VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

PRA NÃO MORRER DE TRISTEZA

A passagem do tempo modifica nosso estado de espírito, e as alegrias passam a ser outras. Aliás, hoje temos mais decepções do que alegrias.

O tempo da delicadeza já passou, e estamos vivendo o tempo da traição, da gatunagem, da falsidade e o remédio que temos é esperar um milagre brasileiro, caso a esperança de tempos melhores ainda exista. Acho difícil.

Não adianta mais o trabalho de formiguinhas. O modo de vida das cigarras é mais respeitado.

Não se respeita mais a história de vida de uma pessoa, nem os valores morais. A imoralidade reina e domina a sociedade em que vivemos.

Vemos pessoas de bem, ofendidas e humilhadas, enquanto os asseclas de Nero dominam o mundo e punem com severo rigor crimes imaginários.

A volúpia do poder domina os asseclas de Nero.

É no embrião do processo político, alianças e rupturas, que o demônio do poder se manifesta.

Parece haver limites para o poder, mas, na realidade, no subsolo das paixões, tudo se permite, de acordo com a conveniência do momento. A volúpia do poder é infinita.

Diz o dito popular: ” quem está na chuva tem que se molhar”. Mas há pessoas que mesmo sem chuva, vivem molhadas.

É mais fácil tirar o cavalo da chuva antes que ela caia, do que ter que enxugá-lo depois de molhado.

O modismo trouxe à tona, em processos penais, a figura da delação premiada.

Nos dias atuais, nas fases de investigações e denúncias, as porteiras da delação se escancaram e os mais comprometidos rapidamente negociam os respectivos prêmios, proporcionais ao valor da delação. Todos podem recorrer a ela, na esperança de receber recompensa. Sua forma contemporânea ganhou destaque com a Lei dos Crimes Hediondos (Lei nº 8.072, promulgada em 25 de julho de 1990). Entretanto, seu ápice ocorreu com a Lei das Organizações Criminosas (Lei nº 12.850, der 2 de agosto de 2013). Sua aplicação é polêmica, tanto do ponto de vista moral como do jurídico.

A delação abre a possibilidade de serem valorizadas acusações criminosas, nem sempre verdadeiras. Por isso, ao longo do tempo rola esta verdade:

Aproveita-se a delação, mas se despreza o delator, pela comprovada falta de caráter.

Que Deus ajude os ofendidos e humilhados, livrando-os da maldade dos asseclas de Nero!

E pra não morrer de tristeza, vamos apelar para a música, o remédio da alma.

PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

GRANDES MOTES, GRANDES GLOSAS

Mote:

Quanto mais canto o sertão,
Mais tem sertão pra cantar.

João Paraibano:

Lembre-se de armadilha e quixó,
Pássaro beliscando frutas,
Mas não esqueço das matutas
Com o rosto cheirando a pó.
Doidas pra ir pra o forró,
E o pai sem querer deixar,
Mas estou perdido empatar:
Quando ele dorme, elas vão .
Quanto mais canto o sertão,
Mais tem sertão pra cantar .

Sebastião Dias:

Quando eu canto a capoeira,
O sertão é minha cara.
Canto o preá na coivara,
Canto o tejo na carreira
E o boi, quando tem visto
Que pega você incomoda,
Para a observação parar,
Passa a língua como a mão
Quanto mais canto o sertão,
Mais tem sertão pra cantar .

* * *

Mote:

No sertão falta água para o gado
Porém sobra nos olhos do vaqueiro.

Ivanildo Vilanova:

No sertão quando o solo está enxuto
Sofrem dois elementos de uma vez
Falta líquido pra língua de uma rês
Chovem gotas dos olhos do matuto
Ser humano padece, sofre o bruto
O segundo bem mais que o primeiro
Se dos olhos caísse um aguaceiro
O problema estaria saneado
No sertão falta água para o gado
Porém sobra nos olhos do vaqueiro.

Raimundo Caetano:

É assim lá na terra sertaneja
Bicho e gente sofrendo a mesma mágoa
No olhar do vaqueiro sobra água
Mas a bomba celeste não despeja
Quem aboia e campeia não deseja
Ver o gado com sede o ano inteiro
Nem o gado quer ver seu companheiro
Em um rio de lágrimas sufocado
No sertão falta água para o gado
Porém sobra nos olhos do vaqueiro.

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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

SCHIRLEY – CURITIBA-PR

Espaços.

Grandes, pequenos certamente todos temos um espaço preferido em algum lugar.

Aqui, nesta gazeta escrota, eu tenho um espaço de que gosto muito. Principalmente as sextas-feiras. O dia sempre começa com nosso querido Peninha e já na sequência o espaço que era ocupado por um magistral colunista.

É e sempre será meu espaço preferido. Hoje é sexta-feira. Ele não estará aqui. Trago para o lugar um vídeo diferente (o colunista era diferente). Uma bela interpretação de “Bohemian Rhapsody” do Queen.

Uma banda gigante com um gigante intérprete. Gigante como o colunista que ocupava este espaço. Tenho certeza de que todos sabem de quem falo.

Saudades.

PENINHA - DICA MUSICAL