JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

OS SONS RIDÍCULOS QUE GOSTAMOS

Hoje sairemos da seriedade formal que impusemos a nós mesmos, quando recebemos o “convite” do então Papa Berto para colaborarmos com essa esculhambação que passamos a chamar de JORNAL DA BESTA FUBANA, o café da manhã de qualquer pessoa lúdica.

Voltaremos ao Túnel do Tempo, e assumiremos nossa verve cearense de tentar fazer “graça”, como se cômicos fôssemos. Traduzindo: vamos dar um passeio na sacanagem – e, sinceramente, não encontramos lugar melhor que este. Principalmente num domingo chuvoso, onde peidar balançando na rede tacando o pé na parede é o “azulzinho” que levanta qualquer astral.

Que eu me lembre bem, foi o Santo Papa Berto o descobridor do ato de peidar. Segundo teses e teorias pesquisadas e apresentadas em Harvard, Berto é o candidato mais forte e o virtual ganhador do Prêmio Nobel do Peido, que será anunciado no próximo dia 30 de fevereiro deste ano de 2025.

Defendendo a tese, em livro inédito de quase 600 peidos, ops! quase 600 páginas, Berto desenvolveu uma tese, onde afirma que, “mijar peidando é a mais lúcida e elogiável forma de tratamento conhecida da velhice”.

Aprendeu e desenvolveu (como faria tamanha afirmação, não fosse a prática, num determinado banco de determinada praça em Palmares, próspero e peidável município pernambucano?) jogando e ganhando na Roleta do Cu-Trancado – esse tem problemas, exatamente por trancar o fiofó para não peidar quando faz rolar a roleta.

Pois, eis que, deitado naquela rede tijubana descolorida após uma suculenta feijoada de fava rajada com pés, orelhas, rabinhos e costeletas de porco, e uma boa talagada de cachaça Sanhaçu, tacando o pé na parede, usufruímos de um som que foi partida inicial para muitas valsas vienenses – o acalento do barulho feito pelo “ranger” do armador de rede enferrujado.

Um barulho que jamais esqueceremos. Principalmente se, entre uma tacada de pé na parede e outra, coçarmos a frieira na beirada da rede – e, aqui e acolá, peidando!

Mijar peidando é prêmio e início de qualquer terceira idade!

Todos merecemos essa indispensável experiência. Né não Pancho e Jesus de Miúdo?

Armador de rede enferrujado

Quem não gosta de som, é o cachorro. Tem medo. Corre léguas, como se estivesse correndo atrás de um carro nas cidades do interior, quando escuta explosões de fogos juninos.

Mas, eu, gosto de sons, tanto quanto Ariano Suassuna gosta de doidos. Sons inebriam, fazem sonhar e nos transportam para as estrelas como se fossem uma poesia do Xico Bizerra nas suas melhores performances.

Duas cigarras cantando

Agora, existem outros sons, claro. Todos bons de ouvir. O som da sirene tocando o fim do expediente, ou o som da sirene tocando a hora do recreio no colégio, coisas maravilhosas!

Ouvir o som da sirene do carro-pipa dos Bombeiros chegando para apagar qualquer incêndio, contrastando com o som da ambulância para levar algum paciente ao hospital, um é bom, o outro, não.

E, finalizando, vi dia desses, o paraibano Zé Lezin, num vídeo do Tik Tok, teorizando sobre o som – claro que, muito distante da tese do mijar peidando desenvolvida pelo Papa Berto – afirmando, entre tantas coisas que, o som de uma jovem mijando num vaso sanitário, se assemelha muito com o cântico de duas cigarras naquela ópera sertaneja; e, acrescenta Lezin, que, o som de uma idosa mijando, se assemelha muito com o som produzido por um cachorro bebendo água numa lata.

PQP!

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

PROFISSÕES – SERÁ QUE EVOLUÍMOS?

O passado me faz bem. Gosto muito do meu passado e os sofrimentos da infância no seco sertão do Ceará serviram como limadores rítmicos e polidores da minha (nossa) vida.

O que nos machucou na juventude, também já entrou no livro dos acasos e dos incentivos para vencer na vida, sem tergiversar ou prejudicar o próximo.

Aprendemos, no passado e com o passado, a respeitar o próximo (e até o adversário, caso exista), e se necessário, conviver com ele de forma harmoniosa e sem rancor.

Por ter me proporcionado felicidade, o passado me faz bem. Gosto do passado, e das coisas do passado – tanto que devo seguir o conselho matuto de Jessier Quirino e arrumar as malas para viver em Pasárgada. Vou-me embora para lá.

Hoje resolvemos falar um pouco de duas profissões tão importantes num passado não tão distante, que o tempo e o modernismo atual estão destruindo, mandando-as para o “Asilo dos Velhos e Imprestáveis”.

Quero falar do Alfaiate e do Sapateiro.

“O único homem que eu conheço que se comporta sensatamente é o meu alfaiate; ele toma minhas medidas novamente a cada vez que ele me vê. O resto continua com suas velhas medidas e espera que eu me encaixe nelas”. George Bernard Shaw

Nossa mania brasileira de arrumar dia para toda profissão, determinou que, o dia 6 de setembro sempre foi dedicado ao Alfaiate.

Recorri profissionalmente a um Alfaiate, depois de adulto e quando passei a comprar tecidos para fazer roupas. Durante os anos que morei no Rio de Janeiro, por conta do clima frio ao qual não estava acostumado, me habituei a comprar tecidos na loja R. Monteiro, a maior do ramo, que funcionava na Rua Uruguaiana – recentemente voltei ao Rio e não encontrei mais a loja.

Antes, todas as roupas (não havia o hábito de comprar roupas feitas nas lojas) que usei foram feitas por Costureiras. Me senti realizado quando, pela primeira vez precisei ir ao Alfaiate, para que ele “pegasse minhas medidas”. Me senti mais realizado, ainda, quando fui pela primeira vez “provar” uma roupa feita pelo Alfaiate.

Pois, no modernismo de hoje, lamentavelmente, começamos a perceber que o Alfaiate está sumindo. Está deixando de ser a profissão respeitada que sempre foi, com a qual muitos pais mantiveram honestamente suas famílias.

Alfaiate

A outra bela e nobre profissão é a do Sapateiro. Sempre foi o Sapateiro quem moldou nossos sapatos para que não sofrêssemos tanto com os joanetes. Da mesma forma, sempre foi o Sapateiro que, batendo martelo num pé-de-ferro, botou “meia sola” ou “sola inteira” nos nossos sapatos, quando nossos pais não podiam comprar um novo par – e quando ainda não havia o Vulcabrás 752 ou os sapatos descartáveis de hoje.

Os sapateiros sempre trocaram as “virolas” dos sapatos femininos, trocando saltos, recolocando peças que contribuíram definitivamente para a beleza e elegância femininas.

O dia 25 de outubro, é o “Dia do Sapateiro”.

Sapateiro

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

E A MACAÚBA… QUEM DIRIA!?

Não sei vocês. Mas, eu, quando moleque na faixa etária de 8 a 10 anos, tinha o costume de aproveitar as bandas da gilete Blue Blade, quebrada e usada pelos irmãos mais velhos para raspar as barbas, e me deliciava no difícil trabalho de cortar e comer a pouca polpa da macaúba.

É. É essa mesma “Acrocomia aculeata”, conhecida popularmente como “macaúba”, que, embora soltasse uma baba instigante, era largamente consumida pela meninada.

Fora do Ceará, pode ser encontrada com outros nomes, como macaíba, bocaiúva, coco-baboso (e aí, no Ceará, esse nome muda de figura e é conhecido como coco-babão, dado ao catolé), coco-de-espinho e até chiclete-pantaneiro.

Palmeira da macaúba carregada de frutos

Pois, eis que, a EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) acaba de oficializar após anos de pesquisas e testes, que a “macaúba” é mais uma opção para a produção do óleo diesel – e, ao que parece, por conta do pouco número de palmeiras no território brasileiro, vai passar a produzir mudas e orientar e incentivar o plantio desse novo diamante na incansável cadeia de produção de lubrificantes automotivos.

Para aqueles que ainda não conhecem a EMBRAPA, sugiro a leitura do livro “Sol da manhã”, que tem como autor JOSÉ IRINEU CABRAL, Economista, figura marcante como um dos responsáveis pela fundação dessa autarquia, que, nos dias atuais é reconhecida como a principal e mais importante empresa de pesquisas e implantação agropecuária do mundo.

Ali o leitor encontrará um compêndio informativo dos resultados das principais pesquisas e descobertas processadas no Brasil e utilizadas por agropecuaristas do mundo inteiro.

A Embrapa, vitoriosa e importante, acaba de completar 51 anos de existência e magníficos serviços prestação à nação brasileira e ao mundo.

Obra do “governo militar”. Obra da “ditadura militar”, como rotulam alguns adeptos da atual democracia vivida no Brasil.

Macaúba – o “coquinho” que vai produzir diesel

No Ceará, a macaúba é farta. Transportada em caçuás e surrões para os mercados e feiras, a macaúba nunca teve dias gloriosos. Sempre foi considerada uma fruta “desclassificada” ou preferida apenas pelos pobres.

Hoje, tanto quanto o babaçu, processada e beneficiada, a macaúba tem dezenas de utilidades como combustível e/ou alimento animal e humano.

Na guerra pela produção de lubrificantes e carbono verde, a macaúba chega como forte aliada e poderá, em breve, somar positivamente nos índices econômicos.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

O MAR!

O mar azul de Garrafão

Ali pras bandas da Pacatuba, município situado entre Fortaleza e o povoado Queimadas, pertencente a Pacajus, João Ambrósio, agricultor meeiro que vivia nas terras de João Albano, latifundiário por herança, dono de quase todas as terras desses dois lugares.

Mas, quem não vivesse ali, chegasse e perguntasse por João Ambrósio, jamais encontraria. Principalmente das gerações de hoje.

Pois, menino já grande, saindo da infância para a adolescência, João Garrafão ostentava inocência naqueles quase dois metros de altura. Seria bom jogador de Basquete na NBA ou de Voleibol em qualquer paragem. João parecia ter nascido grande. Menino, obediente aos pais, duas vezes por semana João se deslocava até a bodega de Seu Messias para comprar meia garrafa de querosene – o pai preferia acender o candeeiro que, de noite, iluminava a frente da casa e parte de todo o quintal, muito mais que qualquer lamparina.

Pois, com trabalho imenso para preparar a montaria que usava na tarefa determinada pela mãe Argemira, João levava para a bodega do Messias uma garrafa enorme, antes usada por espumante nas comemorações natalinas da casa de João Albano. Uma garrafa que comportava cerca de 5 litros de espumante. Um exagero de garrafa. A meninada traquinas da mesma faixa etária não demorou muito para achar um apelido adequado para o então João Ambrósio: “João Garrafão”.

Anos se passaram. João casou e construiu família. Mas, João Garrafão não era chegado a passeios – talvez isso explique ter tantos filhos com Adalgisa, sua esposa querida – preferindo a labuta da roça e o chiqueiramento dos caprinos, ovinos e bovinos que criava, também como meeiro. João Garrafão vivia para o trabalho e para a família, que era um dos seus encantos.

Mas, como não há mal que dure para sempre, nem bem que nunca acabe, eis que certo dia João Garrafão recebeu a visita de um parente, que fazia anos mudara para a capital e até viajara para o exterior, antes conhecendo as praias do Rio de Janeiro. Carlos Alberto, o nome do parente.

Após dias curtindo as maravilhas (e enfrentando as dificuldades) da roça, Carlos Alberto convidou João Garrafão para “desanuviar” um pouco daquele trabalho contínuo e pesado da roça e passar alguns dias na capital. Garrafão aceitou, mas sugeriu levar a mulher Adalgisa consigo. Carlos Alberto concordou, e prepararam a viagem, antes, deixando tudo pronto em casa para que os filhos não enfrentassem problemas.

Numa noite, em conversa na “latada” da frente da casa, João Garrafão confidenciou a Carlos Alberto, que, ele e Adalgisa desejavam muito conhecer o mar. É, o mar. Esse mundão d´água que nos delicia nos fins de semana, cuja exposição ao sol nos dá um bronzeado.

Carlos Alberto garantiu que, conhecer o mar seria o presente que ele ofereceria ao casal de parentes.

O dia da viagem chegou. Tudo pronto. Tudo arrumado. Os filhos foram devidamente avisados, recebendo recomendação para a alimentação das cabras e bodes, carneiros e ovelhas e bois e vacas. O leite deveria ser retirado toda manhã na ordenha corriqueira, e enviado para o destino certo (uma fábrica artesanal de queijos, como de costume pertencente a João Albano).

Carro preparado. Bagagem pronta, e a viagem (na realidade, nada mais que uma semana de férias para “desanuviar” o stress de cada dia naquelas brenhas). E, lá se foram.

– Fiquem com Deus! Não esqueça as recomendações, disse João Garrafão ao filho mais velho. Até a volta.

– Vá e volte com Deus, disse o filho.

Mar verde e diferente do azul que João Garrafão conhecera

Carlos Alberto sabia de cor e salteado que estava realizando um dos sonhos do parente João Garrafão e de Adalgisa. Levá-los a conhecer o mar pela primeira vez, era investir na felicidade do parente, envolvido somente com o trabalho na roça, que, inúmeras vezes lhe recebera com tanto cuidado e carinho. Não custaria nada, agora, tentar retribuir. E foi isso que Carlos Alberto fez, num dia que não havia tantos banhistas na praia.

Todos foram à praia.

Após estacionar o carro, Carlos Alberto recomendou que o casal ficasse descalço para sentir a energia que era a liberdade de pisar na areia daquele mundão. Dito e feito. Carlos Alberto segurou as mãos do casal e caminhou lentamente pela areia a caminho do mar, exatamente na hora da arrebentação.

Carlos Alberto olhou para João Garrafão e Adalgisa e nada mais viu que não um êxtase transformado em silêncio total. As lágrimas de alegria e admiração rolavam dos olhos daquele homem rude, pouco letrado, mas muito perspicaz.
– Deus do céu! Balbuciou João Garrafão, falando para si em agradecimento à Deus, por momento tão significativo para ele, que, antes, só conhecia as águas e a vazante do Mundaú, o açude que ajuda na agricultura em Pacatuba.

O silêncio continuou e a companhia do êxtase se configurou numa frase de João Garrafão:

– Obrigado meu Deus, por tamanha alegria! Disse João Garrafão em agradecimento ao Criador.

– E o mar é azul, que coisa linda!

Extasiado com o que vira, João Garrafão se deu conta que precisava voltar para Pacatuba e continuar cuidando da roça, dos filhos e das criações que dividia apenas o lucro com João Albano.

Na volta, e já em casa, João Garrafão pegou uma caneca com água da quartinha e sentou num cambito colocado ali na latada para facilitar a arrumação da montaria, quando precisasse. Sentado, sentiu a presença do filho mais velho que queria “prestar conta” dos acontecimentos durante sua ausência e da mãe. Mas, quem falou primeiro foi João Garrafão:

– Filho, eu vi o mar! Que coisa linda, e é muita água. Água salgada e a beleza maior está na cor. O mar é azul! Agora, aqui, com essa caneca na mão, olho e vejo que a água não tem cor. Chamam de incolor. Mas, Carlos Alberto me disse que, ali é azul, mas em outros lugares é verde. Deve ser outra beleza. E ele garantiu que também existe o mar vermelho. Será verdade? O que vi e comprovei era azul. Com certeza é coisa de Deus. Fico imaginando a felicidade de Jesus Cristo caminhando sobre as águas. Aquele mundão azul!

Mar com água vermelha como garantiu Carlos Alberto

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

A PRAIA DE TAMBAÚ

Não sei quem é o autor da frase: “A propaganda é a alma do negócio”. Mas, sei que escuto isso há muito tempo e é, como dizia minha Avó, “antes do cão ser menino”!

Moro no Maranhão há 38 anos. Conheço alguns municípios, por força do trabalho, mas não conheço a fundo.

Pois, sem que seja coisa consciente por parte do governo maranhense (os governantes só pensam e agem politicamente – aliás, a má política), no município de Barreirinhas tem sido divulgada e destacada a beleza que é, realmente, “Os lençóis maranhenses” – um presente da Natureza, que poderia render mais para o Estado, se fosse em outro lugar com visão melhor e mais profissional.

E aonde quero chegar?

Pois, no extremo norte do Estado existe um município com o nome de Porto Rico, com “lençóis” muito mais bonitos e privilegiados pela Natureza, que os “lençóis de Barreirinhas”. Quem quiser comprovar, visite os dois lugares e tire suas conclusões.

A diferença, é que, realmente, a propaganda é a alma do negócio.

O belo, a culinária e o atendimento

Lembro bem que, em atividade jornalística, me desloquei de São Luís para João Pessoa. Faz tempo. Fiquei hospedado num hotel que imagino não ter sido alcançado pela classificação das estrelas. Hotel simples, com tudo simples – inclusive o atendimento.

O evento que fui designado para cobrir, foi um Campeonato Brasileiro de Natação que aconteceu num clube social de nome Cabo Branco. O hotel onde fiquei hospedado (na realidade, era quase uma pousada, pois servia apenas dormida, banho e café da manhã) fica a alguns metros da praia de Tambaú – onde funciona há alguns anos, o conhecidíssimo Hotel Tambaú, esse alcançado pela classificação estelar, com quatro ou cinco estrelas.

Alcatra bovina feita carne de sol acompanhada de macaxeira cozida e queijo de coalho assado

A noite era uma criança. No pequeno hotel, os professores que acompanhavam a delegação não queriam sair e deixar os jovens atletas “largados”, pois a competição era importante para uma classificação futura. Assim, por três noites (antes de regressar) saí sozinho. Caminhava pelo calçadão da praia de Tambaú. Cansado, sentava e forrava o estômago.

Prato pedido: carne de sol feita de alcatra bovina, frita na banha suína, macaxeira cozida e generosos pedaços de queijo de coalho assado. Só comi coisa igual, quando visitei Luiz Berto no Apipucos, que nos serviu fava rajada com o pernil de um animal que não lembro mais. Até hoje lembro da fava, e fico agradecido a Dona Aline.

Pois, o turismo paraibano faz propaganda de Tambaú, mas não faz da culinária, tanto quanto o turismo baiano faz do acarajé. A comida, comi num boteco caindo os pedaços nas proximidades de Tambaú – atendimento de primeira e qualidade da comida idem.

Caranguejo Uçá cevado

No dia seguinte, um sábado, mais uma excelente surpresa: parte da delegação almoçou no Clube Cabo Branco, enquanto preferi comer algo diferente na orla marítima. Mesmo calçadão da praia, mas, agora, em quiosques mais estilizados.

Morando no Maranhão, aprendi com a cultura local, que, “caranguejo gordo”, só nos meses sem a letra “R” (maio, junho, julho e agosto). E aquele evento em João Pessoa não aconteceu em nenhum mês desses citados.

Antes de sentar para fazer o pedido do que comeria, achei estranho um tanque de cerâmica num quiosque de madeira, e fui conferir. Vi caranguejos, limpos e se alimentando. O atendente me disse que eram “caranguejos cevados”. Mandei preparar, enquanto me deliciava com a brisa do mar, sorvendo uma cerveja gelada e escutando Zé Ramalho.

Pois, só havia comido com tanta gula e prazer, quando comi a carne de sol na noite anterior e, repito, quando comi fava rajada em Apipucos, na casa do Berto. No Apipucos, em vez de Zé Ramalho, ouvi e assisti Jessier Quirino e Salvador. Diferentes, e ao mesmo tempo parecidos.

Foi a partir daí que me convenci: a propaganda é a alma do negócio.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

NOSSO MODO DE FALAR E OS APELIDOS ENGRAÇADOS

Nesta última postagem do ano de 2024 vamos dar uma volta nas nossas origens e relembrar fatos que fortaleceram nossos laços de amizade e de família.

Antes, porém, um fato que aconteceu na semana do Natal – e que, infelizmente ninguém, inclusive nós, moveu uma palha. E vida que segue.

O fato: Sem entrar no mérito da questão, pois não conheço o assunto com profundidade – mas aprendi na vida que, a quem acusa cabe o ônus da prova – pela primeira vez neste Brasil, desde 22 de abril de 1.500, uma autoridade civil indicada por alguém eleito pelo povo, sem julgamento e outros que tais, mandou para a cadeia (mesmo sendo numa unidade militar), um general quatro estrelas que, ao meu reles entendimento, estaria substituindo ao antigo e extinto status de marechal. Junto com esse general, fazem parte do grupo sem julgamento e sem o devido processo legal, alguns coronéis.

Mas, o que me chamou a atenção foi o fato dessa prerrogativa constitucional pertencer exclusivamente ao STM (Superior Tribunal Militar). E mais: presos e proibidos de receberem visitas, inclusive de familiares – embora saibamos que o atual Presidente da República não teve o cerceamento desse privilégio. Até dizem que foi lá, no cárcere, que conheceu a atual “viça-presidenta” com quem teria usufruído da lua de mel.

Pois, como ceia posta do Natal, o “executor” da ordem de prisão, de forma pública e para o mundo tomar conhecimento, determinou ao alto comando do Exército, um prazo de 48 horas para que fosse dada uma resposta para a “desobediência” do seu ato. Tudo isso acompanhado pelo silêncio sepulcral do STM, que não se atreveu a “dar o pio” sequer. Todos “ca-la-dos”!

Pergunto: Será que João Baptista Figueiredo, Newton Cruz e Golbery do Couto e Silva estão fazendo falta e se submeteriam a isso?

Quem já leu algum livro ou assistiu alguma palestra de Ariano Suassuna, emérito nordestino que sempre fez questão de usar o palavreado nordestino, certamente poderá pensar que isso é tudo. Não é.

Mesmo nordestinos, mesmo sotaque, mas o significado das palavras e de muitas coisas são diferentes. No Ceará, graviola é graviola mesmo, mas no Maranhão graviola é jacama.

O homossexual no Ceará é baitola, em Pernambuco é frango, na Bahia é chibungo – mas todos têm prazer de queimar a rosca (que em todo Nordeste significa fazer cópula anal – veja que não escrevi “fazer sexo”, por entender que isso não é sexo. É depravação, embora eu não queira, nem de perto, ter o direito de contesta quem prefere fazer. Afinal, a rosca não é minha.

Saiba que, quando alguém recebe um soco ou um safanão em São Paulo ou Rio, no Maranhão alguém tomou foi um bogue. A sova vira uma surra de cipó de marmeleiro.

No Ceará, cutucar vira catucar e alguém que foi cutucado na altura das costelas, foi catucado no vazio. Galinha caipira no Ceará e Maranhão, é a mesma galinha da roça no sul e sudeste. Preparada (cozida) ao molho pardo, para o nordestino é galinha à cabidela.

Mas, o bom mesmo vira mais mió, e ninguém quer trocar o seu oxente pelo okay de ninguém. E a vida segue a galope para os nordestinos que são diferentes dos nortistas.

Todo nordestino tem um apelido. E, quem fica zangado, o apelido “pega” com força. Mas, muitos não têm (têm mas poucos sabem e falam) sobrenomes. Zé, é mais conhecido como Zé de Dora ou Zé de Doca; Miguelzinho de Luciano; Chica de Gumercindo, e por aí vai.

Na minha não tão distante (de Fortaleza) Queimadas, Boanerges teve a infelicidade de nascer com os dois pés tortos, ambos virados para dentro. Teve dificuldade para conseguir calçados e viveu e morreu como “Pé de bater banha”!
Outro, quando jovem teve um pequeno derrame facial e ficou com os lábios defeituosos e virados para o lado direito. Passou a ser conhecido como “Boca de cuchiço”!

Gertrudes nasceu com as canelas muito finas, mas teve a compensação de, ao ficar adulta, ficar com os seios volumosos, tipo que usava soutien pontuação 48.

Ficou conhecida como “Gegê dois bezerros”. Essa comprava briga com quem a chamasse por esse apelido.

FINALMENTE, este amigo de vocês, nascido e batizado José, por ser filho de Alfredo, virou “Zé do Alfredo” e está catucando vocês para que todos sejam felizes ao lado dos familiares nesse ano que se aproxima.

NOTA: As fotos não têm qualquer relação com o texto. Apenas quero desejar que todos tenham na passagem do Ano Novo e por todos os mais 365 que se aproximam, uma mesa farta em todos os momentos.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

FELIZ NATAL !

Estou aqui, neste começo de semana primaveril, para pedir desculpas de possíveis ofensas pessoais ou profissionais, e oferecer humildade e perdão em troca de tudo, augurando pela motivação e renovação da vida.

Leitores ou não, agradeço a todos pela amizade e convivência nesses encontros propiciados pelo amigo Luiz Berto na liderança dessa nossa família jotabeefiana e no fortalecimento das amizades semeadas que estão frutificando.

Obrigado a todos por fazerem parte da minha vida terrena. Que Deus Onipotente continue nos mantendo juntos e unidos.

Pai Nosso

Pai Nosso que estais nos Céus,
santificado seja o vosso Nome,
venha a nós o vosso Reino,
seja feita a vossa vontade
assim na terra como no Céu.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje,
perdoai-nos as nossas ofensas
assim como nós perdoamos
a quem nos tem ofendido,
e não nos deixeis cair em tentação,
mas livrai-nos do Mal.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

FELIZ NATAL!

Papai Noel na tarefa ilusória de distribuir presentes

Mesmo com o privilégio divino de alcançar a terceira ou quarta idade, a lucidez me permite lembrar: o ano, 1951. Eu tinha apenas 8 anos dos 81 de hoje. A imagem está firme e brilhante na minha memória fotográfica.

Tenho saído muito pouco de casa, por conta de querer concluir algumas tarefas que assumi: escrever um livro com as peraltices da infância, mesmo sabendo que não ganharei, jamais, o Prêmio Nobel de Literatura. Eis que, ontem, saí com uma das filhas para comprar alguns penduricalhos para a árvore de Natal.

Fomos a um shopping não tão distante de casa. Pagamos apenas R$ 10,00 de Uber.

O primeiro pavimento do shopping é usado como estacionamento de veículos pequenos. A escada rolante nos levou ao segundo pavimento, totalmente iluminado com motivos natalinos. Crianças se divertem, ingenuamente, nos dois playgrounds e outras aproveitam para as selfie ao lado do bom velhinho. Procurei um lugar para sentar e observar a beleza da ingenuidade humana quando criança. Minha filha me deixou ali, inebriado, enquanto cumpria a tarefa dela na compra dos itens natalinos.

Não sei se dormi. Provavelmente, não. Mas me senti transportado para outra época, em 1951, onde a realidade – não apenas para mim – era completamente diferente. Me senti na Queimadas, então povoado de Pacajus, onde vim ao mundo. Me envolvi totalmente.

Casa dos avós, com chaminé – por onde Papai Noel nunca entrou

Numa manhã qualquer daquele ano de 1951, mas em dezembro, Tarcísio – que poucos o conheciam pelo verdadeiro nome – conhecido, provavelmente, na Finlândia ou no Canadá pelas ações elogiáveis de pretender proporcionar alegria às crianças daquele povoado cearense, apenas pelo apelido carinhoso de “Tôta”, o Papai Noel daquelas crianças.

Na primeira semana de dezembro, por muitos anos, Tôta arrumava o boi “Mansinho” atrelando-o a uma carroça, tão logo o galo cantava e os chocalhos dos bodes e cabras se reuniam numa verdadeira sinfonia chiqueiral no despertar para o mundo e a vida – sempre para garantir o sorriso de meninos e meninas que, ajudadas pelos pais ou avós, escreviam cartas ao bom velhinho.

– “Quero uma boneca bem linda”, escrevia Maria Liduína!

– “Quero uma bola de borracha”, pedia Julinho!

Naquele período, lembro-me bem, o trenó improvisado numa carroça puxada por Mansinho, primeiro recolhia os pedidos. Todos eles, por mais distantes que estivessem – e havia criança que morava distante dali por quase dez léguas. Mas, todas as cartinhas eram buscadas. Nos dois domingos seguintes, sempre no anonimato, Tôta fazia um périplo pedindo, e até recolhendo com moradores que se associavam em proporcionar alegrias para as crianças ingênuas.

Os comerciantes da sede do povoado encomendavam as bonecas pedidas, bem como as bolas de borracha – outros até aproveitavam a compra de gêneros na capital e nunca esqueciam os presentes distribuídos pelo Papai Noel Tôta.

O trenó do Papai Noel Tôta

Segundo i8nformações do próprio Tôta, a última semana antes do Natal era para organizar as entregas, preparando-as em papel de presentes com motivos natalinos. Recebia a ajuda da esposa, Beatriz – mas faziam tudo só depois que se certificavam que as suas crianças estavam dormindo.

– Tá faltando uma boneca Tôta, avisava Beatriz.

– Menhã a gente arresolve isso! Garantia Tôta.

Finalmente era chegado o dia do Papai Noel entrar nas casas pelas chaminés. Meninos e meninas pediam para as avós não acenderem fogo naquele dia, para evitar que Papai Noel se queimasse quando fosse descer por ali para entregar os presentes.

Tôta finalmente se realizaria entregando todos os presentes. Até os meninos e meninas que moravam distante, receberiam. A boneca que faltara na noite anterior, finalmente foi adquirida, graças à mãe da solicitante, Maria Liduína.
O trenó puxado por Mansinho estava arrumado. Os meninos e meninas receberam ordens para se aquietarem e dormirem. Que todos ficassem despreocupados, pois Papai Noel não queria deixar de ser o bom velhinho.

Agora, tão logo o galo cantou e a sinfonia chiqueiral foi aberta, o barulho do desenrolar pacotes de presentes movimentava as casas – ninguém se preocupava em tomar o café da manhã. A alegria dava o tom das casas – uma tradição secular fora mantida.

Minha filha, voltando das lojas onde comprara todos os itens necessários, com um leve toque no meu ombro, me trouxe de volta ao mundo real.

– Vamos pai! Comprei tudo!

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

É HORA DE AMARRAR OS TAMANCOS

Par de tamancos usado pelas mulheres

Maria Raimunda Pereira da Silva, filha de Naname, descendente da tribo guarani dos índios Paiacus*.

O pai, nunca soubemos o nome, tampouco conhecemos. Mas, muito conhecida no povoado Queimadas como “Raimunda Buretama”.

Formada na Universidade Internacional da Vida e dos Bons Costumes, Raimunda Buretama era “mulher de cabelos nas ventas” – como ela mesma se definia. Não se acostumou guardando almoço para o jantar, e sempre se entendeu independente para dizer (e assumir as consequências) o que queria.

Naqueles tempos de 1930 (ela nasceu bem antes – pois afirmava ter enfrentado as agruras da seca de 1888, a “seca dos três oitos” como bem definia) para o início da década de 60, o tamanco, de fabrico artesanal, era, para muitos, o principal e único calçado. Usado por homens e mulheres, o tamanco livrava da terra quente por onde se andasse e da lama – que pouco existia.

Muitas vezes, o tamanco serviu também como “calçado de ir à missa” (era o melhor e o único que muitos tinham). Naquelas paragens, também conhecido como “chamató” – por conta do barulho que fazia quando batia no calcanhar.

“É mió previni qui remediar” – costumava falar Raimunda Buretama, quando pretendia aconselhar (discretamente) alguém que lhe procurasse para meizinhas indígenas ou conselhos pessoais.

Em muitas ocasiões, provavelmente por ser mulher destemida, Raimunda Buretama serviu de “parteira”. Parteira leiga, diga-se. Quase todos os netos, filhos de Maria e Jordina, foi ela quem “aparou”.

Um belo dia, quando Maria deu à luz ao décimo-quinto filho e o marido Antônio Luciano ainda estava na “flor da juventude” com seus 45 anos, ela, Raimunda, “literalmente determinou”: está na hora de amarrar os tamancos!
Hoje a modernidade diz que: chega de filhos!

Vamos fazer a laqueadura. Sim, porque Raimunda Buretama tinha o hábito indígena de dormir em rede e, como o piso da casa era de barro batido, e, para não pisar em insetos ao levantar na escuridão da noite, tinha o costume de dormir calçada de tamancos. Costume estranho, mas que fazia sentido pela lógica daqueles tempos.

E sexo, amor, transa, cópula ou algo do gênero, naqueles tempos se fazia deitado e no local de dormir – hoje é que se faz em pé, dentro do carro, no pé do muro, escorado no poste, no mato.

Como dormir de tamancos amarrados, ninguém consegue “abrir as pernas”. Você pode ter preferência por sexo de todas as formas – é a seu gosto! – mas, du-vi-d-o-dó que consiga fazê-lo com as pernas fechadas!

“Amarrar os tamancos”, para Raimunda Buretama, que nunca fez um “ó” com uma quenga de coco, significava “parar de fazer menino”!

Quantos somos atualmente?

Já passamos da hora de “amarrar os tamancos”!

( * ) – O topônimo Pacajus tem origem na tribo Tapuia dos Jaracu, ou Paiacu, que habitava a região. Sua denominação original era Guarani, depois Missão dos Paiacu, Monte-Mor, Monte-Mor-o-velho, Guarani e, desde 1943, Pacajus. A região entre às margens do rio Choró e rio Acarape era habitada por índios como os Jenipapo, Kanyndé, Choró e Quesito. As origens de Pacajus, remontam ao início do século XVIII (provavelmente 1707), quando nestas terras foi instalada a Missão dos Paiacu. A instalação desta missão pelos jesuítas foi possível com a doação de uma légua de terras situadas nas margens do rio Choró, tendo como intermediário o desembargador Cristóvão Soares Reimão. Através da missão, depois sesmarias e ao redor da Igreja Velha (construída pelos índios no século XIX e que ainda existe) surgiu o núcleo urbano que hoje se chama Pacajus.) (Fonte: Wikipédia)

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

2024: O ANO DA REDENÇÃO ALVINEGRA

Hoje vamos passear pelo futebol. O futebol, que não está bem das pernas – por conta das administrações copiadas da política partidária nacional – mas continua sendo a principal diversão de um povo que sequer aprendeu a escolher seus dirigentes nas mais diferentes esferas.

Inicio pretendendo dizer que, é esse mesmo povo que, sacrificando a família, sustenta o futebol de inúmeras formas. Seja por conta do comércio induzido pela publicidade, seja por conta do pagamento (sacrificante) do valor dos ingressos dos jogos.

Intolerante que, num país que tem o salário mínimo que tem o Brasil, o ingresso para os jogos tenha o valor que tem, em detrimento ao que ganham os jogadores – que, diferentemente dos jogadores antigos, não jogam o futebol que seja condizente com seus salários. Mas, isso é assunto para outra postagem.

Ceará (alvinegro de Porangabuçu) reconquista vaga na elite

Sou torcedor alvinegro, e isso significa “ser anti-flamenguista”. Joguei amadoristicamente na juventude. A frustração psicológica me tirou de um provável profissionalismo, como jogador. Mas me manteve dentro do campo, como Árbitro – agora profissional, com início na FCD (Federação Cearense de Desportos), e, no Rio de Janeiro, na Federação Carioca de Futebol.

Saí do campo, mas me mantive nele, como Cronista Esportivo até me transformar definitivamente num ex-jogador amador, num ex-Árbitro profissional, e, finalmente, num ex-Cronista.

Torcedor (sem fanatismo) do Ceará, do Botafogo e do Santos, tenho motivos especiais para entender que, 2024 está sendo o ano da “Redenção alvinegra” – esperando que o Glorioso Botafogo de Futebol e Regatas atinja mais um título na tarde de hoje, quando enfrenta o São Paulo Futebol Clube no último jogo do Campeonato Brasileiro da Série A. O Botafogo será campeão com um simples empate diante do tricolor paulista.

Mas, falemos do Ceará Sporting Club.

A tremulante bandeira do Vovô alencarino

O ano de 2023 não foi bom. O clube enfrentou problemas por pressão da enorme torcida (a maior – numericamente falando – do Estado), o que culminou numa atitude digna de Robinson Castro, então presidente executivo, que resolveu deixar o comando e entrega-lo ao então vice. Eleito, o vice assumiu. Fruto da boa gestão e aceitação por parte da torcida, conduziu o time à reconquista do acesso para a elite brasileira, e isso lhe garantiu a reeleição como presidente.

O elenco montado não foi dos melhores, mas o comando técnico a cargo de Léo Condé acabou conseguiu chegar ao último jogo fora de casa, diante do Guarani/SP, dependendo de uma vitória. Não venceu, mas foi bafejado pela sorte, graças a uma vitória do Goiás contra o Novorizontino, esse concorrente direto do Ceará para o acesso. A vitória goiana contra o representante paulista garantiu a volta do Ceará à Série A no Campeonato Brasileiro de 2025.

Botafogo conquista o inédito título da Copa Libertadores

Há coisas que, realmente, “só acontecem com o Botafogo”. Eis que, por conta de várias administrações inexpressivas que conduziram o time que mais jogadores cedeu para a seleção brasileira, o Botafogo rondava e marcava presença no portão de entrada da falência. Mas, confirmando o dito popular (de coisas que só acontecem com o Botafogo), o clube de General Severiano foi transformado em SAF no ano de 2023.

Foi prejudicado por arbitragens facciosas, e, mesmo conseguindo a liderança com uma diferença de 14 pontos para o segundo colocado, acabou sendo derrotado por esquema impetrado a partir do VAR em conluio com arbitragens fraudulentas, confirmando que não é só na política que o Brasil vive mergulhado em corrupção. O assunto acabou gerando a criação de uma CPI – que, sabemos, vai terminar em pizza.

Disposto a virar a página negra, o americano John Textor (dono da SAF botafoguense) recompôs a direção executiva e essa conseguiu mudar muita coisa. Começou por reforçar o elenco, negociando jogadores e contratando outros. Contratou o treinador português Artur Jorge e o resultado foi o que culminou com a conquista inédita da Copa Libertadores de 2024 e poderá ser reforçada na tarde de hoje, com a provável conquista do Campeonato Brasileiro da Série A de 2024. Mas, o torcedor botafoguense sabe que, existem coisas que só acontecem com o Botafogo. Não vai comemorar antes do apito final do árbitro.

Bandeira do Botafogo brilhando no universo do futebol

No clube de General Severiano, destaques individuais para o proprietário da SAF, John Textor; o técnico português Artur Jorge e Comissão Técnica; os jogadores Marlon Freitas (capitão), Bastos, Alexander Barboza, Gregore, Savarino, Tiago Almada, Luiz Henrique e Igor Jesus. Destaque coletivo para a fanática torcida, que, sagrando-se campeã ou não, hoje fará uma festa no Estádio Nilton Santos, confirmando o ano de 2024 como sendo da “Redenção alvinegra”.

Santos volta para a elite com a conquista de campeão da Série B

Eu conheço Santos, o Santos e o Estádio Urbano Caldeira. Estive lá por várias vezes. O clube respirava futebol, Pelé, e ostenta o galardão de um dos melhores times de futebol de todos os tempos no planeta Terra. Faz pouco tempo perdeu Pelé, entrou em crises administrativas – mas continuou descobrindo craques para o futebol mundial – e, em 2023 acabou rebaixado para disputar o Campeonato Brasileiro da Série B em 2024.

Empacado entre o sim e o não, fez contratações pontuais para disputar a Série B. Entre essas contratações o técnico Carille, que deu um padrão de jogo próprio ao time e conquistou o acesso para a elite, com quatro rodadas antecipadas do final do campeonato.

O alvinegro praiano é mais um time da minha preferência que conquista e confirma o ano da “Redenção alvinegra”.

Bandeira santista desfraldada pontuando na elite do futebol brasileiro