DEU NO JORNAL

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO X

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO JORNAL

A PREDOMINÂCIA DO VERMELHO

Enquanto a Secretaria de Comunicação de Lula (PT) usa dinheiro público em campanha milionária, tentando associar a Seleção Brasileira ao governo petista, o próprio presidente ignora a camisa amarela orgulhosamente usada pelos bolsonaristas.

Desde a posse, Lula não usou uma única vez a camisa amarela, nem mesmo em pose para o Instagram. A última postagem do petista com a amarelinha foi em 5 de dezembro de 2022, quando o Brasil enfrentou a Coreia do Sul.

Em 24 de julho de 2023, jogo da seleção feminina de futebol, Lula evitou a camisa amarela, posando com roupa de treino azul escuro.

De lá para cá, o petista publicou fotos com peças brancas, tons de azul, jeans e até sem camisa, mas nada de amarelo ou verde-amarelo.

É o vermelho que domina o guarda-roupas de Lula.

Se nunca usa o “manto” da Seleção, vestiu camisa vermelho PT em 60 publicações.

Até artistas tipo Fafá de Belém e Maria Bethânia evitam o amarelo ou o neutro com Lula. Preferem peças vermelhas para agradar o ídolo.

* * *

É vermelho pra todo lado e em todo canto.

Vermelho em cima, vermelho embaixo, vermelho pra lá, vermelho pra cá.

Só tem um lugar que não fica vermelho nunca:

É a cara de Lula!

Continua lisa, lisa, mesmo com as barbaridades que costuma excretar diariamente.

Não se enrubesce nunca no fucinho!

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

ALVORADA ETERNA – J. G. de Araújo Jorge

Quando formos os dois já bem velhinhos,
já bem cansados, trôpegos, vencidos,
um ao outro apoiados, nos caminhos,
depois de tantos sonhos percorridos…

Quando formos os dois já bem velhinhos
a lembrar tempos idos e vividos,
sem mais nada colher, nem mesmo espinhos
nos gestos desfolhados e pendidos…

Quando formos só os dois, já bem velhinhos,
lá onde findam todos os caminhos
e onde a saudade, o chão, de folhas junca…

Olha amor, os meus olhos, bem no fundo,
e hás de ver que este amor em que me inundo
é uma alvorada que não morre nunca!

José Guilherme de Araújo Jorge, Tarauacá-AC (1914-1987)

DEU NO JORNAL

UM DREYFUS TROPICAL?

Luciano Trigo

Caso Dreyfus e regimes autoritários: Bolsonaro corre risco de ser condenado por representar um movimento político, não por atos concretos

A declaração do advogado Paulo Cunha Bueno de que a condenação de Jair Bolsonaro por golpe de Estado lembra o caso Dreyfus e a legislação soviética não foi apenas uma frase de impacto ou um exagero retórico. A comparação ilumina os perigos que a democracia e o Estado de Direito correm quando tribunais se tornam instrumentos de perseguição política.

O fato é que as duas analogias se aplicam perfeitamente ao processo em curso. Elas oferecem uma síntese poderosa da gravidade do momento vivido pelo Brasil.

A legislação soviética, em particular durante o stalinismo, não era um conjunto de normas estáveis e claras, mas um aparato de repressão moldado para legitimar a vontade dos dirigentes do Partido Comunista e consolidar seu poder. O objetivo das leis não era proteger o cidadão contra abusos do Estado, mas transformar o Estado em árbitro absoluto da verdade. Não se procurava fazer justiça, mas eliminar adversários.

Um dos elementos desse sistema era a criminalização da intenção. Bastava que um indivíduo fosse acusado de tramar contra o Estado socialista ou de ter potencial para conspirar contra o regime para ser condenado a uma pena altíssima.

Provas materiais eram dispensadas, testemunhos eram forjados, delações eram obtidas de forma heterodoxa e interpretações subjetivas de falas ou gestos eram a norma.

A acusação de golpe de Estado contra Bolsonaro se aproxima perigosamente dessa lógica. Não houve tanques nas ruas, não houve ocupação de quartéis, não houve ordens militares para depor o governo.

O que pode ser atribuído ao ex-presidente é uma atitude polêmica e até imprudente em determinados momentos, mas ainda assim dentro do campo da palavra – e, portanto, protegida pela liberdade de expressão e pelo direito à crítica.

Transformar falas, reuniões e especulações em provas de tentativa de golpe é criminalizar intenções e opiniões. Isso costuma ser associado a regimes autoritários, não a democracias.

O caso Dreyfus é um dos exemplos mais famosos da instrumentalização da justiça para fins políticos. Na França do final do século XIX, o capitão Alfred Dreyfus, oficial judeu do exército, foi acusado de traição e condenado injustamente com base em provas forjadas.

Sua verdadeira culpa não estava nos documentos que supostamente entregou à Alemanha, mas em sua identidade como judeu e na necessidade do exército francês de encontrar um bode expiatório para seus próprios erros.

O processo foi marcado por antissemitismo, segredo de justiça (a defesa não tinha acesso a um dossiê apresentado aos juízes) e forte polarização social. Dreyfus enfrentou constrangimentos, como a proibição de se manifestar em seu julgamento, e foi condenado em um contexto de pressões políticas e midiáticas. Após anos de luta, impulsionada pelo panfleto J’accuse! de Émile Zola, Dreyfus foi finalmente inocentado, sendo reintegrado ao Exército em 1906.

Assim como Dreyfus, Bolsonaro é um oficial militar acusado de crimes contra a pátria, com base em evidências que sua defesa contesta e considera insuficientes. A minuta do golpe, por exemplo, é comparável ao memorando do caso Dreyfus: um documento cuja autoria e intenção são questionáveis.

A condução do processo, com prazos curtos para análise de um volume massivo de provas, também lembra as restrições impostas à defesa de Dreyfus, que não teve acesso a documentos fundamentais.

Além disso, o contexto de polarização política no Brasil, com forte pressão de setores da mídia, ecoa a atmosfera de divisão social da França do século XIX. Bueno argumentou que, assim como Dreyfus foi vítima de um julgamento politizado, Bolsonaro corre o risco de ser condenado por representar um movimento político, não por seus atos concretos.

Outro aspecto que reforça os dois paralelos é a transformação do julgamento em espetáculo. Tanto na União Soviética quanto no caso Dreyfus, os processos não eram conduzidos com sobriedade e discrição, mas em clima de propaganda. A condenação já estava escrita de antemão; o tribunal era apenas o palco.

No Brasil atual, votos longos, transmitidos ao vivo, repletos de referências morais e políticas, frequentemente substituem a análise estritamente jurídica. Juízes se transformaram em personagens midiáticos, não nos magistrados imparciais e discretos que deveriam ser.

O julgamento já não é apenas sobre Bolsonaro, mas sobre a afirmação do poder absoluto dessas cortes, que se colocam acima do Congresso, acima da vontade popular, acima da própria Constituição.

O que vemos hoje no Brasil é uma repetição, em chave contemporânea, desse drama. Bolsonaro tornou-se uma espécie de “Dreyfus tropical”: não importa se as provas contra ele são frágeis, contraditórias ou inexistentes; não importa se as delações são refeitas repetidas vezes; não importa se os fatos não sustentam a acusação de golpe. O que importa é satisfazer a ânsia de setores da elite política, midiática e judicial de puni-lo a qualquer preço.

Esse processo, portanto, não é jurídico, mas pedagógico no pior sentido do termo: serve para ensinar a todos os futuros opositores qual será o destino de quem ousar desafiar o sistema. Criou-se um clima no qual qualquer liderança fora do espectro aceito pelo sistema será perseguida, e qualquer movimento popular que desafie o status quo será criminalizado.

Há ainda um aspecto político fundamental. Jair Bolsonaro não é apenas um indivíduo: é o representante de dezenas de milhões de brasileiros que votaram nele e ainda o apoiam. Condená-lo sem provas robustas pode não ser percebido apenas como uma injustiça contra um cidadão, mas também como um golpe contra a soberania popular.

Na União Soviética, a ideia de democracia era substituída pela vontade do Partido. No Brasil de hoje, corre-se o risco de substituir a vontade do eleitor pela vontade do Judiciário. Isso gera um precedente perigoso: se tribunais podem afastar candidatos e cassar lideranças sem base jurídica sólida, o voto se torna irrelevante. O cidadão perde seu poder de decisão e se transforma em mero espectador de uma democracia encenada.

Esse tipo de fratura institucional corrói a confiança pública, mina a legitimidade do sistema político e alimenta ressentimentos perigosos, que poderão explodir a qualquer momento. Em vez de pacificar o país, a condenação de Bolsonaro apenas ampliará o pântano de polarização e desconfiança em que o país se encontra.

DEU NO X

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

MARCOS ANDRÉ – RECIFE-PE

A POLEMICA DO AUTOPEN

Trump afirma que perdões de Biden são nulos e foram falsificados por robô – AUTOPEN

Presidente acusou o uso de uma máquina autopen (FOTO DO MEIO) para falsificar assinaturas em perdões dados a membros da Comissão de 6 de janeiro, entre muitos outros documentos e chancela de leis.

Em uma publicação no Truth Social, o presidente Donald Trump afirmou que alguns perdões concedidos pelo presidente Joe Biden são “nulos, vazios e sem qualquer efeito”, alegando que uma máquina autopen, um dispositivo robótico que copiamecanicamente uma assinatura, foi usada para falsificar a assinatura de Biden.

Trump se referiu especificamente aos perdões dados a membros da Comissão de 6 de janeiro, afirmando que as assinaturas foram feitas por autopen e que Biden “não sabia de nada sobre isso”.

Esse debate reacende a polemica que alimenta a narrativa de muitos apoiadores de Trump, e que alegam que Biden não estava, realmente, no comando enquanto foi Presidente dos EUA.

Mas o que é a autopen?

Autopen é o nome de uma máquina que duplica assinaturas de forma automática, usando tinta verdadeira.

Tem o tamanho de uma impressora e uma espécie de braço robótico que pode segurar uma caneta, ou um lápis, para replicar num papel, uma assinatura previamente programada.

O presidente Trump anunciou que planeja instalar um retrato da caneta automática de Joe Biden em seu “Muro da Fama Presidencial”, no recém-reformado Jardim das Rosas da Casa Branca. “Será instalado em cerca de duas semanas.”

Afirma Trump que Biden, por ser senil, era um presidente figurativo, uma marionete nas mãos das víboras democratas.