DEU NO JORNAL

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO JORNAL

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

OBRIGADO DEUS, POR ESSE GOVERNO!

Agora que já ajustou todas as pendências econômicas, é hora desse magnífico governo investir em treinamento de alta tecnologia nas áreas vitais para a população.

As próximas viagens poderiam contemplar um número maior de técnicos.

Temos baixo desempenho na confecção de croissant e de drinks com vodca; (Paris e Moscou).

Bora fazer o L, mas com muita força. Até explodir de felicidade.

E pra quem realmente fez o L, explico: Isso aí é pura ironia.

Estamos é com muita raiva dessa desgraça desgovernada que está nos destruindo, cuspindo na nossa cara e rindo.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

MARCOS MAIRTON – BRASÍLIA-DF

Berto,

depois que vazou a sua foto com o Trump, começaram a surgir especulações sobre a ocasião em que tal foto teria sido tirada.

A versão mais difundida é que teria sido em um campeonato de bufa.

Segundo me contaram, Trump ganhou na categoria PIPÔCO e você ficou com o ouro na categoria AROMA.

R. Êita peste!!!

Disputar um campeonato peidífero com Trumpão é uma honra inexcedível!!!

O vídeo que você mandou registra com precisão os estrondos que foram soltados por nós dois.

Pena que não dá pra sentir o aroma…

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

MISTÉRIO – Florbela Espanca

Gosto de ti, ó chuva, nos beirados,
Dizendo coisas que ninguém entende!
Da tua cantilena se desprende
Um sonho de magia e de pecados.

Dos teus pálidos dedos delicados
Uma alada canção palpita e ascende,
Frases que a nossa boca não aprende,
Murmúrios por caminhos desolados.

Pelo meu rosto branco, sempre frio,
Fazes passar o lúgubre arrepio
Das sensações estranhas, dolorosas…

Talvez um dia entenda o teu mistério…
Quando, inerte, na paz do cemitério,
O meu corpo matar a fome às rosas!

Florbela Espanca, Portugal (1894-1930)

DEU NO X

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

CRIME ORGANIZADO NO BRASIL

Não vejo mais argumentos para gente se surpreender com o que acontece nesse país. Vivemos, literalmente, num estado de incongruências de tal sorte que as ilegalidades passaram a ser tratadas como atenuantes legais. O cara é preso e sua ficha tem 87 anotações de crimes cometidos, mas o juiz entende que é um julgamento de valor acreditar que ele cometeria um crime a mais. Esse digníssimo magistrado, cujo salário é pago com os nossos impostos, nunca estudou nada que envolvesse cálculo de probabilidades.

No Brasil, o chefe do PCC – Marcola – tem mais poder do que qualquer outra pessoa pública, pois, como um “deus”, ele tem o poder sobre a vida/morte de quem quer que seja. Basta desagradá-lo ou agir de forma diferente do que reza a cartilha do crime. No estado do Ceará, algumas notícias – se verdadeiras – são de arrepiar até os cabelos do relógio. Esta semana, particularmente, uma pessoa da equipe de um projeto comentou comigo o quanto é “alucinada” por Fortaleza, mas não voltaria a morar lá com medo da violência. Vi, há uns 10 dias, um vídeo de uma pessoa dizendo que o coco vendido nas praias deve ser comprado a quem os criminosos ordenam. Li que mataram um homem que vendia espetinhos porque a aluguel do “ponto” passou para R$ 1.000,00 e ele reclamou.

O que se diz é que no estado do Ceará, a situação atingiu um patamar alarmante, pois o estado é palco de uma disputa intensa entre facções rivais, com consequências de brutalidade exacerbada envolvendo decapitação de pessoas, ou seja, o requinte de perversidade mostra que alguns humanos não conseguiram se desvencilhar dos institos primitivos.

O fato é que se você for olhar, de forma imparcial, o que acontece nesse país, verá que a realidade aponta para um Brasil dominado pelo crime organizado e isso não se refere à comunidades periféricas porque, nitidamente, setores preponderantes da economia estão sendo afetados e não é por exclusividade porque no sistema político tem também fortes laços com tudo isso. apenas domina comunidades periféricas, mas também se infiltra em setores formais da economia e até no sistema político, como apontam outras investigações recentes sobre emendas parlamentares com possível desvio de finalidade.

Essa semana, a principal notícia foi sobre uma das maiores operações já realizadas no Brasil contra o crime organizado que externou, “sem cuspe”, a capacidade de infiltração das facções criminosas em setores estratégicos da economia nacional. A tal operação, designada como “Operação Carbono Oculto”, mostrou que PCC movimentou mais de R$ 46 bilhões por meio de fintechs e postos de combustíveis, ou seja, uma belíssima máquina de lavar tão eficiente que, na sua aparência legal, adquiria, no todo ou em parte, frações do capital social de empresas e botava dinheiro em fundos de investimento, também.

Para especialistas, o Estado brasileiro vive um momento crucial. “Estamos diante de uma transformação do crime. Ele já não é mais apenas violento. É corporativo, estratégico, sofisticado. E está se institucionalizando”, afirma o sociólogo Luiz Werneck Vianna.

Seja nas ruas de Fortaleza, nos postos de gasolina de São Paulo ou nas plataformas digitais de fintechs da Faria Lima, o crime organizado encontrou brechas para prosperar. A resposta do Estado, agora, não pode ser pontual. Exige reformas estruturais, controle fiscal, ação de inteligência e presença institucional nos territórios vulneráveis.

De acordo com as investigações, as fintechs serviam como “bancos paralelos”, burlando o controle das instituições tradicionais, mas havia também uma rede envolvendo mais de mil postos de combustíveis em 10 estados, que vendiam gasolina adulterada e sonegavam bilhões de reais em impostos. As empresas ligadas à facção declaravam um lucro ínfimo, apesar de operarem volumes bilionários.

Essa operação, Carbono Oculto, pode ser apenas a ponta do iceberg porque aqui tem aquele espírito de caixa de lenço de papel, que você puxa um e vem dois ou três. O problema é que seria necessário ações mais enérgicas das autoridades, mas é aqui que começa a descrença, pelo menos de minha parte: até o momento, ninguém que roubou os velhinhos do INSS foi denunciado ou preso e da mesma forma, como os grandes setores econômicos envolvem questões políticas e políticos, meu prezado, entregue a Deus porque a justiça humana tem outras preocupações.

COMENTÁRIO DO LEITOR

MARCOS MAIRTON - CONTOS, CRÔNICAS E CORDEIS

JUSTIÇA, VINGANÇA E IMPARCIALIDADE – O QUE APRENDEMOS COM OS OITO ODIADOS

Recentemente publiquei em uma revista jurídica um artigo desenvolvido a partir do filme “Os Oito Odiados”, de Quentin Tarantino (2015). Embora a película não pareça, pelo menos à primeira vista, inspiradora de reflexões jurídicas, identifiquei nela um cenário denso, fechado e filosófico, que me levou a pensar o papel do Estado na mediação entre vingança e justiça.

Em uma das cenas mais provocativas do filme, Oswaldo Mobray, que se apresenta como carrasco da cidade de Red Rock, afirma que “a falta de paixão é a própria essência da justiça”. Para ele, o que diferencia a justiça da vingança não é o castigo em si, mas quem o aplica e como o faz. O carrasco, diz ele, não sente prazer nem ódio ao executar alguém — ele apenas cumpre um papel, sem envolvimento emocional. Por isso, seria ele o verdadeiro símbolo da justiça.

A fala é envolvente e convincente — mas deve ser examinada com cuidado. Primeiro, Mobray não é realmente um carrasco. Ele interpreta esse papel para fins próprios, e isso já põe sua reflexão sob suspeita. Segundo, talvez o carrasco até possa atuar dessa forma desapaixonada, mecânica até, mas ele apenas executa o que já foi decidido por um órgão julgador, ou seja, um juiz ou tribunal.

Isso nos põe diante da seguinte questão: será que esse ideal de justiça fria, desapaixonada, serve como modelo para quem julga?

O juiz não é um carrasco. O juiz não apenas cumpre — ele decide. E, ao decidir, toca dimensões humanas profundas: liberdade, honra, futuro.

A imparcialidade é, sim, uma exigência fundamental — mas ela não pode ser confundida com frieza. Um juiz não pode ser tomado pela paixão, mas tampouco pode se esvaziar de sentimento. Julgar é, também, compreender.

Hoje, em um mundo polarizado, o ideal de imparcialidade estatal continua essencial — mas também frágil. O risco de que estruturas institucionais se transformem em instrumentos de afirmação ideológica é real. A suposta neutralidade pode esconder escolhas seletivas, que passam por isentas mas estão carregadas de direção.

O que Tarantino nos lembra, ainda que à sua maneira, é que a justiça exige mais que uma alavanca puxada sem emoção. Se, por um lado, ela não deve ser dominada pela paixão, por outro, ela exige consciência e sensibilidade.

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