JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

VIAJANDO NA JANELA DO TREM DAS BOAS LEMBRANÇAS

Por que gostamos de viajar olhando pela janela?

Não sei. Mas, que é prazeroso, é!

É a janela, ou o que olhamos a partir dela?

Também não sei. Mas, que rejuvenesce e mata a saudade, é verdade.

Pois, sentemos no banco do lado da janela, nesse trem da vida e das boas lembranças. Feche o livro que carrega para ler, e desfrute o prazer da paisagem que imaginamos que passa – mas, quem passa é o trem.

E a viagem começava sempre na manhã de um domingo, porque esse era o único dia que meu Avô não trabalhava na roça.

Religiosamente, se dirigia até a sede principal do povoado para assistir a Santa Missa. Terminada a Missa, caminhava até a bodega do Raimundim – e era quando aproveitava para comprar café cru em grãos, sal em pedra, querosene e rapadura. Desse último item, comprava sempre quatro ou cinco. Servia para adoçar quase tudo e ainda nos garantia a boa merenda da tarde (farinha seca com um pedaço de rapadura, para nós, não tenha merenda melhor).

Uma boa talagada de cana era o último item antes de voltar para a casa. No caminho de volta, alguns cumprimentos de passantes e outros das casas dos conhecidos:

– Diiiiaaaaa!

E ouvia sempre o cumprimento de volta:

– Diiiiaaaaa, seu João!

Grãos de café cru

Na porteira, as ações de sempre: parava o burro, deslizava os paus corrediços da porteira. Entrava conduzindo o burro. Parava e voltava a fechar a porteira.

No quintal fronteiriço retirava a sela do burro e o levava para uma terrina grande onde o animal bebia água. Depois amarrava um saco com ração (capim) triturada.

Na casa, Vovó já tinha debulhado a mangirioba (fedegoso) que esperava os grãos de café. A rapadura era quebrada e misturada com pouca água para fazer o melaço para adicionar ao café que estava sendo torrado num alguidá de barro (um prato grande de cerâmica em forma de bacia).

Mangirioba (fedegoso)

Feita a mistura, café, mangirioba, melaço de rapadura eram retirados do alguidá e postos numa tábua (no interior, falamos “tauba”) a secar.

Café torrado com mangirioba

Na ferrovia da vida, a “Maria Fumaça” puxa o comboio de trem. Queimando lenha, fazendo brasa, não queima nem atrasa.

Queimando lenha, fazendo brasa!…..

Continuo na janela e imagino que a paisagem está passando – mas é o trem que vai, puxado pela Maria Fumaça, continuando o sonho com as boas lembranças.

Piiiiuuuuííííí´!

O sol, muito quente, “secou” o café torrado. Agora tem que pilar naquele pilão que também serve para pilar urucu, arroz com casca, castanha e até para fazer paçoca (carne seca assada, misturada com farinha seca – para fazer a “rainha” da culinária da roça)

A sobra dos pedaços da rapadura será guardada numa lata hermeticamente fechada – servirá para “adoçar o café” ou para a Avó agradar os netos, premiando-os com alguns pedaços.

Rapadura quebrada em pedaços

Ainda na janela. O trem vai rápido, cada vez mais rápido. As paisagens ficam para trás. As curvas que o trem enfrenta pela frente, algumas estão cobertas pela fumaça feita pela queima da lenha da “Maria Fumaça”!

No banco do outro lado, uma mulher dorme. Difícil acreditar, mas ela consegue. As mulheres sempre conseguem o que parece impossível para muitos. Mas, elas serão sempre elas.

O café sendo pilado

Pilar o arroz (para retirar a casca), existe a cultura de que isso precisa ser feito a quatro mãos, num ritmo que somente os maestros de algumas orquestras entendem. Pilar o café é diferente. É feita apenas a duas mãos, para evitar que o pó precioso derrame.

O cuidado é extremo. E há quem afirme (claro que não é verdade) que, sendo pilado apenas a duas mãos, o produto fica mais gostoso e vai exalar um cheiro inconfundível na feitura do produto final.

A viagem continua – a “Maria Fumaça” continua soberba sobre os trilhos, queimando lenha e soltando fumaça em cada curva.

Fiiiuuuuíííííí!

Foto 6 – A obra-prima de qualquer dona de casa

No fogão a lenha, o fogo foi “atiçado” (coloca-se mais lenha para garantir mais fogo). Num arame que perpassa de um lado a outro da cozinha, uma lata com água e dependurada no arame é colocada à fervura. Coloca-se alguns nacos de rapadura (o café sai passado e adoçado – poucos usam o açúcar refinado) e, antes da fervura, acrescenta-se o pó do café.

Na ferrovia, a “Maria Fumaça” faz a última curva e diminui a marcha para parar na estação da vida – onde todas as lembranças serão entregues e todas as saudades serão aliviadas.

Vovó, mais feliz que os que vão usufruir daquela obra-prima, grita a todos pulmões:

– Geeeennteeee, o café tá passado e botado!

Os que gostam, se aproximam e se servem. Beijus, tapiocas, pães e até paçoca de carne seca com farinha.

Na estação, a “Maria Fumaça” estaciona para o desembarque de alguns e embarque de outros tantos.

Finalmente acordo e saio da janela.

Foto 7 – O café!

DEU NO JORNAL

FEDENTINA

A pesquisa Quaest mostrou que a maioria dos brasileiros acha que a reprovação de Lula piora quando ele aparece e fala.

Ainda assim, ele irá intensificar viagens.

Nesta segunda, vai a Minas, depois São Paulo.

* * *

O crescimento da reprovação do descondenado é por conta da fedentina.

A cada cagada oral, o mau cheiro aumenta e polui mais ainda o país inteiro.

É o excretor mais produtivo que já se viu até hoje na presidência desta nossa republiqueta banânica.

EXCREÇÃO EXCESSIVA | JORNAL DA BESTA FUBANA

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

EM SONHOS… – Cruz e Souza

Nos Santos óleos do luar, floria
Teu corpo ideal, com o resplendor da Helade…
E em toda a etérea, branda claridade
Como que erravam fluidos de harmonia…

As Águias imortais da Fantasia
Deram-te as asas e a serenidade
Para galgar, subir a Imensidade
Onde o clarão de tantos sóis radia.

Do espaço pelos límpidos velinos
Os Astros vieram claros, cristalinos,
Com chamas, vibrações, do alto, cantando…

Nos santos óleos do luar envolto
Teu corpo era o Astro nas esferas solto
Mais Sóis e mais Estrelas fecundando!

João da Cruz e Sousa, Florianópolis-SC (1861-1898)

DEU NO X

COMENTÁRIO DO LEITOR

O CANDIDATO DO LEITOR

Comentário sobre a postagem UMA DIRETA

Welinton Alencar:

Morei no Goiás, de 1989 a 2015, voltando lá duas a três vezes ao ano, depois desse período, onde ainda tenho residência.

Geralmente fico um a dois meses, cada estadia. Fico em média 3 a 4 meses, por ano.

Moro em uma cidade de Grande Goiânia, Trindade, famosa pela Romaria do Divino Pai Eterno, que ocorre no primeiro domingo de julho, de cada ano.

Trabalhei em um Órgão do Governo do Goiás por 23 anos, quando me aposentei.

Passei por diversos governos estaduais, uns mais ou menos outros ruins e outros péssimos,principalmente para o funcionalismo.

Sempre votei no Caiado (deputado federal e senador). Não votei para governador, pois transferi meu título para onde fico mais tempo e onde tenho minha ocupação atual.

Se tivesse continuado lá, seria voto certo para ele.

Porquê?

Em primeiro lugar, porque era o único político com expressão nacional que se orgulhava de ser produtor rural; porque defendia todas as pautas desse setor; porque era um aguerrido combatente do MST, do PT e puxadinhos e principalmente, por não ter seu nome envolvido em falcatruas e corrupção (tão comum no meio político nacional).

No dois governos do Goiás, posso atestar que a segurança pública é uma realidade; investimentos no setor rural, inclusive utilizando uma taxa sobre a produção rural (contestada pelo setor); salários pagos religiosamente (alguns setores se queixam de aumentos salariais aquém da inflação), escolas públicas, principalmente aquelas ligadas ao círculo militar de excelente qualidade, construção de hospitais regionais na modalidade policlínicas , tanto que tem uns avaliação positiva em torno de 80%, do eleitorado goiano, segundo pesquisas.

Será uma opção muito boa, para contrapor à esse pessoal que está aí.

Precisa se tornar mais conhecido aqui por nossas bandas (NE).

Da minha parte,vou providenciar adesivo para o meu carro e para quem pense como eu, com os dizeres:

CAIADO, PRÉ CANDIDATO A PRESIDENTE

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

TARIFAS DE TRUMP

A gente define monopólio como sendo a existência de uma única empresa vendedora. Por exemplo, a Petrobras é uma empresa monopolista, posto que somente ela tem, constitucionalmente, o poder de explorar petróleo no Brasil. O problema do monopólio é que ele gera um custo social por dois motivos: o preço cobrado pelo produto é maior do que o preço de um mercado competitivo; a quantidade de bens colocados no mercado é menor do que a quantidade que poderia ser ofertada num mercado competitivo. Assim sendo, que paga esse ônus é a sociedade. No monopólio há uma nítida dependência de uma empresa.

A relação de diversas economias com os Estados Unidos é quase nessa direção, ou seja, todo país deseja vender aos Estados Unidos numa relação econômica chamada monopsônio, ou seja, quando há um único comprador. Para se ter uma ideia do tamanho do problema, em 2024 os Estados Unidos importaram, aproximadamente, US$ 3,30 trilhões de produtos de diversos países, dentre os quais, o México (US$ 839,89 bilhões), o Canadá (US$ 804,42 bilhões) e a China (US$ 758 bilhões). Dentre tantos os produtos importados pelos americanos, as máquinas e equipamentos elétricos e mecânicos representam quase 30% do valor total das exportações.

O Brasil exportou para os Estados Unidos um volume total de recursos da ordem de US$ 40 bilhões, fato que representou um aumento de quase 10% quando comparado ao ano de 2023. Cabe destacar que dentre os nossos produtos o de maior valor observado, US$ 5,8 bilhões, se refere a óleos brutos de petróleo. O valor exportado de aço beirou os US$ 2,7 bilhões. Acrescente-se que tivemos também: café não torrado (US$ 1,9 bilhão), aeronaves (US$ 1,4 bilhão), celulose (US$ 1,5 bilhão) e carne bovina (UD$ 855 milhões). Discrimino desse jeito para que você perceba que os produtos que exportamos não agregam tecnologia de máquinas elétrica, razão pela qual somos absolutamente tímidos perante os Estados Unidos. Compare com o México, Canadá e China e você vai entender o impacto do aumento da tarifa imposta por Trump tem o mesmo efeito de um tsunami, na nossa economia.

Sem dúvidas, as políticas tarifárias implementadas por Trump, geram repercussões significativas tanto para a economia americana quanto para parceiros comerciais, incluindo o Brasil. O anúncio de uma tarifa de 10% sobre tudo que é importado, tem como justificativa a proteção das empresas americanas, ou seja, o presidente busca tornar as empresas americanas mais competitivas, mas especificamente no caso brasileiro, o desafio é considerável.

A desvalorização do Real, impulsionou as exportações e Trump viu isso como uma forma de obter vantagens comerciais e, como consequência, anunciou a retomada de tarifas sobre o aço e o alumínio brasileiros. Em adição, alegou que o Brasil impõe tarifas excessivas sobre produtos americanos, razão pela qual está promovendo essa equalização.

Obviamente, que tais ações geram, em todas as economias, reações adversas, incluindo o papo de “reciprocidade”. No meu entendimento, as consequências dessas políticas para o Brasil afetarão a competitividade de produtos brasileiros no mercado americano devido ao aumento de custos, potencial diminuição das exportações e possíveis perdas de empregos em setores afetados, como o siderúrgico e o agrícola (será que o MST tem capacidade de suprir a baixa oferta do agronegócio?). No entanto, o que é mais complicado é que num cenário de incertezas, os investidores reduzem seus investimentos, ou seja, isso afetará negativamente o crescimento econômico do país.

O outro lado da moeda é o efeito de tudo para os americanos. A depender da importância dos produtos brasileiros para os Estados Unidos, é natural que haverá aumento de custos, fato que pode gerar inflação, mas ao contrário do que acontece aqui, lá a taxa de inflação acumulada de fevereiro de 2024 a fevereiro de 2025, chegou a 2,8%, menor do que os 3% de janeiro desse ano.

Com base nisso, o Federal Reserve monitora, de forma cautelosa, os impactos das tarifas e outras mudanças políticas antes de ajustar as taxas de juros, que está na faixa dos 4,25% ao ano, enquanto no Brasil chegamos a 14,25%.

Parafraseando Isac Newton, “a cada ação corresponde uma reação igual e oposta” e nesse sentido, diversos países, incluindo o Brasil irão partir para o confronto aumentando as tarifas sobre os produtos americanos. Até o Brasil aprovou um pacote de medidas nessa direção. Então, se há risco de inflação nos Estados Unidos, não haveria risco de inflação no Brasil? O princípio é o mesmo. Confesso que o Brasil deveria tentar outra medida. Pelos números apresentados e pela dependência que nós temos, a gente precisa mais deles do que o contrário.

DEU NO X

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

O LEITEIRO

Me faz lembrar Zé do Leite
No município de Altinho
Com seus dois tonéis de zinco
No lombo do jumentinho.
Rabicó grita do muro:
– Ô! Zé, esse leite é puro?
– Puro só pro bezerrinho!

Foto de José Wellington do Nascimento

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

OS BRASILEIROS: Luiz de Queiroz

Luiz Vicente de Sousa Queiroz nasceu em 12/6/1849, em São Paulo, SP. Agrônomo, empresário, precursor do agronegócio, fomentador da pesquisa científica e pioneiro no ensino superior na área agricola. Doou parte de suas terras ao Governo de São Paulo afim de criar a ESALQ-Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz em Piracicaba, em 1901.

Filho de Francisca de Paula Souza e Vicente de Souza Queiroz, o Barão de Limeira, e neto do Brigadeiro Luís Antonio, um dos maiores proprietário de terras de São Paulo. Teve os primeiros estudos na Europa, para onde se mudou aos 8 anos e estudou nas escolas de agricultura de Grignon, na França e Zurique, na Suíça. Retornou ao Brasil em 1873, aos 24 anos, e herdou a fazenda Engenho d’Água, na antiga Vila de Constituição, atual Piracicaba.

Em meados da década de 1870, construiu seu palacete, em estilo parisiense, próximo ao salto do rio Piracicaba, que veio habitar após o casamento com Ermelinda Ottoni. Aproveitou o potencial hidráulico do rio para mover as máquinas da “Fábrica de Tecidos Santa Francisca” recém criada e amealhou uma fortuna com o cultivo de algodão e a fábrica de tecidos. As máquinas que geravam energia para a fábrica passaram a fornecer luz pública na cidade, muito antes da capital paulista, e promoveu a arborização da cidade.

Instalou a primeira linha telefônica da região e acolheu os primeiros grupos de imigrantes, destinados a substituir a mão de obra escrava. Como membro do Partido Republicano, presidiu a comissão abolicionista de Piracicaba e pregava abolir a escravidão em curto prazo. Assim, entrou em choque com os conservadores, liderado por Prudente de Moraes, favorável a uma emancipação gradual e com indenização aos proprietários de escravos.

Após a abolição, embarcou para a Europa e retomou o contato com a agricultura pautada na tecnologia. Ao retornar para o Brasil, mobilizou esforços para introduzir a racionalização científica da agricultura. Neste ponto surge o ideal de criar uma escola para difundir o conhecimento agrícola e treinar mão-de-obra rural qualificada. Tal ideal resultou na criação da Escola Superior de Agricultura. Sua iniciativa de transformar o que era propriedade sua em bem público, a serviço do país, foi um gesto reconhecido mais tarde com seu nome dado à escola.

Nesta época, a economia cafeeira passa a tomar a dianteira e alavancar o progresso com novas tecnologias, ampliação de estradas, incluindo as estradas de ferro, do navio a vapor e o surgimento de novas cidades. Nesse contexto surge a necessidade de se ampliar as instituições de ensino no Brasil, de modo a formar novos quadros para o sistema produtivo. Em 1889, adquiriu a Fazenda São João da Montanha, de 319 hectares com plantação de cana-de-açúcar e vários engenhos antigos. Em 1891, viajou para os EUA e Europa na busca de um projeto de edificação para sua escola e adquirir equipamentos para a usina hidrelétrica e a rede de iluminação pública da cidade. Na ocasião, contratou o arquiteto Alfred B. Hutchings para projetar a planta geral da escola em Piracicaba. Assim, foi projetado um edifício-sede para a escola e o internato, com mais de 100 quartos para acomodar os estudantes.

Em seguida contratou o professor de agricultura do Michigan Agricultural College, Eugene Davenport, para dirigir a escola por um ano. No entanto, as mudanças cambiais e o custo do frete reduziu seu capital, obrigando-o a pedir ajuda ao governo do Estado, que lhe foi negado. Para não perder todo o investimento, iniciou uma campanha em meio à opinião pública sobre a importância de seu projeto. Ao final, conseguiu a participação do Estado no projeto mediante um acordo: ele transferiu a Fazenda São João da Montanha ao poder público, em 17/11/1892, com a condição de construir a escola de agronomia, no prazo de 10 anos. Caso não ocorresse, a propriedade voltaria para suas mãos ou de sua família.

Não chegou a ver o sonho concretizado, faleceu em 11/6/1898, aos 48 anos. Dizem que a perda de sua riqueza e a negligência do Estado na construção da escola, levaram-no à depressão e à morte prematura. Três anos depois foi inaugurada a “Escola Prática de Piracicaba”, em 3/6/1901, faltando apenas pouco mais de um ano para o vencimento do acordo com o Estado. O acordo foi selado com o governador Bernadino de Campos, ressaltando o esforço da iniciativa privada em benefício da agricultura, base da riqueza do Estado. Após o acordo, se desfez de boa parte de suas posses e mudou-se para a capital, em 1894, acompanhando de longe a construção da escola e publicando artigos na Revista Agrícola.

Em 1931 a escola recebeu o nome de seu idealizador e construtor, passando a se chamar Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz-ESALQ. Em 1934, saiu da Secretaria de Agricultura e passou a integrar a USP-Universidade de São Paulo. Em 1964, Os restos mortais do casal Queiroz foram transferidos para Piracicaba e foram sepultados de frente ao edifício central da Escola, onde foi construído um mausoléu com a inscrição “A Luíz Vicente de Souza Queiroz, o teu monumento é a tua escola”. Em 2004, Marly T. Germano Perecin publicou, digamos, a biografia da ESALQ: Os passos do saber: a Escola Prática Luiz de Queiroz, pela Editora da USP.

DEU NO JORNAL

COMO O GOVERNO SE TRANSFORMOU NO PROBLEMA

Editorial Gazeta do Povo

Lula Trump EUA governo Lula

Eu seu discurso de posse como presidente dos Estados Unidos, em janeiro de 1981, Ronald Reagan fez uma declaração dura, dizendo que “o governo não é a solução de nossos problemas; o governo é o problema”. Essa frase viria a ser tema de debates nos meios acadêmicos e políticos em várias partes do mundo, sobretudo por colocar em xeque a capacidade do governo de ser o motor do crescimento econômico e do desenvolvimento social, não só nos Estados Unidos, mas nos países em geral. Um dos efeitos da declaração de Reagan foi levantar sérias dúvidas quanto à crença disseminada de que a concentração de poder nas mãos de uma elite governamental seria necessária e útil para enfrentar, com chance de sucesso, os problemas e a complexidade da sociedade moderna.

No Brasil de hoje, o governo é exemplo cabal da sentença de Reagan, pois o sistema estatal em seu conjunto desenvolveu enorme lista de problemas, distorções e vícios estruturais cujo resultado é dificultar o crescimento econômico e a redução do grau de pobreza nacional. Os vícios estruturais, que passaram a fazer parte da essência do setor estatal, facilitaram a criação de bagunça conjuntural, que são os problemas e as políticas públicas ruins contidas na administração governamental diária nas esferas federal, estadual e municipal.

A soma de defeitos estruturais com ineficiência conjuntural resulta em déficits fiscais elevados, dívida pública alta e em trajetória crescente, inchaço da máquina pública, baixa produtividade do serviço público, ineficiência administrativa, constituição de castas de funcionários que ganham salários astronômicos, desperdício de dinheiro público e muita corrupção. O tamanho do desgaste do terceiro mandato de Lula (o quinto do PT) é consequência óbvia do discurso e das más decisões que promoveram o aumento assustador da quantidade de repartições públicas, cargos e funcionários, ao lado de incompetência na gestão do dinheiro público.

A rápida queda de popularidade de Lula é o reflexo de um governo que, mesmo que quisesse, não consegue se desvencilhar das armadilhas que construiu para seu mandato. Ademais, rever conceitos, recuar em suas políticas públicas erradas e tomar o caminho da austeridade e ter alguma eficiência é algo que certamente Lula e o PT não querem e não farão. Reorganizar a estrutura governamental, abandonar práticas erradas e corrigir os rumos é impensável para um governo que nunca admite estar errado, é especialista em julgar a culpa nos outros e, adicionalmente, não tem nível intelectual, técnico e moral para fazer o que é certo e necessário.

Além de se saber que a tarefa de dirigir um país de dimensões continentais não é tarefa fácil e que não há milagres de curto prazo, grandes teóricos de várias áreas têm se dedicado a entender o funcionamento das estruturas do Estado, da política, do poder e do governo, e afirmam que as gigantescas estruturas governamentais e a complexidade da máquina do governo resultam na ineficácia do planejamento central, principalmente porque o conhecimento e as informações necessárias para a tomada de decisão estão dispersos pela sociedade e não podem ser dominados por uma única autoridade. Ademais, como afirmou o economista Milton Friedman, um governo não poderá jamais replicar a variedade e a diversidade da ação humana, de forma que, mesmo em governos considerados relativamente bons, a administração nunca será racional, eficiente e moralmente elevada.

Ronald Reagan alertou também para outro aspecto importante da vida econômica nacional ao dizer que, quando uma empresa ou uma pessoa gasta mais do que fatura, ela vai à falência, mas, quando o governo faz o mesmo, ele envia a conta ao povo e, ao fazer isso por décadas, a conta chega inevitavelmente de duas maneiras: maiores impostos e mais inflação. O Brasil serve de testemunha ao mundo de que a realidade citada por Reagan é a consequência inescapável daqueles que acreditam que o governo é a solução e tem de ser cada vez maior e mais gastador. Lula segue à risca esse figurino deletério e prejudicial ao progresso nacional, como provam suas declarações, em alto e bom som, segundo as quais não faz diferença ter um déficit um pouco maior nem uma inflação um pouco mais alta, e os problemas se revolvem por meio de aumentos de tributos.

Em relação ao Brasil, além de o governo não ser a solução dos problemas nacionais, mas ser ele próprio o problema, o atual governo segue firme na trajetória de deterioração dos principais indicadores econômicos, com a colaboração direta do chefe da nação.