DEU NO X

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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

XICO BIZERRA – JABOATÃO DOS GUARARAPES-PE

Meu Papa me arresponda
A que se deve o sumiço
Do cabaré do ‘Mauriço’
Onde quer qu’ele se esconda
Já fiz mais de 20 ronda
Perguntei ao fuxiqueiro
Tô precisando, ligeiro
Dar uma raparigada
Ah, que saudade danada
Desse tão lindo puteiro

Já perdi noite insone
Passei o dia acordado
Andei que fiquei cansado
E contratei um ‘aspone’
No Zap, no telefone
Ninguém sabe do Porteiro
De janeiro a janeiro
Minha busca deu em nada
Ah, que saudade danada
Desse tão lindo puteiro

R. Meu caro amigo e colunista fubânico, também estou em crise de abstinência!

Sem a nossa reunião cabarelística, as noites de sexta-feira perdem totalmente o seu encanto.

Parece que o gerente do puteiro, o colunista fubânico Maurício Assuero, doutorado academicamente e também um grande cientista na administração deste antro, tá enrolado até o gogó com sua agenda de trabalho.

E, pelo que me disse, ansioso pra que tudo volte ao normal.

Vamos aguardar que, com toda certeza, ele vai se manifestar aqui neste espaço. E vai tirar as dúvidas levantadas nesta sua inspirada mensagem rimada.

Vamos torcer pra que ele venha com boas notícias e confirme a assembleia putística de amanhã à noite!!!

Vou aproveitar a oportunidade e fechar essa postagem com uma obra-prima intitulada “Romeiros do Destino“, para embelezar o santo feriado do dia de hoje.

O autor é um gênio talentoso e um dos maiores ícones da cultura nordestina da atualidade. 

Um cabra que atende pelo nome de Xico Bizerra, amigo desse editor amostrado e colunista do JBF!!!

Quem quiser saber mais sobre essa figura admirável, é só clicar aqui.

Recomendo aos leitores que atentem para a beleza e para as sutilezas desta letra, um Hino em homenagem à Nação Nordestina e aos grandes nomes de sua história, como Padre Ciço, Mestre Vitalino, Lampião, Ariano, Gilberto Freyre, entre outros.

A interpretação é do artista Israel Filho.

E a declamação no final de vídeo é do autor da música, um cabra chamado Xico Bizerra!

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PERU, MAIS UMA TENTATIVA DE GOLPE NA AMÉRICA LATINA

Leonardo Coutinho

O ex-presidente do Peru, Pedro Castillo, destituído e preso nesta quarta-feira (7) após tentar um golpe de Estado|

O presidente do Peru, José Pedro Castillo Terrones, foi preso a caminho do exílio. Ele tentava chegar em uma embaixada bolivariana – qualquer uma que fosse (a do México era a mais provável) – para tentar escapar da armadilha que ele mesmo armou para o país. Poucas horas antes de se ver obrigado a fugir com sua família do Palácio Presidencial, ele tentou um autogolpe. Fechou o Congresso, decretou estado de exceção e anunciou um toque de recolher. Segundo ele, para salvar a democracia. Sempre a mesma desculpa.

Castillo foi o quarto presidente do país em pouco mais de dois anos. Desde que tomou posse em julho de 2021, ele nomeou cinco primeiros-ministros. Talvez nada represente mais a instabilidade do país que a dança de cadeiras entre seus principais líderes.

O agora ex-presidente partiu para o autogolpe para tentar barrar um processo de impeachment que estava sendo preparado. O terceiro. Certamente o que colocaria um ponto final em seu governo, que nem os seus apoiadores mais radicais e próximos seguiam dispostos a sustentar.

Seu plano de tentar um autogolpe foi para o espaço, pois além de ele não ter apoio do Congresso, ele não tinha suporte das Forças Armadas e sequer da população. Seu governo cambaleia desde o momento zero – sendo marcado por crises internas, protestos de rua e muita incompetência – e chegou ao final com uma aprovação abaixo de 24%. Sozinho, ele se viu enredado na própria trama.

Enquanto tentava se asilar em uma embaixada, teve o comboio que o levava interceptado por cidadãos que bloquearam as ruas que davam acesso às possíveis embaixadas que poderiam servir de refúgio. Enquanto fugia, o Congresso que ele tentou dissolver votou pela vacância da presidência. Uma espécie de reconhecimento de que Castillo havia abandonado as suas funções.

A tragédia institucional do Peru pode ser atribuída, em parte, ao legado sinistro da corrupção revelada pela Operação Lava-Jato. A roubalheira hemisférica da qual fizeram parte o pessoal do PT e as empreiteiras enredadas no esquema corroeu os frágeis pilares institucionais de um Peru que dava sinais de que havia encontrado o caminho da prosperidade e do desenvolvimento, tendo sido considerado o exemplo andino.

Talvez os impactos da Lava-Jato tenham sido mais profundos no Peru que no próprio Brasil. A versão peruana, derivada da investigação brasileira, chegou a quatro ex-presidentes. Um deles, Alan Garcia, se matou com um tiro na cabeça para não ser preso.

Pilhados na roubalheira, os políticos entraram em modo de autoproteção e a governabilidade e estabilidade do país foram implodidos. As crises afastaram os investidores e foram abertas as lacunas que vieram a ser preenchidas em seguida por estreantes como Castillo. Um populista de origem sindical, que liderava um movimento de professores e que apareceu no cenário nacional como o responsável para remediar os impactos da Covid-19 e curar as feridas do povo pobre peruano, que nunca esteve de fato entre as prioridades dos governantes locais.

Superficialmente, pode-se dizer que o Peru segue o clássico playbook latino-americano de golpes, golpes e golpes. E quem diz isso não está errado. Mas talvez valha a pena ver um pouco além. Golpes e autogolpes como essa tentativa de Castillo ou como foi o golpe de Hugo Chávez, em 1992, não necessariamente tendem a acontecer tão claramente e com todos os elementos da receita tradicional.

Assim como as guerras evoluíram e a convencionalidade se tornou a versão excepcional. Os golpes com presidentes fechando Congresso ou tanque nas ruas também são as versões mais raras desse tipo de subversão à ordem democrática.

Na América Latina e fora dela, os golpes mudaram de nome. Não usam farda e muitas vezes são executados sem estardalhaço e de forma gradual. A construção de narrativas, a usurpação de poderes, a tolerância de violações constitucionais, o silêncio ou o escândalo fazem parte de um jogo não muito transparente, mas que preparam o terreno para a corrosão institucional.

A defesa da democracia que Castillo evocou em seu autogolpe fracassado é a mesma defesa da democracia que virou cacoete de linguagem no Brasil? É a mesma defesa da democracia que levou empresas de tecnologia como o Twitter a interferir em processos eleitorais? Seria esse o mesmo pretexto que fez com que a imprensa em várias partes do mundo livre assumisse jogar como linha auxiliar de candidaturas salvadoras? Castillo vinha dando um golpe a cada dia. Vinha sofrendo um golpe a cada dia. A coisa caminhou de tal maneira que chegou aonde chegou.

Castillo, desde a sua campanha, passando por sua vitória, posse, governo e queda, é a mais perfeita caricatura do que é a política peruana e latino-americana. Sua sucessora, Dina Boluarte, é ainda mais obtusa que ele. A nova presidente do Peru é um títere de um ex-aliado de Castillo, que rompeu com ele por não ter sido fiel às promessas de um Peru socialista. Sob as ordens de Vladimir Cerrón (que é discípulo de Nicolás Maduro e unha e carne com Evo Morales), a nova presidente tende a ser mais um capítulo da tragédia do nosso vizinho Peru.

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GOLPISMO DE ESQUERDA FRACASSA NO PERU

Editorial Gazeta do Povo

Manifestantes contrários a Pedro Castillo nas ruas de Lima, após decisão do Congresso que reagiu a um autogolpe destituindo o presidente

Durou pouquíssimas horas a aventura golpista de Pedro Castillo, agora ex-presidente do Peru, deposto pelo Congresso e preso pelo Exército após uma tentativa de autogolpe para escapar de um impeachment. Na manhã desta quarta-feira, dia marcado para o Legislativo peruano votar a cassação de Castillo, ele foi à televisão, anunciou a dissolução do Congresso unicameral do país, a convocação de novas eleições parlamentares e a redação de uma nova Constituição, uma “reorganização” do sistema judiciário e um toque de recolher que deveria durar das 22 horas de quarta-feira até as 4 horas da madrugada de quinta-feira. O Congresso desafiou a ordem de dissolução, cassou Castillo e deu posse à vice Dina Boluarte.

Apesar de ter posições mais conservadoras na pauta de costumes, Castillo se elegeu presidente em 2021 pelo Peru Livre, partido de extrema-esquerda membro do Foro de São Paulo – ele deixou a legenda por divergências internas em 2022. Com dificuldades para governar devido à oposição do Congresso, de maioria direitista, e encurralado por denúncias de corrupção, ele recorreu ao artigo 134 da Constituição peruana, que efetivamente permite ao presidente dissolver o Congresso, mas apenas “se este tiver censurado ou negado sua confiança a dois Conselhos de Ministros”. No entanto, isso ainda não tinha ocorrido: o Legislativo ainda não havia chegado a analisar a indicação de Betssy Chávez, investigada por tráfico de influência, como primeira-ministra, e havia controvérsia sobre o fato de já ter havido uma primeira moção de desconfiança contra algum dos outros quatro primeiros-ministros anteriores desde que Castillo assumiu a presidência.

Para completar a lista de ilegalidades, a Constituição não faculta ao presidente nenhuma das outras medidas de exceção anunciadas por Castillo – o estado de emergência previsto no artigo 137, por exemplo, só pode ser decretado com a anuência do Conselho de Ministros, mas boa parte do gabinete se colocou contra o autogolpe, a ponto de vários ministros terem apresentado sua renúncia logo depois do anúncio presidencial. O paradoxo de “estabelecer um governo de exceção orientado a restabelecer o Estado de Direito e a democracia”, como afirmara o presidente na televisão, era tão evidente que, além do Congresso, dos membros do gabinete e até do advogado de Castillo, também o Judiciário e as Forças Armadas se recusaram a endossar o golpe.

Na ausência do requisito constitucional, tudo indica que o gatilho para o autogolpe realmente foi a iminência da votação do impeachment. Esta seria a terceira “moção de vacância” que Castillo enfrentaria, tendo escapado de outras duas porque a oposição não conseguira juntar os 87 votos necessários para tirá-lo do governo – apenas 46 e 55 deputados, de um total de 130, votaram pelo impeachment nas ocasiões anteriores. O desfecho poderia muito bem se repetir, mantendo o presidente no poder, mas Castillo não quis pagar para ver; sua atitude, no entanto, acabou sendo o impulso que faltava para que o Legislativo deixasse de apoiá-lo definitivamente: a cassação veio com 101 votos.

Termina assim, portanto, uma carreira política marcada por uma boa dose de incompreensão a respeito do que realmente é a democracia. É verdade que foi o voto popular que levou Castillo ao poder; mas, ao afirmar, durante o anúncio do autogolpe, que a oposição queria “dinamitar a democracia e ignorar o direito de escolha” dos peruanos, além de “aproveitar e tomar o poder que o povo retirou deles nas urnas”, o então presidente ignorava que aquele mesmo voto popular havia escolhido, no mesmo dia do primeiro turno da eleição presidencial, o parlamento que agora o contestava. Ainda durante a campanha Castillo afirmara que, se o Legislativo não endossasse seu programa de governo, ele haveria de fechar o Congresso mais cedo ou mais tarde, demonstrando aquela incapacidade de lidar com a divergência que é marca de muitos segmentos da esquerda latino-americana; que essa mentalidade tenha saído derrotada no Peru é uma vitória para a democracia na América Latina.