Arquivo mensais:agosto 2025
DEU NO X
WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO
CADÊ A POESIA?
Não vejo mais poesia
Na música nacional.
Mote deste colunista
É cada letra esquisita
Meio sem pé nem cabeça,
Haja ouvido que mereça,
Haja voz de periquita!
O coração não palpita,
Emoção nem dá sinal,
O Cancioneiro vai mal
Só piora dia a dia,
Não vejo mais poesia
Na música nacional.
Melchior SEZEFREDO Machado
Hoje é bunda e não banda
Não tem mais duplo sentido
Nada mais é proibido
A sacanagem é que manda
De voar se foi à tanga
O que vale é o imoral
Quase nuas é normal
Não tem letra e quem diria?
Não vejo mais poesia
Na música nacional.
Cabal Abrantes
Sou mais Amado Batista
Com o “Eu tive um amor”
As canções de Belchior,
Grande cearense artista
Tá se perdendo de vista
A nossa tradicional
Marchinha de Carnaval
Pra nós entrar no folia
Não vejo mais poesia
Na música nacional
Poeta Nascimento
Não há mais uma mensagem,
Nem sobra reflexão,
Hoje reina a podridão,
Putaria e sacanagem.
Não há quem tenha coragem
De mudar o ritual,
Dar um basta nesse mal
E resgatar a magia,
Não vejo mais poesia
Na música nacional.
Ronaldo Barbosa
Perdemos todo domínio,
Não temos mais um Jobim,
Um Evaldo, um Amorim,
Um Cartola, um Lupicínio.
Observo o patrocínio
De um mercado brutal
Despejando o capital
E a IA põe melodia.
Não vejo mais poesia
Na música nacional.
Welliington Vicente
DEU NO X
FESTA DO PEÃO, BARRETOS-SP
Festa do Peão em Barretos.
Todos os anos Bolsonaro estava presente, mas este ano, ele foi impedido.
Mas, a organização prestou uma linda homenagem a ele.
Veja o vídeo… pic.twitter.com/qWVuF4ygrO— Fátima Melero (@Fatima_Melero1) August 30, 2025
JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO
NA ÉPOCA DO “DEIXA QUE EU CHUTO” E DO “29-30”!
Mãe “protegendo” os filhos com medo do Bicho papão
É sabido mundo à fora que, faz tempo, o Estado do Ceará ganhou em todas as Unescos que existam ou existiram, o “apelido” de “Ceará moleque”!
Merecidamente, frise-se.
E parte disso se deve ao desenrolo para apelidar as pessoas, homens ou mulheres. Até os cachorros tinham apelidos: Totó, Bibi, Pintado…. etc.
Lá pelos anos 40, 50 e 60, os pais que iam registrar filhos ou filhas, sabiam que, José, João, Maria, Anunciada, Conceição eram aceitos sem resmungo pelo funcionário do cartório.
Quando o pai aparecia com um nome como Klinsman, Anna Carolyne ou coisa parecida, o funcionário dizia que aqueles nomes eram difíceis até para serem aceitos nas escolas. Mas tudo era porque ele não sabia escrever aqueles nomes corretamente.
E hoje, sabemos, nenhum pai registra mais o filho com o nome de Antônio. Prefere Anthony. Antônio, seria facilmente apelidado de “Toínho, ou Toím”! José, seria apelidado de “Zeca” e Madalena passaria a ser conhecida como “Madá”!
Eram comuns, na Fortaleza dos anos 50 e 60, o “Cabeça de nós todos”, o “Pé de bater banha”, a “Maria pouca roupa” (para as meninas que não usavam calcinha), o “Boca de fossa” para os que tinham mau hálito.
A verve não tinha limites. Existia na rua onde morei, o famoso “Deixa que eu chuto”, apelido de um jovem que tinha como defeito físico, uma perna menor que a outra. Na rua ao lado, aquele jovem era apelidado de “29-30”!
Não foram apenas as brincadeiras de rua que a tecnologia do celular e os “playgrounds” dos shoppings acabaram. O asfaltamento irresponsável das ruas e travessas que, além de impedir a penetração da água da chuva para o lençol freático, corre em trombas, asfalto acima e asfalto abaixo causando inundações e catástrofes. A tecnologia tirou, também, o convívio entre crianças e adolescentes nas ruas dos bairros. E aquilo, a vivência, facilitava o “botar apelidos”.
Sabemos nós das gerações antigas, que o “Velho babau” ou o “Bicho papão” nunca existiram. Mas não podíamos ver um pedinte com roupas esfarrapadas e com um saco nas costas, que o apelidávamos de “Bicho papão”!
Era comum, naquelas décadas, para induzir o filho ou a filha beber uma colherada do medicamento natural intragável (óleo de rícino), a mãe ameaçar chamar o bicho papão.
Os nomes registrados com o estrangeirismo acabaram com a coisa gostosa do apelido.
Não existem mais os “Braço de radiola” (para quem tivesse uma disfunção num dos braços), e nunca mais se viu o “Barriga de lama”, para quem tinha a barriga grande.
Toím, Biné, Zequinha, Mariazinha, Sula, Mané, Chiquinha e outros tantos desapareceram literalmente.
No interior, poucos sabiam os nomes das pessoas. Nomeavam mais pelos apelidos ou ligação com o pai ou a mãe. Tipo: Lázaro. Esse nunca era conhecido pelo nome. Era fácil encontrar o “Lalá de Zé de Dora”.
JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL
OS BRASILEIROS: Padre Cícero
Cícero Romão Batista nasceu em 24/3/1844, em Crato, CE. Sacerdote católico e político. Venerado no Nordeste como santo, encontra-se em processo de santificação no Vaticano tramitando há décadas. Porém, já é santo canonizado pela Igreja Católica Apostólica Brasileira desde 1973. Fundou a cidade de Juazeiro do Norte e exerceu grande influência na vida social, política e religiosa do Ceará. Devido a sua fama e supostos milagres, a cidade tornou-se a terceira maior do Estado e referência no Nordeste. Alguns dizem que seu “milagre” foi exatamente este: transformar um pequeno povoado numa cidade com mais de 300 mil habitantes no sertão do Cariri.
Filho de Joaquina Ferreira Gastão e Joaquim Romão Batista, foi influenciado pela leitura da vida de São Francisco de Sales. Aos 16 anos ingressou num colégio de Cajazeiras, PB, mas logo teve que voltar ao Crato, devido a morte do pai. A família passou por uns perrengues financeiros e ele ingressou no Seminário da Prainha, em Fortaleza, com a ajuda de seu padrinho, o coronel Antonio Luís Alves Pequeno. Era considerado um aluno mediano e foi ordenado padre aos 26 anos, em 1870, quando retornou ao Crato. No ano seguinte visitou o povoado de Juazeiro para celebrar a missa do galo. Gostou do lugar e pouco depois fixou residência no local. Exerceu a atividade pastoral com dedicação, pregando, aconselhando e visitando as pessoas da comunidade. Assim conquistou a simpatia de todos num momento em que ocorria a grande seca do Nordeste no período 1877-1879.
Assim, passou a exercer forte liderança na comunidade ao mesmo tempo em que agia com austeridade cuidando da população e coibindo os excessos nos costumes. O trabalho comunitário foi se ampliando e ele decidiu copiar a experiência do Padre Ibiapina, famoso missionário nordestino falecido em 1883, recrutando mulheres solteiras e “homens de boa vontade” para lhe ajudar no trabalho pastoral até que surgiu o primeiro milagre em 1/3/1889. Na missa dominical a hóstia oferecida à Maria de Araújo se transformou em sangue na boca da religiosa. Conta-se que o fenômeno se repetiu várias vezes e espalhou-se a notícia do milagre ocorrido em Juazeiro. A seu pedido, a diocese formou uma comissão de padres e médicos para investigar o suposto milagre. Em 13/10/1891, a Comissão concluiu não havia explicação natural para o ocorrido, confirmando o milagre.
Insatisfeito com o parecer, o bispo Dom Joaquim Alexandrino de Alencar nomeou outra comissão concluindo que houve um embuste. O bispo suspendeu suas ordens sacerdotais, causando o protesto dos fiéis na cidade e resultou num processo que durou até 2015. O papa Bento XVI, quando era cardeal, encomendou um estudo do caso para debater no Vaticano, em 2001, verificando a possibilidade de reabilitação do Pe. Cícero. Em 2006 o bispo Dom Fernando Panico enviou ao Vaticano a documentação técnica visando a reabilitação e, assim, o Padre conseguiu o perdão da Igreja Católica, em 31/12/2015. Seu envolvimento com a política se deu em 1911, quando o povoado passou a ser cidade. Foi o primeiro prefeito de Juazeiro e teve projeção política a partir de 1914, com a Revolta ou Sedição de Juazeiro. Trata-se de um confronto entre as oligarquias cearenses e o Governo Federal, devido à interferência do poder central contra a política do coronelismo. O movimento liderado por Floro Bartolomeu, Antonio Nogueira Acióli, conhecidos líderes políticos, e Padre Cicero marchou até Fortaleza e depôs o governador Franco Rabelo. O Padre sofreu retaliações por parte da igreja, mas permaneceu como “eminência parda” e ampliou sua relevância na cidade.
Em 1926 a Coluna Prestes, um grupo de rebelados do Exército comandado por Luís Carlos Prestes, estendeu suas ações até o Ceará. O então presidente Arthur Bernardes afim de derrotar os revoltosos, convocou seu amigo, o deputado Floro Bartolomeu, para organizar a resistência e derrotar a Coluna. Floro era amigo do Pe. Cícero e contou com sua ajuda para organizar os “Batalhões Patrióticos”. Eram mais de mil homens uniformizados e armados com fuzis do Exército. Saíram no encalço da Coluna, mas se deram mal. O pessoal da Coluna era mais experiente e conseguiu driblar os membros dos Batalhões. Desesperado, Floro consegue mais dinheiro do Governo e amplia sua luta com uma ideia extravagante.
Sabendo que Lampião era devoto do Pe. Cícero, idealizou uma “Guerra Santa” e convenceu o Padre a escrever uma carta à Lampião convocando-o para ajudar os “Batalhões Patrióticos” no combate a Coluna Prestes. Lampião e seu bando vai ao encontro com o Pe. e mais tarde o historiador Lira Neto escreveu que “Deus e o diabo iriam se encontrar na terra do sol”. Lampião chegou a Juazeiro em 4/3/1926; o Padre mandou chamar o funcionário graduado do Ministério da Agricultura, Pedro de Albuquerque Uchoa e fez a apresentação: “Aqui está o capitão Virgulino Ferreira. Ele não é mais bandido. Veio com 52 homens para combater os revoltosos e vai ser promovido a capitão. Olhe, o senhor vai fazer a patente de capitão do Sr. Virgulino Ferreira e a de tenente do seu irmão”. Uchoa ficou pasmo, perplexo e tentou argumentar que não podia, mas o irmão de Lampião foi decisivo: “Não! Se meu padim está mandando o senhor pode”.
Quem primeiro trouxe a história da patente de capitão e a figura de Uchoa ao conhecimento geral foi Leonardo Mota (1891-1947), em seu livro No tempo de Lampião”, lançado em 1930. Parte dos termos do documento referente a patente de Lampião foram: “Pelo Governo Federal é concedido a Virgulino Ferreira a patente de capitão do Exército, por serviços prestados a República”. Lampião não botou fé naquele documento, mas como recebeu 100 contos de réis, armas e muita munição, partiu para o confronto com a Coluna Prestes, que não se deu. Em dado momento, decidiu testar sua autoridade, e mandou um recado aos seus desafetos em Pernambuco (Vila de Nazaré), querendo saber como seria recebido na condição de oficial do Exército Patriótico. A resposta foi concisa: “a bala”.
Lampião tentou falar de novo com o Padre, mas não foi recebido e continuou sua vida de cangaceiro, agora mais rico, mais armado e ostentando o título de “Capitão”. Quem não se deu bem foi o Pe. Cicero. Em 10/8/1926 o jornal do Recife A Noite estampava: “E ainda agora, para coroar toda esta obra de misérias que o Padre Cícero vem desenvolvendo ao longo de anos, Lampião passeia a sua impunidade nas ruas de Juazeiro, garantido e hospedado pelo padre satânico”. Sua força política acabou depois da Revolução de 1930, mas o prestígio como santo milagreiro aumentaria cada vez mais após seu falecimento em 20/7/1934. Em março de 2001, foi escolhido “O Cearense do Século”, em votação promovida pela TV Verdes Mares, em parceria com a Rede Globo; em julho de 2012, foi eleito um dos “100 maiores brasileiros de todos os tempos” em concurso realizado pelo SBT, em conjunto com a BBC; foi declarado “servo de Deus” em junho de 2022 pela Santa Sé, quando foi autorizada a abertura do processo de beatificação; em outubro de 2023, seu nome foi inscrito no “Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria”. Uma robusta biografia – Padre Cícero: poder, fé e guerra no sertão – foi escrita por Lira Neto e publicada, em 2009, pela Companhia das Letras.
DEU NO JORNAL
A CUMPANHERADA NÃO DESCANSA!
HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE
O CORTE QUE A MULHER TEM
Mote de autor desconhecido:
“Quero ver quem cicatriza
O corte que a mulher tem”
Tem um rasgão saboroso
A um palmo do umbigo
Decifra-lo não consigo
Por ser tão apetitoso.
Mesmo não sendo cheiroso
Qualquer um vira refém
A dois dedos do sedém
O danado faz divisa;
“Quero ver quem cicatriza
O corte que a mulher tem”
O cabra estando carente
Vale mais do que safira
Deixa qualquer um na tira
De juiz a presidente.
Amansa cabra valente
O seu poder nos detém
Não considera ninguém
Couro nenhum ele alisa;
“Quero ver quem cicatriza
O corte que a mulher tem”
Sempre nos causa prazer
Sendo liso ou cabeludo
Se tiver lábio carnudo
Qualquer um deseja ter.
Por isso vou lhe dizer
Se esquive, não vá além
Não se apaixone também
Nem venda a sua camisa;
“Quero ver quem cicatriza
O corte que a mulher tem”
Esse corte minha gente
Só sangra de mês em mês
Atrapalhando o freguês
Por não o achar atraente.
Seja macumbeiro ou crente
Quem gosta não se abstém
Vende até um armazém
Sem dó não economiza;
“Quero ver quem cicatriza
O corte que a mulher tem”
FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS
LEITURAS PARA MELHOR PENSAR E AGIR
Minha avó-madrinha Zefinha, mãe da minha mãe, eternizadas, já dizia, há muitos anos, que o Brasil estava cheio de patifarias, inverdades, insinceridades políticas, fuxicos e fofocas, desequilíbrios sociais, autoritarismos, preconceitos, machismos alucinados, inverdades históricas e muito outros defeitos, a maioria sem uma mínima dose de pensação, na expressão interiorana dela. Fico a imaginar, hoke, o que ela diria dos tempos atuais, onde uma manada inculta e fundamentalista, prepara-se para sufragar, em 2026, um novo Presidente da República, outro Congresso Nacional e novos Executivos Estaduais.
Apesar de todos os pesares, entretanto, ainda confio nos amanhãs nacionais, pondo fé numa juventude militante centro-esquerda / centro-direita, mais racional, ética e empreendedora, capaz de defenestrar do cenário pátrio os sectarismos que apenas desejam enodoar o Pavilhão Pátrio, tentando jogar merda no ventilador da nossa Soberania Nacional.
É chegada a hora de uma ampla Frente Democrática Analítica Brasileira, composta de jovens lideranças consistentes, culturalmente contemporâneas, não messiânicas, que busquem, através de estudos, pesquisas e debates consistentes, estruturar um efetivo Planejamento Geral Social-Democrático, favorecendo gregos e troianos de todas as regiões, através de um sistema educacional que integre humanismo, tecnologia, autoconhecimento e empreendedorismo.
Infelizmente, agiganta-se atualmente, no Brasil, o número de analfabetos funcionais, pessoas que sabem ler sem nada entender o que foi lido. Urge estabelecer um obrigatório Saber Pensar & Calcular em todas as duas últimas primeiras séries do Ensino Fundamental e nas duas primeiras do Ensino Médio, fortalecendo um agir e pensar mais consistente, favorecendo uma futura profissionalidade empreendedora sempre capaz de, continuamente, evoluir para patamares mais promissores.
Na conjuntura atual, facilmente se identifica jovens e adultos que há muito tempo se distanciaram de uma sadia leitura diária, favorecendo novas ideias e propósitos, arejando ideários e compromissos pessoais, familiares, comunitários e religiosos, abandonando atos provincianos que apenas integram passados que já não mais retornarão.
Para inúmeros, que seja melhorado o bom, descobrindo-se a essência das missões individuais e coletivas. Que a argila impulsione um caminhar de passos largos, na busca de fazer coisas inéditas, mesmo reformadas de fatos passados até então ridicularizados. Sempre a imaginar-se que, daqui a muitos anos, será um exercício prazeroso para os amantes da Eternidade. A emergir sentimentos ainda ocultos, espiritualidades incompletas, choros sinceros e texturas descoradas por desintegrações múltiplas. Rompida a barreira do sempre novo, aborde-se, com a serenidade, as razões mais recônditas dos méritos alcançados. Reconhecendo que as verdadeiras urgências estão cada vez mais presentes, os erros de previsão avolumando-se na ordem do dia, as exceções desmarcadas porque finalmente plenamente dispensáveis.
Finalmente, recomendaria ao leitor JBF umas páginas que muito guiarão todos para uma crescente resiliência existencial, nunca desprezando novas leituras e outros desafios comportamentais, superando sempre os provincianismos que remetem sempre para passados que apenas nostalgias provocam. Um livro de muito bom proveito: RESILIÊNCIA: O SEGREDO DA FORÇA PSÍQUICA, Christina Berndt, 7ª. reimpressão, Petrópolis RJ, Vozes, 2024, 279 p. Uma leitura oportuna que fará todos se perceberem metamorfoses ambulantes, a la Raul Seixas, um menestrel nunca esquecido.
CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA
SCHIRLEY – CURITIBA-PR
PENINHA - DICA MUSICAL
