Arquivo diários:5 de setembro de 2025
DEU NO JORNAL
RODRIGO CONSTANTINO
A MAIOR CONQUISTA DE TRUMP

Ataque anunciado por Trump é o primeiro desde que os EUA enviaram oito navios de guerra e um submarino nuclear para as águas próximas da Venezuela
O presidente Donald Trump vem acumulando vitórias importantes, como os anúncios de investimentos bilionários das Big Techs no país. Trump reuniu alguns dos principais executivos do setor de tecnologia em um jantar na Casa Branca que serviu como vitrine para promessas bilionárias de investimento em inteligência artificial nos Estados Unidos.
Em um discurso de abertura, Trump abordou uma das maiores preocupações da indústria: a disponibilidade de energia para sustentar o crescimento de data centers que alimentam o boom da IA: “Estamos facilitando muito para vocês em termos de capacidade elétrica e de licenças. Estamos liderando a China por uma margem enorme”.
Mas é na área geopolítica que Trump pode deixar seu maior legado, em especial na América Latina. Sim, existe a guerra da Rússia contra a Ucrânia e o conflito no Oriente Médio, ambos com participação ativa dos americanos. Mas é no quintal ao sul do próprio continente que a coisa pode realmente se transformar para valer.
Diz a manchete da Folha: “EUA enviam caças F-35 e escalam crise com Venezuela”. Diz a matéria: “A crise entre Estados Unidos e Venezuela escalou nesta sexta-feira (5) com a revelação de que Donald Trump ordenou o envio de dez caças avançados F-35 para Porto Rico, território americano no Caribe, para participar do que Washington chama de missão contra o narcotráfico”.
Essa missão coloca em xeque a própria sobrevivência do regime de Maduro, uma vez que os Estados Unidos o rotularam como o chefe do cartel que distribui as drogas. A coisa pode escalar para algo muito maior do que a destruição de um barco com drogas, e o ditador sabe disso, o que explica sua apreensão. Trump chegou a repostar em sua rede Truth Social uma mensagem de Rachel Campos-Duffy, apresentadora da Fox News:
Quando Donald Trump limpar o Hemisfério Ocidental, erradicando cartéis transnacionais, ditadores narco e a influência perniciosa dos comunistas chineses, essa vitória será, sem dúvida, sua MAIOR conquista em política externa até agora. Por quê? Porque esta é a NOSSA vizinhança. Isso afeta diretamente os americanos, nossa segurança nacional. Ao declarar os cartéis como organizações terroristas, ele pode usar o poder do exército dos EUA para erradicá-los, como fez com o ISIS (ele o fez em menos de um mês!). Os povos da América Latina QUEREM que o Presidente Trump faça o que seus próprios líderes incapazes não podem ou não querem fazer – libertá-los do controle e da violência dos cartéis. Eles sabem que ele é um líder que surge um em cada geração e que é agora ou nunca! Ele é o único que pode, de uma vez por todas, derrotar os cartéis e libertar o Hemisfério Ocidental!
De fato, se Trump conseguir derrubar os ditadores ligados ao Foro de SP e seus cartéis aliados, isso será seu maior legado geopolítico. Rachel está certa: o povo latino-americano deseja isso! Por tempo demais aguentou a miséria e a escravidão provenientes do comunismo, e agora enxerga em Trump uma luz no fim do túnel. A chegada da cavalaria americana enche os latinos de esperança. Que Maduro e seus comparsas estejam com seus dias contados, é o que todos desejam…
LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA
MAIS SOBRE A COP30
DEU NO JORNAL
TUDO EM CASA
CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA
ENQUANTO O MARIDO DORMIA
– Doutor, na verdade estou cansada do Jorginho, me abusei da vida casada. Casei-me cedo aos 19 anos, hoje com 26 anos, sinto-me jovem, meu marido passa a noite em casa assistindo novela e jogo de futebol. Sem filhos, minha vida é um tédio, acabou a alegria do casamento. Quando fazemos amor é burocrático, obrigatório. Confesso, já tive vontade e oportunidade de traí-lo, entretanto, não faz minha cabeça, tenho forte sentimento de respeito, quero apenas meu marido como era antes. Oriente-me, por favor!
O Doutor Mário Moreira olhou para Laurinha, pigarreou discretamente, com fala bem compassada deu sua opinião.
– Minha querida, você está passando pela crise dos sete anos, todo casal tem esse problema. Está na hora de temperar esse casamento, a cama é ótima para reorganizar uma vida a dois. Faça uma surpresa, no fim de semana você convida o marido para assistir a um filme na NETFLIX com cenas quentes de sexo. Compre duas ou três garrafas de bom vinho, vista um lingerie sensual, e vamos ver no que dá.
Um mês depois Laurinha retornou radiante, satisfeita da vida.
– Doutor, foi um santo remédio, não havia acabado a segunda garrafa de vinho, nem terminado o filme, nós já estávamos abraçados no tapete, tudo como antigamente. Jorginho adorou.
Passaram-se alguns meses, Laurinha retornou ao psiquiatra. Entrou nervosa.
– Doutor, desde aquela época nós estamos praticando experiências novas, coisas que jamais pensei fazer, eu adorando. Acontece que Jorginho me perguntou se eu já tinha ouvido falar em swing, eu pensava ser um ritmo de música. Ele sorriu e explicou: “Existe aqui no Recife o Clube de Swing, entretanto, não é para dançar, esse swing é a troca de casais. Os casais se encontram conversam, bebem, quebram o gelo, depois cada qual arrasta a mulher do outro para o motel. Quando termina é como nada tivesse acontecido.” Continuou: “Nós dois já fizemos todas as experiências que imaginávamos. Será que você toparia fazer essa novidade?” Eu fiquei chocada, sem saber responder. Não é um procedimento correto, mesmo que o casal esteja em crise conjugal. Comecei a achá-lo um grande salafrário, me trocar, saber que eu vou com outro homem que mal conheço. Isso é degradante. Que decepção.
– Querida Laurinha, para algumas pessoas a traição é relativa, é o caso de seu marido aceitar a troca de casais, já para você é inconcebível pela sua formação moral. Conheço bem os padrões rígidos da educação nordestina, porém, a decisão é sua. Nada posso aconselhar. Faça o que seu coração mandar.
Na sexta-feira à noite Jorginho voltou a insistir no swing. Era a evolução dos costumes, dos casais modernos. Laurinha constrangida, com o coração apertado aceitou a proposta, só para satisfazê-lo. Foram ao Clube do Swing, tomaram uma mesa, pediram uísque, Laurinha nervosa e chateada. Logo apareceu um casal pedindo para sentar. Muita conversa, Jorginho estava radiante quando viu a bela mulher da troca. O marido também era um cara bonito. Beberam muito, conversaram, sorriram, até que chegou a hora da troca. Laurinha com o coração aos pulos. Ao entrar no quarto do motel ela caiu no choro, pediu desculpas ao parceiro, não quis de jeito nenhum. O parceiro educadamente compreendia, era a primeira vez. Ele foi elegante não se sentiu ludibriado. Levou Laurinha para seu apartamento em Boa Viagem.
Ela agradeceu ao cavalheiro. Em casa ficou contemplando o mar, pensando. Três horas depois chegou Jorginho satisfeito da vida, perguntando. Que tal? Gostou? Laurinha teve nojo do marido, vontade de jogar-lhe um vaso na cara. Cansado, bêbado, ele vestiu o pijama e deitou-se. Enquanto o marido dormia, ela arrumou duas malas, tomou um taxi para o aeroporto. Pegou um avião, retornou de vez para sua querida cidade, Belém.
Ficou um tempo no apartamento dos pais que lhe deram todo apoio. Laurinha está solteira e feliz, é vista nos bares bem frequentados pelas mulheres mais descoladas da cidade. Vez em quando, em seu pequeno apartamento, ela oferece um bom vinho a algum parceiro, assistindo a um bom filme. Outro dia Jorginho telefonou, ela foi taxativa, jamais voltará. Ele quis saber em que momento ela decidiu a separação e viajou de repente. Laurinha respondeu simplesmente. “Enquanto você dormia.”
CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA
LEVI ALBERNAZ – ANÁPOLIS-GO
ALEXANDRE GARCIA
MARCOS DO VAL TERÁ UMA PAUSA

Marcos do Val expõe tornozeleira eletrônica durante sessão do Senado
O senador Marcos Do Val pediu licença para tratamento de saúde, passou pelo serviço de saúde do Senado, foi aprovado, ele vai ficar 115 dias fora. O senador ainda disse que a mãe está com câncer e o pai está se recuperando de uma cirurgia delicada; mas certamente ele quer um descanso depois de tudo o que lhe aconteceu: a tornozeleira eletrônica ao sair do avião em que voltou dos Estados Unidos, para onde havia ido com o passaporte diplomático, e o contracheque bloqueado no Senado. Tudo isso porque agora temos um Davi Alcolumbre, e não um Antônio Carlos Magalhães, como presidente do Senado; na época de ACM isso não teria acontecido de jeito nenhum.
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Anistia e proteção a parlamentares ganham força com aumento da oposição
A oposição está estudando uma ação baseada no artigo 53 da Constituição, aquele segundo o qual deputados e senadores são “invioláveis por quaisquer palavras”, e que o Supremo finge que não existe. O parágrafo 3.º diz que uma ação contra um parlamentar só pode ter continuidade se, por iniciativa de partido político, o Senado ou a Câmara concordarem. Parece-me o caso de Alexandre Ramagem, que é réu nesse julgamento fantástico – “fantástico” no sentido estrito da palavra, de algo mitológico, difícil de acreditar, uma invenção fora da realidade.
A anistia também está avançando no Congresso. A oposição hoje está forte, porque o Centrão já saiu totalmente; o União Brasil e o PP desembarcaram do governo, tinham três ministérios e caíram fora. Os ministros até podem querer ficar no governo, mas serão expulsos do partido.
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Xingue um ministro do STF e ganhe um indiciamento
Dias atrás, o ministro do STF Flávio Dino foi xingado em um avião. Talvez não houvesse avião da FAB disponível, talvez estivesse faltando combustível para a Força Aérea – dizem que o próprio comandante da FAB está usando voos comerciais para seus compromissos de trabalho, para não gastar uma quantidade grande de combustível; gasta-se menos viajando de avião de carreira que usar um jatinho para levar uma pessoa só. Fato é que Dino resolveu pegar um voo comercial e foi xingado no avião. A passageira dizia “o avião está contaminado, vejam quem está aqui, Flávio Dino”.
Essas coisas são perigosas, eu reconheço. Certa vez um sujeito me xingou em Confins, se não me engano; o comandante queria chamar a Polícia Federal para retirá-lo, mas eu disse: “Não faça isso, comandante, por favor. Ele quer aparecer”. No entanto, o comandante me disse que metade do avião poderia ficar ao meu lado, a outra metade contra mim, e haveria um motim dentro do avião. No fim das contas, o sujeito foi lá, viajou, e desceu tranquilo, coitado. Só disse que eu o estava atingindo. Com ele não aconteceu nada, mas a passageira do voo de São Luís para Brasília está sendo indiciada por injúria e incitação ao crime.
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Teimosia de Lula custa empregos, mas ele só pensa em fazer populismo com gás
Uma empresária de um polo moveleiro gaúcho, acho que de Bento Gonçalves, disse que deve haver perda de 9 mil empregos porque Lula não quer negociar com Donald Trump. Todos negociaram, menos Lula. Em vez disso, o presidente está investindo na demagogia populista dele. Anunciou na quinta-feira o Gás do Povo, com botijão de 13 quilos de graça para 15,5 milhões famílias, o que dá umas 70 milhões de pessoas, ou 30 milhões de eleitores. O programa vai custar, nesse ano, quase R$ 4 bilhões; no ano que vem, mais de R$ 5 bilhões. É o Lula quem vai pagar tudo isso? Claro que não! Quem vai pagar esse gás? Você adivinhou: você é um dos pagadores desse gás, porque não há outra fonte de dinheiro para o governo gastar a não ser nós, que pagamos impostos sobre tudo que compramos.
DEU NO JORNAL
ESSES IANQUES…
Já opera no Aeroporto de Guarulhos (SP) um raio X de dupla visão, scanner corporal com tecnologia de imagem avançada e detecção de traços de explosivos.
Doação de US$ 2 milhões do governo dos EUA.
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Esses galêgos dos Zistados Zunidos são cheios de presepadas.
O governo de Trumpão fazer uma doação prum aeroporto brasileiro.
E uma doação baratinha: 2 mi mi de dólares.
JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO
O TRIBUNAL DO SANTO OFÍCIO
Começou esta semana, em Brasília, um julgamento com sentença já redigida. Sem qualquer suspense ou dúvida, sabemos todos como terminará. Só um teatro. Revelando ao mundo a cara de um país fraturado, como o nosso, que aposta numa radicalização mais ampla. E insensata.
Levando, cada vez mais, a que nos afastemos do país fraterno de que falava Sérgio Buarque de Holanda em sua tese clássica sobre nossas raízes, Brasil, um país cordial. Em vez de falar sobre isso, por acaso me veio à mente um episódio marcante de nossa história. Que fala de Inquisidores e da Inquisição. E finda por repercutir, como se verá, no país que somos hoje. Espero que o amigo leitor aprecie.
Começo lembrando que os primeiros prenúncios de um maior conservadorismo na Igreja Católica se deram com o Tribunal Público Contra a Heresia, em Orleans, por volta de 1022. A partir daí o movimento dirigiu-se, depois da França, para a Espanha; quando, em 1478, o papa de Sarvona Sisto IV emitiu a bula Exigit sincerae devotionis affectus, permitindo a instalação de um Tribunal da Inquisição em Castela. O que levou a enorme imigração de judeus e hereges, que lá viviam, para terras lusitanas.
Os mesmos que passaram a ser perseguidos, também ali, a partir do Édito de Expulsão de 1496. Ocorre que a Inquisição instalou-se, em Portugal, só bem depois; talvez por não demonstrar, o país, tanto poder junto à Santa Fé. Valendo lembrar que a igreja teve apenas um papa português, e bem antes, Pedro Julião Rebolo (1215 ‒ 1277), nomeado João XXI e mais conhecido como Pedro Hispano.
Em 1515 o rei D. Manuel I, O Venturoso, requereu um tribunal similar ao papa florentino Leão X, para cumprir compromisso que contraiu no casamento com Maria de Aragão. Sem sucesso. Depois da morte do monarca, em 1521, o trono português passou a ser ocupado por D. João III, e aquela solicitação foi reiterada ao papa do Lácio Paulo III. Para dar força ao pedido, que fez em 1524, havia permitido que judeus pudessem abandonar Portugal em paz. Novamente sem sucesso, no pleito. Mas a preparação avançava.
Em 1531, ocorreu grande sismo em Lisboa, prenúncio daquele gigantesco de 1775. Tido, pelo povo, como culpa do criptojudaísmo. Tudo conspirando para que o papa florentino Clemente VII finalmente autorizasse a fundação do Santo Ofício, em Portugal, com a bula Cum ad nihil magis (publicada em 22/10/1536). Logo nomeado, como Inquisidor-Mor, o frei Diogo da Silva, bispo ceuta e não por acaso confessor do Rei D. João III.
O primeiro Livro de Denúncias, iniciado em Évora, continuou em Lisboa. A partir de janeiro de 1537, para onde se transferiu a Inquisição, instalada no local onde hoje está o Teatro D. Maria II. Até que, a partir de 1541, foram sendo criados novos tribunais em Coimbra, Évora, Lamego, Porto. O domínio espanhol em Portugal, a partir de 1580 (findaria só em 1640), não alterou a maneira de agir da Inquisição, que tinha grande atuação no país vizinho.
O Regimento de 1640, em um Portugal já liberto, determinava que cada tribunal do Santo Ofício deveria ter uma Bíblia; um livro de Direito Canônico; o manual dos inquisidores, Directorium inquisitorum, do inquisidor catalão Nicolau Aymerich; e De catholicis istitutionibus, do bispo espanhol Diego de Simancas. O Inquisidor era considerado um Sanctificatus Master. Centenas de servidores lhe prestavam serviços, mantidos seus nomes em segredo. Oficiais da Inquisição, quando não faziam parte do clero, eram conhecidos como Familiares do Santo Ofício.
Membros da nobreza exerciam enorme poder, até mesmo para efetuar prisões. Informantes eram bem recompensados, inclusive com isenção de impostos. As denúncias acabavam todas aceitas, inclusive cartas anônimas (desde que “a serviço de Deus e ao bem da fé”), simples boatos ou declarações feitas em severos interrogatórios (só não se podendo ouvir o acusado, nas sessões públicas, “mostrando sinais de torturas”).
Diferentemente da espanhola, que perseguia protestantes, essa Inquisição portuguesa pouco se interessou pelos crimes por lá mais comuns de bruxaria e sodomia. Alvos em Portugal eram, sobretudo, judeus, depois de suas conversões religiosas tidos como cristãos-novos.
Presos tinham seus bens confiscados e transferidos para depósito, num processo considerado Sequestro, com base no princípio do confisco automático. E eram vendidos, em hasta pública. Garantindo, para além dos emolumentos pelos serviços em nome da fé, recursos gastos no custeio das despesas do processo (salários, visitas, viagens), afora a parte da Coroa ‒ usada para manter equipamentos das frotas e despesas de guerra.
Certo que posterior declaração de inocência, dos tais acusados, quase sempre correspondia a que não recuperassem aqueles bens, posto que já transferidos a terceiros. Francisco Carvalho Rosado (A Inquisição em Cascais) até diz serem “processos motivados mais por motivos econômicos do que propriamente por razões religiosas”.
A inquisição, em Portugal, se cumprira pelas mãos dos inquisidores. Muitos. Enquanto, no Brasil, por visitadores. Mais famosos destes, por aqui, foram os conhecidos como Heitor e Alexandre. Na capitania da Baia de Todos os Santos, o padre Heitor Furtado de Mendonça (de Montemor-o-Velho). E, na capitania de Goiás, o padre Alexandre Marqueza do Valle (sem local de nascimento conhecido), célebres os dois pela violência com que combatiam todos os que se opusessem à sua fé. E a seus interesses.
Os poderes atribuídos a esses inquisidores não tinham limites, alcançando inclusive a censura de todas as publicações ou a proibição de imprimir a Bíblia em quaisquer outras línguas afora o latim. Podiam prender e julgar, quando e como quisessem. Com autoridade sem limites, incontáveis vezes castigavam quem não merecia.
Os meios de levar os presos a confessar eram reconhecidamente severos; com frequência usando-se, nos interrogatórios, torturas. Sobretudo a cura da água (nome piedoso para o waterboarding), uma simulação de afogamento, depois com aplicação generalizada no mundo inteiro; o strappato (ou polé), quando as mãos da vítima eram amarradas por trás das costas e o corpo suspenso pelos pulsos (algumas vezes com pesos nos pés), numa roldana presa ao teto, deixando cair o corpo com violência, sem tocar o chão; e o potro (ou cavalete) em que o corpo, preso por oito cordas (duas para cada membro), acabava esticado, por manivela, sobre uma espécie de mesa de estrutura retangular, até deslocar as articulações do infeliz.
Julgamentos eram secretos, sem admissão de recursos. Com sentenças executadas em sessões públicas denominadas Autos de Fé, que se sucediam por toda parte ‒ do Terreiro do Paço ao Terreiro do Trigo, na frente dos curtumes ou nos interiores das igrejas. Com destaque para a de São Domingues, famosa desde os tempos da Peste Negra que se espalhou pela Europa a partir do século XIV ‒ nascida junto com o comércio das especiarias que vinham, de Constantinopla, em navios infestados com pulgas e ratos.
Não foram poucos os escritores atingidos por ela todos processados, sentenciados ou presos. Com destaque para o padre António Vieira, em 1665. Consta ser de Vieira o livro Notícias reconditas do modo de proceder a Inquisição de Portugal com os presos, que teria sido por ele entregue ao papa romano Clemente X. E talvez não seja coincidência o fato de ter a Igreja interditado a Inquisição, entre 1674 e 1681, sem mais registros desses fatos.
Mesmo na sua fase final, continuaram as perseguições; atingindo, entre outros autores famosos, António José da Silva (O Judeu), o padre Francisco Manuel do Nascimento (mais conhecido por seu nome arcádico de Filinto Elísio) e Manuel Maria Barbosa du Bocage.
Penitências privadas iam de açoites a prisões (temporárias ou perpétuas). Penas mais frequentes eram o confisco de bens e castigos físicos: açoitamento, condenações às galés, desterro, trabalhos forçados. Além do degredo, aplicado nos casos de blasfêmia, bruxaria, criptojudaísmo, injúria e sodomia. Homens e mulheres degredados, conhecidos como Modestos, no Brasil passaram a ser em maior número que os imigrantes voluntários. Nosso país acabou virando refúgio para perseguidos pela inquisição, sobretudo aqueles descendentes de judeus.
Arrependimentos eram aceitos pelos inquisidores em alguns casos, quando aquelas almas eram salvas do inferno. Algo cada vez mais frequente que, para escapar dos sofrimentos físicos, quase sempre os acusados se confessavam culpados. Sentenças, nos julgamentos, eram decididas pelo voto de maioria; sendo necessário ao menos cinco votos, num colégio formado por três inquisidores mais advogados, promotores, notários e outros funcionários. Penas médias variavam de 5 a 10 anos; mas milhares morreram, nas prisões, à espera de julgamento.
Em tudo se destacando a figura do Inquisidor que, ao menos em questões de fé, se mostrava com o mais poderoso homem do país. Um poder, literalmente, sem nenhum limite. Terá deixado herdeiros?, eis a questão.
PS. Na próxima coluna, em “A Inquisição e o Brasil”, conclusão do tema.
DEU NO JORNAL
NUVEM HILÁRIA
Enquanto atacava o presidente Donald Trump do palanque que nunca abandona, Lula (PT) fechava os olhos à contratação, por 36 meses, do direito de uso da plataforma americana Cloudera pela estatal Serpro, o Serviço Federal de Processamento de Dados, para criação da “Nuvem de Governo”, com objetivo de “garantir privacidade e controle de dados do Estado”.
Incapazes de desenvolver a solução, os petistas optaram por comprar dos americanos sua lorota grotesca de “nuvem soberana”.
Evite risada, é sério: o pregão para comprar a plataforma Cloudera “por meio do programa Managed Service Providers (MSP)” será no dia 12.
Diante de provável agravamento das sanções, basta a Casa Branca desligar a Cloudera e a nuvem saberá que nada tem de “soberana”.
O objetivo da lacração chamada “nuvem soberana”, a cargo de Serpro e Dataprev, é “proteger” os dados mais “sensíveis” do governo.
Os petistas não têm sido capazes sequer de perceber que “soberania digital” exige investimento em tecnologia e a qualificação que lhes falta.
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Diz essa nota aí de cima para você “evitar risadas”.
Mas eu recomendo o contrário: vamos começar a sexta-feira rindo.
Faz bem pra saúde e levanta o astral.


