WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

TENHO PRESSA DE VIVER

Preciso me divertir,
Tenho pressa de viver.

Mote da poetisa Mira Ira

Atendendo à Poetisa
No seu pedido poético
Larguei meu lado patético
De rancor e ojeriza
Resolvi dar uma pisa
No monstro do padecer
O castelo do sofrer
Eu já mandei implodir
Preciso me divertir,
Tenho pressa de viver.

Já fiz aquele resgate
Do qual havia falado
Meu coração libertado
Feliz da vida hoje bate
Neste meu peito de vate
Que me inspira a descrever
A bonança do querer
Com o prazer de sorrir
Preciso me divertir,
Tenho pressa de viver.

Para o alvo da razão
Hoje tenho a minha mira
Aquilo que me iludira
Agora é recordação
Vou ensinar a lição
A quem quiser aprender
Sei que irão enaltecer
Meu jeito de transmitir
Preciso me divertir,
Tenho pressa de viver.

DEU NO JORNAL

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

LUIS MEZETTI – VITÓRIA-ES

Berto

Um texto magnifico. Vale a leitura.

“Não foi o Capitão quem decidiu resgatar nossa gente da sanha dos vermelhos. Foi o povo brasileiro, exausto de tanta destruição e de tanto atraso, que escolheu aquele líder como a ponta da lança de sua cruzada, rumo ao lugar de destaque que bem merece neste mundo a um passo de ser dominado pelo mal universal do comunismo escravagista, ateu e assassino, que acabou por se travestir de algo surreal denominado de “globalismo” ou de outros “ismos” igualmente degradantes.”

Para ler na íntegra, basta clicar aqui.

DEU NO JORNAL

O CRÉDITO DE GUEDES

Ao explicar a ampliação na oferta de crédito, o ministro Paulo Guedes (Economia) exalta o Pronampe, que liberou mais de R$ 1 bilhão ao dia.

“Não será por falta de crédito que o varejista terá problema”, garantiu.

* * *

Um bilhão ao dia.

Putz!!!

Quando li essa nota, me veio uma ideia à cabeça:

Vou transformar o Complexo Midiático Besta Fubana em uma empresa de varejo.

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

AS BRASILEIRAS: Cora Coralina

Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas nasceu na Cidade de Goiás (ou Goiás Velho), GO, antiga capital do estado, em 20/8/1889. Poeta, contista e doceira, com seu estilo simples e alheio a escolas literárias, é considerada uma das maiores poetas brasileiras. Publicou seu primeiro livro aos 75 anos, mesmo escrevendo desde a adolescência.

Filha de Jacyntha Luiza do Couto Brandão e Francisco de Paula Lins dos Guimarães Peixoto, desembargador nomeado por D. Pedro II. Concluiu apenas o curso primário e passou a escrever os primeiros textos aos 14 anos, publicando-os mais tarde em jornais da cidade e outros locais. Seus primeiros textos foram publicados no jornal Tribuna Espírita, do Rio de Janeiro, em 1905. Publicou seu primeiro poema – “A tua volta” – no semanário Folha do Sul, da cidade de Bela Vista, em 1906, e no semanário A Rosa, em 1907, fundado por ela junto com as amigas Leodegária de Jesus, Rosa Godinho e Alice Santana.

Por essa época, frequentou o “Clube Literário Goiano” e escreveu o poema evocativo “Velho Sobrado”. O primeiro conto – Tragédia na roça”’ – foi publicado em 1910, no Anuário Histórico e Geográfico do Estado de Goiás. Neste ano seu padrasto faleceu; a família passou por uns perrengues e ela adotou o pseudônimo “Cora Coralina”. Aos 22 anos conheceu o advogado Cantídio Tolentino de Figueiredo e fugiu com ele para Jaboticabal, SP, onde nasceram seus 6 filhos. Em 1922 ficou sabendo da Semana de Arte Moderna na capital e manifestou interesse em participar do evento, mas foi dissuadida pelo marido.

Dois anos depois, mudou-se para a capital em plena “Revolta Paulista”, comandada pelos tenentes contra o presidente Arthur Bernardes. Em 1926, casou-se de papel passado. Com o falecimento do marido, em 1934, vendeu a pensão que mantinham e passou trabalhar para o editor José Olympio na venda de livros. Pouco depois Mudou-se para Andradina; montou loja de retalhos de tecidos; comprou um sítio; candidatou-se a vereadora, mas não se elegeu. Retornou à Goiás em 1956, aos 67 anos, e voltou a viver em sua velha “Casa da Ponte”, no centro da cidade. Escreveu o panfleto “Cântico da volta”; retomou a escrita de poemas e passou por uma transformação que ela mesma definiu como a “perda do medo”.

Seu primeiro livro publicado – Poemas dos becos de Goiás e estórias mais (1965), aos 75 anos, pela Editora José Olympio, foi bem recebido pelo público e crítica. Porém foi com a 2ª edição, em 1978 pela Editora da UFGO, que passou a ser admirada em todo o País. A edição primorosa foi saudada por Carlos Drummond de Andrade numa crônica publicada no Jornal do Brasil, em 27/12/1980, após ler seu poema “Vintém de cobre”: “Minha querida amiga Cora Coralina: Seu Vintém de Cobre é, para mim, moeda de ouro, e de um ouro que não sofre as oscilações do mercado. É poesia das mais diretas e comunicativas que já tenho lido e amado. Que riqueza de experiência humana, que sensibilidade especial e que lirismo identificado com as fontes da vida! Aninha hoje não nos pertence. É patrimônio de nós todos, que nascemos no Brasil e amamos a poesia”.

A 3ª edição saiu em 1980 pela Editora da UFGO, incluída na “Coleção Documentos Goianos”. Pouco depois publicou Vintém de cobre: meias confissões de Aninha (1983) pela Editora Global. Por essa época, aos 95 anos, a saúde deu sinais de alerta e veio a falecer, lúcida, em 10/4/1985. A casa onde viveu, no centro da cidade, foi transformada em “Museu Casa de Cora Coralina”, em 20/8/1989, na comemoração do centenário de seu nascimento. 20 anos depois, O Museu da Língua Portuguesa prestou-lhe homenagem com a exposição “Cora Coralina – Coração do Brasil”, em 2000. Em Goiás, a Secretaria de Turismo inaugurou o “Caminho de Cora” (caminho dos antigos bandeirantes), um trecho de 300 km. ligando Vila Boa a Corumbá de Goiás.

Em 2019, na comemoração do seu 130º ano de nascimento, o Governo de Goiás decretou o “Ano Cora Coralina”. Deixou mais de 15 livros publicados e bastante material inédito em seus cadernos escolares para alguns livros póstumos. Conta com dezenas de obras biográficas, críticas literárias, teses e dissertações publicadas: Cora coragem; Cora poesia, de Vicência Bretas Tahan (Ed. Global, 1989), Cora Coralina: celebração da volta, de Darcy França Denófrio e Goiandira Ortiz de Camargo (Cânone Editorial, 2006) e Cora Coralina: raízes de Aninha, de Clóvis Carvalho Britto (Ed. Ideias & Letras, 2011) entre outros.

Foi contemplada com diversos prêmios e títulos: Doutora Honoris Causa pela UFGO (1983); Intelectual do Ano, com o Prêmio Juca Pato, da UBE-União Brasileira dos Escritores (1983); condecoração póstuma com a Ordem do Mérito Cultural do Governo de Goiás (2006). Em seu túmulo no cemitério São Miguel, na Cidade de Goiás, está registrado:

“Não morre aquele
Que deixou na terra
A melodia de seu cântico
Na música de seus versos”

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JACOB FORTES – BRASÍLIA-DF

SONHO INFIEL

A literatura cearense noticia uma pitoresca história cuja autoria é atribuída ao engenhoso poeta Lourival Batista, a quem parabenizo pela invencionice e, ao mesmo tempo, peço licença para recontá-la. Prometo não desfigurar o original, porém, faz-se necessária uma demão dos meus particulares temperos, eventualmente jocosos. Reconto para saciar esta minha vaidosa mania de querer ser repórter cultural, é um vezo incorrigível, pelo qual peço desculpas.

João Tertuliano ganhou o apelido de “João teimoso” pela teimosia de jogar no “bicho”, continuadamente. Certa feita João teve um sonho que lhe dizia:

– João, amanhã cedinho você ouvirá o nome do bicho a ser sorteado, fique atento.

Ao despertar, no dia seguinte, João, ávido por conhecer o prometido em sonho, ardia de expectativa. A primeira coisa que lhe veio aos ouvidos foi o vozear do vizinho transmitindo ordens ao seu empregado, José Leão. Disse o vizinho ao empregado:

– José Leão, acorde que o galo já cantou, calce as botas de couro de camelo para evitar mordida de cobra. Leve o touro e a vaca, ponha ambos no roçado. De volta traga o burro, ou o cavalo, e vá à casa do compadre João Carneiro, Rua Coelho Neto, esquina com Pavão Misterioso, número vinte e quatro. Tenha cuidado com o cachorro, valente igual a urso, inclusive mordeu o elefante do circo. Tenha moderação com o compadre, pois ele é zangado feito tigre. Peça-lhe emprestado o macaco, a chave borboleta e o alicate jacaré. Ponha tudo na bolsa de couro de avestruz. Volte ligeiro, como a um gato. Passe no armazém e traga a ração dos perus.

Com a mente literalmente desarrumada pelo excesso de palpites, João Teimoso não jogou, passou o dia amuado. O sonho, promesseiro, se recusou a cumprir o prometido. Aliás, nos sonhos, e em tudo mais de natureza onírica, radicam elevados índices de insegurança. Nisso há que se ter cuidado redobrado. Apesar de balsâmicos, sonhos podem ser ilusivos; não se deve fiar neles, inteiramente. “Confiar desconfiando é uma regra muito salutar da prudência humana”.

FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

UMA ALEGORIA AINDA PLENAMENTE VÁLIDA

Essa é uma metáfora de caráter filosófico-pedagógico que exibe um diálogo entre o pensador e mestre de Platão, Sócrates, e a personagem Glauco, um jovem aprendiz.

A partir de um conto cheio de simbologias, Platão nos apresenta conceitos e situações que versam sobre a busca pelo conhecimento, em contraste com a ignorância e a manipulação, a incultura, o ódio, o sectarismo e a brochalidade mental de muitos.

A história integra se encontra no livro VII de A República, obra em que o autor se debruça sobre a vida política ateniense, texto escrito aproximadamente no século IV a.C.

Segundo dados pesquisados, nessa metáfora Sócrates pede que Glauco imagine uma situação hipotética em que várias pessoas são mantidas acorrentadas no fundo de uma escura caverna subterrânea.

À frente dos prisioneiros havia apenas uma parede, onde eram projetadas sombras de figuras representando seres, animais e outros elementos.

Essas projeções eram feitas por outras pessoas (que podem ser denominadas como “amos da caverna“) com o auxílio da luz de uma fogueira, que se encontrava atrás da população acorrentada.

Os amos da caverna elaboraram esse esquema, acorrentando as pessoas desde o nascimento delas, levando-as a acreditar que são livres. Assim, eles as estimulavam a trocar ideias entre si e, inclusive, a escolher um líder.

Como a única realidade que os prisioneiros conheciam era aquela, eles acreditavam que as sombras exibiam o mundo real, que tudo o que havia para ser explorado no universo eram as projeções. Então contentavam-se com aquele espetáculo e não tinham outras aspirações.

Entretanto, contrariando as expectativas, um dos prisioneiros começa a refletir sobre sua condição e percebe que existe algo de muito errado. Assim, um dia ele consegue se libertar e caminhar pela caverna, percebendo a fogueira, os amos e as silhuetas.

O homem liberto, à princípio, sente um enorme desconforto, não consegue enxergar nada, pois a vida inteira esteve aprisionado e seus olhos não estavam acostumados com a luminosidade. Entretanto, aos poucos desenvolve um olhar capaz de lidar com o mundo exterior.

A partir de então passa a ver a realidade e viver outras experiências que não eram possíveis dentro da escura cavidade.

Após um tempo explorando o novo mundo, o homem sente a necessidade de contar aos seus pares o que havia descoberto.

Então, no diálogo proposto por Platão, Sócrates diz para Glauco supor o que aconteceria se tal homem retornasse à caverna a fim de “abrir os olhos” de seus irmãos.

Eles chegam à conclusão de que o homem seria rechaçado por muitos dos prisioneiros, que não acreditariam nele e o tomariam como louco.

Para Platão, a caverna simbolizava o mundo onde todos os seres humanos vivem. As sombras projetadas em seu interior representam a falsidade dos sentidos, enquanto as correntes significam os preconceitos e a opinião que aprisionam os seres humanos à ignorância e ao senso comum. Platão então descreve a importância do senso crítico e da razão para que os indivíduos possam se “libertar das correntes” e buscar o conhecimento verdadeiro, representado pelo mundo exterior à caverna.

O Mito da Caverna chama atenção por manter-se atual. A alegoria de Platão pode ser interpretada como uma crítica aos que, por preguiça, falta de interesse e oportunismo, não questionam a realidade e aceitam as ideias impostas por grupos dominantes.

Podemos traçar um paralelo com essa alegoria e a realidade atual no que diz respeito, por exemplo, à ânsia de adquirir bens de consumo, acreditando que assim será possível o preenchimento de um vazio existencial.

Os amos da caverna podem hoje simbolizar os políticos e grandes empresários, donos de verdadeiras fortunas conquistadas com a manipulação das pessoas e a venda de produtos, alguns até desnecessários. Seguindo esse raciocínio, é possível relacionar a publicidade e os modismos às sombras projetadas na caverna.

A busca pelo conhecimento, continua sendo, portanto, essencial para que um dia os seres humanos consigam alcançar a verdade e promover uma integral libertação.

Uma questão final: será que os poderes dominantes incultos não estimulam um bom sistema educacional por interesses radicalmente nada racionais, cavernosos no frigir dos ovos?

PS. Uma excelente leitura complementar: O PONTO A QUE CHEGAMOS: DUZENTOS ANOS DE ATRASO EDUCACIONAL E SEU IMPACTO NAS POLÍTICAS DO PRESENTE, Antônio Gois, Rio Janeiro, FGV, 2022, 208 p. Páginas que aprimoram binoculizações redentoras.

PENINHA - DICA MUSICAL