DEU NO X

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NA AVENIDA PAULISTA

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JESUS DE RITINHA DE MIÚDO

A POESIA DE CHICO POTENGY

Eu recebi no final de sexta-feira, vinda do poeta Chico Potengy, a poesia de sete versos copiada ipsis litteris abaixo:

Aquela casa pequena
Bem no “beiço” da estrada
Foi se embora o morador
Que a deixou desocupada
E ao contrário do que era
Hoje é só uma tapera
Pra muitos, “malassombrada”.

Versos de Chico Potengy
Barcelona /RN.
Em 4 de abril de 2025

Motivado pelos belos versos do poeta Chico Potengi, eu lhe respondi assim, no mesmo estilo, em duas septilhas:

Daquela velha casinha
Já caiu a cumeeira
As telhas foram ao chão
Estão virando poeira
Que o vento leva embora
Quem passa, lhe vendo chora,
Sem cruzar sua soleira.

Nos portais não tem madeira
As paredes se curvaram
Perante o peso dos anos
Sol e chuva lhes racharam
Só resta o eco das falas
Do passado, em suas salas,
Nas lembranças que ficaram.

Foto copiada da Internet após pesquisa no Google

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LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO JORNAL

BRILHANDO LÁ FORA

A Associated Press, uma das maiores agências de notícias do mundo, destaca que a aprovação de Lula “despenca” e a época na qual o petista era chamado de “o cara” por Barack Obama “se foi há muito tempo”.

* * *

A despencada do caneiro foi notícia na Associated Press.

Hum…

Viramos notícia mundial.

Temos que nos orgulhar, gente!!!

Lula e o recorde que ninguém quer bater | Jornal de Brasília

DEU NO X

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

VIAJANDO NA JANELA DO TREM DAS BOAS LEMBRANÇAS

Por que gostamos de viajar olhando pela janela?

Não sei. Mas, que é prazeroso, é!

É a janela, ou o que olhamos a partir dela?

Também não sei. Mas, que rejuvenesce e mata a saudade, é verdade.

Pois, sentemos no banco do lado da janela, nesse trem da vida e das boas lembranças. Feche o livro que carrega para ler, e desfrute o prazer da paisagem que imaginamos que passa – mas, quem passa é o trem.

E a viagem começava sempre na manhã de um domingo, porque esse era o único dia que meu Avô não trabalhava na roça.

Religiosamente, se dirigia até a sede principal do povoado para assistir a Santa Missa. Terminada a Missa, caminhava até a bodega do Raimundim – e era quando aproveitava para comprar café cru em grãos, sal em pedra, querosene e rapadura. Desse último item, comprava sempre quatro ou cinco. Servia para adoçar quase tudo e ainda nos garantia a boa merenda da tarde (farinha seca com um pedaço de rapadura, para nós, não tenha merenda melhor).

Uma boa talagada de cana era o último item antes de voltar para a casa. No caminho de volta, alguns cumprimentos de passantes e outros das casas dos conhecidos:

– Diiiiaaaaa!

E ouvia sempre o cumprimento de volta:

– Diiiiaaaaa, seu João!

Grãos de café cru

Na porteira, as ações de sempre: parava o burro, deslizava os paus corrediços da porteira. Entrava conduzindo o burro. Parava e voltava a fechar a porteira.

No quintal fronteiriço retirava a sela do burro e o levava para uma terrina grande onde o animal bebia água. Depois amarrava um saco com ração (capim) triturada.

Na casa, Vovó já tinha debulhado a mangirioba (fedegoso) que esperava os grãos de café. A rapadura era quebrada e misturada com pouca água para fazer o melaço para adicionar ao café que estava sendo torrado num alguidá de barro (um prato grande de cerâmica em forma de bacia).

Mangirioba (fedegoso)

Feita a mistura, café, mangirioba, melaço de rapadura eram retirados do alguidá e postos numa tábua (no interior, falamos “tauba”) a secar.

Café torrado com mangirioba

Na ferrovia da vida, a “Maria Fumaça” puxa o comboio de trem. Queimando lenha, fazendo brasa, não queima nem atrasa.

Queimando lenha, fazendo brasa!…..

Continuo na janela e imagino que a paisagem está passando – mas é o trem que vai, puxado pela Maria Fumaça, continuando o sonho com as boas lembranças.

Piiiiuuuuííííí´!

O sol, muito quente, “secou” o café torrado. Agora tem que pilar naquele pilão que também serve para pilar urucu, arroz com casca, castanha e até para fazer paçoca (carne seca assada, misturada com farinha seca – para fazer a “rainha” da culinária da roça)

A sobra dos pedaços da rapadura será guardada numa lata hermeticamente fechada – servirá para “adoçar o café” ou para a Avó agradar os netos, premiando-os com alguns pedaços.

Rapadura quebrada em pedaços

Ainda na janela. O trem vai rápido, cada vez mais rápido. As paisagens ficam para trás. As curvas que o trem enfrenta pela frente, algumas estão cobertas pela fumaça feita pela queima da lenha da “Maria Fumaça”!

No banco do outro lado, uma mulher dorme. Difícil acreditar, mas ela consegue. As mulheres sempre conseguem o que parece impossível para muitos. Mas, elas serão sempre elas.

O café sendo pilado

Pilar o arroz (para retirar a casca), existe a cultura de que isso precisa ser feito a quatro mãos, num ritmo que somente os maestros de algumas orquestras entendem. Pilar o café é diferente. É feita apenas a duas mãos, para evitar que o pó precioso derrame.

O cuidado é extremo. E há quem afirme (claro que não é verdade) que, sendo pilado apenas a duas mãos, o produto fica mais gostoso e vai exalar um cheiro inconfundível na feitura do produto final.

A viagem continua – a “Maria Fumaça” continua soberba sobre os trilhos, queimando lenha e soltando fumaça em cada curva.

Fiiiuuuuíííííí!

Foto 6 – A obra-prima de qualquer dona de casa

No fogão a lenha, o fogo foi “atiçado” (coloca-se mais lenha para garantir mais fogo). Num arame que perpassa de um lado a outro da cozinha, uma lata com água e dependurada no arame é colocada à fervura. Coloca-se alguns nacos de rapadura (o café sai passado e adoçado – poucos usam o açúcar refinado) e, antes da fervura, acrescenta-se o pó do café.

Na ferrovia, a “Maria Fumaça” faz a última curva e diminui a marcha para parar na estação da vida – onde todas as lembranças serão entregues e todas as saudades serão aliviadas.

Vovó, mais feliz que os que vão usufruir daquela obra-prima, grita a todos pulmões:

– Geeeennteeee, o café tá passado e botado!

Os que gostam, se aproximam e se servem. Beijus, tapiocas, pães e até paçoca de carne seca com farinha.

Na estação, a “Maria Fumaça” estaciona para o desembarque de alguns e embarque de outros tantos.

Finalmente acordo e saio da janela.

Foto 7 – O café!