De Morais – (José Duduca de Morais) foi um compositor extremamente produtivo, com cerca de 200 composições gravadas e recordes de venda na gravadora Odeon.
Ele também ficou conhecido por ser o autor da famosa versão de “Oh! Minas Gerais” – uma Adaptação da Valsa Italiana Viene Sul Mare. (Oh, Minas Gerais! Quem te conhece não esquece jamais…Oh Minas Gerais!)
De Morais e Doquinha formaram uma icônica e tradicional dupla de música caipira brasileira, criada no ano de 1947 por sugestão do renomado cantor Francisco Alves.
O duo era composto por De Morais (responsável por tocar a viola/violão e compor) e Doquinha (intérprete vocal feminina), marcando época na era de ouro do rádio brasileiro.
Eu desci do carro e as minhas botinas de couro, cansadas das ruelas apertadas dos lugares por onde andei, acariciaram o chão de paralelepípedos irregulares e a terra grossa unindo as pedras.
Foram quase trinta dias longos comendo pão sem sal longe do meu chão, cruzando as pedras frias e polidas de velhas cidades, sentindo o corpo boiar num mar de gentes estranhas, línguas rápidas e prédios altos demais, antigos demais e suas almas arcaicas, porém vibrantes. Mas ali, de frente à casa que me viu crescer, fachada de pedras, o mundo se ajeitou para mim em uma mistura de duas línguas: amor e pertencimento.
O vento do Seridó veio de pronto ao meu encontro, quente como hálito de forno de caieira, trazendo o cheiro do mato da minha terra e da poeira viva que faz dela única. Assanhou meus cabelos e afagou a minha alma.
Eu busquei olhar para as serras azuladas no horizonte, riscando o céu desbotado pelo mormaço e lembrei das águas paradas do Gargalheira. Também quis pensar em cada pedra bruta que não recebeu o batismo do aço pelas mãos humanas. Porque a Europa tem seus monumentos de mármore esculpidos por homens, os gênios da arte, imortalizados em suas belíssimas e visitadas obras. Mas, o Sertão… Ah! O meu sertão tem sua própria arquitetura de sobrevivência, cinzelada pelo sol e pelo tempo, logo, compreendi a precisão cirúrgica da beleza de cada jurema.
Eu tirei a camisa que ainda cheirava ao final de inverno no Velho Mundo e a joguei no banco do carro. Aquilo não me servia mais; era vestimenta de empréstimo para cobrir uma saudade mansa e passageira. Depois caminhei até o meio da rua, ante a casa de papai. Fechei os olhos para sentir cheiros, matar a saudade desse ar quente, e me lembrei daquela casa grande no sítio de um bom amigo, onde o reboco velho mostra os tijolos de barro cozido, legítimos testemunhos das agruras do tempo. Quando lá estive pela última vez divaguei sentado num banco de madeira, velho, carcomido pelos anos, pois bem, eu divaguei que cada fresta na parede parecia uma ruga no rosto de um parente.
Mamãe me avistou da cozinha, não com os olhos, mas com o coração. Gritou fazendo festa para o filho que não via havia quase cinquenta dias. Depois não disse palavra alguma, apenas abriu os braços com a naturalidade de quem recolhe o gado no fim da tarde, ou faz o prato do filho à mesa posta. Seu abraço tem o perfume puro de alecrim, e de café torrado na hora; é o único remédio capaz de curar a tontura de quem cruzou o grande oceano. De matar a saudade, seja ela do tamanho que for.
Nós nos sentamos na calçada, enquanto o sol começava a tombar, tingindo as nuvens do poente de um forte vermelho-sangue. Falei da imponência do Tejo e das belas igrejas de Roma, mas as palavras pareciam pequenas diante daquele silêncio sagrado que só no sertão se possui. Um silêncio preenchido pelo pio alegre de uma ave que eu, na hora, não consegui identificar.
Ali, vendo pessoas amigas, vizinhos queridos, saindo à rua para me ver, eu descalcei os sapatos. Senti a terra quente acolher meus pés, num batismo de retorno. Em cada abraço uma comunhão de amor. Porque o sertanejo pode até pisar nos tapetes finos da Europa, mas sua raiz permanece fincada na terra rachada do chão que lhe viu chorar pela primeira vez, ao lado das pessoas que lhe deram colo.
O Seridó tem uma força que nenhuma Europa consegue apagar.
Agora eu sei que fui ver o mundo, mas descobri que o mundo inteiro mora aqui.
No chão acariciado pelas solas das minhas botinas antigas.
Tenho 52 anos de experiência em comercio exterior; aposentado, toco minha vida até quando o Criador quiser…
Lógico, vi muita coisa evoluir no acondicionamento no recebimento/envio de cargas… e, chegamos ao contêiner uma forma de preservação – principalmente em navios de forma a protege-las. inventado lá pelos anos 50, quando um “tal “– como gosta de nosso líder supremo – de Malcom McLean pensar em uma caixa metálica para acondicionar carga sem danifica-las.
Mas, mal sabia o “tal” que um dia sua invenção evoluiria para ter outras utilidades substituindo tuneis, viadutos, pontes e passagens; para “gambiarra” de desconexos e CANALHAS que hoje estão de plantão.
São tão imbecis que nem disfarçaram o tal “túnel”, corroído de ferrugens e que em breve despencara; mas, importante é o momento, a narrativa…
Será que a Maersk cobrará direitos aurorais sobre uso indevido de sua marca ou punida por não fornecer um “túnel adequado para passagem de agua e dejetos????
“Oh! Deus, perdoe este pobre coitado Que de joelhos rezou um bocado Pedindo pra chuva cair sem parar
Oh! Deus, será que o senhor se zangou E só por isso o sol arretirou Fazendo cair toda a chuva que há
Senhor, eu pedi para o sol se esconder um tiquinho Pedi pra chover, mas chover de mansinho Pra ver se nascia uma planta no chão
Oh! Deus, se eu não rezei direito o Senhor me perdoe Eu acho que a culpa foi Desse pobre que nem sabe fazer oração”
Música “Súplica Cearense”, da autoria de Gordurinha e Nelinho
Por que, em alguns países a “caça esportiva” (caçar pelo prazer da prática) é permitida?
Como perguntou Chico Anísio durante uma entrevista ao Jô Soares: “Que falta vai fazer à humanidade, o Mico Leão Dourado, se matarem todos?
E eu aproveito e pergunto: qual é mesmo a utilidade do Tamanduá, do Rinoceronte, da Zebra?
Claro que, quem nasceu no Rio de Janeiro, foi educado por boas famílias, estudou em boas escolas e nunca sentiu nem ouviu o ronco das tripas, só come picanha, choriço, carnes argentinas e churrascos gaúchos, será um eterno defensor das espécies, muitas das quais ele sequer ouviu falar.
Agora alguém que nasce e vive na região desprotegida de planejamento de captação da água, onde o índice pluviométrico é baixíssimo e que muitos vivem rezando “para o sol se esconder um tiquinho, pedindo pra chover, mas chover de mansinho pra ver se nasce uma planta no chão” que possa ter alimento para o gado, para as cabras, para as galinhas e para os peixes, jamais vai deixar de comer o que lhe sacie a fome.
Gado morto pela falta d´água
O criador, cabisbaixo, olha em volta e até aonde a vista alcança: tudo seco.
Olha para o boi, até então de estimação, pois era quem reproduzia a maior parte dos bezerros dali.
O boi parece chorar.
Sente o que pode acontecer.
Sabe que, de um jeito (abatido pelo proprietário) ou de outro (se permanecer vivo e sem ter nada para comer) a morte é inevitável.
Os meninos já sentem a escassez. Nenhuma caça.
O camaleão, primeira opção para evitar que a fome os matasse tal qual o boi, já fica difícil de caçar. A coloração atrapalha. Não é mais verde. Virou cinzento e se confunde com as estacas e os paus das árvores e das cercas.
Camaleão só é preservado onde há o verde e a fartura
Não é difícil encontrar alguém vendendo carne de jacaré nas feiras de muitos interiores do Maranhão. Como é abatido e a qual espécie pertence, também não sei. Mas, pela forma como é vendida aquela carne, com certeza quem vende sabe que é proibido.
Quem compra, também sabe.
Mas, em outros lugares, a fome não quer saber de proibição.
E cabe uma pergunta: por que o homem não pode comer carne de jacaré, e o jacaré por comer o homem?
Alguém pode até me rotular de idiota por fazer essa pergunta.
Mas, o jacaré está sempre com fome?
Quando ele não está com fome, deixa de ser predador?
Desde quando existe a letra daquela música, dizendo que, “jacaré que não se vira, vira bolsa de madame”?
Jacaré gordo que merece ser comido
Mas, repito a pergunta feita no início deste texto: por que a “caça esportiva – sem que se saiba o destino da caça abatida – é permitida” e a caça para a sobrevivência é proibida?
Por que as leis brasileiras que tratam desse assunto são tão idiotas e seletivas?
Não. Não vou escrever aqui que é proibido “espantar” uma baleia em alto mar. Também não vou dizer que, seletivamente, em alguns casos, as leis brasileiras são mandadas pcdc!
Paca pode ser comida e mostrada que está “gostosa”