DEU NO X

DEU NO JORNAL

NOVIDADE

Temendo que a oposição faça maioria no Senado, em 2026, e os torne alvos de impeachment, ministros do STF articulam nova intepretação criativa da Constituição que neutralize esse poder do Senado.

* * *

“Interpretação criativa” da nossa Constituição.

Gostei.

Uma grande novidade.

Nunca haviam feito isso antes!!!

JESUS DE RITINHA DE MIÚDO

PRAÇA CLARICE LISPECTOR

Praça com manhã agitada.

O senhor grisalho que vende flores está fazendo ótimos negócios. Já o vi despachando vários clientes. Eu sinto, daqui de onde estou sentado, o aroma agradável de suas flores naturais. Elas são coloridas e de diversas formas.

Um ceguinho hoje resolveu parar na praça, viola na mão, Mílton Nascimento na voz, sentimentos puros no coração. Os olhos por trás dos óculos pretos não conseguem enxergar o dia lindo. “Todo artista tem que ir aonde o povo está”, canta o cego sem importar-se com o tilintar das moedas jogadas pelos transeuntes. Até o senhor das flores veio lhe deixar algum dinheiro.

Mais à frente do cego, um grupo de homens joga dominó sobre a mesa de pedra.

Noutro canto há o jogo de gamão bem disputado por dois senhores. As damas são mexidas mais à direita, por taxistas observados por alguns companheiros.

Um cão dorme sob a proteção do banco de granito. A sombra caminha devagar para sair dele.

Alguns pombos voam e voltam. Uns vão, outros vêm…

Uma folha seca cai da castanhola e segue levada pelo vento, em parábolas abstrusas, indo descansar ao lado do cão.

Acaso.

Ainda imitando a voz de Mílton Nascimento, o cego parece fazer um juramento através dos versos “se eu morrer primeiro, tu me prometes sobre o meu peito inerte deixar cair todo pranto que mostra tua tristeza. Para que todos saibam do teu querer”.

Eu me levantei. Estiquei braços e costas. Pretendo caminhar em círculos pela praça. Seguirei em linha reta na vida sabendo de mim tanto, quanto o cão sabe da sombra e da companhia da folha seca.

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO X

DEU NO JORNAL

AVUAMENTO BARATINHO

Está no Tribunal de Contas da União (TCU) um pedido de auditoria nas viagens de pessoas sem cargo público no governo federal.

O pente-fino, solicitado pelo deputado Rodrigo da Zaeli (PL-MT), destaca, por exemplo, a disparada de 213% na gastança com diárias e passagens de “colaboradores eventuais” nos dois primeiros anos da gestão Lula, chegando a R$ 392,6 milhões.

Em 2021-2022, mesmo com o gasto já corrigido pela inflação, o valor fica bem abaixo, R$ 125,1 milhões.

Na representação, o Rodrigo da Zaeli cita passagens de R$ 237 mil pagas para a primeira-dama Janja, que não ocupa cargo público.

Se incluir servidores, a fatura fica ainda mais salgada.

O primeiro biênio de Lula custou ao País R$ 4,5 bilhões só em viagens.

* * *

Um tiquinho de nada: apenasmente 4,5 bilhões.

Em dois anos

Besteira.

O janjômetro merece apresentar números maiores.

Nóis paga e não bufa.

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

SONETO DA CONCILIAÇÃO – Lêdo Ivo

Que o amor não me iluda, como a bruma
que esconde uma imprevista segurança.
Antes, sustente o chão em que descansa
o que se irá, perdido como a espuma.

Veja que eu me elegi, mas sem nenhuma
razão de assim fazer, e sem lembrança
de aproveitar apenas a esquivança
de que o amor não prescinde em parte alguma.

Que também não se alheie ao que esclarece
o motivo real, de uma oferta,
reunir o acessório e o imprescindível.

Antes, atente a tudo o que se tece
distante do seu dia inconsumível
que dá certeza à noite mais incerta.

Lêdo Ivo, Maceió-AL, (1924-2012)

DEU NO X

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

A S D F G – (a s d f g)

Máquina Remington

Corriam céleres os anos das décadas de 40, 50 e 60. Aos trombolhões, o País marchava na direção de um crescimento. Crescimento trôpego, repito, com conhecimento.

Alguns setores cresciam mais que os outros, e a demanda de bons e capacitados profissionais era enorme. Era a necessidade daquela época – repito, de crescimento trôpego. Mas, crescimento.

Que seja do meu conhecimento, apenas duas entidades despontavam na formação dos jovens e dos profissionais como um todo: SESI e SENAI. Formação qualificada. Tão qualificada que, antes mesmo que muitos alunos concluíssem os cursos profissionalizantes, já recebiam convites para assumir os empregos – quase sempre na indústria.

Os professores dessas instituições não tinham mestrado nem doutorado. Mas tinham aprendizado, porque continuavam aprendendo na medida que ensinavam e praticavam. Diferente dos mestres e doutores dos dias de hoje – com prática zero.

Mas o tempo não ficou parado. Aquele frenesi dos anos acima citados arrefeceu. As coisas mudaram e com o passar do tempo a tecnologia começou a chegar aos poucos – SESI e SENAI já não tinham tanta importância. Foi quando apareceram as chamadas “Escolas Técnicas” e muitos dos antigos professores sem mestrado ou doutorado começaram a pegar o caminho de casa por aposentadoria.

Os anos da década de 50 chegaram “chutando a porta” com a maior força possível.

A partir de então, o jovem que não tivesse cursado o SESI ou o SENAI, só conseguiria alcançar o mercado de trabalho, se soubesse e tivesse aptidão em DATILOGRAFIA. Era a senha necessária para conquistar um emprego.

Eu, jovem saindo da adolescência, corri para a escola mais próxima, e, lá encontrei o famoso teclado, onde a primeira lição exigia a prática e o costume (sem ter o direito de olhar para o teclado – algumas escolas mais rigorosas punham uma espécie de banqueta para impedir a visão do teclado): A S D F G, as maiúsculas… ou, a s d f g, as minúsculas.

A primeira máquina de “Dactilografia” que vi e usei estudando, era a famosa (por quem ainda hoje sou apaixonado) REMINGTON. Firme sobre a mesa e em qualquer lugar onde fosse posta.

Mas, claro, existiam outras marcas de máquinas de datilografia, mas com as quais nunca me acostumei. Os apressadinhos inventaram as máquinas portáteis – das quais nunca gostei.

Máquina Olivetti

A marcha continou célere. O SESI praticamente fechou, e com o SENAI não foi diferente, pois saíram da mentalidade formadora de bons profissionais e entraram nas teóricas e desavergonhadas mentalidades políticas.

A então desconhecida datilografia chegou aos escritórios de contabilidade. Apareceram aquelas máquinas com “carros” de quase um metro – mas deixavam de lado os cálculos.

Precisavam, sempre, das informações que eram calculadas à parte.

Apareceram as “copiadoras” para substituir o tão útil “mimeógrafo” – alguns até utilizando a impressão a álcool. Mas, que precisavam passar pela datilografia.

A máquina IBM Composer

A chegada dos anos da década de 70, de tão gloriosa mentalidade esportiva do tricampeonato mundial de futebol, quando ainda éramos menos de 200 milhões de coniventes, preocupados carnavalescos, e adoradores de não sei o que, que jamais aprendemos a votar, trouxe junto a máquina elétrica por conta da IBM. O teclado permaneceu, mas a impressão passou a ser através de bolinhas removíveis de acordo com o tipo de letra desejado.

No Rio de Janeiro, anos depois de ter aprendido o ASDFG e o asdfg com prática sem precisar olhar para o teclado, aprendi, também, a usar a IBM Composer.

Hoje, querendo ou não, precisamos da automatização do PC que muitos chamam de Computador. Inventaram até um tal Notebook.

Mas, em respeito à minha memória afetiva, mantenho guardada e sempre limpa a minha Remington.