XICO COM X, BIZERRA COM I

NEBLINAS E TEMPESTADES

Antes de tornar-me chuva, lentamente neblinei-me em meio às nuvens cinzentas que flutuavam acima do meu chapéu. Ao primeiro pingo mais grosso, pressenti o brotar de um pé de verso, carregado de poesia, rimas e amor, no jardim de minha casa, bem ao lado do meu pé de manacá. Tratei de regar. A semente do bem-querer virou flor.

Já quase tempestade, deixei-me envolver no lençol das lembranças boas e dormi o sono dos que acreditam que pode haver um mundo feliz. E sonhei. E ainda sonho. E sonharei até quando for possível sonhar. Até onde a Poesia permita e os versos embalem. Ainda que venham tempestades, permanecerei neblina. No máximo, chuva fina a molhar o chão de minh’alma.

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ESQUERDA: O PIOR QUE PODE ACONTECER COM UM PAÍS

Roberto Motta

O pensamento de esquerda é inferior porque é fundamentado em erros. Os primeiros socialistas, chamados de “utópicos”, até tinham boas intenções, mas nada entendiam dos princípios do comportamento humano.

A diferença mais fundamental entre direita e esquerda é que o pensamento da esquerda é construído em cima de uma sucessão de equívocos econômicos, políticos e morais.

No centro da ideologia esquerdista existem duas crenças. A primeira é que a propriedade privada é um roubo e tudo deveria ser propriedade coletiva ou estatal. A segunda ideia é que o Estado deve se meter em tudo. Ninguém pode fazer nada se não tiver a permissão do Estado.

Nenhuma forma de socialismo abre mão dessas duas ideias – exceto quando os socialistas precisam, por algum motivo, camuflar suas intenções. Por exemplo, em época de eleições.

A primeira crença explica a obsessão com impostos, os invasores de terra, a leniência com criminosos e o ódio à classe média e ao agronegócio – uma atividade baseada na propriedade de terras. A segunda crença explica por que o Estado socialista é sempre tirânico.

O pensamento de direita – o pensamento conservador, liberal e libertário – é o único caminho para que o ser humano possa ser livre e prosperar. Isso não tem a ver com os nomes “direita” e “esquerda” em si. Esses termos se originaram em um mero acidente histórico, durante a Revolução Francesa.

O pensamento de esquerda é inferior porque é fundamentado em erros. Os primeiros socialistas, chamados de “utópicos”, até tinham boas intenções, mas nada entendiam dos princípios do comportamento humano. Eles foram sucedidos por dois alemães que criaram uma teoria delirante, que divide o mundo em “classes” e imagina um paraíso na Terra ao qual só chegaremos através de uma revolução sangrenta. A teoria é repleta de erros básicos de lógica e desconhecimento de economia.

O nome dessa teoria é “socialismo científico” (embora ela não faça nenhum uso da ciência). O apelido dela é marxismo.

Do outro lado – no lado da direita – estão algumas das maiores mentes da história como John Locke, Adam Smith, Edmund Burke, Thomas Jefferson, Friedrich Hayek, Milton Friedman e Ludwig von Mises.

A direita não oferece unanimidade doutrinária nem propõe conformismo a um único modelo político ou econômico. A essência da proposta da direita – como ela é entendida hoje – é a liberdade e a proteção dos direitos. Os pensadores de direita não buscaram criar um modelo utópico ao qual a humanidade deve ser conduzida a ferro e fogo. Ao contrário; eles usaram observação e lógica para descobrir e entender as leis que regem a ação humana e, a partir daí, apresentar conclusões sobre as práticas que tendem a produzir riqueza e satisfação e aquelas que levam à pobreza e ao sofrimento.

Pode-se dizer que no centro das filosofias políticas de direita há também duas ideias essenciais. A primeira é que um mercado livre, onde as pessoas fazem trocas de forma voluntária, é essencial para o progresso e a prosperidade.

A segunda ideia é a necessidade de limitar o poder do Estado. A missão do Estado é proteger os direitos individuais e fornecer segurança e estabilidade ao funcionamento dos mercados – e mais nada. As funções estatais podem ser contadas nos dedos de uma mão: segurança pública, justiça, defesa nacional, saúde básica e educação básica.

Todo o resto deve ficar a cargo da iniciativa privada.

Essa não é uma proposta teórica, mas a receita que foi aplicada – ainda que sempre de forma imperfeita – na construção da prosperidade que o Ocidente conhece hoje. É importante comparar isso com as tragédias que sempre foram os governos socialistas.

A verdade é que governos de direita são bons até para a esquerda. Depois que um governo de direita arruma um país, os governos de esquerda (que sempre vêm em algum momento) têm dinheiro para gastar com seus programas assistencialistas e populistas.

Acima de tudo, o socialismo é a filosofia do ressentimento, da inveja e da busca incessante pelo poder a todo custo. Como já disse o ideólogo socialista americano Saul Alinsky, a única coisa imoral é não usar todos os meios para chegar ao poder. Por isso, como disse Ludwig von Mises, a pior coisa que pode acontecer com um socialista é ter seu país governado por socialistas que não sejam seus amigos.

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DEMOCRACIA, LIBERDADE E O EXEMPLO DOS ESTADOS UNIDOS

Editorial Gazeta do Povo

estados unidos 250 anos democracia

Norte-americanos desenharam instituições e uma Constituição com sistemas que impedem pessoas ou grupos de assumirem o poder absoluto

Neste fim de semana, os Estados Unidos comemoraram 250 anos de sua independência – em 4 de julho de 1776, a Declaração de Independência foi aceita de forma unânime pelo Segundo Congresso Continental, reunido na Filadélfia; a guerra de independência, que já estava em curso, ainda se estenderia por mais sete anos. Datas redondas sempre são dignas de recordação, mas há algo especial nestes 250 anos. Há nações bem mais antigas, mas nenhuma delas conseguiu o que os norte-americanos conseguiram: dois séculos e meio de perfeita regularidade democrática, sem golpes, nem ditadores a se intrometer em uma sequência de presidentes eleitos a partir de 1789, que só não completaram seus mandatos por morte ou renúncia; mesmo quando governantes foram assassinados, como Abraham Lincoln e John Kennedy, a sucessão se deu conforme a lei, com o vice-presidente assumindo, sem rupturas.

Isso só foi possível porque, desde o início, os norte-americanos acreditaram na força da democracia. Eles desenharam instituições e uma Constituição que perdura até hoje (com algumas poucas emendas), de forma a impedir que um homem ou um grupo deles se tornassem superpoderosos ou se eternizassem no poder – a 22.ª Emenda, que limita em dois os mandatos presidenciais exercidos por um indivíduo, foi a resposta aos quatro mandatos consecutivos de Franklin Roosevelt (todos devidamente conquistados nas urnas). O império da lei e o sistema de freios e contrapesos sempre se impuseram diante de qualquer tentação autocrática ao longo da história norte-americana, que não foi isenta de turbulências, das quais a maior foi a fratricida guerra civil entre 1861 e 1865.

As consequências da crença na democracia como o melhor sistema se revelaram de forma avassaladora na segunda metade do século passado, quando as nações que mais se desenvolveram economicamente foram aquelas do dito “mundo livre”. A União Soviética até chegou a se tornar uma superpotência econômica e militar, mas sucumbiu como todo o restante dos regimes comunistas do Leste Europeu, porque a prosperidade não se sustenta onde faltam a democracia e seu grande pilar, a liberdade. O desenvolvimento é feito para durar apenas em regimes onde as pessoas são livres para buscar seus interesses e desenvolver ao máximo seu potencial; dirigismos como o socialista podem até conseguir resultados de curto e médio prazo, mas estão condenados ao fracasso no longo prazo porque aleijam os indivíduos, submetendo-os aos caprichos da burocracia.

Eis, portanto, o grande valor da democracia: ela não é “a pior forma de governo, exceto por todas as outras”, como disse Winston Churchill em um discurso de 1947, no que talvez seja sua frase mais distorcida – o premiê britânico citava um desconhecido (real ou fictício), e em seguida mostrava que sua própria avaliação da democracia era bem mais positiva. A democracia é o império da liberdade, não apenas a de escolher seus governantes, mas também a de ser dono do seu destino e persegui-lo sem ser coagido, e a de buscar a excelência nos âmbitos pessoal, profissional e social. A liderança – ou no mínimo a proeminência – norte-americana em áreas como indústria, tecnologia, educação, entretenimento ou esporte se explica, em boa parte, por esse ambiente de liberdade que a democracia proporcionou aos cidadãos dos Estados Unidos nestes 250 anos.

Hoje, fala-se em uma certa “fadiga” da democracia. Não poucos observam com admiração a ascensão econômica e militar da ditadura chinesa, ignorando que ela é construída, ousamos dizer, sobre as mesmas bases frágeis do regime soviético, e que por isso tem prazo de validade, embora ainda não se possa vislumbrar hoje qual é esse prazo. Em outros casos, elogia-se regimes não abertamente ditatoriais, mas que chegam ao poder pelo voto e passam a suprimir liberdades ou enfraquecer instituições em nome de resultados efetivos em certas áreas ou da imposição de um ideário que se julga ser o correto. A democracia, de fato, não é fácil; ela exige diálogo, exige o debate de ideias para a implantação de um programa, exige compreender que ela não é a “ditadura da maioria”, exige que os governantes estejam dispostos a aceitar seus limites. Mas é só nela que as liberdades florescem, e com elas o desenvolvimento socioeconômico de uma sociedade. E, como diz Churchill em outro discurso, de 1944, “se isso é democracia, eu a saúdo. Eu a apoio. Eu trabalharia por ela”. Trabalhemos por ela também nós.

PENINHA - DICA MUSICAL

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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

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