DEU NO X

RODRIGO CONSTANTINO

PARA MUITO ALÉM DE BOLSONARO

Vi alguns comentários nas redes sociais de gente comemorando a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro “porque ele merece”, já que “matou gente na pandemia”. Deixando de lado a questão do mérito da acusação, e ignorando que o vírus chinês matou, na mesma proporção, argentinos sob o governo lulista deles, cabe perguntar: o que uma coisa tem a ver com a outra?

Vamos admitir que o sujeito tem suas razões para odiar Bolsonaro: desejar que ele pague por isso mesmo sem qualquer legalidade é um perigo enorme, que não pode passar despercebido. Querer destruir o arcabouço legal do país para “pegar” o ex-presidente abre precedentes terríveis, e causa espanto que alguns se neguem a perceber isso. Deixam o ódio turvar a razão. É como escreveu o editorial da Gazeta do Povo hoje:

Ninguém é obrigado a gostar de Jair Bolsonaro ou das ideias que ele professa. Mas mesmo quem não tem a menor simpatia pelo ex-presidente, e até mesmo quem está convicto de que ele de fato liderou uma tentativa de golpe de Estado, há de admitir que não é possível abrir mão de garantias democráticas básicas na persecução penal, independentemente de quem seja e do que tenha feito o investigado ou réu. Mas, alegando “proteger a democracia”, Alexandre de Moraes tem transgredido todos os limites que caracterizam a ordem democrática, com medidas inconstitucionais e abusivas. E tão grave quanto essa descida autoritária do ministro é o silêncio de quem deveria estar denunciando o abuso, mas se cala apenas porque o alvo se chama Jair Bolsonaro.

Felizmente, parece que cada vez mais gente se dá conta do perigo dos abusos alexandrinos. Até mesmo a globalista Transparência Internacional concluiu que a prisão domiciliar “tem fundamentos frágeis” e “parece tentativa de silenciamento”. Ronaldo Caiado, que não costumava criticar diretamente o STF, disse que Moraes atua por vingança e “perdeu sua condição de juiz da Corte”. São ventos de mudança?

Mesmo quem fechava os olhos para os vários abusos de Moraes – porque seu alvo principal é o bolsonarismo – começa a se dar conta de que ajudou a alimentar um monstrengo descontrolado. O que veio à tona na Vaza Toga 2, com juiz auxiliar comemorando prisões e assessora pedindo para verificar redes sociais antes de soltar presos, é assustador. Tão assustador é o silêncio de parte da imprensa, que ignorou o escândalo. Moraes montou uma polícia política e isso é coisa de regime comunista totalitário.

Portanto, lutar pelo impeachment do ministro é algo que vai para muito além de Bolsonaro e o que você pensa dele. Alguns lembram que será Lula a escolher um substituto no caso da queda de Moraes, mas paciência! Não se pode pensar nisso nesse momento. O fato é que sua permanência no STF ficou insustentável, uma mancha enorme para a instituição e um perigo claro para nossa democracia já um tanto capenga, senão fatalmente atingida.

Quem quer punir Bolsonaro “custe o que custar” deveria acordar e se dar conta de que o custo está sendo alto demais: a própria democracia, que diziam que o bolsonarismo é que pretendia destruir.

DEU NO JORNAL

AS QUATRO ILEGALIDADES DA PRISÃO DE BOLSONARO: O BRASIL AINDA É UMA DEMOCRACIA?

Deltan Dallagnol

O ministro Alexandre de Moraes finalmente fez o que tanto desejava: decretou a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Prisão domiciliar, é verdade, mas, ainda assim, uma prisão. A decisão é uma aberração jurídica sob todos os ângulos possíveis, a ponto de tirar do silêncio vários advogados e juristas garantistas envergonhados, que estavam convenientemente calados diante dos abusos, cada vez mais escandalosos, de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF). Desta vez, muitos não conseguiram mais passar pano.

A seguir, listo as 4 principais ilegalidades da decisão de Moraes que mandou prender Bolsonaro:

1) Prisão decretada de ofício

Moraes decretou a prisão de ofício, sem qualquer pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), o que é flagrantemente ilegal e deveria causar um escândalo midiático. O art. 311 do Código de Processo Penal é claro: a prisão só pode ser decretada “a requerimento do Ministério Público, do querelante ou do assistente, ou por representação da autoridade policial”. As medidas cautelares diversas da prisão, às quais Bolsonaro estava submetido, também só podem ser aplicadas a pedido do Ministério Público, conforme o art. 282, §2º, do CPP. Moraes decidiu de forma frontalmente contrária à lei.

2) As medidas cautelares impostas a Bolsonaro são ilegais

A base para a prisão domiciliar de Bolsonaro foi o suposto descumprimento da medida cautelar que o proibia de usar redes sociais, inclusive por intermédio de terceiros. Antes de discutir o mérito, é preciso destacar a (má) qualidade das decisões de Moraes: confusas, mal escritas e repletas de erros de português. É difícil compreender o que o ministro quer dizer, e ele frequentemente se contradiz, seja dentro da mesma decisão, seja entre decisões distintas. A segunda decisão, que tentou esclarecer o alcance das medidas após Bolsonaro mostrar a tornozeleira à imprensa, continuou confusa e mal redigida.

Além disso, o art. 319 do CPP prevê um rol taxativo de medidas cautelares alternativas à prisão. No entanto, Moraes tem criado medidas sem amparo legal, como a proibição do uso de redes sociais — o que é duplamente ilegal e inconstitucional: ilegal por ausência de previsão legal (violando o princípio da legalidade), e inconstitucional por violar a liberdade de expressão e impor censura prévia. Outro problema dessas medidas é que não foram fundamentadas individualmente em relação à sua necessidade, adequação e proporcionalidade. Está tudo errado.

Na nova decisão, Moraes também proibiu Bolsonaro de usar celular e de receber visitas, exceto a de advogados e de pessoas previamente autorizadas por ele. Mais uma vez, não houve fundamentação específica para cada medida. Falta pouco para proibir Bolsonaro de existir – e quando vier essa proibição, virá, é claro, sem fundamentação. Basta querer. O império da lei e o Estado de Direito que se danem. Constituição? Nem se recorda mais o que é isso. O que importa é a vontade de quem manda. Obedece quem tem juízo e ainda assim pode ir pra cadeia – de um jeito ou de outro, não há mais liberdade.

3) Prisão domiciliar sem respaldo legal

Moraes criou um novo paradigma jurídico ao decretar prisão domiciliar sem que houvesse antes uma prisão preventiva. O art. 318 do CPP estabelece que a domiciliar substitui a preventiva em casos excepcionais, como grave enfermidade ou idade avançada. Mas como decretar a domiciliar sem ter decretado a preventiva antes? A opção direta por uma modalidade de prisão não prevista em lei escancara o caráter político da decisão. Moraes provavelmente evitou mandar Bolsonaro para um presídio temendo inflamar ainda mais o país e aumentar a tensão em Brasília. Moraes está “cozinhando o sapo” lentamente, aumentando a temperatura da água lentamente, para evitar uma reação.

4) Ausência de provas de descumprimento intencional

Deixando de lado a redação problemática das decisões e as medidas cautelares confusas, não há provas de que Bolsonaro tenha violado as restrições de forma intencional. Em uma decisão, Moraes afirma que era evidente que Bolsonaro estava proibido de dar entrevistas se fossem divulgadas nas redes sociais; na seguinte, diz que nunca o proibiu de conceder entrevistas ou de fazer discursos, privados ou públicos — exatamente o que havia feito.

Na decisão que decretou a prisão, Moraes acusa Bolsonaro de “instrumentalizar” discurso público com material pré-fabricado para posterior publicação em redes sociais por terceiros previamente coordenados. Qual é a prova disso? Nenhuma. Moraes não apresenta sequer uma linha que fundamente essa acusação. A decisão é baseada em suposições e impressões pessoais do ministro, que parece considerar como prova o simples fato de o discurso de Bolsonaro ter sido postado por seu filho Flávio e pelo aliado Nikolas Ferreira.

Basta dizer “a justiça não é tola”. Não, ela é astuta como as serpentes. Para Moraes, não são necessárias provas: basta que o investigado faça algo que ele desaprove para que encontre uma forma de incriminá-lo. A coerência foi para o brejo: Moraes diz que Bolsonaro endossa os ataques do povo ao STF, mas ninguém do povo é investigado… então por que Bolsonaro seria?

Outra incoerência: o fato de que Flávio Bolsonaro apagou a postagem usada para prender Bolsonaro, o que foi um claro sinal de medo da interpretação que a corte poderia dar à ação, tornou-se para Moraes uma tentativa de ocultar a suposta violação – um argumento ridículo, pois a imprensa já havia noticiado a postagem. É o já infame “use sua criatividade”.

Agora, Bolsonaro está preso, incomunicável, censurado e silenciado de todas as formas — como nunca antes ocorreu na história deste país, e certamente não durante a Lava Jato com Lula. Um silenciamento que não ajuda o processo, mas ajuda outra coisa: a enfraquecer a direita nas eleições de 2026, por meio da neutralização forçada e injustificada do seu maior cabo eleitoral.

E ainda há quem diga que o Brasil é uma democracia. Me poupem.

DEU NO JORNAL

DEU NO X

COMENTÁRIO DO LEITOR

SEM DEFESA

Comentário sobre a postagem COITADOS DOS MELANCIAS…

João Francisco:

Por terem defendido a “eleição” do Descondenado, primeiro as FFAA perderam toda a alta credibilidade que tinham junto à população, depois ficaram à míngua sem dinheiro para as necessidades da tropa, agora ficarão sem o apoio tecnológico dos EUA, o que fará com que fiquem literalmente a pé.

Parafraseando aquele ministro inglês; “entre a guerra e a desonra, escolheram a desonra. Acabaram tendo os dois.”

Pior para as nossas FFAA, pois nem para a guerra estão mais preparados.

O país está sem defesa.

Ah, alguns melancias foram para a China, aquele país que, não faz muito tempo, disse que nosso exército era uma vergonha.

DEU NO X

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

SÉRGIO – SÃO PAULO-SP

Bom dia 😃

Os provérbios 29:2 e 4 destacam a importância da justiça e da retidão no governo, enfatizando que a alegria do povo está ligada à justiça do governante, enquanto a impiedade leva ao sofrimento. Um rei justo traz estabilidade, mas um que aceita subornos leva à ruína.

Análise dos Provérbios:

Provérbios 29:2:

“Quando os justos governam, o povo se alegra; quando o ímpio domina, o povo geme.” Este versículo estabelece uma relação direta entre a conduta do governante e o bem-estar do povo. A justiça, representada pelos justos, traz alegria, enquanto a impiedade, representada pelos ímpios, traz sofrimento.

Provérbios 29:4:

“O rei que exerce a justiça dá estabilidade ao país, mas o que gosta de subornos o leva à ruína.” Este versículo foca na figura do rei e no impacto de suas ações. A justiça é apresentada como um fator de estabilidade, enquanto a prática de subornos leva à ruína do país.

Interpretação:

Os provérbios sugerem que a qualidade do governo tem um impacto direto na vida do povo. Um governante justo e reto promove a prosperidade e a alegria, enquanto um governante corrupto e injusto leva à instabilidade e ao sofrimento. A mensagem é clara: a justiça é fundamental para a estabilidade e o bem-estar de uma nação.

Ou seja o que pensa que é rei e grita ao berros que vai voltar mais MADURO e agora grita que vai ser mais ESQUERDISTA E SOCIALISTA esse é o que levará o PAÍS A RUÍNA.

Qualquer Semelhança com a vida politica real no Brasil é Mera Coincidência.

DEU NO JORNAL

O NEGACIONISMO DA IMPRENSA

Guilherme Fiuza

Manifestações pró-Trump e por impeachment de Lula e Moraes tomaram as ruas no domingo (3/8), mas a grande mídia preferiu o silêncio

A nova obsessão da imprensa é desacreditar manifestações populares. A importância da imprensa na história da civilização sempre foi associada ao fortalecimento das sociedades. Ou seja: disseminação de informação para o público, em oposição à concentração de conhecimento e poder. Uma imprensa que se dedica a desacreditar manifestações de rua, portanto, desistiu de ser imprensa.

E essa imprensa que desistiu de ser imprensa virou o que? Porta-voz do poder? Fica a dúvida.

Os últimos anos no Brasil concentraram algumas das maiores manifestações populares da história do país. Algum historiador que não seja empregado por institutos de pesquisa coreográficos pode fazer esse levantamento.

Constatará que as vultuosas manifestações da última década, e em especial dos últimos cinco anos, tiveram três dados predominantes: foram pacíficas, tiveram as cores da bandeira nacional e pediam liberdade. Já os principais veículos de comunicação da mídia tradicional oscilaram entre dois pólos: dizer que tinha pouca gente ou associar o ato a propensões fascistas.

No último fim de semana não foi diferente. Manifestações populares expressivas tomaram diversas capitais e múltiplas cidades país adentro. Mais uma vez estavam lá as cores da bandeira, o comportamento pacífico e o pedido por liberdade. No caso, liberdade para a multidão de perseguidos por um regime que essa população que saiu às ruas considera autoritário. E como reagiu a imprensa tradicional?

Abriu a gaveta e sacou seu negacionismo providencial. A disposição de diminuir a realidade é tal, que os ativistas da alquimia jornalística chegam a se dedicar a um método bizarro: comparam entre si manifestações contra o regime atual, para dizer que uma foi menor do que a outra. Contando ninguém acredita.

E as manifestações populares a favor da corrente que conquistou o poder no Brasil? Onde estão? Onde estiveram? Foram maiores ou menores do que elas mesmas? A falta de povo a favor do grupo que a imprensa resolveu defender não comove os negacionistas das redações.

Eles não estão nem aí para esse negócio de gente nas ruas. Mas quando eventualmente um grupelho fingindo defender alguma minoria sai por aí tacando fogo e quebrando tudo, eles chamam de manifestação popular. Que papel triste.

Mesmo que não trabalhe na USP ou no DataFolha, algum jeito você vai ter que dar para minimizar o evento.

Sempre se tem o velho expediente de publicar uma foto do início da concentração e destacar os espaços vazios. Já cansaram de fazer isso sem o menor constrangimento. Também podem se dedicar à contagem de quarteirões ocupados – e se tiverem sido dez, ou mais que isso, sempre se pode dizer que ficou aquém de alguma outra manifestação por liberdade no mesmo local. Para o jornalismo da negação, nenhum pedido por liberdade será suficiente.

Será que a história vai expor devidamente os autores desse vexame? Será que o tempo é mesmo senhor da razão? A persistência da escalada mistificadora às vezes nos deixa em dúvida sobre isso. Seja como for, nos dias de hoje, se você está com a consciência em paz, pode se considerar um bilionário.

DEU NO X