Arquivo diários:21 de abril de 2025
DEU NO JORNAL
LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA
ENCANTOU-SE O PAPA
DEU NO JORNAL
PAPA FRANCISCO ENCANTOU-SE HOJE, 21 DE ABRIL
SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO
PELA MANHÃ
PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA
AUTO-RETRATO – Bocage
Magro, de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, médio na altura,
Triste de cara, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno.
Incapaz de assistir num só terreno,
Mais propenso ao furor do que à ternura,
Bebendo em níveas mãos por taça escura
De zelos infernais letal veneno.
Devoto incensador de mil deidades,
(Digo de moças mil) num só momento.
Inimigo de hipócritas, e frades.
Eis Bocage, em quem luz algum talento;
Saíram dele mesmo estas verdades
Num dia, em que se achou cagando ao vento.

Manuel Maria Barbosa du Bocage, Setubal, Portugal (1765-1805)
DEU NO X
BACURINHA BEM PROTEGIDA
அடேங்கப்பா எத்தனை ஜட்டி திருடியிருக்கா 🙄 pic.twitter.com/0gMLILFZOP
— ஆதிரன் 🇮🇳 ⚫🔴 (@Aathiraj8586) April 20, 2025
ALEXANDRE GARCIA
CASO FILIPE MARTINS: VER O PRÓPRIO JULGAMENTO NÃO É A REGRA?

Filipe Martins, ex-assessor de Jair Bolsonaro, foi autorizado a ver seu próprio julgamento
Está marcado para terça-feira (22) o julgamento da denúncia contra Filipe Martins. Não sei se estão denunciando que ele foi para os Estados Unidos, ou que ele fingiu ir para os Estados Unidos, ou que ele é milagroso e está ao mesmo tempo nos Estados Unidos e, em vez de desembarcar em Orlando, está desembarcando em Curitiba.
Isso é uma coisa incrível que precisa ser e está sendo investigada pelas autoridades americanas. Quem falsificou a entrada dele escreveu “Felipe” Martins, mas o certo é “Filipe”, como em Filipinas. Na Espanha, na Inglaterra ou nos Estados Unidos, Filipe é com I. No sistema americano, entrou com E. Tem muito brasileiro que escreve “Felipe” com E.
A defesa de Filipe Martins pediu, e Moraes autorizou-o a sair de Ponta Grossa e ir para Brasília para assistir ao próprio julgamento, na Primeira Turma – com só cinco juízes, em vez de onze do Supremo –, da denúncia da Procuradoria-Geral da República contra ele por suposta participação em golpe de Estado.
Está tudo pormenorizado: onde ele pode descer, aonde ele pode ir… Tem que ficar no hotel. A defesa teve que explicar que não se trata de pressão.
Engraçado que comigo já aconteceu um processo no Tribunal Superior do Trabalho contra a antiga Rede Manchete. Um dos juízes disse: “Eu não li os autos, mas vejo que a presença de uma das partes aqui tenciona pressionar os juízes; portanto, voto contra ele”. Nunca vi isso. Na minha cara! Mas, enfim, assim é o Judiciário Brasileiro. Não é de agora.
Chamam pessoas que não são de carreira e acontece isso. Esse não era de carreira. É um advogado trabalhista que trabalhou com Lula e que me contou, certa vez, que Lula não gosta de pessoas que têm curso superior. Tem preconceito. Chamava ele de “advogadinho”, uma coisa assim. Mas isso é outro assunto.
Filipe Martins vai ser autorizado a assistir ao próprio julgamento. Parece até uma exceção, quando deveria ser regra, não? A pessoa que está sendo denunciada precisa estar lá para saber o que estão dizendo dela e como é que transcorre o processo.
Tudo isso depois de ter ficado seis meses preso por ter ido aos Estados Unidos – ele não foi – e ter ficado em solitária dez dias. Mas ele não assinou a tal delação premiada contra Bolsonaro, que era o que queriam.
* * *
SinPatinhas pode significar imposto para quem tem animais domésticos
Está todo mundo falando do tal SinPatinhas, o Sistema do Cadastro Nacional de Animais Domésticos. O título do programa a que ele pertence é “Programa Nacional de Proteção e Manejo Populacional Ético de Cães e Gatos”. Tem uma turma aí que não consegue fazer um título com duas palavras. Está quase tudo no título. Aí botaram um “ético” ali para ficar bonito.
Dizem que isso vai ser grátis. Não, não vai ser grátis. Não pode ser grátis, isso tem um custo. E quem vai pagar é o pagador de impostos, quem paga sempre, paga tudo o que o governo faz. Não tem nada que o pagador de impostos não pague.
Agora está todo mundo com medo de que depois venha imposto sobre a propriedade do cão. Se a gente paga imposto sobre a propriedade do automóvel, sobre a propriedade da casa, vai pagar imposto sobre a propriedade do cão. Está todo mundo com o pé atrás a respeito disso.
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Barroso não quis dizer o que disse?
Outro assunto é essa resposta pronta do presidente do Supremo, ministro Barroso, para a revista The Economist. É a revista mais prestigiada do mundo. Fez um artigo que mostra que o Supremo está se afundando – e, com isso, afundando a segurança jurídica do país.
Eu conversava ontem, na hora do almoço, com um advogado escocês, e ele me falava da importância da segurança jurídica. Óbvio. Sem isso, não há investimento, não há segurança para os cidadãos.
E uma das coisas que o Barroso respondeu sobre o artigo da Economist foi que ele não disse “nós derrotamos o bolsonarismo”, não disse que a Corte derrotou o bolsonarismo, mas sim que foram os eleitores que derrotaram o bolsonarismo. Bom, se ele quis dizer isso, por que ele não disse?
DEU NO JORNAL
RIO DE JANEIRO: O PERIGOSO OBJETO DO MEU AMOR
Roberto Motta

Moro em uma das cidades mais lindas do mundo. É também uma cidade que sofre, há muitas décadas, com uma infestação de crime, organizado e desorganizado. Eu amo minha cidade, o Rio de Janeiro. Obviamente, não a amo por causa do crime; amo apesar do crime. Parece óbvio, mas o óbvio escapa a muita gente.
Minha família se mudou para o Rio de Janeiro em 1973. A primeira impressão que tive, de uma cidade absurdamente bela, permanece até hoje. A geografia do Rio combina mar e montanha, rocha e floresta, céu, lagos e ilhas como nenhuma outra cidade que conheço. Me dizem que o Havaí é assim, mas eu nunca fui ao Havaí. Para mim, o Havaí é aqui.
Como qualquer pessoa apaixonada, vivo postando elogios e fotografias do objeto do meu amor. Tenho milhares de fotos do Rio e faço dezenas de novas imagens todos os dias. Inevitavelmente, quando posto as fotografias, há sempre alguém que faz um comentário do tipo: “de que adianta essa beleza se a cidade está infestada por bandidos?”
A resposta é: adianta muito. A lógica diz que é melhor viver em uma cidade linda infestada por bandidos do que em uma cidade feia infestada por bandidos. A beleza é necessária para a sobrevivência da alma. Percebam: eu não escolhi o domínio do crime para o Rio de Janeiro. Na verdade, há mais de uma década eu me dedico a combater o crime através da disseminação de conhecimento e da ação política. Cheguei até a assumir por um curtíssimo período o cargo de Secretário de Segurança.
Não vejo contradição entre apreciar – e divulgar – a beleza do Rio de Janeiro e reconhecer os graves problemas de segurança. São problemas que afetam a maioria das grandes cidades do país; muitas estão em situação mais grave do que o Rio. O crime não fecha meus olhos à beleza e nem embota meu espírito. Tenho a mesma rotina tensa e preocupada da maioria dos brasileiros, mas moro em um lugar cuja natureza foi dotada por Deus de uma beleza singular. Todos os dias eu observo e louvo essa beleza. Ela eleva meu espírito e torna a minha vida melhor. Eu compartilho essa beleza com os outros.
Aplico meus sentidos ao reconhecimento diário das maravilhas que me cercam. Observo como a posição aparente das ilhas Cagarras muda à medida que caminho pela areia de Ipanema. Admiro os aviões da ponte aérea fazendo uma curva sobre a Urca e quase tocando a água da Baía de Guanabara, quando pousam no Aeroporto Santos Dumont. Fotografo os mergulhões, aves marítimas de asas enormes, que voam alto sobre Copacabana em dias de vento sudoeste, uma ave tentando tirar o peixe do bico da outra. Torço pelos surfistas que descem montanhas de água no Arpoador. Coleciono fotografias do Cristo Redentor visto da Marina, da Igreja da Glória, da curva da Praia de Botafogo ou iluminado sobre a lagoa Rodrigo de Freitas.
Estou voltando para casa, em um carro de aplicativo, quando olho pela janela e vejo o céu chuvoso com as ilhas Cagarras ao fundo. Dá uma foto linda. Quando publico a foto uma moça comenta: “Motta, pena que só na foto. Ao vivo é uma linda cidade abandonada, enferrujada, corrompida e sitiada”. Claro, muita coisa no Rio tem piorado depois que a capital mudou para Brasília. A simbiose entre crime, esquerdismo e populismo faz o possível para destruir a cidade – sua última conquista foi a ADPF 635, que suspendeu durante cinco anos as operações criminais. Traficantes dominam centenas de territórios. Tudo isso é verdade. Mas a postagem era uma fotografia das ilhas Cagarras.
Se os criminosos nos roubaram a capacidade de perceber e apreciar a beleza que nos cerca – se eles nos tornaram cegos para tudo aquilo com que Deus nos presenteou nessa cidade – então, de verdade, eles já nos roubaram tudo.
DEU NO X
QUE LINDA CACHOEIRA! BELA PAISAGEM
Bela paisagem. Alguém sabe onde fica esse lugar? pic.twitter.com/9H6udeiIgE
— O Corvo (@0C0RV0) April 19, 2025
XICO COM X, BIZERRA COM I
SEM HORAS E SEM ALÔ
Seu Zeca de Julinho é um homem que vive tímido, sem lenço, sem documento, de certa forma alheio ao sistema. E sem nada que lhe marque o tempo. Há alguns anos, muitos anos, Seu Zeca teve o relógio arrancado do pulso num sinal de trânsito. A partir daí, deixou de usá-lo no braço esquerdo, passando a ‘amarrá-lo’ no punho direito. Aliás, nunca entendi a convenção que obriga o uso do relógio no lado canhoto.
Pulsos Libertos
Hoje Seu Zeca não mais usa o marcador de horas.. Nem o convencional nem o modernoso, apelidado de celular, que lhe faz as vezes. Eles não lhe interessam. Já interessaram, hoje não mais. Por isso, não se faz acompanhar de nenhum deles. Aposentado, para que saber das horas se elas não têm a menor importância? Pouca diferença faz se são 6 e 15 da manhã ou 15 pras 8 da noite. Se está com fome, come; se está com sono, dorme; e se está sem nada a fazer, vadia pelas calçadas do bairro onde mora. Simples assim.
Imune a Ladrão
E andar despreocupado, nadando contra a correnteza, vale a pena: os ladrões nem olham para ele pois seu Zeca não possui o que lhes apetece, nem relógio, nem celular, relógio dos tempos modernos. Obrigações formais não há. Sem ponteiros a rodar, orienta-se pelo sol e pela sombra. Seu tempo é indefinido: apenas o suficiente para dedicar-se a quem quer bem. Não atrasa nem adianta, ciente de que não adianta atrasar. Relógio e celular, para ele, é tão dispensável quanto cuecas. Também não as usa, desde que largou a vida burocrática, 2003, beneficiado pela justa aposentadoria.
Seu Jeito de Ser Feliz
Eis que o relógio da mulher de Seu Zeca já avisa que são 10 e 20 da noite e o celular do seu neto desperta, insistente, avisando a hora de tomar seu remédio para esquecimento. Ele anda meio esquecido. Sem relógio ou celular as horas voam e seu Zeca nem percebe. Só não esquece de comer quando está com fome, de dormir quando está com sono e de vadiar, quando o ócio lhe assedia. E assim segue, entre dentes, pernas e bandeiras, que nem Caetano. É seu jeito de ser feliz.




