas em sonho o peru falou com ela… Sinhá Luzia, não corte minha goela! Quero lembrar Jesus na estrebaria! A senhora me mate noutro dia! Não me ponha no forno ou na panela! Sinhá Luzia acordou em desaponto, fez almoço pequeno, tudo pronto… Só mandioca, chuchu e broa quente. Quando o patrão pediu peru no prato, ela disse: Eu morro, mas não mato! Esse bicho é de Deus, que nem a gente!
R. Você alegrou e encantou o nosso domingo com esse poema do irreverente escritor paulista Cornélio Pires.
Desejo não apenas um feliz dia de Natal, mas que sejam felizes todos os dias do ano pra você, querida amiga.
Seria divertido, não fosse trágico, observar uma dezena de futuros ministros do governo Lula convidados para chefiar ministérios que não existem.
Sem fazerem a menor ideia sobre estrutura, número de cargos etc.
* * *
Francamente, num sei se é pra gente rir ou pra chorar com uma notícia feito essa aí de cima.
A volta e reinstalação do puteiro petralha (sem qualquer ofensa aos puteiros…) é pra deixar alarmado qualquer contribuinte e cidadão honesto deste país.
É trágico.
É pra chorar mesmo.
É phoda!
Xolinha ficou de tabaca arrombada com a formação do ministério do Ladrão
Sobre a mesa, o calhamaço das provas do ano inteiro, carinhosamente organizado pela professora Mundica. Ali estavam as provas práticas do sucesso na escola, culminado com a aprovação para o ano seguinte. Durante anos, quase sempre o primeiro, segundo ou terceiro lugar da classe.
Aquele calhamaço comprovava e esperava o reconhecimento paterno pelo esforço em retribuição ao investimento e zelo. Funcionava como se fosse aquela carta endereçada ao Papai Noel.
Não tínhamos lareira, nem árvore de Natal, mas sempre tivemos o fogo aceso da esperança.
Tão logo a claridade do dia se despedia, prometendo voltar diferente na manhã seguinte para satisfazer a ansiedade, deitávamos e sonhávamos de olhos abertos para tentar flagrar aquele velhinho vestido de vermelho, cabelos e barbas brancas, carregando um pesado saco de presentes.
Debaixo da rede, quando tínhamos entre 6 e 8 anos de idade, uma bacia velha de alumínio era colocada para proteger o piso rústico da casa da urina do menino Zé – tijolos de barro cozido, sem a tecnologia dos dias de hoje – e evitar a necessidade da lavação diária.
A “suíte” era ocupada por três irmãos em diferentes idades: eu, 8 anos; João Hélio, 6 anos; e Jandira, 5 anos. João e Jandira, são falecidos. Eu estou aqui, em lágrimas, “tentando” contar a história.
A boneca “negra” desejada por Jandira
Somente quando completei 12 anos foi que compreendi, de verdade, que Papai Noel não existia. Foi, digamos, minha primeira grande decepção, ter que aceitar que “pessoa tão bondosa” que se preocupava em atender os sonhos de milhões de crianças mundo à fora, não existia.
Que bom seria, viver num mundo com Papai Noel e todas as boas coisas que só nos proporcionam alegria. Como se fôssemos crianças. Para sempre, envolvidas nas nossas bolhas de pureza e inocência.
Pois, ao atingir 13 anos, e ter certeza que Papai Noel era o meu Pai e que ele não era muito afeito às roupas vermelhas, e, muito menos, era adepto de deixar cabelos e barba crescerem – aqueles esperados presentes de Natal envolvidos no papel do merecimento, foram transformados em serra tico-tico, martelo, pregos, cola e folhas de lixa, para que eu fizesse o meu próprio brinquedo. Sem ter que esperar pelo Natal.
Foram tantos os brinquedos! Uma diversão, na primeira bifurcação da vida.
Ganhei, a partir de então, o material para, com a bênção do Criador, construir minha própria vida, seguindo fielmente o “croqui” do Pai Celestial, sem precisar esquecer que, por alguns anos, Papai Noel existiu. Pelo menos nos meus sonhos e ansiedades.
Jandira, a caçula, sonhava em um dia ganhar de Papai Noel uma boneca “diferente” daquelas que a cada ano sacudia para ouvir o “choro” na manhã do dia 25. Como hoje!
– Zé, escreve a minha carta pro Papai Noel! Me pediu.
– O que você quer pedir pra Ele? Perguntei.
– Uma boneca diferente das outras que já ganhei. Respondeu.
Me pus a escrever a carta d´ela pro Papai Noel. Escrevi com letras “diferentes” – que hoje entendo ser um “grifo” – a necessidade de que a boneca fosse diferente das tantas que ela já recebera.
Claro que Papai Noel, bondosamente atendeu. Quando, alguns anos atrás, na manhã do dia 25 de dezembro, Jandira rasgou o papel que embrulhava a caixa do presente. Chorou de alegria, ao receber uma boneca “negra” feita de pano.
Coisa rara, que certamente não foi fácil para Papai Noel encontrar.
Nos dias atuais já não temos mais o Papai Noel, a bacia para aparar o mijo noturno, e nossos sonhos infantis de recebermos bonecas, carrinhos, pregos, martelos, serra tico-tico, cola e madeira foram transformados em celulares, tabletes, ou um cartão de crédito. Nossos sonhos ingênuos foram tolhidos e “deram pau” na nossa criatividade.
Como escreveu Saint-Exupèry: “já vem tudo pronto”!
Não sei por quais cargas d’água, quando pensei em escrever a mensagem de natal deste ano, para ler na ceia, com a família, só imaginei Zé Limeira glosando o mote “Viva o menino Jesus!”.
Longe de mim a pretensão de alcançar o nível do mito Zé Limeira. Mas imitar não é pecado.
Então escrevi essas estrofes:
Numa noite de natal, O sol brilhava no céu, Um justo virava réu, Um são ia pro hospital. Um famoso marginal Bebia um chá de cuscuz, Alguém acendeu a luz, O sujeito foi-se embora E gritou Nossa Senhora: Viva o menino Jesus!
Quando eu vi Papai Noel Montado numa galinha, Logo vi que ele não tinha Escrito nada em cordel. Veio vindo um coronel Chupando um pé de mastruz. Uma nuvem de urubus Pelo terreiro ciscava, Enquanto o povo gritava: Viva o menino Jesus!
Já comi peru assado, Mas joguei fora o caroço São Tomé, quando era moço, Jogou muito carteado. São João foi atropelado Por duzentos cururus. Deu três tiros de obus E fez a maior zoada, Gritando, de madrugada: Viva o menino Jesus!
Jesus nasceu num domingo, Segunda-feira falou, Terça, de tarde, pegou Um nó d’água e deu um pingo. João e seu amigo Ringo Foram nos maracatus, Pegaram a dançar nus, Sem o menor sobressalto. E o povo cantando alto: Viva o menino Jesus!
Vou chegando aos finalmente, Falando dos três reis magos Que foram muito bem pagos Pelo Coronel Prudente. Cada um trouxe um presente, E um ovo de avestruz. José, que usava um capuz, E tocava uma corneta, Escreveu na caderneta: Viva o menino Jesus!