A minha Dor é um convento ideal
Cheio de claustros, sombras, arcarias,
Aonde a pedra em convulsões sombrias
Tem linhas dum requinte escultural.
Os sinos têm dobres de agonias
Ao gemer, comovidos, o seu mal …
E todos têm sons de funeral
Ao bater horas, no correr dos dias …
A minha Dor é um convento. Há lírios
Dum roxo macerado de martírios,
Tão belos como nunca os viu alguém!
Nesse triste convento aonde eu moro,
Noites e dias rezo e grito e choro,
E ninguém ouve … ninguém vê … ninguém …

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)
Já na época da Florbela um convento era tido como um lugar de dor, de gemer, de agonia.
O fato de haver freiras que vivem no claustro não é sinônimo de prisão, onde em determinadas horas toca o sino e todos devem se colocar em oração, O silêncio é uma regra de ouro e deve ser rigorosamente obedecida.
A fama que é um lugar de perversão, onde garotas pobres são colocadas contra a vontade e as ricas por castigo, que a abadessa é uma carrasca é uma narrativa que permaneceu.
Não nego que em alguns conventos houve desvios, afinal é uma instituição humana e o Diabo sempre ataca.
O normal é que seja uma casa de oração, onde as freiras vão por vocação e de onde já saíram inúmeras santas da Igreja Católica, de onde cito apenas uma, minha querida Santa Teresinha do Menino Jesus, francesa contemporânea da Florbela, doutora da Infância Espiritual.
Se Florbela visse o convento como Santa Teresinha o viu, talvez não tivesse sofrido tanto.
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