DEU NO X

DEU NO JORNAL

OS DOIS BRASIS: CRÔNICA DE UM PAÍS REFÉM

Paulo Briguet

Brasília desfilou poder e ódio; a Avenida Paulista, povo e liberdade. Dois Brasis, um abismo entre o poder e o clamor por justiça

Eu vi os dois Brasis neste domingo — e existe um abismo entre eles. Há um Brasil que grita por socorro e um Brasil que saliva de ódio. Um Brasil que clama por liberdade e um Brasil que exige censura. Um Brasil que pede misericórdia e um Brasil que nunca perdoa. Um Brasil da compaixão e um Brasil do ressentimento. Um Brasil das multidões e um Brasil dos gatos-pingados. Um Brasil do povo e um Brasil do poder. Um Brasil dos brasileiros e um Brasil de Brasília.

Tempos atrás, um dos Brasis — aquele que manda — declarou guerra ao outro e o fez de refém. O Brasil da liberdade foi sequestrado pelo Brasil da ditadura. O Brasil da lei foi engolido pelo Brasil da vontade. O Brasil que ora foi colocado na clandestinidade pelo Brasil que pune.

Em um show de constrangimento, o Brasil de Brasília desfilou neste domingo para um ralo público de ministros, assessores, funcionários, militantes e militares. Enquanto isso, o Brasil dos brasileiros lotou as ruas das grandes cidades. Não poderia haver retrato mais perfeito do abismo que separa a realidade factual da narrativa oficial. São dois países tão distantes e incomunicáveis que parecem pertencer a universos diferentes.

E justamente agora, depois dessa cabal demonstração da desigualdade entre os dois Brasis, o país do poder se prepara para dar o golpe fatal no país do povo. Sem provas e sem pudor, vão executar a última parte do massacre. O objetivo é dar a última facada no inimigo — a definitiva.

As ditaduras totalitárias jamais se contentam em derrotar os opositores. É necessário humilhá-los. As lágrimas da ex-primeira-dama na Avenida Paulista mostram que o processo de desmantelamento moral do adversário não deixa impunes nem mesmo as crianças. Como dizia Stálin em 1930: “Vamos destruir os inimigos do Partido e suas famílias”. E assim foi feito.

É compreensível que o Brasil de Brasília se revolte com o clamor por anistia. Durante décadas, vivemos um teatro político em que apenas eles podiam mencionar determinados termos.

Anistia, liberdade de expressão, direito à ampla defesa e devido processo legal só eram aceitáveis quando beneficiavam terroristas, assaltantes, ladrões de dinheiro público, fraudadores, sequestradores e agentes de ditaduras genocidas.

Não obstante, uma palavra que tem sido largamente utilizada pelo Brasil de Brasília nos últimos tempos é soberania. Considerando que, no sentido original do termo, soberania equivale a “poder supremo”, torna-se difícil encontrar um termo mais adequado à situação dos dois Brasis.

Os que hoje defendem a soberania diante de Trump — algo que jamais fizeram diante dos piores tiranos —, na verdade, querem a supremacia dos assassinos da liberdade, da lei e da justiça. Exigem toda soberania aos carrascos, aos assaltantes, aos censores, aos psicopatas, aos malignos, para que assim possam agir livremente.

Em 1822, D. Pedro bradou contra a tirania das cortes de Lisboa. Duzentos e três anos depois, bradamos contra a tirania da corte de Brasília. Triste país partido, triste país refém.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

RODRIGO CONSTANTINO

ANISTIA JÁ: O RECADO DAS RUAS

Milhares de manifestantes de direita se reúnem na Avenida Paulista, em São Paulo, neste 7 de setembro

Milhares de manifestantes de direita se reúnem na Avenida Paulista, em São Paulo, neste 7 de setembro

Feriado de 7 de setembro, o mais importante da Pátria, pois celebra sua Independência, e o povo foi em peso às ruas de todo país gritar por anistia. O povo fez sua parte, lotando a Avenida Paulista, Copacabana e outras cidades país afora. O contraste com o festejo oficial do governo Lula, totalmente esvaziado, e com o “grito dos excluídos”, organizado pela esquerda radical, mostrou que a direita tem a hegemonia das ruas.

Vários cartazes pediam Anistia Já, impeachment de Alexandre de Moraes e Fora Lula. As pautas giram em torno do mesmo tema: o desejo de resgatar a democracia perdida em nosso Brasil. Temos presos políticos, caça às bruxas, censura, e Moraes virou o grande ícone desse estado de exceção, dos abusos supremos.

Bandeiras americanas mostraram a gratidão do povo pela pressão que tem feito o governo Trump contra tais abusos. De Tabata Amaral e Ricardo Noblat, a esquerda tentou ver contradição nisso, já que a direita grita que nossa bandeira jamais será vermelha. Confundem a paixão da própria esquerda pelo comunismo, querendo substituir a bandeira verde e amarela pela vermelha, com uma singela homenagem aos americanos. E são os mesmos que ostentam bandeiras palestinas em seus protestos!

Os discursos das lideranças que subiram nos carros de som foram firmes na defesa das liberdades. O governador Tarcísio de Freitas chamou a atenção por seu tom mais contundente, e foi a primeira vez em que mencionou diretamente o ministro supremo: “Ninguém aguenta mais a tirania de um ministro como Moraes”. Tarcísio cruzou o Rubicão e já está sendo atacado pela turma elite por isso, mas merece aplausos. Até “ontem” ele estava apostando no diálogo, mas sabemos que dialogar com Moraes é pedir para ser atropelado por abusos constantes.

Michelle Bolsonaro, por sua vez, fez o discurso mais comovente, às lágrimas, mostrando o grau de humilhação que sua família precisa enfrentar todos os dias. Sua filha Laura, de 14 anos, sempre que vai à escola passa por revista no carro para ver se seu pai não está escondido para fugir. Bolsonaro não cometeu qualquer crime, sequer foi condenado pelo suposto golpe nesse julgamento farsesco, mas o sistema impõe um grau de humilhação que expõe o sadismo dos envolvidos.

Por fim, o editorial do Estadão deste domingo merece menção, por ser o mais infame numa lista grande. Basicamente o jornal tucano admite que o STF foi longe demais, e pede a volta à normalidade institucional – mas somente depois de condenar Bolsonaro. É como Santo Agostinho ao pedir castidade, mas não “agora”. O jornal faz vista grossa a todos os abusos que, no fundo, condena, pois o alvo é o bolsonarismo. Para pegar Jair Bolsonaro, vale tudo!

É justamente contra este tipo de mentalidade que o povo foi às ruas protestar e pedir anistia, pois entende, muito melhor do que os “refinados democratas” do jornal, que é assim que as democracias morrem. A normalidade institucional precisa ser resgatada já, agora mesmo, não amanhã ou depois. E para tanto é preciso anistiar os inocentes condenados pelo Supremo para dar respaldo a uma narrativa fajuta de golpe. Não houve golpe algum, ao menos não por parte de Bolsonaro. O verdadeiro golpe foi dado pelo próprio STF…

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO JORNAL

DEU NO X

DEU NO JORNAL

CHAMEM A POLÍCIA!

São indecentes os números da Contag (Confederação de Trabalhadores na Agricultura), controlada pelo PT, no escândalo do INSS.

A CPMI apurou que, em um só dia de novembro de 2023, a Contag registrou “descontos associativos não autorizados” de 34.487 aposentados.

* * *

Mais de 34 mil ladroagens num único dia.

É pra arrombar!!!

A expressão “controlada pelo PT”, constante nessa nota aí de cima, resume tudo.

Não precisa se dizer mais nada.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

NOITINHA – Florbela Espanca

A noite sobre nós se debruçou…
Minha alma ajoelha, põe as mãos e ora!
O luar, pelas colinas, nesta hora,
É água dum gomil que se entornou…

Não sei quem tanta pérola espalhou!
Murmura alguém pelas quebradas fora…
Flores do campo, humildes, mesmo agora.
A noite, os olhos brandos, lhes fechou…

Fumo beijando o colmo dos casais…
Serenidade idílica de fontes,
E a voz dos rouxinóis nos salgueirais…

Tranquilidade… calma… anoitecer…
Num êxtase, eu escuto pelos montes
O coração das pedras a bater…

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)