Em ato convocado por lideranças de direita e apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), milhares de manifestantes se reúnem na manhã deste domingo (3/8) na Praça da Liberdade, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. No centro da pauta estão pedidos de impeachment do… pic.twitter.com/aQNMBIntwq
(Poderosíssimo, Eminentíssimo, Reverendíssimo e Ufanista) Luiz Berto:
CONSIDERAÇÕES IDIOTAS SOBRE A MORTE
Fiquei sabendo que um Deputado-vagabundo chamado Lindenbergh, o atual macho da Gleise, entrou no STF para que se declare solenemente que os bancos brasileiros não devem obedecer a Lei Magnitsky, porque isso fere a soberania nacional, que é superior a qualquer ato estrangeiro.
Bem, não sou jurista nem entendedor de leis, mas tenho a liberdade de tecer comentários sobre esse fato inevitável em nossas vidas – a morte. Aliás, também tenho o direito de expressar minhas opiniões sobre soberania, apesar de tais opiniões não terem serventia para quem quer que seja.
Há, pelo menos, três maneiras de encarar a morte.
A primeira é relativa à morte natural, parte de nosso destino. Quando ela chega, procuramos estar em paz com o Senhor. Se formos católicos praticantes, confessamos nossos pecados ao padre, recebemos a extrema-unção (ainda se chama assim?) e temos a esperança de nos juntarmos ao coral do maestro Arcanjo Gabriel, cantando hinos que louvam a grandeza do Criador, e assim nos livramos das garras do Satanás Baphomet e de seu bafo fedorento em nossas nucas.
Segundamente falando, podemos imaginar como pensaria o perú do Natal, tentando compreender o que nos diz a dama de elevada extração que vai cortar o seu pescoço:
“Sabe, senhor Perú, peço-lhe encarecidamente que compreenda o significado cristão de nossa ceia de Natal, onde agradecemos ao Senhor pelo alimento, saúde e prosperidade que tivemos em todo esse ano que está se findando, e para tanto, é necessário sacrificar-lhe para que fique mais alegre a nossa festa natalina. Mas não se preocupe, na véspera vamos encher seu rabo de cachaça para amaciar a sua carne e, como bônus, o senhor não sentirá nem um pouquinho de dor pois já estará totalmente bêbado”.
Ainda temos a terceira maneira de encarar a morte: proclamar alto e bom som a nossa soberania.
Explico.
Imagino que vosmecê esteja na beira de um rio no Pantanal, vestido somente com uma bermuda Nike importada da China, pescando calmamente uma piraputanga para o almoço. Nessa hora pinta em sua frente (ou nas suas costas) uma onça pintada capitalista, daquelas bem grandes, com os olhos fixos em sua pessoa como um gato faminto olhando um rato.
Bem, o que vai acontecer é previsível.
Mas você, um patriota de elevado conteúdo brasilino, vai encarar a onça com seu discurso cheio de ufanismo:
“Senhora onça, deixe-me consignar bem claro à Vossa Ferocidade que sou um cidadão brasileiro e que a minha soberania me garante o direito à vida conforme minha Constituição, e que tal soberania veda sua interferência no meu direito à vida e a usar meu dinheiro em dólares ou em reais como bem me entender. É portanto, totalmente inadmissível que ouses atentar contra meu comportamento e minha existência. Ainda mais, declaro solenemente que usarei de meu direito de retaliar qualquer ferimento que suas garras fizerem ao meu soberano corpo, proibindo os bichos da floresta a manterem distância de suas ameaças e . . .”
Putz, não deu tempo de terminar a declaração de soberania.
Paulo, mas muito mais conhecido como “Paulim” era marisqueiro. Optou pela profissão, depois de ter enfrentado problemas de saúde por ter vivido anos “pegando caranguejos” para sustentar a família, e ter contraído uma bactéria que se reproduz no mangue, provavelmente trazida pela maré cheia.
Essa atividade, requer acurado conhecimento da movimentação do mar e, pasmem, até das fases lunares. É parte da pesca artesanal. O trabalho é intenso e exige conhecimento sobre as marés, os locais de coleta e os tipos de mariscos, além de habilidades específicas para a catação e o beneficiamento dos animais.
Diferentemente da pesca de peixes e outras espécies em alto mar, o “marisqueiro” utiliza ferramentas apropriadas, mas simples, como facas e ganchos para a coleta, além de objetos como colheres de pedreiro, baldes e ciscadores.
A mariscagem é uma fonte de sustento para muitas famílias, garantindo a renda e a alimentação.
“Paulim” tinha freguesia certa e exigente, e fazia questão do bom atendimento, pois era do resultado disso que dependia o sustento da família. Pescava sarnambi, sururu, tarioba e era esse último marisco que faturava um pouco mais, por atender sob encomenda especial para o Restaurante Xico Noca.
Mas, era vendendo ostra que esperava um dia ter atendidas suas orações e formar uma boa reserva financeira para se estabelecer comercialmente no ramo dos mariscos. É uma atividade lucrativa, porque considerada exótica na culinária brasileira.
Paulim “catando” ostras na maré baixa
Ostra é o nome comum de grupo diferente de molusco que cresce, em sua maioria, em águas marinhas ou salobras.
Atualmente, com atuação na piscicultura, a EMBRAPA desenvolve pesquisa e tem relevante atuação na orientação para implantação de viveiros de criação e produção de ostras – inclusive para atender a exportação.
As ostras pertencem à ordem Ostreoida, família Ostreidae. As ostras têm um corpo mole, protegido dentro de uma concha altamente calcificada, fechada por fortes músculos adutores. As brânquias filtram o plâncton da água que lhe servem como alimentação.
A ostra tem uma forma curiosa de defesa. Quando um parasita invade seu corpo, ela libera uma substância chamada madrepérola, que se cristaliza sobre o invasor impedindo-o de se reproduzir. Depois de cerca de três anos esse material vira uma pérola. Sua forma depende do formato do invasor e sua cor varia de acordo com a saúde da ostra.
Conchas de ostras
“Paulim” iniciava o dia de trabalho na madrugada. Precisava catar sururu, sarnambi e tarioba para atender as encomendas da freguesia.
Morando cerca de 800 metros da praia, “Paulim”, com o auxílio da mulher e da filha mais velha, após a captura do sururu, sarnambi e tarioba, fazia a limpeza dos mariscos escaldados e limpos para atender a freguesia.
Cumprida essa etapa, pedalava uma bicicleta velha por cerca de 9 Km até o Anil, onde embarcava no “Bonde Cara Dura” (a maioria dos passageiros transportava caranguejos, mangas, verduras e até galinhas caipiras para serem vendidas na feira livre do João Paulo). Entregava as encomendas e voltava no primeiro bonde até o ponto de partida, e, depois, voltava pedalando a bicicleta velha até em casa. Era quando preparava as ostras para vender na orla marítima, cruas, com sal e limão. Há quem goste de adicionar pimenta malagueta.
A ostra não era apenas o principal marisco tirado e vendido por “Paulim”. Era, também, a esperança de um dia encontrar um banco de ostras (que passaria a ser só do seu conhecimento e posse) que contivesse “pérola”.
Mas, enquanto isso não acontecia, “Paulim” se contentava em acordar diariamente na madruga, tirar sururu, sarnambi, tarioba e ostras para atender a uma seleta freguesia. Inclusive restaurantes.
Ostras gratinadas
Sem pretender ser algum dia Chef de restaurante, por experiência “Paulim” até se atrevia a observar nas cozinhas a preparação da “ostra gratinada”, item de alta preferência da freguesia e de alto custo.
Modo de preparo: Afervente as ostras até que as cascas abram; Refogue a cebola na manteiga e, quando dourar, junte o vinho, deixando-o evaporar; Acrescente a farinha, o creme de leite e a água, mexendo sempre, até deixar o creme liso. Finalize com o sal e a pimenta; Coloque uma colher deste creme em cada ostra e salpique com queijo parmesão; Leve ao forno para gratinar.
Ostra com pérola
O valor comercial da pérola de ostra no Brasil varia, dependendo de vários fatores. Pérolas de água doce podem custar entre R$ 50 e R$ 250, enquanto pérolas marinhas podem chegar a custar milhares de reais, com preços entre R$ 250 e R$ 25.000 ou mais. O valor depende de tamanho, forma, brilho e tipo de pérola (água doce ou marinha), além de sua procedência e raridade, segundo a Amorzin Store e Mega Curioso.
Pérolas grandes são evidentemente mais caras. A perfeição da pérola redonda é mais valorizada que as de formato irregular.
As pérolas com brilho intenso e reflexos sutis são mais procuradas. As pérolas marinhas (Akoya, South Sea, etc.) geralmente são mais caras que as pérolas de água doce. As pérolas roxas são muito raras, e, assim, têm valor muito alto, chegando a milhões de reais em alguns casos.
Eis que, num mês de junho já bem distante – quando a cidade recebe fluxo de turistas muito grande -, depois de atender aos fregueses de sururu, sarnambi e tarioba, “Paulim” preferiu esperar a maré baixar mais, para que seu canteiro de ostras ficasse mais trafegável. E foi assim.
“Paulim” percebeu uma ostra de tamanho fora do comum. Catou. Mais na frente, catou mais outra e percebeu que algo estranho estava acontecendo. Mais uma ostra diferente, mais outra e mais outra. Era um banco de ostras.
O tamanho chamou a atenção de “Paulim”. Pegou a faquinha e abriu aquela ostra de tamanho desproporcional – e ali encontrou a ostra que sonhara encontrar durante anos para alavancar seu empreendimento e garantir o sustento da família.
A ostra continha uma pérola enorme. “Paulim” não coube em si de tanta alegria. Foi em frente e catou mais ostras, essas de tamanhos menores, mas com pérolas.
Eu acredito que Paulo Maluf, até mesmo por sua formação em engenharia, era um dos políticos que conseguia atrair a atenção da plateia quando discursava pela capacidade que ele tinha de dizer quanto de asfalto foi concluído, quais os gastos com determinados obras etc. verdadeiros ou não, Maluf passava isso como uma capacidade natural de um gestor, de um bom gestor. Ciro Gomes copiou esse modelo malufista, mas com uma diferença gritante: Ciro Gomes se acha o suprassumo da inteligência humana, arrota arrogância e fala um monte der merda. Enquanto Maluf se baseava na sua capacidade de engenheiro, Ciro se cerca de dados, alguns corretos, para deturpar determinados cenários.
Manipular dados estatísticos não é uma coisa nova. Mostrar apenas o que interessa politicamente é praxe para quem precisa de votos. Todos devem se lembrar da famosa entrevista de Rubens Ricupero, ministro do governo do governo Itamar Franco, que foi pego pelas “parabólicas” dizendo a Carlos Monfort que “o que é bom a gente mostra e o que é ruim a gente esconde”. A intenção era eleger FHC, presidente e ele, por isso, também ganhou uma boquinha no governo FHC. Usar esse tipo de expediente, traz impacto direto na formulação de políticas públicas e, principalmente, na manutenção absurda de pessoas no poder. Não preciso lembrar que o atual presidente mentia sobre o número de crianças abandonadas, em estado de miséria etc.
A manipulação de dados causa impactos importantes na população, influencia a opinião pública, principalmente quando se apoia em coisas que são ditas pelos grandes canais de televisão e o efeito é sentido nas diretrizes da nação. Em termos práticos, a manipulação de dados consiste na distorção, omissão ou interpretação dos resultados de forma viesada ou tendenciosa – para usar um termo estatístico coerente – na tentativa de validar, sustentar ou legitimar decisões políticas ou cientificas, não importa.
Tome como exemplo as pesquisas eleitorais. Falando de forma rigoroso, matemática, a intenção de votos de um candidato é baseada no percentual de votos foram declarados a eles e a esta proporção soma-se e subtrai-se o erro padrão. O tamanho, mínimo, de uma amostra para dar garantir uma determinada margem de erro (2% pontos percentuais para mais ou para menos) e confiabilidade, são critérios bem disseminados na literatura, no entanto, diante das últimas pesquisas feitas no Brasil, eu prefiro acreditar em horóscopo, tarô, numerologia e búzios. Lula por exemplo, teve 51,90% dos votos, mas não consegue andar na rua livremente.
Em diversos países já forma observados casos de manipulação “braba” de dados. Na antiga União Soviética, as estatísticas oficiais eram manipuladas para demonstrar que o comunismo era melhor do que o capitalismo. Lá se pegavam, cuidadosamente, dados da produção agrícola e industrial, pegavam o índice de qualidade de vida e inflavam esses indicadores com o intuito de reforçar essa narrativa. Os dados eram, meticulosamente, selecionados. Dessa forma, destaca-se a imagem de sucesso do regime, mas as falhas estruturais, as reais condições de vida, eram omitidas. Esse tipo de comportamento, dificulta até mesmo o próprio sistema na correção de problemas internos.
Não custa lembrar que durante anos e anos, eu diria até desde quando Fidel Castro implantou a revolução em Cuba, que todos nós sabemos que lá existe a taxa de mortalidade infantil do mundo. Eu era um profundo admirador dessa política, no entanto, o país não registra óbitos de crianças com idade inferior a 6 anos. Assim, é muito bom vender uma imagem salutar de bem-estar, de avanço econômico e social, quando os fatos mostram um país à beira de uma falência generalizada.
Esse tipo de atitude também se faz presente no campo científico. Durante a Covid-19, diversos países, os dados epidemiológicos de diversos países foram apresentados de forma seletiva. Sempre se desconfiou muito dos dados da China nos que diz respeito a denúncia de subnotificação de casos e de mortes. Situações semelhantes foram observadas, também, no Irã e na Coreia do Norte, onde as estatísticas oficiais não batiam com relatos independentes. A coisa foi tão feia que o laboratório Lancet, um dos mais renomados do mundo, teve que “despublicar” um artigo científico pela falsidade dos dados.
Na Argentina, o governo passou a intervir no Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC) por conta da inflação oficial que era, sistematicamente, menor do que sentida pela população, ou seja, a imagem de estabilidade econômica era uma grande farsa que impactou na desconfiança do mercado e chegou, inclusive, a elevar a taxa de juros por conta o risco-país.
Com Hitler, a Alemanha também divulgou números seletivos emprego, produção e crescimento econômico etc. tudo com o objetivo de dar uma conotação de prosperidade ao regime, mas dados sobre perseguições aos judeus, corrupção desenfreada dos generais da gestapo, por exemplo, eram omitidos ou completamente falsificados, servindo ao projeto ideológico do Terceiro Reich.
Atualmente, a prática continua vigente e envolvem governos e partidos políticos que, muito comumente, selecionam indicadores que reforçam suas propostas e deixam de lado dados que apontam para falhas ou ineficiências. Esse procedimento é tratado como cherry picking (colher cerejas) e é, infinitamente, aplicado em períodos eleitorais, quando as disputas se intensificam. Narrativa. Vale tudo.
Em resumo, a manipulação de dados estatísticos é um problema global e atemporal, que compromete qualquer área do conhecimento e está duramente presente na política. É extremamente difícil, mas cabe à sociedade denunciar essas práticas para fortalecer a questão da transparência, a accountability reforça a confiança nas instituições. A regra vigente deve ser: acesso irrestrito a dados independentes e a liberdade de imprensa. Sem ela, a nação é apenas um protótipo.
Eliseo D’Angelo Visconti nasceu em Salermo, Itália, em 30/7/1866. Pintor, desenhista e designer. Despontou como pintor entre os séculos XIX e XX, é considerado um dos mais importantes pintores brasileiros e o mais expressivo representante da pintura impressionista do Brasil. Foi considerado, em 1953, o “inaugurador da pintura nacional” pelo crítico de artes Mario Pedrosa.
Filho de Christina Visconti e Gabriel d’Angelo, imigrou para o Brasil ainda criança com sua irmã, em 1873, e passou a viver na fazenda de Luiz de Souza Breves, o Barão de Guararema, em Minas Gerais. A esposa do Barão adotou o garoto como um filho e cuidou de sua educação. Estudou no Rio de Janeiro e após um frustrado início na música, ingressou no Liceu de Artes e Ofícios, em 1882. Pouco depois ingressou na Academia Imperial de Belas Artes, tendo como professores grandes pintores, como Victor Meirelles, Henrique Bernardelli e Rodolfo Amoedo.
Em 1890 integra o grupo dos “modernistas”, que abandonam a Academia para fundar o “Ateliê Livre”. No governo republicano, a Academia transforma-se na Escola Nacional de Belas Artes e ele volta a frequentá-la. Mais tarde, foi premiado num concurso do Governo com uma viagem à Paris. Ingressou na École Nationale et Spéciale des Beaux-Arts e cursou arte decorativa na École Guérin, com Eugène Grasset, um dos expoentes do movimento Art Nouveau. Expôs em algumas galerias da cidade e recebeu Medalha de Prata na Exposição Universal de Paris, em 1900. Aproveitou a viagem para conhecer Madrid e fez algumas cópias de Diego Velázquez. Na volta ao Brasil não pode trazer sua amada Louise Palombe, mas depois tornou-se o amor de toda sua vida, tornando-se a inspiradora de sua obra.
Em Paris e Madrid inova em sua pintura na temática e na execução da obra. Adquire as técnicas do impressionismo, assimila suas leituras e encara a “art nouveau” sem romper com o aprendizado adquirido no Brasil. Em 1901 organizou sua primeira exposição individual na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, incluindo os trabalhos de design e em 1903 levou a exposição a São Paulo. Sua primeira incursão pelo design incluía cartazes, cerâmicas, tecidos, papéis, vitrais etc. A exposição foi um sucesso e foi elogiada pela revista francesa “L´Illustration”. Em seguida venceu um concurso organizado pela Casa da Moeda, com 16 selos postais
O sucesso da exposição motivou o prefeito Pereira Passos a convidá-lo para executar todas as pinturas da sala de espetáculos do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. No período 1908-1913, lecionou pintura na Escola Nacional de Belas Artes. Deixou o cargo de professor para retornar à Europa e realizar a decoração do foyer do Theatro Municipal, sua obra prima. Em 1920 retornou ao Brasil como grande pintor com um expressionismo próprio, marco divisório na pintura brasileira. O crítico Mario Pedrosa fez questão de ressaltar e reclamar: “Nasce uma nova paisagem na pintura do Brasil {…}. “Foi pena que o movimento moderno brasileiro, no seu início, não tivesse tido contato com Visconti. Os seus precursores teriam muito que aprender com o velho artista, mais experimentado, senhor da técnica da luz, aprendido diretamente na escola do neoimpressionismo”.
Foi esquecido pelos realizadores da Semana de Arte Moderna de 1922, mas foi agraciado no mesmo ano com a Medalha de Honra na Exposição Comemorativa do Centenário da Independência. Porém, acompanhou com interesse os acontecimentos em São Paulo, para os quais não foi convidado. Mais tarde Pietro Maria Bardi não deixou por menos em seu comentário: “Esqueceram o único realmente moderno de sua época, que era Visconti”. Em 1926, apresentou nova exposição de design incluindo o ex-libris e o emblema da Biblioteca Nacional. No ano seguinte, deu início a fase de paisagens de Teresópolis.
Em meados da década de 1930, voltou ao Theatro Municipal para trabalhar em sua expansão e durante 2 anos manteve um curso de extensão universitária de artes decorativas na Escola Politécnica do Rio de Janeiro. Assim, tem início o ensino de design no Brasil. Sua atualidade permanece retratada em obras com tal grau de versatilidade, colocando-o como o mais expressivo representante do impressionismo e como pioneiro do nosso design, antecipando a modernização da arte brasileira. Era perceptível uma evolução em sua técnica sempre em busca do novo. Mais uma vez o crítico Mario Pedrosa se referiu ao pintor como o inaugurador da pintura nacional: “com as paisagens de Saint Hubert e de Teresópolis, Visconti é o inaugurador da pintura brasileira, o seu marco divisório. Nasce uma nova paisagem na pintura do Brasil. Ninguém na pintura brasileira tratou com idêntica maestria esse tema perigoso da luz tropical”.
Em 15/10/1944 seu ateliê foi assaltado e ele foi golpeado na cabeça, vindo a falecer aos 78 anos. Em 1953, a II Bienal de São Paulo apresentou uma sala especial em homenagem ao pintor ítalo-brasileiro. Sua vida e obra ficaram registradas em três livros: Eliseu Visconti – A modernidade antecipada, de Miriam Seraphim, publicado pela Holos Consultores Associados, em 2012; Eliseu Visconti – A arte em movimento, de Tobias Visconti, publicado pela mesma editora em 2012 e Eliseu Visconti e seu tempo, de Frederico Barata, publicado por Zélio Valverde, em 1944.