“Oh! Deus, perdoe este pobre coitado
Que de joelhos rezou um bocado
Pedindo pra chuva cair sem parar
Oh! Deus, será que o senhor se zangou
E só por isso o sol arretirou
Fazendo cair toda a chuva que há
Senhor, eu pedi para o sol se esconder um tiquinho
Pedi pra chover, mas chover de mansinho
Pra ver se nascia uma planta no chão
Oh! Deus, se eu não rezei direito o Senhor me perdoe
Eu acho que a culpa foi
Desse pobre que nem sabe fazer oração”
Música “Súplica Cearense”, da autoria de Gordurinha e Nelinho
Por que, em alguns países a “caça esportiva” (caçar pelo prazer da prática) é permitida?
Como perguntou Chico Anísio durante uma entrevista ao Jô Soares: “Que falta vai fazer à humanidade, o Mico Leão Dourado, se matarem todos?
E eu aproveito e pergunto: qual é mesmo a utilidade do Tamanduá, do Rinoceronte, da Zebra?
Claro que, quem nasceu no Rio de Janeiro, foi educado por boas famílias, estudou em boas escolas e nunca sentiu nem ouviu o ronco das tripas, só come picanha, choriço, carnes argentinas e churrascos gaúchos, será um eterno defensor das espécies, muitas das quais ele sequer ouviu falar.
Agora alguém que nasce e vive na região desprotegida de planejamento de captação da água, onde o índice pluviométrico é baixíssimo e que muitos vivem rezando “para o sol se esconder um tiquinho, pedindo pra chover, mas chover de mansinho pra ver se nasce uma planta no chão” que possa ter alimento para o gado, para as cabras, para as galinhas e para os peixes, jamais vai deixar de comer o que lhe sacie a fome.
Gado morto pela falta d´água
O criador, cabisbaixo, olha em volta e até aonde a vista alcança: tudo seco.
Olha para o boi, até então de estimação, pois era quem reproduzia a maior parte dos bezerros dali.
O boi parece chorar.
Sente o que pode acontecer.
Sabe que, de um jeito (abatido pelo proprietário) ou de outro (se permanecer vivo e sem ter nada para comer) a morte é inevitável.
Os meninos já sentem a escassez. Nenhuma caça.
O camaleão, primeira opção para evitar que a fome os matasse tal qual o boi, já fica difícil de caçar. A coloração atrapalha. Não é mais verde. Virou cinzento e se confunde com as estacas e os paus das árvores e das cercas.
Camaleão só é preservado onde há o verde e a fartura
Não é difícil encontrar alguém vendendo carne de jacaré nas feiras de muitos interiores do Maranhão. Como é abatido e a qual espécie pertence, também não sei. Mas, pela forma como é vendida aquela carne, com certeza quem vende sabe que é proibido.
Quem compra, também sabe.
Mas, em outros lugares, a fome não quer saber de proibição.
E cabe uma pergunta: por que o homem não pode comer carne de jacaré, e o jacaré por comer o homem?
Alguém pode até me rotular de idiota por fazer essa pergunta.
Mas, o jacaré está sempre com fome?
Quando ele não está com fome, deixa de ser predador?
Desde quando existe a letra daquela música, dizendo que, “jacaré que não se vira, vira bolsa de madame”?
Jacaré gordo que merece ser comido
Mas, repito a pergunta feita no início deste texto: por que a “caça esportiva – sem que se saiba o destino da caça abatida – é permitida” e a caça para a sobrevivência é proibida?
Por que as leis brasileiras que tratam desse assunto são tão idiotas e seletivas?
Não. Não vou escrever aqui que é proibido “espantar” uma baleia em alto mar. Também não vou dizer que, seletivamente, em alguns casos, as leis brasileiras são mandadas pcdc!
Paca pode ser comida e mostrada que está “gostosa”



