MAURINO JÚNIOR - SEM CRÔNICAS

A IGREJA NÃO MATOU CIENTISTAS POR AMOR A DEUS. MATOU (E PERSEGUIU) PARA PROTEGER O PRÓPRIO “PODER”

Não, a Igreja não matou cientistas por amor a Deus.

Isso é a versão açucarada que se conta aos ingênuos e aos que confundem incenso com ética.

Ela matou, perseguiu, silenciou e difamou para proteger poder. Puro. Nu. Cru.

Porque Deus jamais terá medo de um telescópio.

O problema nunca foi Copérnico; Nunca foi Galileu; Nunca foi Giordano Bruno olhando para o céu e ousando pensar que o Universo não girava em torno de um trono em Roma. O problema sempre foi este: quem controla a narrativa, controla o mundo.

Durante séculos, a Igreja não foi apenas uma instituição religiosa. Foi Estado, banco, cartório, tribunal, polícia moral e editora oficial da realidade. Questionar o modelo cosmológico era questionar a autoridade. Questionar a autoridade era ameaçar o sistema. E ameaçar o sistema… bem, isso nunca foi tolerado por nenhum poder estabelecido — seja ele coroado, fardado ou ungido.

Dizer que a Terra gira em torno do Sol não era apenas uma afirmação astronômica.

Era uma heresia política. Porque, veja bem: se a Terra não é o centro do Universo, talvez o homem não seja o centro da criação, e se o homem não é o centro da criação, o papa não é o porta-voz exclusivo de Deus.

Percebe o efeito dominó? Giordano Bruno não morreu porque falava de infinitos mundos. Ele morreu porque ousou dizer que o cosmos não precisava de autorização clerical para existir. Foi queimado não por blasfêmia divina, mas por insubordinação metafísica. Galileu não foi condenado porque estava errado.

Foi condenado porque estava certo demais, com evidências demais, num mundo que preferia dogmas confortáveis a verdades desconcertantes.

A Igreja não defendia Deus. Defendia o monopólio do sentido. E isso é o que mais incomoda até hoje: não foi um erro de época; foi um padrão de comportamento. Toda instituição que se diz dona da verdade absoluta inevitavelmente vê o pensamento livre como ameaça. A Ciência não pede fé; pede método. Não exige submissão; exige evidência. E isso, para qualquer poder autoritário, é veneno.

Por isso ainda hoje vemos ecos desse passado grotesco: gente perguntando “prove que a Terra é redonda” com a convicção de quem acha que dúvida ignorante é profundidade filosófica; gente tratando opinião como equivalente a conhecimento; gente desconfiando de telescópios, satélites, físicos e matemáticos, mas, acreditando piamente em vídeos mal editados com trilha dramática no YouTube.

A Idade Média não acabou.

Ela só ganhou Wi-Fi.

E aqui está a ironia final, deliciosa e cruel: a mesma Igreja que perseguiu cientistas, hoje posa para fotos com astrônomos do Vaticano, mantém observatórios e fala em “harmonia entre fé e razão”. Claro. Depois de perder o poder de matar, descobriram o diálogo. É fácil ser tolerante quando já não se controla a fogueira. Mas a História não esquece.

E o Universo — indiferente, vasto, silencioso — continua girando, expandindo, criando estrelas e destruindo mundos sem pedir bênção a ninguém. A verdade não precisa de altar. Nunca precisou. E talvez seja isso que mais assuste quem sempre viveu de joelhos… não diante de Deus, mas diante do próprio poder.

PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO X

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OSCAR DE MELHOR ESCÂNDALO

Guilherme Fiuza

No talk show de Jimmy Kimmel, Wagner Moura diz que Bolsonaro inspirou seu filme e chama 2018-2022 de fascismo. O Brasil que ele leva ao Oscar é outro

Wagner Moura é o Brasil no Oscar. Será? Que Brasil? Em entrevista no talk show de Jimmy Kimmel, o ator agradeceu, em inglês, a Bolsonaro pela realização de “O agente secreto”. Ele diz que, de 2018 a 2022, o Brasil esteve sob um governo fascista — e isso inspirou a realização do filme. O Brasil de Wagner é outro.

O eterno Capitão Nascimento é amigo de Lula. Esse é o Brasil dele. Nesse Brasil, Wagner frequenta o palácio do governo. Vorcaro também já esteve lá algumas vezes. Cada um com seus propósitos.

“O agente secreto” teve financiamento de várias fontes, inclusive estrangeiras. Tudo correto, proporcional ao prestígio do protagonista. Uma dessas fontes foi o Fundo Setorial do Cinema Brasileiro, administrado pelo poder público.

Wagner obteve 7,5 milhões de reais. Ele não vê problema em ser um frequentador do palácio, um amigo do presidente e ser escolhido pelo governo para receber uma verba expressiva como essa.

Não há ilegalidade. E, se está normalizado cachê para titular de ministério pago por quem tem interesses no governo, ninguém mais haverá de se constranger com nada.

Claro que ele não consegue citar ameaças às liberdades entre 2018 e 2022, quando diz que a liderança fascista tomou conta do país. Também não cita as alianças do PT com ditaduras, nem o pedido de Lula para que o presidente da China envie alguém para ajudá-lo a regular as redes no Brasil.

Nenhuma palavra sobre o povo massacrado no Irã ou na Venezuela, tiranias sintonizadas com o petismo. Nenhuma palavra também sobre seu próprio filme, que lhe rendeu a indicação ao Oscar — e que, afinal, era o motivo da entrevista. Wagner queria falar de Bolsonaro.

“Ele é anti-gays, anti-mulheres, anti todo mundo”, disse Jimmy Kimmel, como se soltasse um panfleto com acusações que lhe deram na telha. O entrevistado aprovou o show de leviandade e completou que Bolsonaro é o Trump brasileiro. Com a diferença de que “o nosso Trump está preso”, emendou o ator, morrendo de rir.

O deboche e a zombaria são permitidos em sociedades livres. Já a possibilidade de crítica a regimes como o que hoje governa o Brasil não tem sido algo tão tranquilo e seguro como a pilhéria de Wagner. Qual Brasil irá ao Oscar? Depende de quantos escândalos caibam debaixo do tapete vermelho.

DEU NO X

DEU NO JORNAL

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO JORNAL

DE QUEM É A CASA?

Deltan Dallagnol ironizou punição por chamar o STF de “Casa da mãe Joana”, em 2022.

O ex-deputado diz que estava enganado e que, na verdade, a suprema corte é “a casa do Daniel Vorcaro”.

* * *

Tu para com isso, Deltan…

Deixa de fazer ironias e gozações com a mais respeitável casa deste país altaneiro.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

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